Não tenhais medo!

'Pomba da Paz' solta pelo Papa Bento XVI é atacada por uma gaivota...
Compartilho algumas reflexões para serem enriquecidas por vocês, neste tempo de Sede Vacante.

O gesto de renuncia de Bento XVI é de uma importância colossal para a vida da Igreja e suas consequências teológico-pastorais demorarão algum tempo para serem assimiladas. O gesto de renuncia ao exercício do ministério petrino tem um alcance teológico muito maior do que se pode imaginar! Daí o interesse da mídia!

Vejamos algumas possíveis consequências que só serão digeridas a meio-prazo:

1. O ministério petrino não é ad vitam, isto é vitalicio! Ser bispo de Roma e por isso Papa é apenas um serviço na Igreja, para a Igreja e o mundo. Só isso: um carisma! Com a renuncia do dia 28/FEV caíram por terra algumas falsas e antigas 'divindades'... e mais uma vez, o Espirito Santo nos surpreende, abrindo horizontes de esperança e vitalidade, onde pessoas profundamente conservadoras não imaginavam ser possível.

2. Entre as tradições ‘eclesiais’ e a própria consciência, Bento XVI optou pela última. Esta renuncia abre as portas para outras reformas necessárias na Igreja. Caiu uma pesada tradição de quase 6 séculos, que nos condicionava a quase pensar que o Papa não podia renunciar... E renunciou! A consciência do maior bem para a Igreja e a de um ministério petrino (Papal) adequado o levaram a tomar essa decisão. Não tenho mais condições físicas para exercer este ministério!... Um bem maior se impõe e uma decisão enorme é tomada; decisão que poderá mexer com outras muitas tradições... Daí o pânico dos mais tradicionalistas!

3. O Cristo Ressuscitado é o único Senhor da Igreja. O Concílio Vaticano I (1869-1870), pelas circunstâncias históricas da época (unificação da Itália assimilando os Estados Pontifícios!), destacou na sua eclesiologia inacabada (interrompida pela guerra germano-francesa) a figura do primado do Papa e o seu mistério petrino. A colegialidade da Igreja, que viria logo depois, não foi contemplada, pelo início dos conflitos bélicos entre países de maioria católica. Só 100 anos depois, o Vaticano II voltará sobre esse tema.
O grande destaque dado ao ministério Papal (quase esquecendo que ele era Papa por ser Bispo de Roma!), acabou por ocultar o principal: o de ser um ‘sinal’ da presença absoluta de Cristo Ressuscitado na sua Igreja. O que era ‘secundário’ (ministério do Papa) acabou por ofuscar o ‘principal’ (Cristo Ressuscitado, Senhor da sua Igreja!).
Com a renuncia acontecida, percebemos melhor que o 'ministério petrino' é sinal de uma outra realidade, muito maior e que o ministério do Bispo de Roma como Papa, deve apontar só para o Cristo Ressuscitado. Essa missão, por mais importante que ela seja, é sempre temporária e passageira. Não podemos confundir a realidade do Senhor Jesus vivo e ressuscitado com os ‘sinais’ que o fazem presente.

4. Maior diversidade na única catolicidade. A renuncia de Bento XVI mexeu nos porões da tradição eclesial, pois o Papa não falou só em seu nome, pessoa singular, mas em nome da Igreja, pois pessoas concretas dela (conselheiros, médicos...) o ajudaram a aprofundar seu pensamento e a concretizar a sua decisão. Não falou só ‘Simão/Pedro’, como indivíduo singular, mas ‘Pedro’, pessoa da Igreja e em nome dela que é ‘católica’, e por isso diversa.
As consequências desta renuncia são ainda imprevisíveis. Uma coisa é certa, nunca vimos coisa semelhante e maiora videbimus (veremos ainda coisas maiores!)
Parece como se a bela adormecida tivesse acordado com nova vitalidade e que oportunidades extraordinárias despontam no nosso horizonte. Trazem insegurança? Causam medo? Mas o Senhor ressuscitado disse mais de uma vez: Não tenhais medo! E nós acreditamos nele!

Uma pergunta: Você poderia acrescentar outras possíveis consequências?

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