Há quem diga que "o ideal era quando o padre celebrava a missa de costas para o povo, pois todos estavam voltados para Deus. Agora o povo está voltado para o padre!". Tais pessoas ignoram totalmente a belíssima renovação litúrgica que trouxe o Concílio Vaticano II e querem uma volta atrás em nossa Igreja!
Antes do Concílio era o padre que celebrava, como "mediador" entre Deus e o povo. E o povo "assistia à missa", que inclusive era em latim, uma língua somente dominada pelos clérigos. Pelo modo como se celebrava, o padre é quem era o ator de toda a ação litúrgica e os fiéis leigos eram apenas os beneficiados em suas necessidades. Desta forma, o ministério do padre foi dissociado da comunidade e os leigos foram desqualificados por completo, e reduzidos àqueles que não são, não sabem e não podem.
A renovação litúrgica do Concílio situou novamente o padre no interior de uma comunidade rica em carismas e ministérios; valorizou o sacerdócio comum de todos os fiéis, do qual se participa pelo Batismo; e colocou a Eucaristia como fonte da vida cristã. Ao padre coube o papel de presidente da unidade desta comunidade eucarística, o qual deverá "presidir" também a ação litúrgica, em comunhão com toda a assembleia que "celebra" o culto agradável a Deus. Além disso, determinou que todos "os fiéis participem nela consciente, ativa e frutuosamente" (Sc 11). Um ministério de unidade, de animação, de incentivo a toda uma comunidade, fazendo-se "um irmão entre irmãos".
O Concílio foi mais além, afirmando no número 14 deste mesmo documento: "É desejo ardente da mãe Igreja que todos os fiéis cheguem àquela plena, consciente e ativa participação nas celebrações litúrgicas que a própria natureza da Liturgia exige e que é, por força do Batismo, um direito e um dever do povo cristão, 'raça escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido'". Portanto, a melhor expressão disso é quando estamos todos ao redor do mesmo altar para participar do mesmo Pão e do mesmo Cálice.
E nesse mesmo parágrafo, os padres conciliares também alertavam: "Mas porque não há qualquer esperança de que tal aconteça, se antes os pastores de almas não se imbuírem plenamente do espírito e da virtude da Liturgia e não se fizerem mestres nela, é absolutamente necessário que se providencie em primeiro lugar a formação litúrgica do clero". Infelizmente, neste sentido, parece que alguns continuam muito mal formados.
Esse formalismo litúrgico, que causa um verdadeiro engessamento da liturgia e um distanciamento por parte dos fiéis leigos e leigas, acaba sendo expressão da falta de preocupação dos ministros ordenados com a realidade em que vive o povo, especialmente os pobres e excluídos. Nesta concepção do ministério, os padres parecem ser apenas ministros do culto, do sagrado, dando as costas à realidade e ao sofrimento das pessoas.

Será que não estamos buscando um "retorno ao passado", deixando de lado a "alegria do Evangelho" e desatentos à ação do Espírito Santo que faz novas todas as coisas? Corremos o risco de centrar a atenção num ritualismo exagerado e a vida ficar distante da liturgia.



Admirável mundo novo? O que você pensa sobre essa possibilidade de fazer sexo com robôs? Parece que a coisa vem e, dentro de poucos anos, poderá tornar-se uma verdadeira invasão.

Existem algumas empresas que já produzem robôs bastante semelhantes a homens e mulheres, incluindo a anatomia sexual, e pele de silicone. Custos? Entre 5.000 e 15.000 dólares por “indivíduo”.

Esses instrumentos do prazer mecânico não serão mais considerados mero fetiche, e dentro de dez anos serão aceitos em grande escala. Aonde chegamos!

Seus possíveis “objetivos” incluiriam:
1. Proporcionar “companhia” e terapia sexual;
2. Permitir a casais geograficamente afastados manterem relações sexuais mediante o uso de robôs que “representassem fisicamente” o parceiro distante;
3. Ouvir o robô falar com a voz do parceiro, para tornar a experiência mais “realista”;
4. Ajudar na reabilitação sexual de vítimas de abusos e traumas;

Que tipo de impacto será provocado sobre o usuário humano por esses companheiros robóticos? Essa ideia da perda de parâmetros morais nos levará a um desinteresse pela interação com outros humanos?

Parece brincadeira de loja erótica, mas não é. 
E você o que pensa sobre essa alternativa robótica?








A concepção, a primeira batida do coração, o primeiro respiro, o primeiro choro, a primeira vez que se abrem os olhos, a primeira palavra balbuciada, os primeiros passos inseguros, o entusiasmo do primeiro dia de aula, a decepção causada pela primeira nota vermelha, a emoção da primeira comunhão...Com o coração cheio de preciosos nomes hoje celebro a primeira Missa.

Minha cabeça ainda sente o peso suave das mãos que me ordenaram sacerdote, presbítero da Igreja. Minhas mãos recentemente ungidas ainda exalam o perfume do óleo santo derramado sobre elas. Acabei de receber um ministério pleno de mistério. Talvez vocês se perguntem como me sinto neste momento. Eu respondo: Revestido da beleza da misericórdia do Senhor. Um pecador amado e reconciliado. Um homem cheio de contradições e limites, mas ornamentado com as vestes de festa que o Pai pródigo de amor acabou de me revestir. Sinto-me mais ainda nas mãos do Senhor porque não há nada nem ninguém que possa penetrar o mais íntimo de nós mesmos e cuide de nós com tanto carinho como Aquele que nu, se deixou ser levantado em uma cruz e assumiu a mais horrenda dor humana: a solidão da dor e dos afetos.

O mundo sofre a solidão da dor e dos afetos. A dor gerada pela solidão é como o joio que entra sem pedir licença por nossas casas, invade nossos corações e insiste em querer roubar até mesmo os três maiores tesouros que Deus tatuou em cada um de nós: a fé, a esperança e o amor. Tal joio ameaça substituir a beleza dos nossos campos e o sabor dos seus frutos pelo desencanto e pelo medo. E quando isso acontece, facilmente nos vem a tentação de abandonar nossos campos imaginando que outros serão mais propícios que os que temos debaixo dos nossos pés. A raposa do pequeno príncipe amava os campos de trigo, porque a memória dela estava repleta da ausência e do amor que ela nutria pelo pequeno príncipe. O que seria a Eucaristia senão preencher nossa memória doente e ferida por aquela memória do amor maior que transbordou sobre cada um de nós através da cruz?

Quando nos reunimos em torno do altar e nos alimentamos dele, estamos nos nutrindo daquela mesma paixão com a qual o Senhor Jesus nos amou. Somos preenchidos daquela mesma coragem com a qual Ele se entregou. Quem se alimenta do Corpo do Senhor, jamais permanece o mesmo se cada um tem a coragem abrir o coração Àquele que vem em socorro da nossa fraqueza.

Como padre, também quero ser um semeador de esperanças. Vamos juntos! Jamais sozinhos! Assim, se um dia eu desanimar ou minha memória adoecer, peço que me ajudem a lembrar das palavras que eu pronunciei na minha primeira missa, ao redor deste altar: Quero ser um semeador de esperanças!



Curta a viagem emocionante que você já experimentou para nascer...

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Igreja Santa Rita de Cássia
Sorocaba, 22 de Julho de 2017
  
Foi ainda criança que entrei pelas portas desta igreja, sentei-me nestes bancos e senti meu coração balançar. Todo mundo me pergunta: como foi que começou? Alguns até chegaram a pensar: este menino deve ter visto algum anjo ou outra criatura parecida? Outros até já chegaram a afirmar que foi o meu muito brincar de missa na infância que me inspirou tal vocação. Mas, a verdade é que a resposta a esta pergunta sempre foi mistério também para mim. Mas, se houve algo que sempre despertou meu coração criança foi este: sempre tive uma vontade gigantesca de ir para o céu. Quando descobri que a gente morria, comecei a pensar mais sério nisso.

Anos mais tarde, já nas filas da Companhia de Jesus encontrei um ancião, homem amado de todos, furei a fila dos seus admiradores, corri e abracei seu corpo magro e as únicas palavras que consegui pronunciar foram estas: "Dom Luciano, estou entrando na Companhia de Jesus, reze por mim para que eu persevere!" Poucos meses depois ele partiu para o céu, e é para lá que eu dirijo meu olhar neste momento, onde, ao lado do Rei Eterno, da Mãe Maria, de Santo Inácio, de São José de Anchieta está ele, Pe. Libanio, meu avô Palmiro e tantos outros queridos e queridas que não cessam de me ajudar a seguir em frente e a não desanimar jamais.

Agora, meu olhar se dirige aos que me geraram, cuidaram, e amaram por primeiro. Responsabilidade grande está que Deus deu a esses dois adolescentes que ainda na flor da juventude trocaram o frescor de seus beijos para assumir o compromisso de serem pai e mãe. Minha gratidão a vó Dete que assumiu com eles esta responsabilidade e me deixou dormir na casa dela às segundas-feiras. Aos meus irmãozinhos, agradeço pela paciência que tiveram para suportar minhas ausências. Minha gratidão à vó Lourdes, avô, tios, primos e todos os demais familiares aqui presentes.

Agora, agradeço na pessoa do Pe. provincial do Brasil João Renato e do meu novo superior Pe. Smyda, a Companhia de Jesus, que me acolheu bem jovem, e que apesar da minha teimosia e dureza me lapida e me forma (porque a formação jesuíta não termina com a ordenação presbiteral). Esta Companhia que me enviou para realizar tantas experiências belas, em lugares distantes, muitas vezes difíceis, mas que me ajudaram a compreender melhor o mundo e a Igreja aos quais sou chamado a servir. Agradeço de modo também muito especial o companheiro jesuíta Pe. Eduardo Dougherty, que sempre esteve ao meu lado e também ao lado da minha família, principalmente nos momentos mais difíceis. E também a tantos outros companheiros que me ouviram, me apoiaram e também àqueles que em algum momento me ajudaram a crescer em algum aspecto da vida. São tantos os jesuítas, padres e irmãos aqui presentes. Obrigado, meus amigos no Senhor!

Olho, com carinho para esta comunidade paroquial que me ensinou a rezar, a amar a Igreja e sob a direção dos Pe. Manoel Junior e do Pe. Wilson, apoiaram-me desde o dia em que pedi para que esta querida paróquia pudesse acolher este momento tão especial, tão eclesial. São tantos os paroquianos que hoje nos olham do céu. Recordo de um modo especial o querido diácono Osvaldo Bistão, uma vida doada por amor a Igreja. Das senhoras do Apostolado da Oração que me mimaram adolescente e hoje me mimam dos céus. Obrigado a cada um de vocês que se reuniram, mesmo enquanto ainda estava em Roma e prepararam tudo com tanto carinho.

Obrigado aos amigos de longe e de perto, aos padres da querida arquidiocese de Sorocaba agradeço na pessoa do Pe. Tadeu, o primeiro padre que conheci e do Pe. Toninho, com quem fiz a primeira comunhão. Gratidão pela presença dos amigos padres de outras dioceses na pessoa do Pe. Edson Andretta que me acompanhou bem de perto no início da minha caminhada, aos religiosos e religiosas, meu muito obrigado pela presença.

A maravilhosa equipe de liturgia sob a direção do Pe. Washington, ao Pe. Geraldo e aos outros músicos que realizaram um belíssimo serviço. Aos queridos companheiros Pe. Ramón, Pe. César Augusto, Pe. Adelson, Diácono André, escolástico Vítor e outros companheiros pelo belíssimo tríduo em preparação a esta ordenação. Muito obrigado aos amigos e a cada um, de perto e de longe que veio até aqui rezar por mim e comigo hoje.

Esta festa ficou ainda mais bonita, com a presença do querido arcebispo, Dom Júlio e do amigo de longa data Dom Cabral.

Agora, olho para ti, amado Dom Angélico, homem de Deus e de seus filhos mais sofredores e agradeço por vir até aqui, impor as mãos sobre mim, e assim me gerar para o ministério presbiteral. Se posso pedir algo a Deus hoje, é que Ele derrame sobre mim pelo menos um pouco da ternura e da lucidez que abundam em ti para que eu também esteja ao lado dos pequenos e seja um pastor com o cheiro das ovelhas.

Com o Bispo de Roma, o Papa Francisco, eu também sonho uma Igreja hospitaleira e misericordiosa e desejo, com a consciência das minhas fraquezas e pecados, colocar meu ministério a serviço de todos, principalmente dos vulneráveis e abandonados. Pois, a Esposa do Senhor é sempre mais bela, fiel e verdadeira mãe pródiga no amor, quando não se esquece nem exclui a nenhum de seus filhos e não se cansa de aceitá-los como são, beijá-los e alimentá-los com o Pão da Eternidade.

E neste momento, diante do Senhor Jesus e de tantos bens recebidos, gostaria de concluir convidando cada um de vocês a repetir comigo esta pergunta:

"Que fiz, que faço e o que farei por Cristo?"


É, querido Dom Luciano, obrigado por me responder o que é aquele céu que desde menino desejei encontrar. Agora, padre, posso repetir contigo: "O céu é fazer os outros felizes!"
Nenhum mártir pode ser esquecido...


Assim como tantos outros mártires, o Pe. Ezequiel se tornou semente de novos cristãos. Seu martírio nos estimula a assumir uma vida cristã comprometida pela construção de um mundo melhor para todos. Sua entrega em favor dos pequenos nos impulsiona a sair de nós mesmos e ir ao encontro dos outros, em especial, dos que mais precisam.

A vida missionária do Pe. Ezequiel é exemplo para toda a Igreja que deseja ser uma ‘Igreja em saída”. Ele nos deixa o testemunho de que ser cristãos de verdade significa nos comprometer pela libertação do pecado estrutural, que faz o mundo tão desigual, onde há milhões de pessoas que morrem de fome, enquanto alguns poucos concentram a maior parte da riqueza do mundo, sem saber como gastar tanto dinheiro.

Seguir o exemplo do Ezequiel, leva-nos a adotar outra maneira de viver, para que a vida se torne possível para todos.

A rogatória diocesana para a causa de Beatificação do Padre Ezequiel Ramin, missionário comboniano italiano assassinado em 24/JUL/1985, em Cacoal, Rondônia, foi concluída no dia 25/MAR/2017.

Rogai a Deus por nós!


Alguém me pediu falar sobre o tema dos casais que não podem ter filhos. Causas? Múltiplas. Infertilidade de alguns dos parceiros, problemas físicos ou emocionais, idade... Querer e não poder gera em alguns angústia e sofrimento.
O Antigo Testamento é fecundo nessas situações complexas, a começar de Abraão e Sara.
Os esposos a quem Deus não concedeu ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente. Seu Matrimônio pode irradiar uma fecundidade de caridade, acolhimento e sacrifício, diz o Catecismo da Igreja Católica.

Alguns, depois de certo tempo, buscam ajuda terapêutica. A mais recorrente é o acompanhamento psicológico, e o mais invasivo é inseminação artificial. Problema de este último? O descarte abortivo de óvulos fecundados...

Os filhos são um dom, e não uma obrigação da natureza. Ela é sábia para distribuir misteriosamente suas dádivas. Há pessoas que querem ter filhos e não podem e outras que não querem mesmo podendo.
A esterilidade não é um mal. O pior mal é chorar e se lamentar pelo que não se tem.
A adoção sempre é uma das possibilidades generosas. O menino Jesus não teve um pai natural, mas sim um grande pai adotivo chamado José...
A gravidez é uma graça, mas sua ausência não é um castigo. Com tudo, há realmente uma cobrança social e familiar que incomoda alguns.

A taxa de fecundidade no Brasil é baixa, de 1,72 filhos por mulher (em 2015). Hoje, provavelmente, é menor. O número de casais sem filhos, e o de pessoas que vivem sozinhas tem aumentado.

Oxalá o controle de natalidade seja o da natureza e não o do egoísmo dos esposos.

E você o que pensa sobre este assunto?