Acidentes e percalços... (Autobiografia de S. Inácio de Loyola)

Eu quebrei e fui rasgado...
Chegou o dia em que se esperava o assalto. Então se confessou com um de seus companheiros de armas. Depois de durarem um bom tempo os tiros de artilharia, uma bombarda lhe acertou numa perna e a quebrou toda. A bala lhe passou entre as pernas, deixando a outra também bastante ferida (Autob. 1)

Há experiências inesquecíveis que lembramos com detalhes e não se apagam, mesmo com o passar do tempo. Datas memoráveis, significativas que deram novo empurrão à vida. O que parecia ser uma desgraça se transformou, misteriosamente, numa grande graça. 

Todos guardamos com carinho algumas dessas datas na nossa biografia. Ínhigo de Loyola tem o dia 20/MAI/1521, como um marco fundamental na sua vida e eu o 20/AGO/2010, com minha cirurgia cardíaca. Ele, derrubado por uma bombarda, chorava mais de raiva do que de dor. Por primeira vez sentia-se vencido e nas mãos dos seus inimigos.

Derrotado e prostrado, sentia esvair seus sonhos mundanos. Foram duas semanas entre a vida e a morte. Nunca se sentira tão frágil e dependente da boa vontade daqueles que nunca estimara. Quando machucados e feridos, o orgulho e a sensualidade parecem adormecer e a gratidão, pelos curativos recebidos, nos faz mais humildes e fraternos.

Oxalá os acidentes e obstáculos sofridos nos percalços da vida nos façam mais solidários e nos aproximem dos outros com maior ternura. Assim aconteceu com Inácio de Loyola e, de certa forma, comigo também.

Uma pergunta: O que você aprendeu com os seus tropeços e percalços?

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