O exemplo de S. Teresa de Jesus é para todos os que desejam progredir no caminho da purificação de toda mundanização; palavras do Papa Francisco por ocasião do 50º aniversário do Doutorado da Santa de Ávilatê-la como amiga, companheira e guia em nossa peregrinação terrena dá segurança e paz de espírito.

 

Ela sabia como trasladar o céu para a terra, fazendo de sua vida uma morada de Deus, na qual todos tinham um lugar. A santa de Ávila, que recebeu de São Paulo VI em 27/SET/1970 o título de Doutora da Igreja, sendo a primeira mulher a receber esse título.

Francisco recorda a natureza excepcional desta mulher, cuja coragem, inteligência, tenacidade, à qual ela uniu “uma sensibilidade pela beleza e uma maternidade espiritual para com todos os que se aproximavam de sua obra”, são exemplo do papel extraordinário que a mulher desempenhou ao longo da história na Igreja e na sociedade.

Apesar dos cinco séculos que nos separam de sua existência terrena, a chama que Jesus acendeu em Teresa continua a brilhar neste mundo sempre necessitado de testemunhas corajosas, capazes de derrubar qualquer muro físico, existencial ou cultural.

 

Santa Teresa continua a falar-nos hoje através de seus escritos. Sua mensagem está aberta a todos, para que, conhecendo-a e contemplando-a, possamos ser seduzidos pela beleza da palavra e pela verdade do conteúdo, e possa fazer surgir em nós o desejo de avançar no caminho da perfeição. Tê-la como amiga, companheira e guia em nossa peregrinação terrestre confere segurança e paz de espírito. Seu exemplo não é apenas para nossos irmãos e irmãs que sentem o chamado à vida religiosa, mas para todos os que desejam progredir no caminho da purificação de toda a mundanização, que leva ao desposório com Deus, às elevadas moradias do castelo interior.

 

É bonito lembrar que todas as graças místicas que recebia as trasladavam ao céu; mas ela sabia como trasladar o céu para a terra, fazendo de sua vida uma morada de Deus, na qual todos tinham um lugar. Para que nossa sociedade seja cada vez mais humana e para que todos possamos viver na fraternidade que vem do mesmo Pai, é importante ouvir seu convite a entrar em nós mesmos para encontrar o Senhor, e assim testemunhar que “Deus é suficiente”.

 

O Papa recorda a grande devoção de Santa Teresa a São José, a quem a Santa tomou como seu mestre, advogado e intercessora ele ela se confiouestando certa de que receberia as graças que pedia. A partir de sua experiência, ela encorajou outros a fazerem o mesmo. Tal era sua devoção que percorreria as terras de Castilha e Andaluzia acompanhada pela imagem de São José.

Salve Maria...
No dia 22/ABR, celebramos a Festa de Nossa Senhora, Mãe da Companhia de Jesus, pois num dia como hoje Inácio de Loyola e cinco companheiros (Salmerón, Laínez, Broet, Jay e Codure) fizeram seus votos no altar de Nossa Senhora, na basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma.

Na imagem, vemos Nossa Senhora no centro, rodeada por Santo Inácio, à nossa esquerda, São Francisco Xavier, à direita e outros muitos santos e beatos da Companhia de Jesus.

Nossa Senhora sempre esteve presente na vida de Santo Icio. No início da sua conversão, ele peregrinou à pequena ermida de Nossa Senhora de Aranzazú e, diante de uma pequena imagem de Maria, fez voto de castidade. Mais tarde, no Santuário de Nossa Senhora de Montserrat, entregou sua vida passada e desregrada ao deixar sobre o altar sua espada e daga. Era véspera da festa da Anunciação do Senhor, 24/MAR/1521.

Anos depois, Inácio e seus primeiros companheiros farão seus votos no dia da Assunção de Nossa Senhora (15/AGO/1534), na basílica de Montmartre (París) e a primeira missa de Inácio, como padre, a celebrou na Basílica de Santa Maria a Maior, em Roma. Enfim, no dia 22/ABR/1541, o compromisso definitivo na Companhia de Jesus, foi numa capela de Nossa Senhora...

Senhor, que a exemplo de Inácio, cresça nosso amor filial a Maria, mãe de Jesus e da Igreja, para que sejamos sempre bons discípulos missionários...


Ladainhas de todos os santos e bem-aventurados da Companhia de Jesus:
  • Por nosso pai santo Inácio (+1556), fundador da Companhia de Jesus. Obrigado Senhor.
  • Por são Francisco Xavier (+1552), padroeiro das missões e apóstolo da Índia. Obrigado Senhor.
  • Por são Pedro Fabro, missionário incansável de Europa... Obrigado Senhor.
  • Por são Francisco de Borja (+1572), 3º Superior Geral da Companhia de Jesus...
  • Por são José de Anchieta, missionário e padroeiro do Brasil...
  • Por santo Estanislau Kostka (+1568), padroeiro de nossos noviços…
  • Pelos santos Luís Gonzaga (+1591) e João Berchmans (+1621), padroeiros da juventude…
  • Pelos santos Edmundo Champion (+1581), Roberto Southwell (+1595), Nicolás Owen e outros companheiros, mártires na Inglaterra e no País de Gales...
  • Pelos santos Pablo Miki (+1597), Santiago Kisai e João de Goto, crucificados por amor a Cristo no Japão...
  • Pelos santos Pedro Canisio (+1597) e Roberto Bellarmino (+1621), doutores da Santa Igreja...
  • Por são João Ogilvie (+1615), mártir de Cristo na Escócia...
  • Pelos santos Bernardino Realino (+1616), João Francisco Regis (+1640) e Francisco de Jerônimo (+1716), apóstolos das missões populares...
  • Por santo Afonso Rodríguez (+1617), padroeiro dos Irmãos...
  • Pelos santos João de Brebeuf (+1649), Isaac Jogues (+1646), Renato Goupil (+1642), João de la Lande (+1646) e outros 4 companheiros, mártires de Cristo no Canadá e no norte dos Estados Unidos...
  • Por são Pedro Clavér (+1654), escravo dos escravos negros na Colômbia...
  • Por santo André Bobola (+1657), torturado barbaramente pelos cossacos na Polônia...
  • Por são João de Brito (+1693), mártir de Cristo na Índia...
  • Por são José Pignatelli (+1811), pai dos exilados e fiel colaborador na restauração da Companhia de Jesus...
  • Pelos santos Roque González, Alfonso Rodríguez e João Castillo (+1628), mártires das Reduções indígenas na América Latina...
  • Pelos santos Melchor Grodziecki e Estêvam Pongrácz (+1619), mártires de Cristo na Eslováquia...
  • Por são Cláudio de la Colombière (+1682), apóstolo da devoção ao Sagrado Coração de Jesus...
  • Por são José Maria Rubio (+1929), apóstolo da cidade de Madri...
  • Por são Alberto Hurtado (+1952), apóstolo dos jovens e pobres no Chile...
  • Pelo bem-aventurado Inácio de Azevedo e outros 39 companheiros (+1570), mártires a caminho do Brasil...
  • Pelos bem-aventurados Thomas Woodhouse (+1573), Raúl Ashley e outros 14 companheiros, mártires de Cristo na Inglaterra...
  • Pelos bem-aventurados Rodolfo Acquaviva (+1583), Francisco Aranha e outros 3 companheiros, mártires na Índia...
  • Pelos bem-aventurados Santiago Sales e Guilherme Saultemouche (+1593), mártires da Eucaristia na Francia...
  • Pelo bem-aventurado José de Anchieta (+1597), apóstolo incansável do Brasil...
  • Pelos bem-aventurados Roger Filcock (+1601) e Domingo Collins (+1602), mártires da fé na Inglaterra...
  • Pelos bem-aventurados Sebastião Kimura (+1622), Carlos Spínola (+1626) e outros 7 companheiros, mártires no Japão...
  • Pelos bem-aventurados Francisco Pacheco (+1626) e outros 32 companheiros, mártires de Cristo no Japão...
  • Pelo bem-aventurado Diego Luis de São Vítores (1672), mártir na Micronésia...
  • Pelos bem-aventurados Juliano Maunoir (+1683) e Antônio Baldinucci (+1717), apóstolos das missões populares...
  • Pelos bem-aventurados José Imbert e João-Nicolás Cordier (+1794), mártires da Revolução Francesa...
  • Pelos bem-aventurados Santiago Bonnaud (+1792), e outros 22 companheiros mártires de Cristo na Francia...
  • Pelo bem-aventurado Santiago Berthieu (+1896), mártir de Cristo em Madagascar...
  • Pelos bem-aventurados Leão Mangin, Paul Denn, Modesto Andlauer e Remi Isoré (+1909), mártires na China...
  • Pelo bem-aventurado Jan Beyzym (+1912), servo dos leprosos de Madagascar...
  • Pelo bem-aventurado Miguel Agostinho Pro (+1927), assassinado por amor a Cristo no México...
  • Pelo bem-aventurado Francisco Gárate (+1929), porteiro afável da Universidade de Deusto, Espanha...
  • Pelo bem-aventurado Tomás Sitjar Fortia (+1936) e outros 11 companheiros, mártires da guerra civil espanhola...
  • Pelo bem-aventurado Roberto Mayer (+1945), apóstolo da cidade de Munich, Alemanha...
  • Por todos os Padres, Irmãos, Estudantes e noviços da Companhia de Jesus, que nos precederam na fé com o seu testemunho de vida... 
OREMOS: Deus e Pai de N. S. Jesus Cristo, que conheceis a nossa fraqueza e, contudo, nos chamais ao seguimento do vosso Filho na Companhia de Jesus, realizai em cada um de nós o que conseguistes em Santo Inácio e em tantos dos nossos Santos e Bem-aventurados. Ajudai-nos a trabalhar generosamente sob a bandeira da Cruz. Por N. S. Jesus Cristo, teu Filho e nosso irmão, na unidade do Espírito Santo. Amém.
I


 


“Não somos nós que amamos a Deus, mas Ele nos amou primeiro...” (1 Jo 4, 16) 

“Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear intimamente as coisas...” (EE 2) 

O mais importante não é que eu te busque
mas sim que Tu me buscas em todos os caminhos (Gn 3,9), 

que eu te chame por teu nome, mas que Tu tens o meu tatuado na palma de tua mão
(Is 49,1)

que eu te grite quando não tenho sequer palavras, mas que Tu gemes em mim com teu grito    (Rm 8, 26)

que eu tenha projetos para ti, mas que Tu me convidas a caminhar contigo rumo ao futuro (Mc 1, 17)

que eu te compreenda, mas que Tu me compreendes em meu último segredo (1 Cor 13,12)

que eu fale de ti com sabedoria, mas que Tu vives em mim e te expressas do teu jeito (2 Cor 4,10)

que eu te guarde trancado em meu cofre, mas que eu sou uma esponja no fundo de teu oceano (EE 335) 

que eu te ame com todo o meu coração e minhas forças, mas que Tu me amas com todo o teu coração e tuas forças (Jo 13,1)

Porque como poderia eu buscar-te, chamar-te, amar-te se Tu não me buscas, me chamas e me amas primeiro? 

O silêncio agradecido é minha última palavra, minha melhor maneira de encontrar-te. 

 



Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes, foi dentista, tropeiro, minerador, militar e ativista político, que atuou nas capitanias de Minas Gerais e Rio de Janeiro...

 


 Isto nos faz pensar...


  

 

O mundo inteiro já passava por graves problemas quando explodiu a pandemia. Havia um aprofundamento da crise econômica e um aumento das tensões políticas em quase todos os cantos do planeta. O coronavírus foi um catalisadorFicou claro que vivemos uma economia que mata! Experimentamos profundas tensões estruturais e conjunturais que se agravaram em 2020 e 2021. Pode ocorrer um genocídio viral

 

O dinheiro e as finanças ganharam muita autonomia e passaram a dominar a política. O capitalismo venceu

 

Em 2021, sofremos com uma gravíssima pandemia que coloca o mundo à prova. A crise sanitária da COVID-19 se tornou uma tragédia global, e outras pandemias estão por vir. As consequências perdurarão pela próxima década e o mundo que sairá tende a ser mais dividido e mais desigual

 

A pandemia tem modificado significativamente a economia e a sociedade. Buscamos luzes que possam auxiliar na travessia desse triste momento histórico.

 

Diante deste quadro complexo, destaca-se a pandemia, a economia e a política brasileira; o Povo de Deus sofre com a doença e a fome e o governo federal agravaram esta situação. 

 

Vivemos o maior colapso sanitário e hospitalar da história do Brasil. O mundo nos olha com perplexidade. A quantidade de óbitos se aproxima de 400 mil, com uma média móvel diária, em abril, acima de 3 mil mortos 

 

Os trabalhadores da saúde têm enfrentado uma carga excessiva de trabalho, que resulta em adoecimento. A esse desgaste dos profissionais da saúde acrescenta-se à insuficiência de quadros para dar conta dessa grande e demorada pandemia: falta de oxigênio para os pacientes e baixa dos estoques de analgésicos, sedativos e bloqueadores musculares usados para a intubação de pacientes em UTIs.

 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e cientistas do mundo inteiro vêm orientando que três ações são fundamentais no combate à pandemia: uso de máscaras e limpeza das mãos; distanciamento social; vacinação em massa da população. Os números atuais do contágio e o colapso da assistência aos doentes, devido à saturação do sistema hospitalar, indicam a necessidade de medidas fortes e urgentes no que toca à vacinação e ao distanciamento social. Para diminuir o impacto da demora na compra e distribuição das vacinas, os especialistas apontam a necessidade urgente de variar o portfólio de seus fornecedores. 

 

Convivemos com um falso dilema: ou se prioriza o combate à pandemia, ou o crescimento econômico e os empregos. Empresariado e governantes defendem a manutenção das atividades econômicas, em claro desacordo com as posições de cientistas e de pesquisadores da área da saúde. Manter a economia funcionando seria a escolha mais acertada, segundo eles, mesmo que a crise sanitária se agravasse. Falso dilema, pois tanto a crise econômica e a crise sanitária estão fundamentalmente correlacionadas. O colapso no sistema de saúde pode ocasionar o colapso no sistema econômico. Caminhamos na direção do aprofundamento da crise econômica e sanitária.

 

(Analise de conjuntura baseada na da CNBB/2021)


              Vede minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo... (Lc 24,35-48)


 

Há uma arte milenar que consiste em recompor cerâmicas quebradas com ouro, deixando a cicatriz da reconstrução completamente à vista e sem nenhuma dissimulação, pois para eles uma peça reconstruída era símbolo perfeito de fortaleza, fragilidade e beleza.

 

Os primeiros cristãos decidiram também conservar e transmitir os relatos das aparições do Ressuscitado sem ocultar as muitas rupturas, feridas e marcas que o acompanharam durante sua vida, sobretudo aquelas que lhe foram infligidas durante sua paixão e morte. Poderiam ter suavizado ou omitido os aspetos mais polêmicos de seus ensinamentos ou os elementos mais humilhantes de seu dramático final. Pelo contrário, deixaram as cicatrizes de suas feridas completamente à vista e sem nenhuma dissimulação. Fizeram isso para mostrar a fortaleza, a fragilidade e a beleza da reconstrução realizada por Deus na ressurreição. Convinha mostrar o ouro que preenche as fendas entre os membros feridos de Jesus, as marcas de sua entrega nas cicatrizes do seu corpo.

 

O compromisso com a restauração do mundo quebrado é um modo de atualizar a experiência da ressurreição e de viver a nossa vocação. O seguidor de Jesus escuta o chamado para unir-se ao labor do Deus-criador que, na ressurreição, recria de novo a humanidade ferida.

 

Somente a ação criativa e contínua de Deus é capaz de costurar novamente os pedaços de nossa história. Tal qual o oleiro, o Senhor nos cria e recria continuamente. Suas mãos de artista não jogam fora nenhum pedaço de nossa existência vivida. A experiência de nossa própria fragilidadepode converter-se em experiência de Deus, do Deus rico em misericórdia, e até o passado mais fragmentado está aí para dizer que Ele desenhou nosso ser na palma de suas mãos (cf. Is 49, 14-26).

 

Deus acolhe e dá um sentido novo a todas as vivências e experiências; só Ele consegue juntar até as contradições e inconsistências da vida, dando coerência e unidade ao todo existencial, fortalecendo a identidade e originalidade de cada um. Repetir o gesto criativo de Deus é tomar nas mãos os “fragmentos” do que foi vivido, trazê-los das profundezas onde sempre estiveram confinados, e colocá-los à nossa frente, para aceitá-los, revivê-los, recriá-los... Com o ouro da graça podemos transformar nossas feridas e fracassos em material de uma nova experiência de vida. 

 

A experiência de encontro com o Ressuscitado nos dá força e tranquilidade para empreender um mergulho dentro de nós mesmos. Ela vai reordenando fatos, completando os vazios, corrigindo distorções, revivendo situações paralisadas, conferindo sentimentos... As experiências do passado não podem ser mudadas, mas a nova “re-leitura” pode mudar a interpretação dada a elas.

 

Deus colocou sua “assinatura” divina ali, nas dobras do nosso coração, mas só quem lê o interior descobre isso. 

 

Como se credencia Jesus para justificar sua identidade? Em segundo lugar: mostra-lhes suas mãose seus pés; mãos e pés com o sinal dos cravos na Cruz. Recorda a eles que é o mesmo Crucificado, agora Ressuscitado; mostra-lhes as mãos feridas como marcas do amor que se doa, cura, abençoa, eleva... ; mostra-lhes os pés feridos pelos caminhos que andou, pelos deslocamen-tos em direção aos últimos, e que terminaram cravados na cruz.

 

Se nossas entranhas se compadecem, se nossas mãos se abrem, se em nosso desalento levantamos os pés, se voltamos a confiar no outro, se o nosso olhar se amplia..., então ressuscitamos como Jesus, como a Vida que se expande, como a semente que se rompe...

Queres conhecer alguém? Olhe suas mãos e seus pés. Queres conhecer o verdadeiro seguidor? 

 

Mais vale uma chaga em nossas mãos ou em nosso coração que mil explicações sobre o amor.