Clero casado?

Paulo VI, na introdução da “Sacerdotalis Caelibatus”, expõe 7 objeções contra o celibato sacerdotal, que não o convenceram a mudar esta lei eclesiástica, para fazê-la opcional:

1. O NT não exige o celibato dos ministros e o propõe como especial vocação (cf. Mt 19, 11-12). Nem Jesus nem os apóstolos propuseram esta condição para a eleição dos doze nem para os responsáveis das primeiras comunidades cristãs. (cfr. 1 Tim 3, 2-5;Tit 1,5-6) (n.5).

2. Os Padres da Igreja recomendam ao clero mais a abstinência no uso do matrimônio do que o celibato... Razões? Excessivo pessimismo sobre a condição humana e a necessidade da pureza ritual necessária no contato com as coisas sagradas... Argumentos hoje pouco convincentes! (n. 6).

3. Por que unir ministério sacerdotal com o dom do celibato? (n. 7).

4. A obrigatoriedade do celibato exclui muitos do ministério, influindo na escassez do clero. (n. 8).

5. Ser casado e também ordenado permitiria, aos ministros de Cristo, dar um testemunho mais completo de vida cristã, incluso no campo da família... (n. 9)

6. O sacerdote celibatário encontra-se numa situação física e psicológica antinatural, forçado frequentemente à solidão e o desânimo. (n. 10).

Nenhuma destas razões fizeram mudar o pensamento do Papa Paulo VI, preferindo ficar mais na velha lei eclesiástica do que na lei do Evangelho.

A separação do ministério sacerdotal do celibato não é ir contra o celibato. Haverá sempre um clero casado (secular) e outro celibatário (religiosos). O ministério sacerdotal seria exercido por ambos cleros, como ocorre na Igreja católica de rito oriental.

Este é o primeiro passo, para depois chegar à ordenação ministerial das mulheres.

E você, o que acha desse tema?

12 comentários:

  1. P. Ramón,
    Parabéns por trazer para reflexão um tema tão importante e pertinente nos dias de hoje.

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  2. Hum, assim não vale... Se Paulo VI expôs sete objeções contra o celibato, mas não aceitou nenhuma (nem em separado, nem em conjunto), mantendo o celibato clerical, certamente também expôs seus motivos para essa decisão... Então, citar só um lado da história não é, digamos, muito razoável.

    Sim, a Igreja Ortodoxa admite que os presbíteros sejam casados. Mas isso também é uma informação fragmentada. Por exemplo: os bispos devem cumprir o celibato. E, o que me parece ainda mais relevante, quando o candidato ao sacerdócio entra no seminário, já deve optar se será casado ou não - pois a noiva (sim, não namorada, a noiva) também cumprirá um período de formação no seminário... Para quem não entendeu: as esposas dos padres que se casam na Igreja Ortodoxa também fazem seminário (em geral, junto e pelo mesmo período que o marido - e nem por isso se cogita estender o sacerdócio às mulheres).

    Vamos por lenha nessa fogueira: quantos divórcios não seriam evitados entre os fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana se ao invés daquele cursinho de noivos ridículo que os casais são obrigados a fazer, cumprissem uma preparação, digamos, mais catequética? Será que nenhum cardeal, bispo ou teólogo não se deu conta ainda que a falta de preparação adequada aos noivos tem condenado inúmeros fiéis ao inferno?Pois, segundo o catecismo, o que Deus uniu, o homem não pode separar; logo, para aqueles que contraíram matrimônio e depois se separaram, só é possível viver em estado celibatário, sob pena de adultério... Aquele que contrai segunda união, portanto, vive em estado de adultério - não pode se confessar, não pode comungar e, com raras exceções, não pode sequer participar da vida comunitária (apesar que nunca recusaram o meu dízimo...).

    Antes de estender o matrimônio aos sacerdotes é preciso e urgente resolver ou pelo menos encaminhar soluções para o matrimônio entre os leigos...

    Marcelo Lima

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    1. Caro Marcelo,

      Desculpe-me, sou leigo e nunca nem passei perto de uma faculdade de teologia. Mas sinto muita dificuldade em entender como Jesus deixaria existir uma situação em que a pessoa i) seria condenada para sempre e ii) sequer poderia pedir perdão.

      Creio que estou desviando do tópico e acho que vc levantou pontos pertinentes, mas será que não estamos deixando algumas regras tomarem o lugar da essência da nossa fé, que é o amor?

      Acho importante valorizar o matrimônio, já que é um lindo pacto de vida que duas pessoas fazem. Mas, como jurista, sei bem o quanto o excesso de regras nos desvia do mais importante. No nosso caso, Cristo.

      Um abraço,
      Rodrigo

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  3. Concordo plenamente, com a exposição acima.

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  4. "Será que nenhum cardeal, bispo ou teólogo não se deu conta ainda que a falta de preparação adequada aos noivos tem condenado inúmeros fiéis ao inferno?". Desculpe-me, mas esse tipo de reflexão é assustadora e pueril.

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  5. Há mais problemas na formação sacerdotal do que na exigência do celibato.

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  6. Por que no? . Pudiera ser en un futuro cercano que la iglesia toque este tema que casi es un tabu para la sociedad. Muchos apostoles de Jesus. eran casados. Asi que no era una condicion para seguir a Jesus. La iglesia instauro el celibato sacerdotal, este podria revertise y podria opcional. Se que hay muchos sacerdotes que actualmente estan casados por juzgados y tienen familia propia. Ellos aman la vida sacerdotal, pero por razones del corazon que la razon no conoce, optaron por formar un hogar y para ello tuvieron que renunciar al Ministerio Sacerdotal. En fin, Es posible que la Iglesia en un futuro, revise el Celibato.... (A.B)

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  7. Não chegaria nem a descer às minúcias de todos esses "detalhes" enumerados no artigo - por sinal, excelente... Mas duas coisas são certas, sacerdócio à parte: as pessoas solteiras têm problemas relacionados a estarem sozinhas. As pessoas casadas têm problemas relacionados à companhia. Há pessoas que têm mais recursos próprios para lidarem com os problemas da solidão. Outras, têm mais recursos próprios para lidarem com os problemas da companhia. Bom seria se cada um de nós fosse mais fiel às suas aptidões... Outra coisa é que conheço o ritmo e o estilo de vida de muitos padres. E de alguns homens que, sem serem padres, têm dedicação prioritária à missão evangélica: Pode apostar: nenhuma esposa, nenhuma família sobrevive. rsrsrs... (M.V)

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  8. Por que no? . Pudiera ser en un futuro cercano que la iglesia toque este tema que casi es un tabu para la sociedad. Muchos apostoles de Jesus. eran casados. Asi que no era una condicion para seguir a Jesus. La iglesia instauro el celibato sacerdotal, este podria revertise y podria opcional. Se que hay muchos sacerdotes que actualmente estan casados por juzgados y tienen familia propia. Ellos aman la vida sacerdotal, pero por razones del corazon que la razon no conoce, optaron por formar un hogar y para ello tuvieron que renunciar al Ministerio Sacerdotal. En fin, Es posible que la Iglesia en un futuro, revise el Celibato.... (A.B)

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  9. Acho imensa prova de machismo as mulheres não poderem ser ordenadas. A demora em modificar esse costume só depõe contra a Igreja Católica.

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  10. SOU CONTRA ,SOU CASADA E VEJO AS PREOCUPAÇÕES QUE TEMOS COM A FAMILIA E COM OS FILHOS .NO ENTANTO SE O PADRE FOR CASADO COMO ELE VAI TER DISPONIBILIDADE PARA A SUA IGREJA PARA SEUS PAROQUIANOS .ACHO COMPLICADO CONCILIAR AS DUAS COISAS .QDO SE É SOLTEIRO TEM MAIS DIREITO E TEMPO DE IR E VIR E VAI SERVIR MELHOR A IGREJA ... C.R.P.R)

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  11. Jesus não se casou, Paulo não se casou e João não se casou. Os que se casaram fizeram bem, mas os que não se casaram, por amor ao Reino de Deus, fizeram melhor ainda. Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.

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