Por ocasião da visita ao Vaticano, 22/JUN/2017, o Rei da Holanda Willem-Alexander recebeu o Bastão pertencente à Guilherme I de Orange-Nassau, pai da pátria holandesa.

O gesto representa um testemunho de reconciliação e da atual união existente entre os dois Estados e as religiões. É também um símbolo do longo caminho que a Igreja Católica romana, mas também o Reino dos Países Baixos, percorreram de um passado de rivalidade, guerra e repressão a um presente de respeito recíproco e de promoção pela paz e os direitos humanos.

Isto é particularmente relevante em um momento de crescentes desafios, desconfianças e migrações forçadas.

O bastão pego do rei morto e vencido, chegou às mãos dos jesuítas catalães, e ali ficou esquecido por séculos, em San Cugat del Vallés, até que a Embaixada do Reino dos Países Baixos e o Museu Militar Holandês, após exaustiva pesquisa, o encontrou e pediu.

O objeto representa um valor único na história do Estado holandês e dessa nação. Os católicos espanhóis se apropriaram do bastão, após a sua vitória contra os revoltosos holandeses protestantes, em 1574.

O bastão, que traz impresso o brasão de Guilherme I, foi oferecido pelo nosso Superior Geral dos Jesuítas, Padre Arturo Sosa Abascal, ao rei da Holanda.


Nunca mais guerra entre cristãos! 



Sexta-feira, após Corpus Christi: Sagrado Coração de Jesus... É a festa litúrgica que hoje celebramos.  

Coração atravessado, escancarado pela lança de um soldado romano chamado de Longinho. São Longinho,  pois após essa triste façanha de se certificar da morte de Jesus, abrindo-lhe o peito, o sangue brotou e lhe salpicou. Tocado pelo sangue sagrado do Crucificado, mudou de vida e se fez cristão. Morreu mártir, decapitado na Capadócia (atual Turquia), por ser cristão, discípulo de Jesus... 

Enorme e triste seria o testemunho deste soldado romano: Eu atravessei com a minha lança o Coração do Senhor... Coração sempre aberto aos pecadores... Eu o vi! Sangue e água me tocaram e transformaram o meu coração empedernido...

Ó Cruz tão bendita! Só tu mereceste trazer o Senhor, rei do Céu! Aleluia! Aleluia!

Jesus crucificado, coração aberto, deu seu sangue por cada um de nós. Amor inesgotável e infinito. Abriram o seu Coração para que você e eu fôssemos hoje os seus discípulos. 

Celebrar o Sagrado Coração de Jesus é entrar nessa intimidade amorosa e viver corajosamente amando e servindo. 

Digamos agradecidos como o velho Tobias: Bendito seja Deus! Bendito seja seu santo nome! Ele nos salvou! Ele nos curou!


Bendito seja sempre seu Sagrado Coração!


Sinto o carinho das pedras...

Contemple e responda: 
Quem cuida de mim?

O Papa Francisco enumerou algumas tentações que afligem mais os religiosos (encontro com sacerdotes no Cairo/Egito).
Citou as seguintes tentações:

1. Deixar-se arrastar e não guiar. Não pode deixar se arrastar pela desilusão e o pessimismo. Estar sempre cheio de iniciativas e criatividade. Dar sempre uma carícia de consolo, mesmo quando seu coração está partido. Nossa fidelidade ao Senhor nunca pode depender da gratidão humana.

2. Lamentar-se continuamente. É fácil culpar sempre os outros. O consagrado transforma cada obstáculo em uma oportunidade, e não cada dificuldade em uma desculpa. Quem sempre se lamenta não quer trabalhar. 

3. Crítica e inveja. Em vez de ajudar deixa-se dominar pela inveja e fere os outros com a crítica. A inveja é um câncer que destrói qualquer organismo em pouco tempo.

4. Comparar-se com os outros. A riqueza encontra-se na diversidade. Comparar-se com os melhores leva ao ressentimento; comparar-se com os piores, leva à soberba e à preguiça. Quem sempre se compara acaba paralisado.

5. Faraonismo. Endurecer o coração e fechá-lo ao Senhor e aos outros. Sentir-se acima dos outros; deixar-se servir em vez de servir.

6. Individualismo. Tentação dos egoístas que  em vez de pensar nos outros, pensam exclusivamente em si mesmos. O individualista motivo de escândalo e de conflito.

7. Caminhar sem rumo nem objetivo. Viver com o coração dividido entre Deus e o mundanismo. Esquece seu primeiro amor. O consagrado, se não tiver uma clara identidade, caminha sem rumo. Quanto mais enraizados em Cristo, mais vivos e fecundos seremos. 

Senhor, não nos deixes cair na tentação e livrai-nos do maligno...


  

Nela, os quatro cardeais pedem ao Papa para serem recebidos em audiência, para falar sobre as confusões provocadas pela Amoris Laetitia. E como eles gostam de futricas, nada melhor que coloca-la nos meios de comunicação.

– Na Polônia, a Conferência Episcopal anunciou que publicará as diretrizes para a aplicação da Amoris Laetitia mantendo firme o ensinamento de João Paulo II: recasados não podem comungar a não ser que vivam “como irmão e irmã”.
– Na Itália, a Conferência episcopal da Sicília publicou as Orientações Pastorais sobre o capítulo oitavo da Amoris Laetitia que preveem “soluções práticas diferenciadas de acordo com as situações”, incluindo a absolvição e a comunhão para os divorciados recasados que vivem “more uxorio”.
– Na Bélgica os bispos deram sinal verde, em uma Carta Pastoral, à comunhão para os divorciados recasados, embora simplesmente “decididam em consciência”.
– Na Argentina, na diocese de Reconquista, o bispo, festejou publicamente a plena readmissão na Igreja de quase 30 casais de divorciados recasados que seguem vivendo “more uxório” e declarou ter-lhes dado a comunhão ao final de um caminho coletivo de preparação com base nas indicações da Amoris Laetitia e da posterior carta escrita pelo Papa aos bispos da região do Rio da Prata.
– Na Itália, o teólogo Maurizio Chiodi publicou no último número da Rivista del Clero Italiano um ensaio no qual defende a possibilidade da comunhão para os divorciados recasados, com base em “uma teoria da consciência que ultrapassa a alternativa da norma”.

No Brasil? Parece que a CNBB não chegou a um consenso e ainda aguardamos um posicionamento oficial.

Eis a íntegra da carta:

"A nossa consciência nos obriga…"

Santo Padre,
É com uma certa inquietação que me dirijo a Sua Santidade nestes dias do tempo pascal. Faço-o em nome das suas eminências os cardeais Walter Brandmüller, Raymond L. Burke, Joachim Meisner, e em meu próprio nome.

Nós desejamos, antes de mais nada, renovar a nossa absoluta dedicação e o nosso amor incondicional à Cátedra de Pedro e à Sua augusta pessoa, na qual reconhecemos o Sucessor de Pedro e o Vigário de Jesus: o “doce Cristo na terra”, como gostava de dizer Santa Catarina de Sena.
Nós não compartilhamos em absoluto aquela posição de quantos consideram que a Sede de Pedro está vacante, nem a de quem pretende atribuir também a outros a responsabilidade indivisível do “munus” petrino. Anima-nos tão-somente a consciência da grave responsabilidade que provém do “munus” cardinalício: ser conselheiros do Sucessor de Pedro no seu ministério soberano, assim como do Sacramento do Episcopado, que “nos constituiu como bispos para apascentar a Igreja, por Ele adquirida com o seu próprio sangue” (At 20, 28).
Em 19 de setembro de 2016, entregamos a Sua Santidade e à Congregação para a Doutrina da Fé cinco “dubia”, pedindo-lhe que dirimisse incertezas e clareasse alguns pontos da Exortação Apostólica pós-sinodal Amoris Laetitia.
Não tendo recebido qualquer resposta da parte de Sua Santidade, chegamos a decisão de lhe pedir, respeitosa e humildemente, uma audiência, conjunta, se assim lhe aprouver. Nós juntamos, como é de praxe, uma Folha de Audiência em que expomos os dois pontos que desejaríamos poder tratar com Sua Santidade.
Santo Padre, já se passou um ano desde a publicação da Amoris Laetitia. Neste período, várias interpretações de algumas passagens objetivamente ambíguas da Exortação pós-sinodal, foram apresentadas publicamente, não divergentes, mas contrárias ao permanente Magistério da Igreja. Embora o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé tenha declarado mais de uma vez que a doutrina da Igreja não mudou, apareceram numerosas declarações de bispos, cardeais e até mesmo de Conferências Episcopais, que aprovam o que o Magistério da Igreja jamais aprovou. Não somente o acesso à Santa Eucaristia daqueles que vivem objetiva e publicamente numa situação de pecado grave e pretendem nela continuar, mas também uma concepção da consciência moral contrária à Tradição da Igreja. Acontece assim – oh, e como é doloroso constatá-lo! – que o que é pecado na Polônia é bom na Alemanha, o que é proibido na Arquidiocese da Filadélfia é lícito em Malta, e assim por diante. Vem-nos à mente a amarga constatação de Blaise Pascal: “Justiça do lado de cá dos Pireneus, injustiça do lado de lá; justiça na margem esquerda do rio, injustiça na margem direita”.
Numerosos leigos competentes, que amam profundamente a Igreja e são firmemente leais à Sé Apostólica, dirigiram-se aos seus Pastores e a Sua Santidade, para serem confirmados na Santa Doutrina no que diz respeito aos três sacramentos do Matrimônio, da Confissão e da Eucaristia. E justamente nestes últimos dias, em Roma, seis leigos provenientes de todos os continentes propuseram um Seminário de estudo que contou com a participação de grande número de participantes e que teve o significativo título: “Esclarecer”.
Diante de tão grave situação, que está dividindo muitas comunidades cristãs, sentimos o peso da nossa responsabilidade, e a nossa consciência nos obriga a pedir humilde e respeitosamente uma audiência.
Pedimos a Sua Santidade para que se digne recordar de nós nas suas orações, como nós lhe asseguramos que o faremos nas nossas. E lhe pedimos o dom da sua bênção apostólica.
Carlo Card. Caffarra
Roma, 25 de abril de 2017.
Festa de São Marcos Evangelista
* * *

Folha de Audiência

1. Pedido de esclarecimento dos cinco pontos indicados nos “dubia”; razões para tal pedido.
2. Situação de confusão e desorientação, sobretudo entre os pastores de almas, os párocos "in primis".


Meu comentário: Carta ‘aparentemente’ educada e bem escrita, mas desrespeitosa com a pessoa do Papa Francisco: Carta pessoal e ao mesmo tempo pública? Francisco já explicitou publicamente o seu magistério e ele não é acolhido? É a Exortação que dividiu as comunidades ou a situação de exclusão vivida que já as havia separado? Qual a Tradição da Igreja: A do primeiro milênio ou ao do segundo? 

Luís Gonzaga nasceu em Mântua, Itália e, como primogênito do Marques de Ferrante de Castiglione, frequentou os ambientes mais sofisticados da alta nobreza: Corte dos Médici/Florença, dos Mântua, dos Hasburgo/Madri, e estava predestinado a ser rico e poderoso como todos os de sua família. E assim caminhava desde cedo, pois aos 13 anos de idade Luís já era pajem do rei da Espanha. Ele foi predeterminado pela família para seguir os passos de seus antepassados...

Mas Deus é imprevisível, e para surpresa de todos o jovem Luís optou pela vida religiosa na Companhia de Jesus (Jesuítas), derrubando por terra os interesses depositados nele pelo pai. Este ficou furioso e colocou-o em situações embaraçosas, esperando vê-lo sucumbir nos seus desejos vocacionais. O jovem Luís não desistiu da sua vocação, renunciou à herança da família (nobreza, poder, dinheiro...) e entrou no noviciado dos jesuítas em Roma. Tinha 17 anos de idade!

Pouco tempo depois, aos 23 anos de idade, foi contagiado pela peste que atingiu à população pobre de Roma. E assim, morreu solidário com os doentes pobres. 

Luís Gonzaga foi beatificado em 1604 e a sua mãe, ainda viva, participou emocionada dessa cerimônia. Foi canonizado em 1726 e, desde então, é o padroeiro da juventude.

Hoje, a nossa juventude tem outros ídolos que brincam e acabam com ela. Astros da música, jogadores de futebol, artistas de novelas... Num piscar de olhos todos são constantemente eliminados e substituídos.  

São Luís Gonzaga, rogai a Deus pela nossa juventude.

Uma pergunta: A que você renuncia para seguir Jesus?



Alguns pulam de alegria por esta memória restaurada, embora tardia, de dois profetas italianos, silenciados pelas autoridades religiosas nos idos da década dos 60. 

Dom Primo (1890-1959), figura destacada do catolicismo italiano, antecipou com seus escritos e pregações o Concílio Vaticano II (“Igreja dos pobres", “liberdade religiosa” "diálogo ecumênico", etc.). Dom Milani (1923-1967) com sua educação personalizada e amor pelos pobres foi punido a viver num povoado miserável.

Ambos os padres, em lugares recônditos das montanhas, viveram como pastores amantes do seu pequeno rebanho e ultrapassaram os limites geográficos dos seus lugares com os gestos que fizeram.

O Papa Francisco peregrina, no dia 20/JUN, nos túmulos perdidos destes dois profetas italianos. É uma homenagem aos que vivem com coragem o evangelho de Jesus, o amor aos pobres e à Igreja.  

Disculpem-nos pela forma como a Igreja tratou vocês! 

E eu penso: Quantas pessoas precisam ainda ser recuperadas pelas exclusões promovidas por uma igreja fortemente legalista e clerical...