17. Maturidade humana e consistência Vocacional...

Aos poucos vou tentando me transformar... 
O grau de maturidade necessário para optar pela Vida Consagrada ou Sacerdotal é ter um desenvolvimento humano normal, conhecer as próprias limitações e qualidades e tomar decisões importantes e significativas. A imaturidade afetiva impede tudo isso, por restringir os relacionamentos interpessoais e o sentido da verdadeira solidão (estar bem consigo mesmo!).

Características da maturidade vocacional:
1. Superação da frustração. O imaturo não suporta esperar, pois isso é vivido como grande ameaça. Crítica corrosiva, fechamento, desorganização da personalidade são consequências desta frustração. 

2. Controle da insegurança. O imaturo se desorganiza emocionalmente diante dos desafios e perigos, com reações negativas desproporcionadas e de tipo infantil.

3. Discernimento diante das solicitações. A pessoa madura permanece senhor de si e coerente com seus valores, mesmo diante da pressão dos outros. Sabe dizer sim ou não, sem grandes dramas ou angustias.

4. Adaptação às situações novas. Diante das novidades a pessoa madura não se desorganiza emocionalmente, permanecendo substancialmente fiel aos seus valores. O imaturo, pelo contrário, sente-se ameaçado e recorre a comportamentos infantis, pelo medo de se expressar ou se arriscar em um grande e belo projeto de vida. O sentido de pertença e a satisfação pessoal são um bom referencial.


5. Capacidade de autocontrole. A pessoa madura permanece coerente com seus valores e princípios mesmo na ausência de pessoas significativas para ela, pois vive a partir de valores internalizados. O imaturo agarra-se às pessoas ou aos regulamentos externos, para sentir-se seguro.


6. Movido por um ideal. O ideal verdadeiro provoca e impulsiona positivamente; o ideal falso é  dispersivo e irreal. Os valores inspiram nossas decisões. As inclinações, para serem tomadas a sério, devem ser constantes e não caprichos passageiros ou fruto de sentimentalismos momentâneos. É preciso, pois, analisar as convicções e as motivações básicas e consistentes que temos.


7. Comportamento flexível e criativo. A pessoa madura leva em consideração a realidade social em que vive, adaptando o próprio comportamento. Diante de pontos de vista divergentes, a pessoa madura sabe distinguir o essencial do acidental. O imaturo, pelo contrário, não tem jogo de cintura, pois se fixa rigidamente em posições egocêntricas, e não enxerga as exigências dos outros.


8. Aceitação do passado. Lembranças dolorosas ou felizes, acontecimentos experimentados não provocam desorganização interior na pessoa madura, pois sabe tirar proveito tanto dos seus sucessos como dos seus fracassos. Ele faz da sua história limitada uma verdadeira História de salvação! Ressentimentos, mágoas, depressões... são expressões de um passado reprimido que perturba, desqualifica e produz um comportamento inadequado. Uma leitura REDENTORA do próprio passado, rompe os possíveis laços neurotizantes que nos habitam.


9.  Memória agradecida. A memória exerce um papel importante na individuação de nossa personalidade, pois arquiva registros vividos que nos governam e desorientam. Não há mudança possível sem a conversão da MEMÓRIA. Recordações negativas não ajudam! Dois pensamentos interessantes: O importante não é o que fizeram comigo mas o que eu faço com o que fizeram comigo (Sartre). Podemos não ser responsáveis pelos nossos problemas ou imaturidades, mas sim das atitudes que tomamos em face deles (V. Frank).

Um vocacionado ressentido com sua história pessoal e familiar e rancoroso com o mundo que o cerca  será também um adoentado na mente, no coração e na consciência. Provavelmente essa “vocação” se assemelha mais a uma defesa do que compromisso de comunhão com Deus e de solidariedade fraterna. Apenas uma consciência positiva pode registrar um CHAMADO em sua memória!

10. Exercício da liberdade. Entendo a liberdade como a possibilidade de escolher aquilo que tem maior significado de abertura e realização. Na nossa vida existem áreas livres de conflitos e nelas podemos colocar nossas opções fundamentais. Liberdade evoca responsabilidade: quanto mais livres, mais responsáveis!

A pessoa imatura tem medo da sua liberdade, da responsabilidade, dos seus sonhos melhores e até de se comprometer para sempre.

11. Capacidade de dar e de receber. A pessoa madura tem uma disposição altruística e sabe se doar aos outros. O imaturo, pelo contrário, não consegue se abrir nem se doar.


12.  Aceitação do sentido de culpabilidade. A pessoa madura toma consciência dos erros cometidos, sem tentar negá-los; aceita-os com responsabilidade e os utiliza para melhorar. O imaturo, pelo contrário, é engulido pelo sentido de CULPA, assumindo atitudes improdutivas e autopunitivas.


13. Capacidade de esperar. A pessoa madura vive intensamente o presente sem presa e com sentido de confiança no futuro. O imaturo não suporta a ânsia da espera e não sabe protelar a satisfação dos próprios impulsos.


14. Poder de sublimação. A pessoa madura investe suas energias no compromisso assumido, enfrentando generosamente as privações que isso exige, sem grandes frustrações. Mais importante do que vestir um hábito religioso é revestir-se de hábitos interiores! Internalizar valores, suscitar pertença, deixar de lado o que não é compatível com a condição assumida. Os valores religiosos estimulam a pessoa a ir além, a ousar e ir para as novas fronteiras.


15. Conscientização. Quem é maduro têm consciência das próprias ações, intenções e sentimentos, sem se assustar. Não projeta sobre outros as próprias culpas e defeitos, como faz o imaturo!


16. Elaboração das perdas. As perdas fazem parte da vida e ninguém se constrói sem elas. Quem não aprende a perder não cresce. As perdas são conseqüências de escolhas e decisões e, às vezes, exigem luto. Não é fácil renunciar! Há defesas internas contra as perdas:  depressão, ansiedade, medo, passividade emotiva...


17. Capacidade de amar e ser amado. A estrutura vocacional é relacional. Sentir-se chamado e amado é fundamental. Esse é o ponto de partida, a experiência psicológica de base que faz possível a resposta e o seguimento e isso implica em abandonar a dependência afetiva e o medo de não ter sido amado o suficiente. Quem foi amado, saberá amar! 


18. Experiências de integração. A pessoa madura unifica equilibradamente no seu eu profundo, seus impulsos, sentimentos, desejos, projetos e paixões, sendo capaz de ternura e de se colocar a serviço. A pessoa imatura vive a sobreposição de valores (antigos e novos!) e a multiplicidade de mapas de orientação de vida, o que gera grande confusão. 


19. Amor alterocêntrico.  A pessoa madura confia nos outros, pois confia também em si mesma. A auto-aceitacão lhe permite estabelecer relações interpessoais de modo aberto e não competitivo ou agressivo; evita a dependência infantil e a independência do adolescente. 


20. Identidade pessoal. A pessoa madura é capaz de responder à pergunta: "Quem sou eu?", pois tem uma identidade definida. O sentido de identidade é fonte de profunda satisfação. O contrário seria a dispersão da identidade, até mesmo de gênero.


Uma pergunta: Você é uma pessoa integrada e madura?

Um comentário:

  1. Pe. Ramón! Esses passos são realmente um tesouro para quem almeja o melhor para si e para o outro, ler, memorizar e praticar. São caminhos de luz que orientam, que ensinam, assim como temos alguns livros de cabeceira, penso que uma cópia desses passos, é bom também ter em nosso acervo particular, e sempre que puder dar uma repaginada. Quem ama corrige, porque, quer ver acertos. Agradecida.

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