A saga dos Fernández de la Cigoña...

No final do jogo, tanto o rei como o peão voltam para a mesma caixa...
Os Fernández de la Cigoña são oriundos da Paróquia de San Nicolás de Bari, antiga igreja românica do século XII, em Avilés (Asturias/Espanha), pequena cidade à beira do mar Cantábrico.

Segundo o meu sobrinho Salvador F. de la Cigoña Fraga, que pesquisou o sobrenome da família nos registros dos livros paroquiais, diz que JUAN FERNÁNDEZ DE LA CIGOÑA, filho de Pedro Fernández de la Cigoña e de Dominga González, casou com Ana de Évia, antes de 1688 (quando começam os livros dessa paróquia!), e foram os primeiros que vieram à luz do meio das trevas dos tempos...

Este casal teve 6 filhos: Pedro (batizado em SET/1688, casou com Isabel de Valdés, ABR/1709), Juan (batizado em JUN/1691); Ángela (batizada em MAR/1693, casou Juan Martínez, em 1714 e após a morte deste contraiu segundas núpcias com Juan Rodríguez de León, em 1716); Juan Cruz (batizado em JUN/1696), JUAN (batizado em FEV/1700 e casado com Isabel Gonzalez. Tiveram um filho: JUAN ANTÓNIO) e Antonio (batizado em MAR/1704). Pelo que se vê, esta geração do século XVII, senhores rurais, batizavam seus filhos na antiga Igreja paroquial de São Nicolás de Bari e se casavam bem jovens, também na mesma Igreja. 

JUAN ANTONIO FERNÁNDEZ DE LA CIGOÑA GONZALEZ, filho de Juan e Isabel e neto do primeiro Juan, foi batizado em MAR/1725 na paróquia de San Nicolás de Bari. Casou jovem com Josefa González Reguerín, em 1745 e tiveram 5 filhos: María Josefa Ramona (batizada em AGO/1746), JOSÉ ANTONIO, Alonso (batizado em JUN/1750), Juan Antonio (batizado em FEV/1756) e Andrés (batizado em ABR/1758).

Chegamos assim à quarta geração com JOSÉ ANTONIO FERNÁNDEZ DE LA CIGOÑA GONZÁLEZ REGUERÍN, filho de Juan Antonio, neto de Juan e bisneto do primeiro Juan, casou aos 20 anos de idade com a formosa Bernarda Fernández Alonso de la Viña. Este casal teve também 5 filhos: María Francisca Ramona (batizada em OUT/1773 e morre viúva aos 33 anos de idade), MARTÍN (batizado em NOV/1775; casou aos 23 anos de idade com Josefa Manuela Fernández Castrillón), Ramona, (batizada em ABR/1778), Vicente (batizado em ABR/1782 e Ramón Antonio (batizado em ABR/1783). Esta geração do século XVIII, como a anterior, quebra a monotonia da vida pelas festas religiosas da paróquia e pelos casamentos, experiência festiva familiar e social. Professam a fé católica, mas parece não se envolver muito com os franciscanos da paróquia, pois dão frequentemente aos seus descendentes o nome de São Ramón, santo marcedário.

O tempo passa e assim chegamos a MARTÍN FERNÁNDEZ DE LA CIGOÑA FERNANDEZ, natural da mesma paróquia de San Nicolás/Avilés. Casou com a prendada donzela Josefa Manuela Fernández Castrillón, AGO/1788, e tiveram 6 filhos: CASIMIRO (batizado em MAR/1803, meu bisavô!), María de las Mercedes (batizada em SET/1804), Jerónimo María (batizado em SET/1806), Ciriaca (batizada em AGO/1810), Canuta Romana (batizada em JAN/1813) e Pedro (batizado em SET/1814). A geração do século XVIII fica morando na mesma Paróquia de nascimento, San Nicolás de Bari, não dão o nome do santo Padroeiro a nenhum dos filhos, embora sejam bastante originais nos nomes de alguns deles (Casimiro, Canuta, Ciríaca...). Meu bisavô abre horizontes e migra para outra cidade litorânea, Vigo, onde 150 anos depois, eu vou nascer.

E, agora, senhoras e senhores, tenho a honra de lhes apresentar o meu ilustre bisavô CASIMIRO FERNÁNDEZ DE LA CIGOÑA Y FERNÁNDEZ CASTRILLÓN, batizado na bendita paróquia de San Nicolás de Bari/Avilés, MAR/1803, mas que teve a coragem de partir para o diferente e entrar na política, pois será prefeito da pequena e antiga cidade de Bayona, a Real (1843-1844) e depois vereador, por diversas vezes em Vigo. Fez dinheiro e abriu uma empresa de frutos do mar, na Ramallosa/Nigrán, ao lado da belíssima ponte romana...

Meu bisavô CASIMIRO casou com Cipriana Conde y González Abarca, de família distinta e 15 anos mais jovem do que ele, em 1835, em Vigo e tiveram 13 filhos: Victorio (1839-1858); Epifanía (1840-1925) casa, aos 21 anos de idade, com José Ramón Curbera Puig; Sara (1843-1866), casou aos 16 anos de idade con Cándido Frucco Frucco, deixando um filho); Aurelia (1845) morre um mês depois; Severiana (batizada em NOV/1846); Obdulia (batizada em SET/1848); Albina (1849-1878); Julio (1851-1874), Aurelio (1853-1882), migrou jovem, com 19 anos, para Buenos Aires. Retornando, morre aos 29 anos de idade; Ubaldo (1854-1882), comerciante, poeta, também viajou para Buenos Aires, aos 19 anos de idade. Retornando se suicida no cemitério, diante da tumba da família; Carmen (1855-1860); FABRICIANO (oba! Este é meu avô!); e Elisa (1859-1869).

Esta geração da segunda metade do século XIX casam seus filhos com as famílias de maior renome e guardam, do jeito deles, a fé católica; ao mesmo tempo experimentam o desafio de um novo habitat e a morte trágica de entes queridos. Que dizer? Ao amar, todo amor se torna frágil e vulnerável!

E assim chegamos ao meu avô paterno: FABRICIANO FERNÁNDEZ (de la Cigoña) CONDE (1856-1934), nascido em Vigo e batizado oito dias depois. Como o pai dele, também ele sonha com novos horizontes e possibilidades e assim migra, em janeiro de 1873, rumo a Buenos Aires, onde se dedicará, por pouco tempo e junto com seus irmãos Aurelio e Ubaldo, ao comercio. Retornando, casa, em JUN/1891, com Ramona Serra Paraja, também de Vigo, filha de Pascual Serra Fonfreda (catalão!) e de Josefa Paraja Abella, (Asturiana!). Um irmão de Ramona é o pintor José Serra Paraja (1863-1931) que viverá e morrerá na Argentina. Meus avós mantiviram amizade com o famoso Isaac Peral (1851-1895), científico da Marinha e inventor de um tipo de submarino. Meu avô Fabriciano, também foi vereador.

Estes meus avós tiveram 6 filhos:
Ramona (batizada em MAI/1892), casou com Florencio Núñez;
FABRICIANO (1893-1955), meu pai.
Aurelio (1894-1945), casou com Blanca Banio e viajaram para Argentina. Tiveram um filho: meu primo argentino Luis Aurelio;
Waldo (1894-1950), irmão gêmeo de Aurelio. Casou com Iracema Laso de la Veja e vieram para S. Paulo. Este casal teve 5 filhos: Luisa, Waldo, Ramón José, Fabriciano y Josefita, meus primos brasileiros;
Josefita (1902-1982), solteira
Obdulia (1904-2001), solteira.

Tanto meu pai como seus irmãos e o meu avô não usaram o de la Cigoña, pelo qual o sobrenome quase se perdeu. Uma curiosidade, em 1927 o número de telefone deles era o 664 (quase!).

Meu pai FABRICIANO FERNÁNDEZ (de la Cigoña) SERRA (1893-1955), Jornalista (El Pueblo Gallego, Hoja del Lunes e da revista Vida Gallega) e presidente da Asociación de la Prensa de Vigo, casou com Josefina Núñez Saavedra (1910-1998), em Vigo (5/JUL/1939), filha do empresário industrial Estanislao Núñez Barrios, assassinado pelos republicanos em 1936. Meus pais tiveram 6 filhos:
Francisco José Fernández de la Cigoña Núñez (MAI/1940). Formado em Direito e Economia, casou com Maria del Carmen Cantero Núñez, minha prima, e tiveram 5 filhos: Francisco José, Carmen, Maria José, Isabel e Fernando e moram em Pozuelo de Alarcón (Madri).
Estanislao de Kostka Fernández de la Cigoña Núñez (JUL/1941), capitão da Marinha Mercante, casou com Victória Rodriguez da Conceição e tiveram 2 filhos: Estanislao de Kostka e Victoria. Mora em Porriño.
José Ramón Fernández de la Cigoña Núñez (AGO/1942. Padre jesuíta e no Brasil desde 1964;
Salvador Fernández de la Cigoña Núñez (OUT/1943). Profesor mercantil, casou com Marisa Fraga e tiveram 3 filhos: Salvador (autor desta pesquisa), José Ramón e Elena. Casado em segundas núpcias com Aroa Novôa,  tiveram a Pablo. Moram em Vigo;  
Fabriciano Fernández de la Cigoña Núñez (SET/1944). Médico Cardiologista, casou com Aurora Pastrana e tiveram duas filhas: Alejandra e Aurora. Moram em Vigo
Josefina Jacinta Mª del Socorro Fernández de la Cigoña Núñez  (NOV/1948), minha querida irmã, deficiente psíquica, que mora numa residência da Fundação San Rosendo, em Nigrán.
E assim se passaram mais de trezentos anos de história vivida e rapidamente contada... Só Deus sabe das nossas limitações e macelas, como também das coisas boas acontecidas e realizadas! Muitos casamentos, algumas infidelidades e uma fé católica pobremente vivida, mas passada contudo de uma geração a outra. Um dia ouvi a seguinte expressão: a bisneta é a cara da bisavó dela! Sei como somos e deduzo como eles seriam!

A saga dos Fernández de la Cigoña continua, entre tropeços e algumas distrações, rumo ao Amor, pois sem ele, não há vida, nem família, fraternidade ou humanidade. Na contemporaneidade que vivemos, onde a crise permeia tudo, é bom conhecer melhor as próprias raízes, para ser ser melhor irmão de todos. A vida, queiramos ou não, caminha para o mais diferente de nós mesmos!
* Fotografia superior. Meus avós paternos Fabriciano Fernández (dela Cigoña) Conde e Ramona Serra Paraja.
* Fotografia do meio. Meus irmãos: Francisco José, Fabriciano, Estanislau, Salvador e Josefina.
* Fotografia inferior. Meu pai: Fabriciano Fernández (de la Cigoña) Serra

8 comentários:

  1. Gostei de conhecer um pouco mais da sua história, Pe. Ramón. Como o senhor bem disse, "é bom conhecer melhor as próprias raízes, para ser ser melhor irmão de todos. A vida, queiramos ou não, caminha para o mais diferente de nós mesmos!".
    É uma benção quando termos uma família, laços que nos dê a chance de olharmos para trás e vermos que fazemos parte de um grande elo.
    Eu sempre procurei saber minhas "raízes", acho essencial para entendermos melhor a pessoa que nos tornamos.
    Grande abraço,
    Lylia

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  2. Boa noite, Pe. Ramón!
    Agora há pouco, senti uma saudade imensa das "tortillas", em Juiz de Fora. Preparei as batatas e... fui pesquisar na internet para descobrir notícias suas. Para minha imensa alegria, descobri o seu Blog. Sei que Deus continua iluminando seu caminho, fortalecido sempre pelos Exercícios Espirituais. De vez em quando, encontro-me com o Gibran e ficamos recordando o tempo bom que vivenciamos na Comunidade. Abs,

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  3. Meu querido primo, primo de minha mãe, meu primo também! Como foi bom ler e aprender um pouco da minha família. Beijos, saudades,
    Ass.: Josefa, Fefita, Pepita, filha de Maria Luisa Fernandes,filha de Waldo, mulher de Ricardo e que tivemos o imenso prazer de receber em nossa casa no Rio de Janeiro Aguardamos nova visita! Será sempre bem vindo. Besitos

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    1. Minha querida prima segunda, carioca, moradora da Península (Barra) e excelente cozinheira... (Cf. Blog da Zefinha)

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  4. querido primo, primo do meu pai que tem quase seu nome Ramon Jose Fernandéz Lasso de La Vega filhos de ( corrigir acima ) Waldo e Iracema Fernadéz LASSO DE LA VEGA , e Ramon José casou se com Wilma Guedes Lessa ( não Lasso quase) e nasci eu filha única MARLY GUEDES FERNANDÉZ LASSO DE LA VEGA , obtive minha cidadaninha espanhola e fui registrada como MARLY FERNANDÉZ LESSA ( que coisa mais esquisita ficou meu nome) adoraria ter mantido La Cigõna ou Lasso de La Vega, mas nos brasileiros fica dificil de entender, mas assim ficou e assim vai ficar.... Primo meu tio tambem, o vejo bastante porque casamentos e batismo faço questão que todos tenham sua benção.. e assim vamos seguindo... sempre conectados não só pela fé,mas pelos laços(lassos) de familia.bjs em seu coração cheio de luz e maravilhoso.

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    1. Minha querida e simpática prima segunda Marly, paulista...

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  5. Olá padre Ramón, o senhor será o mesmo padre Ramon que conheci no ISI, Instituto Santo Inácio, no bairro Planalto, em Belo Horizonte? Em 1977 eu era adolescente e frequentava a maravilhosa Tarde de Oração e encontros para a juventude que aconteciam naquela casa e que marcaram a minha formação cristã. É uma pena que hoje os padres não se preocupem em organizar encontros como aqueles, os jovens precisam destes momentos fortes de experiência de Deus. Muito obrigada por tudo. Um abraço Maria Raquel de Carvalho

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