Isto é uma vergonha! Governos que se dizem cristãos perseguem religiosos e religiosas  que se manifestam contra a expulsão de migrantes, como se fossem animais selvagens. 

Cerca de 70 pessoas, que carregavam fotos de crianças imigrantes que morreram enquanto estavam sob custódia em centros de detenção norte-americanos, foram presas na quinta-feira (18) enquanto protestavam no Capitólio, em Washington, contra a política de imigração do governo de Donald Trump.

A Rede Franciscana de Ação, um grupo católico em defesa dos direitos humanos, convocou a manifestação nos escritórios do Senado Russell, parte do complexo do Capitólio, para protestar contra as condições desses centros, porque, acusam, que eles constituem uma violação aos direitos humanos.

Nosso país nasceu na escuridão do que agora chamamos pecado original. E agora, uns 200 anos ais tarde, pensamos que havíamos começado a superar esses pecados. No entanto, nestes dias, Donald Trump está nos arrastando de volta àqueles tempos malignos, com uma combinação de medos irracionais, ódio de pessoas que não são dele e pura crueldade. O que é quase tão maligno, é que os chamados cristãos apóiam e aplaudem e possibilitam essa descida para uma nova era de trevas na América. Estamos falando sobre as evidências para isso e essas ações hoje. Estamos particularmente citando a desumanidade que ocorre, mesmo enquanto falamos, nas nossas fronteiras do sul. É por isso que pedimos aos nossos milhões de irmãs e irmãos católicos, particularmente nossos bispos, que participem da luta pela alma da América, declarou o frei Joe Nangle, ex- animador de Justiça, Paz e Integridade da Criação da Província Franciscana  do Santíssimo Nome.

As imagens de crianças em condições deploráveis e insalubres, sem acesso a chuveiros por semanas, incomunicáveis e dormindo em pisos de concreto sem cobertores, nos forçaram a ficar em solidariedade e dizer 'não em nosso nome', disse a irmã Áine O. Connor, uma das manifestantes presa.

Apoiamos esses leigos e religiosos/as por tentar viver segundo o Espírito de Jesus. Benditos sois quando vos perseguirem por causa do meu nome... Alegrai-vos e exultai! 


Maria sentou-se aos pés do Senhor, e escutava sua palavra... (Lc 10, 39)

Neste domingo, a liturgia nos desloca até Betânia, lugar de acolhida e hospitalidade; somos convidados a entrar em casa de Marta e Maria, junto com Jesus, para deixar-nos impactar por tudo o que acontece nesse ambiente tão familiar e humano.  

Para Jesus, Betânia é um lugar de intimidade e de descobertas. Ao hospedar-se na casa de Marta e Maria surge a novidade: Maria senta-se aos pés do mestre, em horário dos trabalhos domésticos. As palavras de Jesus embelezam o coração dos ouvintes.

À luz deste relato abre-se uma nova perspectiva para a mulher. Maria é uma interlocutora privilegiada. Talvez seja o relato mais subversivo do evangelho“Sentada aos pés de Jesus, escutava sua palavra...”. Maria, irmã também de Lázaro, está ali como discípula. Isto derruba a concepção machista da época que não permitia às mulheres serem discípulas de um mestre. Quando se elimina a gratuidade do encontro e da acolhida, a vida pode perder seu sabor e seu sentido. Em Maria, Jesus convida todas as mulheres a desenvolver seus valores humanos e espirituais.

Se queremos compreender mais profundamente o verdadeiro sentido do texto deste domingo, não devemos esquecer o contexto do evangelho de Lucas. Situado dentro da viagem a Jerusalém, o relato revela o perfil dos que querem seguir Jesus. 

Lucas é o único que relata este episódio em Betânia, e não é casualidade que se sinta interessado em destacar a importância das mulheres na vida pública de Jesus. 

Jesus não censura Marta por trabalhar; Ele censura a sua inquietação e fato de andar agitada no seu “tarefismo”, e com um olhar atravessado para sua irmã.

Jesus chama Marta por duas vezes, como Moisés quando foi chamado por Deus diante da sarça ardente. Ele a chama para que não se identifique com sua função nem com seus afazeres, para que progrida e se atreva a ser a “Marta completa”.

Jesus censura em Marta o seu estrabismo: Dois olhos olhando cada um para uma direção diferente. Marta tenta olhar, ao mesmo tempo, para Jesus e para a irmã; dessa forma, não enxerga a única coisa necessária: O Senhor!

Não precisamos nos comparar. Essa tendência está presente em muitas pessoas. Esse “demônio” é sempre atual e acaba por envenenar múltiplas relações, pois quando comparamos, passamos ao largo do único necessário. A “melhor parte” é ver Jesus. E estarmos orientados para o Senhor.

Se nosso desejo é orientado para o Senhor podemos ter momentos de contemplação e de ação.  Não são opostos. A qualidade da ação e da contemplação depende da orientação do coração e da inteligência em direção Àquele que mantém unidas todas as coisas.

Betânia nos diz: todos somos, ao mesmo tempo, Marta Maria, somos convidados a saborear a Palavra que, no mais profundo de nós mesmos, se converte em uma fonte de assombro e de prazer e nos reenvia ao serviço mais generosos e livres.

Marta representa um lado nosso que calcula, que mede e que compara. É preciso reencontrar Marta em união com Maria. Não é nada fácil manter o equilíbrio, integrando-as. Marta e Maria são como os dois olhos de um olhar, ou as duas faces do mesmo rosto. Os dois olhando em direção ao Senhor. Unir Marta e Maria, a contemplação e a ação, o silêncio e a palavra.

“melhor parte” está por todo lado: é o Senhor que deve ser acolhido em nossa ação e em nossa contemplação, no trabalho e no descanso.

O ser humano é capaz de ação e de contemplaçãomas o único necessário é amar sempre o Senhor.


Casa-torre dos Loyola...

Conhecer o contexto das pessoas é fundamental para entendê-las por dentro. Espaço e tempo, geografia e cultura nos configuram. O corpo que temos, nossas emoções e sensibilidade são determinados, muitas vezes, pela geografia e afetos (ou desafetos) familiares. Íñigo (primeiro nome de Inácio) López de Loyolanão fugiu dessa regra universal. 


Temos raízes profundas afincadas na terra em que nascemos e vivemos. Dela extraímos não só a vida, mas também o gosto e o desgosto que sentimos. A história do nosso povo, da própria família, os trunfos e fracassos, medos e pecados são como personagens vivos que nos habitam.

O pequeno e límpido rioUrolacorre perto da Casa-torre dos Loyola. As macieiras e os castanheiros são árvores daquela região. Duas montanhas, uma delas majestosa, o Izarraitz, escondem este lugar entre as pequenas localidades de Azpeitia e Azcoitia. Lá, os Loyola foram batizados na fé católica. 

Há fatos banais que são talvez vividos distorcidamente porque assim foram sentidos e experimentados. Um exemplo? O orgulho de casta(país, raça, família...) é uma das vertentes do modo natural de ser de Íñigo de Loyola. Esse jovem vive num vale paradisíaco. Sua Casa-torre,situada sobre um pequeno relevo, estava rodeada por um bosque frondoso. Uma árvore maior assinalava o lugar da casa.

Nascer num vale, com montanhas que cortam o horizonte, significa viver num mundo limitado e ensimesmado. Não é fácil sair e ir além dos próprios horizontes. 

O início do século XVI foi marcado por algumas características que o fazem, de algum modo, parecido com o nosso. Fim da Idade Média e começo do Renascimento. Falava-se muito em “decadência”. Os espíritos mais lúcidos tinham a impressão de presenciar ofim de uma época e o nascimento de outra.E de fato, assim era. As velhas instituições feudais entravam em crise. Os conceitos de nobreza, cavalheirismo, vassalagem e serviço a um único senhor, rei ou imperador estavam desgastados pelo uso e abuso.

Hoje fala-se em crise das instituições e da cultura. Muitos não levam mais a sério as leis constituídas ou as normas estabelecidas. A expressão “dou-lhe a minha palavra!”não serve mais para nada, pois precisamos de escritos e até carimbos do cartório para crer na palavra dada. E o manter “o devido respeito às senhoras e senhoritas” faz sorrir sorrateiramente as nossas próprias meninas. As ideias de autoridade e obrigação estão um tanto desgastados. Que o digam os políticos e empresários corruptos que nos dirigem. 

No tempo de Ínhigo de Loyola asdescobertas geográficas(Vasco da Gama, Cristóvão Colombo...), fruto de grandes investimentos econômicos, tinham ampliado as fronteiras do mundo conhecido. A invenção da imprensafacilitou a difusão da cultura, até então privilégio dos mosteiros.
            
Hoje, o desenvolvimento técnico-científicoreduziu as distâncias do nosso planeta, descortinando possibilidades espaciais e até extraterrestres. A comunicaçãoentre nós cresceu vertiginosamente... É a revolução da informática.
                        
Hoje, no início de um novo milênio, sentimos desejos de renovação etransformação de estruturas. Parece como se redescobríssemos a importância do sujeito (“psicologia”) e do seu entorno(“ecologia”). Exaltamos valores primitivos(povos indígenas, religiosidade popular...) e particularidades de grupos minoritários.

Um novo mundo renasce, embora não vislumbramos, ainda, como ele será. Sentimos dificuldade de adaptar-nos ao velho; mas não conseguimos habituar-nos completamente ao novo. 

Como Ínhigo de Loyola adentramos num mundo novo. 



O Papa Francisco é um idoso incansável: Após a viagem pastoral a Madagascar, Moçambique e Ilhas Maurício (4 a 10/SET), o Sínodo Pan-Amazônico (6-27/OUT), agora anunciam esta viagem à Tailândia e ao Japão, com repercussões geopolíticas e pastorais importantes. A viagem acontecerá nos dias 19 a 24/NOV, finalizando com a missa de Cristo Rei, em Tóquio. Até agora, foram confirmadas as cidades de Bangkok (Tailândia), Tóquio, Hiroshima e Nagasaki (Japão). 

O Japão tem como elemento central a longa tradição jesuíta nesse país. Lembremos que São Francisco Xavier (1506-1552), jesuíta, foi o primeiro missionário europeio a por os pés nesse país. 

O Papa provavelmente pedirá perdão, em nome da humanidade, pelas bombas atômicas lançadas pelas tropas aliadas, em 1945, em Hiroshima e Nagashaki.

O avião do Papa Francisco sobrevoará o espaço aéreo da China, enviando, como é de praxe, uma mensagem ao seu Presidente. É um modo educado de dizer ao Presidente: reunamo-nos! 

O Papa visitará em Tóquio, o novo imperador Naruhito, e o seu primeiro ministro, Shinzo Abe.

Em Tailândia a atividade do Papa terá um componente inter-religioso importante, com uma visita a um templo budista.

Rezemos e acompanhemos…



Após a vida de José de Anchieta (1534-1597), surge nas terras brasileiras outra figura ímpar: O Padre Antônio Vieira (1608-1697), uma das pessoas mais influentes desse século, em termos de política e oratória. Defendeu incansavelmente o direito dos povos indígenas combatendo sua escravidão. E era por eles chamado de "Paiaçu" (Grande Pai).
António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e mesmo a abolição da escravatura dos africanos. 
Nascido em Lisboa, Antônio foi o primogénito de quatro filhos; sua mãe era filha de uma mulata africana. O pai mudou-se para o Brasil em 1614, para assumir o cargo de escrivão em Salvador/BA, e mandou vir a família cinco anos depois.
António Vieira iniciou os primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas de Salvador, onde se destacou como brilhante aluno. Mas, foi a partir de um "estalo" na cabeça contemplando uma imagem de N. Senhora, que passou a entender tudo com facilidade e a guardar o que lia na memória.  Ingressou na Companhia de Jesus em 1623. No ano seguinte foi a 1ª invasão  holandesa de Salvador. Foi ordenado de presbítero aos 28 anos de idade.
Em 1653, proferiu o famoso "Sermão da Primeira Dominga de Quaresma", em São Luís do Maranhão, tentando convencer os senhores da terra a libertarem seus escravos indígenas. Vieira  exerceu no Norte do Brasil papel idêntico ao dos primeiros jesuítas no Centro e no Sul do país. 
Em 1654, pouco depois de Vieira proferir o célebre "Sermão de Santo António aos Peixes", em São Luís/Maranhão, viajou para Lisboa, a bordo de um navio carregado de açúcar, pois queria defender junto ao rei, os direitos dos indígenas. Após dois meses de viagem, já à vista dos Açores, abateu-se sobre a embarcação uma violenta tempestade, fazendo-a adernar a estibordo (lado direito da embarcação), ficando à deriva, até ser assaltados e resgatados por piratas. O padre concedeu a todos absolvição geral. 
Vieira foi condenado por um conjunto de manuscritos “sebastianistas”: "Quinto Império"; "História do Futuro" e "Chave dos Profetas" ficando em prisão domiciliar, por quase 2 anos, no Colégio dos jesuítas, em Coimbra. 
Em 1669, o incansável Vieira mudou-se para Roma, onde ficou por 6 anos. Quis defender a canonização dos "Quarenta Mártires Jesuítas" (1570), que só foram beatificados 200 anos depois, mas também aproveitou para ser reabilitado e combater a Inquisição Portuguesa..
A mesma extraordinária capacidade de oratória que seduziu, primeiro, o Governo geral do Brasil, e depois a corte de Dom João IV, em Portugal, se repetiu em Roma, garantindo-lhe a anulação das suas penas e condenações.
Regressou a Lisboa seguro de não ser mais importunado pela Inquisição, mas quando aconteceu uma outra expulsão de judeus, , em 1671, Vieira novamente e ardorosamente os defendeu
Em 1681, retornou à Bahia, alegando questões de saúde. Ele chegou a ver publicado os seus Sermões,  e também diversas cartas. 
Vieira, já velho e doente, viveu o mistério da vida oculta de Nazaré, ficando sem escrever nem falar por dois anos... 
Por fim, morreu o grande missionário em Salvador, 18/JUL/1697; contava então 89 anos de idade...

Para ver o vídeo sobre o Pe. A. Vieira CLIQUE AQUI




Inácio de Azevedo nasceu em Portugal, no ano de 1526. Ingressou na Companhia de Jesus com 22 anos, rapidamente reconhecido por sua forte liderança foi enviado para o Brasil.  
Tendo retornado a Portugal, voltava com um reforço considerável de padres e irmãos jesuítas para trabalharem na terra da Santa Cruz. Durante esta viagem missionária a caminho do Brasil, em julho de 1570, a embarcação foi atacada por 5 navios corsários e contrários à fé católica, matando todos aqueles misionários e jogando-os no mar.  
Um jovem, vendo tamanho massacre, disse querer ser jesuíta, Inácio de Azevedo o aceitou e foi também massacrado. Só sabemos seu nome `João´ Adauto, e `Adauto´, por ter sido adicionado ao número dos jesuítas martirizados.
O grupo de Inácio de Azevedo e seus 39 companheiro mártires foi beatificado em 1854, e hoje celebramos sua festa litúrgica.


Rito da Ordenação de diáconos permanentes... 

O século XX encontrou a Igreja em um processo de apertura, no qual o diaconato podia se abrir a um novo horizonte. Tempos atrás, 1947, o Papa Pio XII situava já o diaconato no Sacramento da Ordem, com imposição de mãos e oração consacratória. 
No Concilio Vaticano II (1962-1965) o Diaconato surgiu de novo com toda a sua riqueza, dentro de uma Igreja “toda ela ministerial”. O Concilio restaurou, pois, o Diaconato permanente e declarou que os diáconos são Servidores do Povo de Deus, em união com o Bispo e seu Presbitério. Aos poucos, as diversas Conferências Episcopais foram dando subsídios para que os bispos o instaurassem em suas igrejas particulares. Não foi fácil vencer as resistências internas encontradas. O Diaconato Permanente não só era um ministério para “casos de emergência”, dada a escassez de sacerdotes, mas também uma nova riqueza da Igreja evangelizadora. 

O Concilio recordou que Diaconato fazia parte do sacramento da Ordem, no seu terceiro grau, e que a sua especificidade consistia no `ministério´, e não no `sacerdócio´ (LG 29). O diácono é um assistente do bispo e do presbítero na liturgia, e em seu nome dispensa alguns sacramentos. Seu ministério é o serviço, a exemplo de Cristo Servo, e em três dimensões: Liturgia, Palavra e Caridade.

Qual a fonte de sua espiritualidade? A do presbítero é "Jesus sacerdote servo", e a do diácono é a espiritualidade do serviço. E o seu modelo é Cristo servidor, dedicado ao serviço do Pai e das pessoas.

Evidentemente, que o serviço cabe a todos nós, povo de Deus, mas para que a Igreja possa viver melhor sua vocação ministerial, foi preciso colocar essa vocação nas mãos de homens generosos e fieis colocados por mandato da Igreja, a serviço dos mais pobres e necessitados. Nas celebrações litúrgicas, nos encontros espirituais ou temporais, nas famílias e nos diversos ambientes da paroquia, encontramos os diáconos com sua discreta e natural simpatia difundindo por palavras e gestos a Boa Nova do Evangelho... 

A Igreja precisará sempre deste carisma de serviço amável e gratuito. Homens casados e ordenados a serviço de Deus e dos outros.

PD. Agora faltaria abrir também este ministério para as mulheres...