Dom Cristiano Guilherme Borro Barbosa nasceu em 11/OUT/1976, em Adamantina, na Diocese de Marília. Formou-se em Filosofia pela Universidade do Sagrado Coração de Bauru, e cursou a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerai, Belo Horizonte, obtendo o título de Mestre em Psicologia.

Foi ordenado sacerdote pela Diocese de Bauru em 22 de dezembro de 2007 e incardinado pela Arquidiocese de Boston em 2021.

ordenação episcopal foi em 3 de fevereiro de 2024

O irmão mais velho mora em Itu, SP.

 



 

Tu, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não vejam que tu está jejuando, mas somente teu Pai... (Mt 6,17-18).



Começamos a Quaresma com o rito da “imposição das cinzas”..  O silêncio do deserto nos ajuda a encontrar nosso centro, a partir de onde podemos acertar em nossas opões vitais, sem cair nas armadilhas do ego.

A Quaresma é um tempo privilegiado de discernimento e mudança; ela desvela as grandes carências existenciais que nos afligem e nos desumanizam. Há uma “carência radical” que nos afeta a todos. Profundas rupturas fraternas que se expressam numa cultura do ódio, violência, intolerância e preconceito... Precisamos, neste tempo litúrgico especial, reforçar os nossos laços fraternos, reconstruir os vínculos quebrados e alimentar a comunhão entre os diferentes. Quaresma é um tempo de graça.

Para tornar a nossa vida mais fraterna a Campanha da Fraternidade da Igreja no Brasil nos situa diante desta dura realidade que nos escandaliza. Com o provocativo tema - “Fraternidade e amizade social” – e o lema – “Vós sois todos irmãos e irmãs” (Mt 23,8) - somos chamados a despertar nossa sensibilidade solidária. Não podemos continuar passivos e indiferentes frente a desumana. Onde há divisões e conflitos é sinal de que o Evangelho não é vivido de modo coerente por nós.

O caminho da Quaresma passa pelo coração. Somos chamados a retornar a Deus “de todo o coração”, a não nos contentar com uma vida medíocre. E quando cresce a amizade com o Senhor também amadurecemos nossa amizade com os outros.

Assim, a Quaresma se apresenta como um momento privilegiado para ativar nosso espírito fraterno

Viver a cultura do encontro fraterno é ativar nossa própria capacidade de contemplação, de compaixão, de assombro, de escuta das mensagens e dos valores presentes no mundo à nossa volta. Viver uma relação sadia com todos e com tudo.

O gesto de receber as cinzas sobre nossas cabeças tem o sentido de caminhar em direção ao “centro de nosso ser”, conscientes de que este caminho nos humaniza e nos diviniza ao mesmo tempo.

Os grandes momentos de nossa vida pedem uma “parada”, um tempo de preparação. Há sempre o perigo da improvisação e do imediatismo. A vida tem seu ritmo, como a natureza tem suas estações. É hora de parar, quebrar o ritmo estressante, frear nossos pensamentos, sentimentos, afetos desordenados, esvaziar o nosso ego para nos deixar conduzir pelo mesmo Espírito de Jesus.

Para viver com mais intensidade o espírito quaresmal, a liturgia nos propõe três atitudes que nos descentram e nos fazem entrar no ritmo da radical gratuidade: oração, jejum e a esmola (caridade fraterna).

Este é o sentido da quaresma cristã: ao lembrar-nos de nossa precariedade: Para quê e para quem vivemos? Só para acumular e encher nossos “celeiros”?...

Jesus, ao recuperar o sentido verdadeiro destas três práticas quaresmais, nos “revela” aquilo que os hipócritas escondem: o que a esmola, a oração e o jejum têm em comum é que precisam ser vividas no “escondimento”. O essencial da vida, que é o amor, sempre é discreto. O que não é essencial faz barulho, como a vaidade, o prestígio social, o querer despertar uma boa impressão nos outros...; tudo isso é pura hipocrisia.

Quaresma pede humildade e sinceridade de coração.

Texto bíblico:  Mt 6,1-6.16-18

- Como você se propõe a viver as “três práticas quaresmais: oração, jejum e esmola?

- O tema da CF deste ano (fraternidade e amizade social) tem ressonância em seu interior? Que gestos concretos você poderia assumir para romper com essa cultura do ódio e da indiferença que provoca tantas divisões?



 

 

 


Inácio de Loyola (1491-1556) viveu tempos de mudança, agitados, transbordantes de novidades e que punham em questão os valores até então reinantes. Após sua conversão, este homem passou a viver contínuos deslocamentos, internos e geográficos tornando-se um peregrino do Absoluto.

 

Este Peregrino avança como homem livre, sem deixar-se aprisionar por nada nem por ninguém, aberto aos acontecimentos, pronto a servir a Deus nos outros. A peregrinação interna e geográfica o torna mais humano.

 

Segundo a tradição oriental, quanto mais próximo do chão estiver o corpo, mais livre fica a mente e mais sensível o coração. Quanto maior a proximidade e intimidade com a terra, mais profunda será a experiência espiritual.

 

Cada passo é uma oração e o caminhar um rosário de contas de boas ações. Não há uma “Terra Santa”, mas uma maneira santa de caminhar sobre a terra. É a nossa maneira de caminhar sobre a terra que a torna sagrada.

 

Mudar o nosso modo próprio de caminhar não é somente uma terapêutica psicossomática, mas pode ser um bom exercício espiritual. É aceitar-se em nossa dimensão terrosa (húmus), humana e adâmica.

 

O equilíbrio do corpo e o do nosso psiquismo dependem deste enraizamento. E se as raízes são sadias, a árvore será boa. 

 

A tradição dos Padres do Deserto diz que todos nós temos os pés vulneráveis, feridos e maltratados. E temos necessidade de sermos curados no nível de nossos pés. Precisamos fazer o caminho que vai dos “pés inchados e feridos” aos “pés alados”; partimos de nossos pés pesados como se tivéssemos um fardo de memórias para carregar conosco. Este fardo de memória nos entrava a marcha e nos impede o caminhar.

 

1º Loyola, em direção à própria interioridade. A grande originalidade da história e da vida de Inácio é a que aconteceu dentro dele mesmo. Sua principal contribuição à história da humanidade não é o que pessoalmente ele realizou, mas a descoberta de seu “mundo interior”, do coração, onde acontece o mais importante e decisivo de cada pessoa.

 

O tempo de sua convalescença foi a mediação histórica de que Deus se valeu para irromper na vida daquele homem. tudo começou com a leitura de alguns textos (“Vita Christi” e “Legenda Áurea”). Foi, para ele, a primeira porta de acesso ao Mistério.

“Como era muito dado a ler livros mundanos e falsos, que costumam chamar de cavalarias, sentindo-se melhor, pediu que lhe arranjassem alguns deles para passar o tempo. Mas naquela casa não se encontrou nenhum dos que costumava ler. Deram-lhe então uma Vita Christi e um livro da vida dos Santos romanceada. Lendo-os muitas vezes, ia-se afeiçoando lentamente ao que ali estava escrito. Mas, deixando-os de ler, algumas vezes parava a pensar no que havia lido” (Aut. 5 e 6)

                                                                  

Da “leitura do texto”  à “leitura de si mesmo”: este é o primeiro deslocamento que Inácio experimenta em seu interior. Inicia-se uma travessia do “texto escrito” ao “texto da vida”Leitura provocativa e questio-nadora, pois ela desmonta uma estrutura fincada em falsos fundamentos e desperta o desejo de construir a vida sobre uma nova base. Leitura conflituosa, marcada por resistências e medos…, mas, ao mesmo tempo centrada, com pausas para reflexão sobre as reações que ela despertava. Leitura comprometida.

 

Imobilizado e impossibilitado fisicamente, Inácio se surpreende a si mesmo escavando e trazendo à tona toda sua capacidade de aventura neste continente inexplorado (o de seu mundo interior). Enquanto seus contemporâneos aventuravam-se na descoberta de novas terras, seu descobrimento não é menos importante nem de maior alcance que o daqueles. Sem ruído, sem galeões, sem dinheiro, sem pólvora, sem armas, sem sangue, sem violência, sem vencidos e humilhados, Inácio abrirá caminhos nesse continente interior, próprio e de cada ser humano.

 

2º Manresa (Cardoner).“Uma vez ia, por devoção, a uma igreja que estava mais de uma milha de Manresa. Creio que se chama São Paulo, e o caminho vai junto do rio. Indo assim em suas devoções, assentou-se um pouco com o rosto para o rio, o qual ficava bem em baixo. Estando ali assentado, começaram a abrir-se-lhe os olhos do entendimento. Não tinha visão alguma, mas entendia e penetrava muitas verdades, tanto em assunto de espírito, como de fé e letras. Isto, com uma ilustração tão grande que lhe pareciam coisas novas. Não se podem declarar os pormenores que então compreendeu, senão dizer que recebeu uma intensa claridade no entendimento. (Nisto ficou com o entendimento de tal modo ilustrado, que lhe parecia ser outro homem e ter outro entendimento, diferente do que fora antes)” (Aut. 30).

 

Este texto da Autobiografia de Inácio nos remete à experiência fundante de sua vida. No espaço entre a estradae o rio revela-se o “caminho do Amor de Deus” rumo ao ser humano. Esta experiência significa abertura, dilatação do coração na fé, expansão da consciência ao ver que tudo parte de Deus (Fonte do rio da vida) e tudo volta para Deus (rio que mergulha no Mar). Inácio acolhe, escuta e reconhece o murmúrio da voz de Deus, que, como um rio calmo e ao mesmo tempo vivaz, o acompanha da nascente ao mar aberto.

 

experiência de Inácio à margem do rio Cardoner o conduz à outra fonte, aquela que brota do coração, e que estava ressequida, impedindo-o de reconhecer o murmúrio da água viva. “Uma água viva murmura dentro de mim e me diz: Venha para o Pai” (S. Inácio de Antioquia).

 

Foi a “ilustração” junto ao rio Cardoner que o fez perceber que o sentido da própria existência é deixar-se conduzir pela força do Espírito, assim como as águas do riacho se deixam conduzir em direção ao Grande Oceano. Abandona sua solidão na gruta, seu coração se expande e se abre a uma experiência universal.

 

3º Jerusalém-Roma. itinerário não é unicamente geográfico. Mais que um simples deslocar-se, trata-se de um modo de viver e de situar-se no mundo. Em sua breve estadia na Terra Santa, Inácio ficou muito marcado com a imagem do Cristo companheiro, que o chama a trabalhar com Ele. Em cada canto daquela terra ele “via” Jesus ocupado em estabelecer o Reino do Pai. E não estava só, mas com o grupo dos apóstolos, companheiros de Jesus e companheiros entre si.

 

chamado de Jesus feito aos apóstolos e o posterior envio deles para a missão, são duas páginas do Evangelho que marcaram profundamente Inácio e que se encontram refletidas nas meditações mais tipica-mente inacianas: o chamado do Reino, as Duas bandeiras, os Três binários.

 

Depois de ter posto materialmente seus pés sobre as pegadas de seu Senhor e beijar o solo que Ele havia pisado, Inácio compreende que a terra de Cristo era o vasto mundo de seu tempo. Desde então, para além do deserto e da peregrinação a Jerusalém, abre-se diante de seus olhos, outro caminho.

 

Inácio volta-se para o mundo, para esse borbulhar de acontecimentos sócio-político-religiosos, no qual reconhece o lugar da Encarnação. E para fazer-se presente neste vasto mundo, de uma maneira original e criativa, decide “estudar”. Forma-se em Paris, onde conquista o título de Mestre em Artes.

 

Ali se matriculou com um nome novo, no dizer de Ribadeneira, por ser mais universal: Inácio.

 

Mesmo durante o período de l541 até 1556, ano de sua morte, quando se instalou em Roma, continua sendo o peregrino que escolheu ser. A partir de seu pequeno quarto, continua estando presente em todos os  pontos do mundo onde algo novo se prepara. 

 




Mama Antula, como a chamavam carinhosamente as pesoas, foi uma apóstola infatigável dos Exercíos Espirituais, fiel à Igreja na pessoa dos bispos diocesanos, mas com problemas no âmbito civil, com o virrei Vértiz, que estava contra ela, dada a antipatía visceral que o governo tinha contra todo o que fosse  jesuítico. 

Essa atitude negativa permaneceu por mais de dois anos, com repercussões negativas  no terreno religioso, pois negavam a María Antônia a possibilidade de organizar e propor os Exercícios espirituais, mas ela o fazia de forma clandestina, em casas alugadas pelo bispo, e com a ajuda de algumas comunidades qua ajudavam na alimentação dos exercitantes. Algumas pessoas ricas que a ajudavam, até começaram, depois, a fazer às escondidas os Exercícios.

Aos poucos, Mama Antula conseguiu uns terrenos na periferia de Buenos Aires, na atual avenida Independencia 1190, para levantar uma casa de Exercícios, para isso ter com o seu inimigo o Virrei.

Pacificada a autoridade civil, as pessoas de alto poder económico e social, se aproximaram e começaram a ajudá-la na construção da atual Santa Casa de Ejercícios Espirituales, naqueles mesmos terrenos da Rua da Independencia 1190.

Entre tanto, duas amigas do seu grupo começaram também a dar os Exercícios em Salta e Tucumán. Isto levou aquele grupo de ¨beatas¨ a iniciar os pasos de um postulantado, investidura de hábito e a formulação de votos privados, como vida religiosa.

Sua fama se espalhou rapidamente e mesmo as autoridades civis se prontificaram para ajudá-la na missão dos Exercícios Espirituais.

Apesar de sua idade aquebrantada, com licenças do bispo e do virrei fez nova viagem, 1784, chegando a Colonia del Sacramento e até o mesmo Montevideo, promovendo sempre a prática dos Exercícios espirituais.

Seus escritos e estilo de vida chegaram até Europa, onde logo suas cartas e propostas foram traduzidas e ao inglês, italiano e ao alemão. Na França, varios conventos femininos se inspiraram nela. Do Vicario geral da Compañía de Jesus, exilados os jesuitas em Rusia, recbeu Carta de irmandade, e até o próprio Papa lhe otorgou indulgências especiais.

Em 1784 o bispo de Buenos Aires enviou uma carta ao Papa Pio VI informando-o que em apenas quatro anos mais de quinze mil pessoas tinham realizado alguma modalidade dos Exercícios espirituais, sem Antula pedir dinheiro aos exercitantes nem mesmo para a alimentação deles. 

O bispo de Buenos Aires chegou a exigir que nenhúm seminarista se ordenasse sem que Antula certificasse se tinham realizado os Exercicios espirituais. Maria Antônia tinha, pois, um papel significativo na igreja portenha daquela época. 

Em 1791, se publicó en francés un opúsculo titulado "A bandeira da mulher forte¨ (anônimo), falando de suas virtudes e propostas.

Em 1793, programou a contrução da Santa Casa de Ejercicios Espirituales, em Buenos Aires, obra que chegou a ver finalizada. Mesmo com a saúde quebrantada, viajou ao Paraguai, para orientar uns Exercícios espirituais naquelas terras. Esta mulher era incansável!

Por fim, María Antônia foi afetada por uma grave doença, e morreu em odor de santidade, no dia 7 março de 1799, aos 69 anos de idade, rodeada de suas beatas e de outras leigas que a seguiram. Foi enterrada na basílica de Nuestra Sañora de la Piedad, Buenos Aires. 

A Congregação chamada Hijas del Divino Salvador, seguidoras de Antula, fundaram o Santuario de São Cayetano. São Cayetano e São José foram os santos de sua particular  devoção.

Em 1905, os obispos argentinos solicitaram ao Papa Pío X a introdução da Causa de Beatificação de María Antonia. O Papa Bento XV firmou o Decreto de Introdução da Causa, em 1917.

Em maio de 1929 o Papa Pio XI a declarou Veneravel. 

Em 2010 Congregação para as Causas dos Santos aprobou por unanimidade suas virtudes heroicas. Pouco depois Bento XVI a declara bem_aventurada (beata)


Por fim, o Papa Francisco a canonizou em 2024.

Santa Mama Antula ajuda-nos a sermos sempre melhores servidores de todos!