Vincent van Gogh foi um pintor holandês (1853-1890) considerado como uma das figuras mais famosas e influentes da história da arte ocidental. Ele criou mais de dois mil trabalhos em pouco mais de uma década, incluindo por volta de 860 pinturas a óleo, a maioria dos quais durante seus dois últimos anos de vida, na França.

Este homem viveu apenas 37 anos, lutando com um temperamento difícil e seus transtornos psiquiátricos sérios (parece que se suicidou), e sua arte retrata a alma conturbada que o habitava e também o destroçava. Todos nos revelamos naquilo que fazemos ou falamos! 

No mundo há alguns depósitos livres de impostos, zonas francas que guardam sigilosamente museus secretos de arte, onde pessoas muito ricas e sem escrúpulos escondem suas obras de arte para não pagar impostos devidos ou para buscar tempos melhores para mercantilizá-las. 

O quadro Coletores de oliveiras de van Gogh pode ser uma dessas maravilhas sumidas e escondidas, pois faz mais de 50 anos que não se sabe nada do paradeiro desta obra de arte, pois a última vez vista foi em Lausanne, na Suíça.

Contemple o quadro: as formas retorcidas saindo do mais profundo da terra e focadas num céu quase inexistente... Cores matizadas, quase controladas, presas... Traços toscos gritantes, gementes  e no meio dessa quase tempestade de formas e cores três mulheres tranquilas se entendem e trabalham. Uma trindade efêmera, humana e limitada.

E você o que diz depois de contemplar essa expressão gritante de Van Gogh?



Tá tão difícil a gente se entender...

Pra compreender o que algumas pessoas querem dizer só mesmo se entendêssemos a linguagem do mundo animal...


Reunidas e reunidos pelo Espírito do Senhor como Vida Religiosa do Brasil na XXV Assembleia Geral Eletiva, de 10 a 14 de julho de 2019, em Brasília-DF, nós, em torno de  450 participantes, vindas/os de vários  recantos do Brasil e de outros países, vivemos a força revigoradora  da Vida Religiosa Consagrada como espaço de discernimento  e vida.
O tema escolhido para fundamentar a caminhada do próximo triênio foi “Consagradas e Consagrados em Missão” e o lema “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5), os quais nos impulsionam,  como Vida Religiosa Consagrada, a estarmos sempre itinerantes, no seguimento a Jesus Cristo.
Muito nos alegrou a presença da Presidente da Conferência Latino Americana e Caribenha de Religiosos (CLAR), Irmã Gloria Liliana Echeverri, a qual nos interpelou inspirando-se no Papa Francisco, para a vivência dos valores do Reino, a sermos especialistas em comunhão, sair do ninho que nos contém, cuidar da formação integral, enriquecer a Igreja com nossos carismas e confiar em Quem nos conduz
A atual conjuntura sócio-política-econômica nos mostra o fortalecimento de políticas neoliberais com mecanismos financeiros que retiram direitos e agravam a situação dos vulneráveis, submetendo-os a um cenário de escassez. É nossa missão suscitar esperança, resistência, em busca da verdade e da paz.
Manifestamos nosso apoio incondicional ao Papa Francisco e às suas propostas. Ele tem nos interpelado a um êxodo para a fronteira das necessidades humanas atuais. Insiste, entre outros aspectos, na sinodalidade como próprio ser da Igreja, na missionariedade, simplicidade, pobreza, misericórdia, pastores com cheiro de ovelhas e ecologia integral.
Como horizonte inspirador, nós, consagradas e consagrados em missão, movidos por uma mística profético-sapiencial e articulados institucionalmente, procuramos estar presentes onde a vida está ameaçada, responder aos desafios de cada tempo, tecendo relações humanizadoras e interculturais, ouvindo o clamor dos pobres e da terra, para que o vinho novo do Reino anime a festa da vida.
Para o próximo triênio, assumimos as seguintes prioridades: cultivar a mística profético-sapiencial; ouvir o clamor dos pobres  e da terra; fomentar a intercongregacionalidade, a interculturalidade e a partilha dos carismas com leigas/os; promover relações humanizadoras e atenção diferenciada à cada geração na VRC.
Fazemos nossas as  palavras da Irmã Maria Inês Vieira Ribeiro, após a eleição: “eu desejo neste triênio que nos dediquemos mais às questões da Amazônia, da identidade da VRC, dos presbíteros religiosos, dos abusos sexuais na Igreja, do tráfico humano e do engajamento nas Políticas Públicas, em estarmos com os pobres e dos pequenos, para que sejamos uma vida consagrada masculina e feminina de acordo com o Espírito de Jesus”.
A exemplo de Maria, Mãe e  Discípula de Jesus Cristo, pedimos ao Espírito que dirija nossos passos e nos faça testemunhas do seu amor e da esperança.  
Brasília- DF, 14 de julho de 2019



Os ventos sopraram as caravelas. Anchieta e seus companheiros jesuítas partiram sabendo que não voltariam à sua terra de origem. 
O novo mundo não era apenas aquelas terras encontradas por Pedro Álvares Cabral, o novo mundo era a manifestação do poder de Deus, da sua criação e por isso da sua glória. Era preciso, então, ir para a maior glória de Deus.
Novos tempos, novas respostas. Os confins do universo tinham ficado maiores, o mundo parecia ser um pouco mais espaçoso, nasciam novas nações.Cabia à geração de Inácio, Francisco Xavier e Anchieta cumprir e atualizar a ordem de Jesus de ir por todo o mundo...Xavier à Índia, Anchieta ao Brasil... Dar uma nova resposta, fazer algo inédito, como é próprio do Espírito Santo que torna criativo aqueles que são dóceis ao seu movimento. 

São José de Anchieta transpôs as barreiras da diferença e da indiferença. Entrou de cabeça, e também de coração, para compreender a indizível novidade que encontrara neste povo e nestas terras. E a partir do que conheceu, realizou feitos incríveis. 
Como os indígenas falavam outra língua, fez uma nova gramática. Como lhes agradava a música e a dança, fez o teatro. Se eles eram, Anchieta transformou em somos.
Com apenas 19 anos, José de Anchieta chegou ao Brasil no dia 13 de julho de 1553, na cidade de Salvador, Bahia, após uma viagem que durou dois meses. Uma vinda sem regresso. A resposta de sua vida ao chamado de Deus se cumpriu na Terra de Santa Cruz.
A chegada nos marca! Por isso, acolher é receber o outro com amor e gratidão.Foi assim que Anchieta manifestou seu amor à Santa Mãe de Deus ao dedicar a ela um poema por ocasião da chegada da imagem da Imaculada Conceição, na inauguração da igreja de Santa Ana na Aldeia de Guaraparim
Em um trecho desse poema, Padre Anchieta escreveu assim à Maria:
Após seres grande,
serás mãe de Deus.
Hoje, para fazer memória dos 466 anos da chegada de Anchieta ao Brasil, e aprendendo contigo o bem usar da língua para beleza, nós dizemos a ti, São José de Anchieta: 
Após seres grande,
fostes nosso pai.
13 de julho: o santo dia que recebemos o Apóstolo do Brasil, o Poeta da Virgem Maria, o nosso Padroeiro.



Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?... (Lc 10,36)

Em todo ser humano há reservas de bondade compaixão, adormecidas muitas vezes, mas que podem aflorar diante do sofrimento dos outros. Nas pessoas sofredoras, nos crucificados da história há algo que atrai e nos faz sair de nós mesmos; eis a origem da solidariedade, o sentimento de proximidade com as vítimas deste mundo.

A parábola do Bom Samaritano com os gestos oferecidos ou negados ao homem ferido. Gestos que vao além de todos os credos e culturas, transformando o estranho em próximo.

Diante da pergunta do especialista em leis: quem é o meu próximo? Jesus responde invertendo e reformulando a pergunta: quem se torna próximo?”.

Quem é o meu próximo? Uma pessoa “qualquer”, sem nome, que passa ao seu lado, cai em desgraça e clama por auxílio. A “proximidade” se define pela “travessia” em direção ao sofrimento e à exclusão.

O infeliz da parábola lucana é o paradigma do ser humano que precisa de ajuda. Ele representa a alteridade carente, “ferida” que, em sua carência questiona o meu eu, impelindo-me para o êxodo do amor.

A parábola do samaritano revela um sentido ainda mais profundo: do silêncio do corpo daquele infeliz - de quem não se sabe o nome, não se vê o rosto e nem sequer se diz que pediu ajuda, mas questiona o caminho dos passantes e os convoca à responsabilidade urgente. Ajudar ou não eis a questão.

O sacerdote judeu e o levita viram bem e entenderam o que tinha acontecido, através de um olhar de banda, carregado de suspeita, receio e desconfiança. Seguramente se perguntaram: “Que pode acontecer comigo se me aproximo dele e o ajudo?...” Seu comportamento seria outro se se perguntassem: Quê pode acontecer a este homem, se me aproximo dele e o ajudo?

O pecado deles é a omissão: não fazem nada, nem de mau nem de bom. São piedosos, mas insensíveis; a religiosidade não se traduz em gesto fraterno. Enganam-se pensando que se chega a Deus pelo caminho vertical, e não pelo horizontal da ajuda fraterna. Amam a Deus só de palavras e de boca, e não com obras e de verdade. Não percebem que só no amor ao próximo é que se revela o amor a Deus.

“Viram”, masnão se deixaram afetar pela pessoa necessitada. O amor a Deus não se expressou como amor ao próximo. Julgavam-se estar unidos a Deus, mas na verdade estavam distantes do irmão sofredor. A fé sem obras é morta. 

Além disso, o “legalismo” falou mais forte que a lei da vida no coração dos dois responsáveis pela religião. Invocando a lei da pureza ritual (proibia o contato com cadáveres!), sentiram-se dispensados de acudir o necessitado. A obediência ritual superou o apelo moral.

Mais contrastante foi a atitude do samaritano: chegou perto, viu e sentiu compaixão”. É a dinâmica da misericórdia! Tudo começa com o “aproximar-se”. É impossível ser afetado sem proximidade. Enquanto o sacerdote e o levita se desviaram do homem caído no chão, o samaritano “achegou-se”. A proximidade física permitiu-o “vê-lo”de fato.

O “ver” do samaritano vem depois de chegar junto ao ferido. O aproximar-se é o primeiro passo. O samaritano optou pelo amor.

A experiência cristã se constitui como uma “mística de olhos abertos”, que como um colírio dilata as pupilas dos olhos para captar o horror tremendo do inferno da pobreza e da exclusão.

Olhar-nos com os olhos do outro que nos visita supõe uma autêntica revolução interior. O olhar do outro nos arranca do “ensimesmamento” que nos cega e desmascara a enfermidade raiz de nossa cultura atual:  a indiferença e a cínica apatia diante da dor dos pobres e marginalizados.

A parábola do samaritano desvela seu significado último e perturbador: no “outro” Deus nos fala e nos encontra, convocando-nos para a solidariedade. Onde está Deus?” Não está entre os conhecedores de Sua identidade, não está nas instituições que o representam, mas está lá, onde ninguém o espera: quem não é “nada” O hospeda e O aponta.

Jesus deslocou Deus transferindo seu habitat do templo para o corpo que está à “beira da estrada”. O excluído é doravante, a revelação da Sua presença.

“próximo” chama, clama para cada um sair de si mesmo e caminhar em direção ao outro. Importa “reinventar” com urgência a solidariedade como valor ético e como atitude permanente de vida que se encarna nos pequenos gestos de inclusão.

Sugiro que nesta semana você se aproxime de alguma pessoa necessitada.




Passaram-se 36 anos, quando desapareceu Emanuela Orlandi, uma mocinha graciosa de 16 anos de idade, e cujo pai trabalhava no Vaticano. Detrás deste sumiço, sempre ficou a suspeita, que alguém muito alto na hierarquia da igreja seria o responsável desse desaparecimento. Alguém abusou da mocinha e acabou com o seu paradeiro e a sua vida.

Desde então, o caso de Emanuela Orlandi é um mistério infindável, para a família e para o Vaticano. Para o Vaticano porque as suspeitas giram ao redor dele: Primeiro, foram na Nunciatura da Santa Sé junto do governo italiano. Fizeram escavações no terreno indicado e apenas encontraram alguns ossos seculares que analisados indicavam ser do sexo masculino. Nada de Emanuela.

Veio, então, a suspeita sobre este cemitério teutônico dentro do território do VaticanoBusquem no túmulo do anjo!... dizia uma mensagem sibilina chegada à família dos Orlandi. Pediram as licenças necessárias para levantar o túmulo. Criaram uma comissão técnica para testemunhar a abertura do túmulo do anjo, pertencente à princesa Sofía von Hohenlohe (1673-1743), e aquele outro túmulo próximo, pertencente a outra princesa da Dinamarca: Carlotta Federica de Mecklenburgo (1784-1840).

No dia 11/JUL foi o dia indicado para abrir os túmulos. Presentes o irmão de Emanuela, Pedro, um médico forense, o promotor de justiça, o comandante da guarda do Vaticano, operários especializados para abrir túmulos antigos... E tudo registrado em ata. E quando abriram o túmulo, eis a surpresa. Não encontraram nada. Os túmulos das duas princesas estavam vazios! Nem ossos de Emanuela, nem de Sofia, nem de Carlota... 

E agora começa outra história intrigante e paralela: Onde foram parar os restos mortais das princesas?