Minhas neuroses, minha vida...

As palavras me escondem sem pudor...
Dizem que todos somos neuróticos e que as neuroses fazem parte do ser das pessoas inteligentes, pois elas pertencem ao tempo do uso da razão. A neurose reprime o estágio anterior, o das emoções e dos impulsos primários da  vida, e impedem de enfrentar a realidade.

Não é fácil viver o presente sem escapar para o futuro, ainda não vivido ou escorregando para o passado das nossas seguranças conhecidas. As neuroses não nos deixam viver em profundidade (sentindo e saboreando no dizer dos Exercícios Espirituais) o momento presente. Conheço pessoas que fazem 4 coisas ao mesmo tempo e outras que mal conseguem fazer só uma. Adivinha por que ambas são neuróticas?

No artigo Gracias a la vida víamos o ser adulto na sua face externa, envelhecendo. Agora o veremos por dentro, como uma totalidade sem fases (jovem, média e terceira idade...), mas reagindo de modo diferente diante de estímulos idênticos para evitar o desafio da realidade apresentada. A ação é do outros, mas a reação é minha dizia-me uma jovem senhora.

Sabemos que a realidade não deve ser negada nem reprimida, apesar dos desafios emocionais experimentados. Os psicóticos (problema emocional maior e mais grave!) não enxergam os outros e não sentem culpa por isso; os neuróticos tentam escapar, e quando o fazem sentem-se culpados. Alguns, nesses momentos de maior pressão emocional, estouram instintivamente (tenho pavio curto, dizem) e outros se fecham hermeticamente ruminando seus sentimentos frustrados.

Como viver o presente sem medos e sobressaltos? As neuroses são sempre uma agressão pessoal e ecológica, pois devastam o melhor de nós mesmos com o seu característico complexo de culpa mal resolvido. Daí, os diversos mecanismos de defesa apresentados... São tantos! O mais saudável é o da sublimação, pois sem querer nos coloca no caminho da superação e da transcendência.

O inconsciente é o lugar das mentiras psicóticas (desconstrução da sensibilidade) e das mentiras neuróticas (desconstrução da lógica). Precisamos partilhar o que sentimos e o que pensamos sem medo de sermos julgados, reprimidos ou castigados. O tempo presente é precioso, por mais tormentoso que nos pareça...

E você o que acrescentaria a este assunto?  



Um comentário:

  1. Muito bem escrita sua reflexão. Comece a desenvolver sobre medo e ansiedade... Abs D.M

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