Salve Maria...
No dia 22/ABR, celebramos a Festa de Nossa Senhora, Mãe da Companhia de Jesus, pois num dia como hoje Inácio de Loyola e cinco companheiros (Salmerón, Laínez, Broet, Jay e Codure) fizeram seus votos no altar de Nossa Senhora, na basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma.

Na imagem, vemos Nossa Senhora no centro, rodeada por Santo Inácio, à nossa esquerda, São Francisco Xavier, à direita e outros muitos santos e beatos da Companhia de Jesus.

Nossa Senhora sempre esteve presente na vida de Santo Icio. No início da sua conversão, ele peregrinou à pequena ermida de Nossa Senhora de Aranzazú e, diante de uma pequena imagem de Maria, fez voto de castidade. Mais tarde, no Santuário de Nossa Senhora de Montserrat, entregou sua vida passada e desregrada ao deixar sobre o altar sua espada e daga. Era véspera da festa da Anunciação do Senhor, 24/MAR/1521.

Anos depois, Inácio e seus primeiros companheiros farão seus votos no dia da Assunção de Nossa Senhora (15/AGO/1534), na basílica de Montmartre (París) e a primeira missa de Inácio, como padre, a celebrou na Basílica de Santa Maria a Maior, em Roma. Enfim, no dia 22/ABR/1541, o compromisso definitivo na Companhia de Jesus, foi numa capela de Nossa Senhora...

Senhor, que a exemplo de Inácio, cresça nosso amor filial a Maria, mãe de Jesus e da Igreja, para que sejamos sempre bons discípulos missionários...


Ladainhas de todos os santos e bem-aventurados da Companhia de Jesus:
  • Por nosso pai santo Inácio (+1556), fundador da Companhia de Jesus. Obrigado Senhor.
  • Por são Francisco Xavier (+1552), padroeiro das missões e apóstolo da Índia. Obrigado Senhor.
  • Por são Pedro Fabro, missionário incansável de Europa... Obrigado Senhor.
  • Por são Francisco de Borja (+1572), 3º Superior Geral da Companhia de Jesus...
  • Por são José de Anchieta, missionário e padroeiro do Brasil...
  • Por santo Estanislau Kostka (+1568), padroeiro de nossos noviços…
  • Pelos santos Luís Gonzaga (+1591) e João Berchmans (+1621), padroeiros da juventude…
  • Pelos santos Edmundo Champion (+1581), Roberto Southwell (+1595), Nicolás Owen e outros companheiros, mártires na Inglaterra e no País de Gales...
  • Pelos santos Pablo Miki (+1597), Santiago Kisai e João de Goto, crucificados por amor a Cristo no Japão...
  • Pelos santos Pedro Canisio (+1597) e Roberto Bellarmino (+1621), doutores da Santa Igreja...
  • Por são João Ogilvie (+1615), mártir de Cristo na Escócia...
  • Pelos santos Bernardino Realino (+1616), João Francisco Regis (+1640) e Francisco de Jerônimo (+1716), apóstolos das missões populares...
  • Por santo Afonso Rodríguez (+1617), padroeiro dos Irmãos...
  • Pelos santos João de Brebeuf (+1649), Isaac Jogues (+1646), Renato Goupil (+1642), João de la Lande (+1646) e outros 4 companheiros, mártires de Cristo no Canadá e no norte dos Estados Unidos...
  • Por são Pedro Clavér (+1654), escravo dos escravos negros na Colômbia...
  • Por santo André Bobola (+1657), torturado barbaramente pelos cossacos na Polônia...
  • Por são João de Brito (+1693), mártir de Cristo na Índia...
  • Por são José Pignatelli (+1811), pai dos exilados e fiel colaborador na restauração da Companhia de Jesus...
  • Pelos santos Roque González, Alfonso Rodríguez e João Castillo (+1628), mártires das Reduções indígenas na América Latina...
  • Pelos santos Melchor Grodziecki e Estêvam Pongrácz (+1619), mártires de Cristo na Eslováquia...
  • Por são Cláudio de la Colombière (+1682), apóstolo da devoção ao Sagrado Coração de Jesus...
  • Por são José Maria Rubio (+1929), apóstolo da cidade de Madri...
  • Por são Alberto Hurtado (+1952), apóstolo dos jovens e pobres no Chile...
  • Pelo bem-aventurado Inácio de Azevedo e outros 39 companheiros (+1570), mártires a caminho do Brasil...
  • Pelos bem-aventurados Thomas Woodhouse (+1573), Raúl Ashley e outros 14 companheiros, mártires de Cristo na Inglaterra...
  • Pelos bem-aventurados Rodolfo Acquaviva (+1583), Francisco Aranha e outros 3 companheiros, mártires na Índia...
  • Pelos bem-aventurados Santiago Sales e Guilherme Saultemouche (+1593), mártires da Eucaristia na Francia...
  • Pelo bem-aventurado José de Anchieta (+1597), apóstolo incansável do Brasil...
  • Pelos bem-aventurados Roger Filcock (+1601) e Domingo Collins (+1602), mártires da fé na Inglaterra...
  • Pelos bem-aventurados Sebastião Kimura (+1622), Carlos Spínola (+1626) e outros 7 companheiros, mártires no Japão...
  • Pelos bem-aventurados Francisco Pacheco (+1626) e outros 32 companheiros, mártires de Cristo no Japão...
  • Pelo bem-aventurado Diego Luis de São Vítores (1672), mártir na Micronésia...
  • Pelos bem-aventurados Juliano Maunoir (+1683) e Antônio Baldinucci (+1717), apóstolos das missões populares...
  • Pelos bem-aventurados José Imbert e João-Nicolás Cordier (+1794), mártires da Revolução Francesa...
  • Pelos bem-aventurados Santiago Bonnaud (+1792), e outros 22 companheiros mártires de Cristo na Francia...
  • Pelo bem-aventurado Santiago Berthieu (+1896), mártir de Cristo em Madagascar...
  • Pelos bem-aventurados Leão Mangin, Paul Denn, Modesto Andlauer e Remi Isoré (+1909), mártires na China...
  • Pelo bem-aventurado Jan Beyzym (+1912), servo dos leprosos de Madagascar...
  • Pelo bem-aventurado Miguel Agostinho Pro (+1927), assassinado por amor a Cristo no México...
  • Pelo bem-aventurado Francisco Gárate (+1929), porteiro afável da Universidade de Deusto, Espanha...
  • Pelo bem-aventurado Tomás Sitjar Fortia (+1936) e outros 11 companheiros, mártires da guerra civil espanhola...
  • Pelo bem-aventurado Roberto Mayer (+1945), apóstolo da cidade de Munich, Alemanha...
  • Por todos os Padres, Irmãos, Estudantes e noviços da Companhia de Jesus, que nos precederam na fé com o seu testemunho de vida... 
OREMOS: Deus e Pai de N. S. Jesus Cristo, que conheceis a nossa fraqueza e, contudo, nos chamais ao seguimento do vosso Filho na Companhia de Jesus, realizai em cada um de nós o que conseguistes em Santo Inácio e em tantos dos nossos Santos e Bem-aventurados. Ajudai-nos a trabalhar generosamente sob a bandeira da Cruz. Por N. S. Jesus Cristo, teu Filho e nosso irmão, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Hino MARIA MÃE da COMPANHIA CLIQUE AQUI


Sou um sujeito cheio de recantos...

Como orar em profundidade? Apresentamos alguns métodos simples a serem seguidos conforme a disposição do que se exercita. Lembremos que todos os métodos são relativos, e o único que fazem, é predispor a pessoa para acolher o dom, a graça: deixando agir diretamente o Criador com a criatura. No encontro interpessoal humano-divino é Deus quem toma a iniciativa. Por isso os métodos devem ser usados tanto quanto ajudem. Podem ser vários e modificados. Colocamos alguns para esclarecer, de algum modo, o que até agora dissemos. A única observação a ser feita, para aqueles que querem aprofundar sua oração, é que deem um tempo longo para mergulhar e se exercitar nesse caminho.

A) Mergulhando no poço. A pessoa que se exercita pode ler o texto da Escritura que pretende orar. Provavelmente vão se destacar algumas palavras ou imagens que mais tocam. A seguir pode contar, devagar, de 5 até 0, respirando lenta e profundamente, com os olhos fechados... Pode se imaginar ao lado de um poço profundo... É preciso entrar, de algum modo, nesse poço.... À medida que desce pode fazer outra contagem regressiva, lentamente, de dez a zero, por exemplo. Podem acontecer diversas coisas neste seu mergulho interior: Há pessoas que param ou cochilam ao chegar num desses determinados números... outras não conseguem continuar, pois têm medo... Provavelmente, encontram resistências inconscientes que o paralisam e que seria bom posteriormente explicitar.

Esta primeira abordagem é importante por ser intensamente integradora e purificadora. Algumas pessoas recolhem este material negativo num saco imaginário, numa trouxa, e o levam para cima e lá, quando estão pelo 5º degrau da escada, subindo do poço, abrem uma janela e o jogam para fora. É um modo de purificar o subconsciente.

Inicia-se uma etapa de purificação muito própria da primeira semana! Espontaneamente brota um sentimento de gratidão a Deus por esta experiência de purificação, de salvação. Esta fase pode demorar alguns dias ou mesmo semanas.

Mergulhando mais no nosso inconsciente é possível entrar numa zona iluminada, transparente e cristalina, onde cada um poderá encontrar grande claridade... O que pode acontecer? Provavelmente a pessoa terá experiências integradoras, tão diversas e originais que é impossível defini-las ou indicá-las. Estamos muito perto da experiência mística. Deus se faz extremamente íntimo e presente e a pessoa obtém, por experiência, enorme clareza do que acontece. É como se nos encontrássemos no máximo grau de participação da contemplação inaciana ou mesmo no mais profundo da aplicação dos sentidos.

A pessoa que assim se exercita encontra-se profundamente concentrada, envolvida por tudo isso que pode surgir. Não são idéias! Encontramo-nos no nível da experiência, do "sentir", tão íntimo e querido de Inácio. Neste nível acontece a oração, o encontro inter-pessoal humano-divino. Não é de estranhar que esse tipo de encontro seja, como dizia no início, profundo, comprometido e místico. Por isso, acabar com um colóquio, como um amigo fala com outro!...

Como se faz o retorno? Seguindo o mesmo caminho, fazendo uma contagem progressiva.

Quando as pessoas têm oportunidade de partilhar o acontecido provavelmente terão muitas coisas a dizer. As palavras usadas revelam o alto grau de experiência vivida e experimentada e todas com grande clareza.

B) A ilha: Imaginemos que já temos um texto da Bíblia para orar. Ele foi lido, com fé, anteriormente. Provavelmente destacaram-se algumas imagens, palavras ou sentimentos. É bom relaxar, à medida que se vai respirando em profundidade... Pode imaginar, por exemplo, uma bela praia, tranquila, serena, limpa... À medida que vai contando de dez até zero (lentamente, respirando fundo...) imagine que você mesmo se desprende do seu próprio corpo e alça voo. Veja-se voando, como uma bela gaivota e o seu corpo estendido preguiçosamente na praia... Você pode mergulhar mais fundo nesse imenso céu azul que o acolhe com segurança... Provavelmente surgiram imagens limpas, transparentes, positivas... Experiências integradoras de amor, segurança, comunhão com Deus... Depois de curtir, um certo tempo, essas experiências positivas, pode ver, novamente, o seu corpo (que tinha ficado na praia...) Perceba como ele pode se movimentar (ou não!), entrar no mar... À distância, presencie tudo. (Provavelmente poderão surgir imagens negativas do "eu real"...) Fique perscrutando... O que aparece?... (fique aí um bom tempo). Forme, com todo esse "eu negativo" emergido, uma ilha... Contemple-a do alto (lembre-se, você é uma bela gaivota!...)... O que vai brotando do mar?... Forme, agora, uma grande onda... Ela é imensa... Veja como avança sobre a ilha e a lava todinha... Durante um bom tempo viva essa experiência purificadora...

Volte por onde veio... Saia da imensidão do céu que o acolheu... Veja novamente seu corpo na praia... Ele está limpo por dentro. Lavado, purificado! Vá até ele com alegria e una-se numa perfeita harmonia... Sinta-se unificado... Experimente a satisfação de ser um... Respire fundo... Vagarosamente... Mexa suavemente os pés, as mãos... Abra os olhos... Agradeça a Deus pelas experiências vivenciadas.

A) O método inaciano. Evidentemente, Inácio de Loyola, quando se exercitava naquelas grutas de Manresa, não conhecia os conceitos da psicologia nem as suas consequências. Inácio é um auto-didata nas coisas do Espírito! Como um bom basco, era homem de poucas palavras e de grande reflexão. A experiência dos Exercícios Espirituais, naqueles anos de 1522, foi um confronto com sua realidade subjetiva (sua vida...) e com aquela outra objetiva que surgia quando mergulhava nas contemplações da vida de Jesus ou dos santos.

Eis os passos a serem dados na oração inaciana:

1. Depois de ler o texto para ser meditado ou contemplado e guardado o suficiente recolhimento interior, o exercitante coloca-se na presença do Senhor e faz a oração preparatória (Estamos na boca do poço, na beira da praia, segundo os esquemas anteriores).

2. A partir deste momento, começa-se a mergulhar fundo no mais real da vida com a "composição do lugar" (1º preâmbulo) e a "petição" (2º preâmbulo). Entra-se na própria vida, no mais fundo dela!

3. O exercitante se introduz na meditação (seguindo os pontos propostos...) ou na contemplação (vendo, ouvindo, participando da cena!), “sentindo e saboreando as coisas internamente". Quase sem perceber tem-se dado um deslocamento imaginário, uma saída de uma situação subjetiva (provavelmente negativa) para outra objetiva e evangélica. Neste momento podem surgir possibilidades infindas de sentimentos significativos (consolação, desolação), apelos, impulsos, desejos, inspirações, iluminações, dificuldades, resistências, medos... etc.. O "eu real" é compreendido em toda a sua fragilidade e limitação. Ao mesmo tempo, sente-se confrontado e chamado à maior transparência e liberdade. É a experiência da 1ª semana dos EE, a via purgativa!

Uma vez experimentada a misericórdia de Deus (coração voltado para a miséria humana!), o exercitante, movido pela graça, se oferece para refazer sua própria história pessoal e até universal, segundo os valores objetivos de Jesus. Inicia-se a 2ª semana e com ela um outro método de oração, chamado de contemplação. É próprio da contemplação sair de si mesmo e entrar na cena evangélica para participar (ou não participar!), de algum modo do mistério contemplado.

Nesse ir-e-vir da própria situação pessoal para o mistério contemplado e deste para a própria vida podem surgir infindas possibilidades de sentimentos e imagens não procuradas que deverão ser rezadas e melhor discernidas.

Toda a 2ª semana é um convite a ser configurado com Jesus, isto é, se afeiçoar à sua pessoa e aos seus valores. É uma experiência de amor solidário e encarnado. Entra-se no campo do "eu original" que, com o repetir da contemplação (lembremo-nos das duas repetições e da aplicação dos sentidos próprias desta etapa, chega-se ao mínimo de dispersão e ao máximo de concentração, mesmo no amor. Aprofundar na proposta dos valores de Jesus faz emergir o próprio eu na sua integridade! É uma experiência de via iluminativa!

A 3ª e 4ª semanas são místicas. É um sair totalmente de si mesmo e se solidarizar com o pequeno, o pobre, o oprimido e injustiçado representado originalmente por Jesus na sua paixão e morte. O exercitante é convidado não só a se configurar, mas até mesmo a se identificar, experimentando no seu interior os próprios sentimentos (de dor e sofrimento) de Jesus e do povo. A experiência de fidelidade (ao projeto do Pai) e de solidariedade (a todos os homens) mesmo em situações de extremo conflito faz com que o exercitante, não só saia de si próprio, mas que assuma realmente os mesmos valores. O deslocamento imaginário dá lugar a um verdadeiro deslocamento na vida real! O sentir "dor com Cristo doloroso, angústia com Cristo angustiado" da terceira semana e o "me alegrar e gozar intensamente por tanta glória e gozo de Cristo", próprios da quarta semana, fazem com que o exercitante, se fez bem todo esse caminho interior, seja transformado num verdadeiro "sensitivo" no melhor sentido desta palavra, isto é, alguém que é capaz de "sentir" (entrar em comunhão profunda!) não só com as pessoas (que sofrem ou se alegram) mas, também, com o mais íntimo delas (tristeza e/ou alegria). O próprio "eu original" entra em comunhão plena com o "eu de Jesus" e, em consequência, com o "eu dos outros". Entra-se, como graça, numa plena comunhão com Deus, com os outros e com o mundo.

Quem passa por esta experiência transforma-se num homem novo capaz de uma profundidade e observação quase que infinitas porque tocou, com o seu coração, o infinito. Estamos, evidentemente, no umbral da via unitiva ou mística!

A contemplação para alcançar amor, no fim dos Exercícios Espirituais, não é outra coisa que uma experiência do "eu original" do exercitante, entrando em comunhão com o "eu original", cósmico, de Jesus. Nesse momento toda a fronteira some, todos os muros caem... Só fica esta experiência de comunhão universal com todas as pessoas e todas as coisas em Jesus Cristo. O mundo todo foi inundado de luz e de graça! O exercitante converte-se, então, por pura graça, num contemplativo na ação. Seus olhos se fizeram transparentes, prescinde de puros raciocínios e enxerga tudo com um novo olhar! Seu coração e a sua fé se unificaram e sente tudo com uma nova dimensão que o leva a uma maior solidariedade e comunhão! "Tudo é vosso, vós sois de Cristo e Cristo é de Deus" (1 Cor 3, 22-23). Libertos de tudo!

Este é o patamar mínimo onde, humanamente, se pode chegar. Daqui para frente outros horizontes e experiências, sem limite, se abrem. Abordar, agora, essa inter-ação humano-divina e humano-cósmica não entra nos limites deste nosso trabalho.

Neste artigo, quisemos, pois, partilhar apenas uma intuição: Inácio de Loyola, em Manresa, mergulhou fundo na sua oração e atingiu, de algum modo, o seu inconsciente. Ao mesmo tempo abriu um método para outras pessoas percorrerem um caminho semelhante. Rezar em profundidade leva a uma superação, não só das distâncias geográficas, mas também temporais.

Existe um espaço místico onde tudo se encontra: o passado, o presente e o futuro. Quem for capaz de se aproximar d'Ele pode encontrar Tudo!                                                             (in Rev. ITAICI/8/1992)

Uma pergunta: O que tudo isso tem a ver com a sua vida?




Permitam-me, com todo o respeito, o seguinte comentário:

BUDA (558 - 477 aC), grande líder religioso indiano, morreu e foi sepultado. Não ressuscitou. O mesmo se diga de CONFÚCIO (551 - 479 aC), o grande líder religioso chinês. E MAOMÉ (570 - 632 dC), fundador do Islamismo, a mesma coisa. Todos morreram, foram sepultados e não ressuscitaram.

O único que ressuscitou foi JESUS, o filho de Maria e da onipotência de Deus.


ALELUIA!



Encontramo-nos diante de um tema relativamente novo: Como usar a força e os conteúdos do inconsciente na oração e rezar em profundidade?

A experiência tem mostrado que algumas pessoas, ao rezar, ficam na superfície da experiência e não acontecem mudanças substanciais na suas vidas. Fazem os Exercícios Espirituais (EE) anuais, mais por "desobriga" do que por uma busca profunda do significado da sua vida em confronto com Deus. Por outro lado, percebe-se um grande número de pessoas que buscam os EE, como dinâmica de um encontro profundo consigo mesmo, com os outros, com o mundo e com Deus. Os EE são, pois, um "caminho interior" a ser percorrido, sentido e experimentado.

Nossa cultura neo-liberal tem marcado e condicionado o nosso modo de proceder. Hoje, as pessoas não têm tempo para quase nada. Precisamos priorizar objetivos, dizem, abarcar muito e aprofundar pouco! As consequências desse modo de agir repercutem no campo da vida espiritual como vazio e superficialidade. As pessoas rezam pouco e, quando o fazem, não se aprofundam no relacionamento com Deus, como não se aprofundam nos relacionamentos com os outros!

Outros, pelo contrário, percorreram modos de viver que repercutem em relacionamentos mais intensos e em formas de oração mais silenciosas. Fazem uma experiência de verdadeiro encontro e quando compartilham sua vivência, esta costuma ter as seguintes características: profunda (concentrada), comprometida (relacionada com a vida) e mística (experiência com o Deus vivo).

A oração cristã é uma resposta à presença do Deus absoluto. Somos conscientes da identidade da oração cristã frente a outros tipos de meditação (Zen, Ioga etc.) De pouco serve chegar ao isolamento do eu ou cair no vazio absoluto, se não chegamos a um diálogo na fé e no amor com Deus! A experiência mística cristã é sobrenatural, fruto da graça e não há técnicas capazes de produzir, por si mesmas, o encontro gratuito com Deus. Contudo, cremos que somos capazes de colocar alguns pressupostos mínimos, que podem facilitar a percepção do mistério de Deus. As adições dos EE pretendem isso: para melhor o exercitante encontrar o que deseja. Não podemos manipular a experiência do encontro, mas podemos nos predispor a ela!

Num retiro, onde tínhamos em comum a partilha da revisão da oração, uma irmã, com muita simplicidade e espontaneidade, assim se expressava: Hoje entrei na minha oração com espírito de pobreza e humildade... Percebi que estava calma... então me perguntei: como será que, hoje, está orando o Espírito Santo em mim?... Mergulhei em profundidade... Aí eu senti que o Espírito Santo cantava dentro de mim assim: "Bendito sejas, ó Pai, pela tua grande misericórdia... Bendito sejas, ó Pai, pela tua grande misericórdia"... e repetia isso muitas vezes. Senti-me toda iluminada e profundamente amada... Aí eu comecei a rezar com Ele, repetindo estas mesmas palavras"...

Logo depois escutei as outras partilhas, mas aquela outra trazia, dentro de si, uma experiência nova, que me tocava muito mais. Posso, com certeza, afirmar que esta experiência distava das outras como um filme dinâmico, novo, vivo e envolvente diverge de outro extremamente lento e cansativo. Todos tínhamos percebido que ali, alguma coisa de profundo e espiritual tinha acontecido. Aquela mulher não partilhava "teorias", mas tinha "experimentado moções" de fronte a uma Alteridade... Eu não estou dizendo que uma coisa é espiritual só porque usa conceitos assim chamados de "espirituais". Uma experiência é espiritual, quando ela é verdadeira e aberta ao transcendente.
Podemos enfocar a oração dos EE. nessa linha? Será que tudo não passa de um psicologismo? Será que isso não aliena e nos tira de compromissos mais sérios e duradouros? Esse modo de rezar tem algo a ver com a experiência de Santo Inácio?

A experiência espiritual de Inácio de Loyola. Encontramo-nos diante de um homem extraordinário que experimentou realidades e compreensões profundas e significativas.

Inácio de Loyola (1491-1556), mais do que um pedagogo (transmissor de conhecimentos), é um mistagogo, pois nos introduz no mistério de Deus. A experiência que ele faz do Transcendente não acontece só dentro do espaço sagrado (templo, liturgia etc.), mas também dentro de si e do mundo (no seu quarto, ao lado de um rio, nas estradas...) O Deus verdadeiro supera imensamente toda estreiteza de conceitos, espaços e tempos.

Ínhigo era o seu nome de batismo e também de vida mundana. Assim foi chamado e assim ele viveu por mais de 30 anos. Inácio é como ele se entende depois da sua conversão. Primeiro foi Ínhigo, depois Inácio. Ínhigo é fruto da natureza e do pecado, Inácio é obra do Espírito e da graça. Um não se entende sem o outro. O Absoluto irrompeu na sua vida com maior força do que aquela bala de canhão que destroçou suas pernas na batalha de Pamplona (20/MAI/1521). Ei-lo agora, enfim, quieto e paralisado por alguns meses. Durante esse tempo, Ínhigo experimenta, dentro de si, um verdadeiro terremoto interior, onde seus valores mudam de sentido e de hierarquia. Aos poucos e não sem sofrimento, seus olhos se abrem para uma realidade nova, interior, que, se a tinha percebido, jamais falara dela, nem lhe dera importância. Agora começa a encarar Deus, o mundo, os outros e até a si próprio com um outro olhar!

É importante entender a estrutura da mente para chegar a compreender melhor o que as palavras querem dizer. Precisamos perpassar o invólucro dos conceitos, para chegar à experiência formulada.

A mente humana é como um grande "iceberg", onde sobressai e emerge apenas 1/9 do que ela oculta. Essa parte menor, visível, é o que nós chamamos de "consciente"; outra parte submersa, mas próxima do consciente é o pré-consciente; e a mais distante e profunda é o inconsciente. Alguns autores afirmam que a mente guarda tudo, não só o que captamos e sentimos desde o momento da nossa concepção, mas também o nos foi transmitido pelo DNA (inconsciente coletivo).
A tese que partilhamos é: Inácio de Loyola fez (com os meios que tinha - ascese pessoal, jejuns, oração, leituras, - uma verdadeira entrada no seu inconsciente, chegando a captar o seu "eu original", profundo, verdadeiro e sadio.

Os Exercícios Espirituais foram e são um caminho para uma verdadeira abordagem do inconsciente (experiência do inconsciente transcendental) e fazem chegar até ao próprio "eu original", aquele lugar santo, intocável, onde residem, não só o lado mais positivo da pessoa, mas até o mesmo Deus. Esse "eu original" não guarda os condicionamentos negativos (registros, mágoas, complexos, traumas, compensações, defesas...) do "eu real". Nesse espaço do "eu original" podemos nos pré-dispor para o encontro com Deus. Sempre que alguém se aproxima com fé desse espaço sagrado do seu eu, faz uma verdadeira experiência espiritual, libertadora e comprometedora.

Expliquemos essa estrutura do "eu original" e do "eu real". O "eu original" é livre, criativo, capaz de dispor dos condicionamentos e de evitar as suas influências. Ele escolhe os melhores caminhos que levam à plena realização humana e à transcendência.  Não faz muito tempo, estava conversando com um pastor da Igreja Presbiteriana Unificada o qual tinha feito uma opção pelo celibato e estava querendo confrontar, fraternalmente, sua experiência com a minha. Depois de um certo tempo, chegamos ao ponto alto e empático da nossa conversa e me disse:    "Às vêzes, quando oro e entro em mim, naquelas profundidades abissais, onde residem os meus demônios, tenho medo. Eles moram lá, no mais fundo de mim mesmo, naqueles lugares onde tudo está escuro... E olhando-me fixamente nos olhos, disse-me: Você me entende?"

Você me entende?... Você chegou até tamanhas profundidades?... Já experimentou coisas semelhantes?... Já teve medo, quando se defrontou com o seu lado sombrio?... Viu, alguma vez, o rosto simbólico desses personagens negativos  que o povoam?... Você me entende?...

- Sim, eu o entendo! Respondi com alegria, percebendo que me defrontava com um homem que tivera a coragem de mergulhar até o mais fundo de si próprio, em busca dessa luz infinita que estoura dentro de si, quando se tira toda máscara e revestimento!

Profundidades abissais de si mesmo!... onde isto fica? Como chegar até esses níveis da consciência ou da mente? O que são exatamente esses "demônios" que lá residem? Vamos por partes!

Inácio de Loyola passou a maior parte da sua vida como leigo. A experiência, que estamos analisando aconteceu entre os anos 1521 e 1522, isto é, quando ele tinha 30 e 31 anos de idade. É o tempo da crise da auto-imagem em todos nós, quando percebemos o descompasso entre o "eu real" (condicionado, ferido...) e o "eu original" (livre, sadio...) Essa sensação de frustração se traduz, frequentemente, em insatisfação, culpabilidade, baixa estima e gasto excessivo de energias. Passamos grande parte do tempo, em exames e auto-análises, para entender o que dentro de si acontece.

E o que aconteceu com Ínhigo? Convalescia de suas feridas e das cirurgias para corrigir as sequelas daquela bombarda na sua perna esquerda e como não podia se apoiar nela, ele precisava ficar deitado ou sentado a maior parte do tempo. Ai, ele pensava, se examinava e lia a vida de Jesus e a dos santos... Esse foi o modo que encontrou para entrar no santuário da sua mente. Pensamentos frequentes sobre "assuntos do mundo" e veleidades que se lhe apresentavam: "ficava logo embebido a pensar duas e três e quatro horas sem percebe..." O que ele sentia? "Ficava com isso tão desvanecido... e discorria por muitos assuntos que achava bons... Detinha-se sempre no pensamento que voltava...”, até que um dia "se lhe abriram um pouco os olhos, e começou a maravilhar-se"  com o que estava acontecendo.

Um dos modos para entrar no mais fundo da mente é ficar quieto, concentrado ("embebido, sem perceber...”) Ínhigo fazia isso com certa facilidade! Mas, como foi que ele se aproxima da sua mente pré-consciente e inconsciente, para ficar de tal modo seduzido com o que "sente" e "vê"?

Existe um caminho para mergulhar no pré-consciente e se aproximar do inconsciente? Alguns psicólogos e terapeutas utilizam símbolos, como descer uma escada, entrar num túnel, rampa, poço ou até mergulhar no mais fundo de um lago... Os meios podem ser diversos; o resultado não. O fruto desse mergulho é a experiência de um encontro com o mais profundo de si mesmo.

O caminho usado por Ínhigo foi algo parecido. Ele se confronta, pelas leituras que faz (Evangelho, vida de santos...), com figuras altamente positivas e profundas: Jesus ou alguns santos (Onofre, Francisco ou Domingos...) Espelhando-se neles, ele se vê! Sem quase perceber, mergulha neles e entra em si próprio, alcançando zonas até então desconhecidas. O seu "eu real" (limitado, condicionado, ferido e frágil,) se lhe apresenta com toda crueldade, até sentir-se tentado de se auto-eliminar.

Nesse mergulhar dentro do "eu", passamos, primeiro, pela zona escura, não integrada, onde se esconderam os nossos demônios...”

Esta realidade negativa, sentida e experimentada na oração, é tão viva e pujante, que Inácio precisará partilhá-la, com um confessor. Às vezes precisamos da absolvição dos outros, para nos perdoar!

Devagarinho Inácio chega a se aproximar do seu "eu original", cheio de vida e verdade. Recebe "não pouca luz" (29), e "" com os olhos interiores, "Nossa Senhora com o Menino Jesus", o que lhe dá grande consolação. Sempre que se aproxima desse seu eu profundo, sadio e verdadeiro "ficava contente e alegre". É a percepção da presença do Deus escondido nele! O "eu original" é transparente, sadio, iluminado e livre (32) e sempre que nos aproximamos, dele surgem "imagens simbólicas" de grande significado.

Inácio passa por Montserrat (21/MAR/1522) e confessa seus pecados ao monge beneditino João Cânones. Ao mesmo tempo doa sua mula ao mosteiro e suas belas vestimentas (coloridas e de seda natural!) a um pobre mendigo. Por fim, entrega sua espada e punhal, símbolos da prepotência do homem velho, a os deposita no altar, aos pés de Nossa Senhora. Confessado, despojado e entregue, Inácio fez a experiência do "abaixar-se" realmente, até se tornar um a mais no meio de todos.

Só depois que Inácio vai a Manresa e será lá o encontro mais profundo com o seu lado negativo e positivo. Primeiro, a noite escura da alma: angústia e confusão interior que se manifestam também no seu exterior (deixa os cabelos crescerem demasiadamente e as unhas... Vão ser 10 meses de alternância de moções (consolações e desolações), busca de caminhos, tortura da alma, transformação e alta mística. Aos poucos morre o homem velho (Ínhigo!) e nasce o companheiro de Jesus (Inácio!).

As experiências na solidão de Manresa convertem-se em gesto concreto. O experimentado na oração se traduzirá espontaneamente na vida. Inácio livre de todo poder, começa a caminhar como peregrino... Alguns quando o viam cochichavam: "eis o peregrino, aquele que se tornou louco por amor de Jesus!"

Inácio entra devagarinho no fundo da sua alma ao aproximar-se do seu "eu original". Primeiro passa pela fraqueza e ambiguidade do seu "eu real", seus demônios se disfarçavam em dúvidas espantosas fazendo com que as coisas de Deus perdessem seu atrativo e novidade... Pacientemente revê sua vida, como alguém que desenrola um novelo de lã e descobre emocionado que Jesus sempre o amara... A Luz ilumina suas feridas, cicatrizando-as. Assim, de repente, um belo dia acorda como de um sonho: "como se lhe tirassem dos ombros uma pesada capa" e surpreso exclama emocionado: "Que vida nova é esta que agora começa?"

O "eu real", transcendido, purificado e liberto dos seus condicionamentos, aproximava-se e identificava-se com o "eu original". Nessa máxima identidade, torna-se extremamente sensível ao presente da graça que, irrompe nele como uma enorme cachoeira.

Não só quando reza, mas mesmo quando está nos degraus da igreja dos frades dominicanos, ao som do Angelus, seu espírito se eleva e, através do acorde de três notas do órgão que escutava, contempla, pasmado pela sua gratuidade, o mistério comunitário da Santíssima Trindade. Lágrimas de alegria o inundam! Nova sensibilidade lhe faz perceber dimensões que antes não sentia, nem intuia.

Por fim chega ao auge da iluminação interior com a "Ilustração do Cardoner": todo dom procede do Pai pelo Filho...

A oração de Inácio parece ter superado definitivamente os limites e condicionamentos do seu "eu real" e ter mergulhado de vez no "eu original". É próprio daqueles que entram nesse espaço "ver" o que Inácio via, isto é, luz, transparência, brancura em demasia! A partir desse momento, a oração de Inácio se faz profunda, comprometida, existencial e mística.

Por fim, no dia 18/FEV/1523, Inácio radiante, como um novo Moisés, deixa Manresa e vai para Barcelona, caminho da Itália, de Jerusalém... O mundo todo se lhe abre à sua frente!
                                                                                                                           
Uma pergunta: Você ora em profundidade?

Ao longo da Semana Santa, circularam pela internet reflexões críticas sobre os diversos paramentos utilizados alguns presbíteros e seminaristas nas liturgias.

Diante de inúmeras imagens de padres ornamentados, divulgadas nas redes sociais, a doutora em Teologia pela FAJE/BH, Solange Carmo, não se conteve e publicou a seguinte postagem:

Meu Deus, não sei se fico mais assustada com as notícias da lava-jato e da administração Temer ou com o tanto de postagens mostrando os panos e adereços religiosos que meus alunos e ex-alunos de teologia redescobriram nos armários das paróquias. Batina, capa, túnica, sobrepeliz e até barrete! O brega voltou à moda; tornou-se fashion! Não me envergonhem, alunos meus! A teologia que vocês aprenderam nos dois institutos onde leciono não ensinou vocês a revirarem os armários em busca de modelitos religiosos, mas a revirarem as entranhas do coração em busca da misericórdia… Meu Deus, onde foi que erramos?

O clericalismo tem várias características, e uma delas são os excessos das vestes litúrgicas, bem como hábitos e roupas clericais. Os que assim procedem, de modo geral, escondem certas patologias que precisam ser tratadas. Se os bispos fossem mais ousados expulsariam muitos destes do seminário. Mas o que ocorre é que muitos bispos sofrem do mesmo mal. Todos, sem exceção, se encontram na contramão do evangelho. Jesus abominou essa hipocrisia, disse alguém. E outro defende o contrário:

Que surjam cada dia mais padres dispostos a manter viva a tradição litúrgica de celebrar dignamente os santos mistérios usando os paramentos os quais a igreja permite e orienta que sejam usados em seus atos litúrgicos. Não é revirar armários. Mas o gosto por preservar a tradição e a beleza da liturgia bem celebrada. Não é necessário despir-se do belo e do tradicional para estar com o povo. A beleza sacra e o serviço do povo podem caminhar juntos. Obrigado Santo Padre Bento XVI (pai do reavivamento tradicional?), e que tenhamos coragem de entender que o marxismo não pode caminhar na Igreja. Parabéns as estes ex-alunos que não se deixaram contaminar com o secularismo desenfreado. 

Na liberdade da reflexão crítica e autocrítica, a professora Solange Carmo, diante das reações contrárias, ofereceu uma resposta ainda mais provocante:

Eu não acuso vocês de nada, mas não posso me calar diante do que tenho visto. Não duvido da reta intenção de vocês, mas devo esclarecer alguns equívocos: 

1) O uso dessas vestes não é sinal de amor à liturgia e muito menos ao Evangelho. É sinal de ostentação e de poder sacro. O despojamento, a renúncia aos privilégios e a simplicidade são sempre indicados como sinal do seguimento de Jesus. O sinal do Evangelho é o amor.
2) Veste talar são antigas peças de museu que fizeram parte da história da Igreja quando ela esteve atrelada ao poder. O presbítero – um nobre da corte – se vestia como era costume dessa classe social naquela ocasião. Hoje isso é simplesmente descabido. 
3) Em tempos de Francisco, ressuscitar tais vestes é um despropósito e fazê-lo na Semana Santa é um acinte ao mistério celebrado. Olhemos para o Cristo nu na cruz. Aquele paninho que tampa suas partes genitais foi posto pela caridade cristã. Ele morreu nu, desvestido de tudo... E não há liturgia maior que a liturgia da cruz. Certamente o presbítero não vai celebrar pelado, mas vai aprender com o desapego do Nazareno a se vestir com discrição e simplicidade. 
4) Seria bom perguntar: Tradição de que tempo? Das origens cristãs não é, com certeza. Vocês gostam tanto de apelar para a Tradição. Pois bem, apelemos! Voltemos às comunidades cristãs originais. Já pensou o presbítero ou ancião celebrando com tais vestes naquelas catacumbas fedidas? Ah, voltemos a Pedro, a pedra da Igreja. Já pensou o pescador do lago de Nazaré com essas roupas? Sejamos razoáveis por amor à Tradição cristã. 
5) Por fim, tais vestes, infelizmente, não servem ao altar mas àqueles que as portam. Elas projetam o presbítero, colocam-no num pedestal imaginário; criam uma eclesiologia totalmente deformada da fé cristã mais genuína e – pior – servem para esconder muitas perversões. Vejam os exemplos dos fundadores de comunidades e congregações neoconservadoras que têm estado sob investigação de Roma. Será que queremos seguir esse caminho? Um amigo meu me disse que, estando num bar LGBT para comemorar aniversário de uma amiga, viu por lá muitos seminaristas. Nada demais se se comportassem como deve um cristão, mas não: mostraram conduta moralmente reprovável. Na semana seguinte, estavam fazendo longas procissões ostentando belas vestes, batinas, sobrepeliz e capas...

O Evangelho se esvazia de sentido tanto mais nos enchemos de apetrechos e tentamos ressuscitar esses costumes já ultrapassados. Por favor, menos vestes, menos glamour; e mais amor e acolhida do Evangelho e dos pequeninos do Reino.



Totalmente de acordo. E você o que pensa?

Bruno Nobre, 39 anos, tem uma licenciatura em Física Tecnológica e um doutorado em Física de Partículas Elementares, defendido em 2005 no Instituto Superior Técnico. No mesmo ano entrou para a Companhia de Jesus, tendo posteriormente concluído uma licenciatura em Filosofia na Universidade Católica Portuguesa e um mestrado em Teologia no Boston College, nos Estados Unidos. Foi ordenado sacerdote em 2016 e dedica-se agora a um pós-doutorado em Filosofia da Ciência, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

A religiosidade, que se expressa de forma distinta nas diversas culturas, exprime algo que é fundamental em cada pessoa: a sua abertura à transcendência. O horizonte da existência humana é Deus. Procuramos incessantemente o bem e a verdade, e a consciência de que nenhuma realidade criada pode satisfazer o nosso desejo de plenitude. O ser humano é uma pergunta para a qual Deus é a resposta.

Minha vocação? Entrei na Companhia de Jesus após a conclusão de um doutorado em Física. Estava convicto de minha vocação sacerdotal, como jesuíta.
Não decidi tornar-me jesuíta de um dia para o outro. Nos anos que passei na universidade a minha fé foi amadurecendo, e a minha inserção na Igreja foi-se fortalecendo.
Quando era criança tinha uma sensibilidade religiosa, reprimida nos primeiros anos da faculdade. Quando terminei o doutorado, entrar na Companhia de Jesus foi a decisão mais natural e que correspondia ao meu desejo mais profundo.

A religião pode ser uma importante fonte de criatividade e de formulação de hipóteses científicas. O desejo de contemplar a ordem e a harmonia da natureza pode ter uma ressonância religiosa, como aconteceu com alguns cientistas famosos. A religião pode servir de motivação e estímulo para a prática científica. É verdade, no entanto, que um cientista religioso deve respeitar, como qualquer outro cientista, os métodos e rigor próprios da sua área de pesquisa. Nisto não se distingue dos outros cientistas. A religião pode ser, para alguns cientistas, uma fonte de motivação. No entanto, creio que em geral um cientista religioso sério, como um cientista ateu ou agnóstico, desfruta da ciência pela ciência, sem segundas intenções. Esse é, certamente, o meu caso.

Não é fácil conciliar ciência e religião sobre tudo quando temos uma compreensão superficial destas duas dimensões da cultura humana. Ciência e religião tem concepções diferentes do mundo e do ser humano, mas não necessariamente contraditórias. Ciência e religião não são incompatíveis. Ciência e fé são dois mapas distintos da realidade. Mas nenhum deles é falso, pois olham a realidade de forma distinta. Quando ciência e fé entram em contradição profunda, devemos perguntar-nos se uma delas, ou ambas, não está a ultrapassar o âmbito que lhe é próprio.

A ciência moderna compreende a natureza em termos de leis rígidas e regulares. Este tipo de leis aplica-se, geralmente, aos níveis de complexidade inferiores, em particular no domínio da física e da biologia. Mas, a natureza é muito mais do que os níveis da física ou a biologia. E há mais, sobretudo, do que as leis que os descrevem. Não é absurdo pensar que a proximidade de Deus conduza a natureza à sua máxima atualização, superando o que seria expectável de acordo com as teorias científicas vigentes. Neste sentido, diria que os milagres não são propriamente uma suspensão das leis da natureza, mas uma antecipação da sua transfiguração final, que só pode ser iniciativa de Deus.

Segundo Santo Agostinho: “Se compreendes, não é Deus.” O mistério de Deus está muito acima das capacidades naturais da razão. Embora Deus não seja opaco à razão humana, esta não consegue nunca penetrar toda a Sua profundidade. Deus está sempre mais além do que dele possamos pensar ou dizer. Deus não pode ser encerrado nas nossas teorias e conceitos. E se nos convencemos de que um determinado conceito ou ideia tem a capacidade de expressar totalmente o mistério de Deus, então já não é Deus que está no nosso horizonte, mas uma ideologia ou um ídolo.



Quero me unir a todos os que celebram hoje a memória indígena, esses vencedores e primeiros habitantes deste nosso imenso Brasil. 

Estas nações, línguas e tradições nos enriquecem, além de estar no ADN genético de muitos...

Deus seja louvado por estes nossos irmãos e irmãs que até agora sobreviveram como heróis da nossa barbárie.