Com o espírito dos antigos peregrinos continuamos nosso passeio pela bela cidade de Manresa, sempre atentos para usar nossa imaginação e transportar-nos a esses lugares icônicos. Hoje, ainda encontramos algumas construções peculiares, que têm seu charme medieval, mas também nos contam sobre as pessoas que por lá viveram e se toparam com o peregrino Inacio de Loyola. Nessa pequena Manresa, entre a Catedral e o rio Cardoner Deus foi agindo e fazendo sua obra em muitas pessoas.

 

Na sua chegada a Manresa, Ignacio passou alguns dias na casa dos Canyelles, depois de estar no hospital de Santa Lúcialugar para acolher os pobres e doentes da cidade. Em vez disso, os forasteiros e transeuntes eram abrigados em outro espaço. Inacio ficou no lugar dos pobres e doentes, lembre que ele era manco da ferida recebida na batalha de Pamplona, mas ao mesmo tempo mal alimentado, cansado e usando um saco simples para proteger-se do frio.  A casa dos Canyelles é um prédio antigo, imponente com dois andares de altura, que ainda podemos ser vista em uma das ruas do centro histórico. 

 

Entre as amizades que ele cultivava, encontramos a dona Canyelles, que acolheu nosso peregrino, e costumava descansar no espaço entre a porta, a escadaria e o pátio. Em uma ocasião, depois de convidá-lo para comer, o marido de Miquaela, que vendia lã, fez uma roupa nova para Inácio feita de pano de buriel, de modo que deixou o saco que o acompanhara depois de deixar suas roupas com aquele mendigo de Monserrat

 

Seguindo nosso passeio pelas pintorescas ruas de Manresa, encontramos também a casa dos Amigant, um edifício medieval do século XIII e XV. Você pode ainda ver o escudo da família, formado por dois braços que apertam as mãos e duas estrelas que simbolizam amizade e boa sorte. Essa família era uma das mais prestigiadas da cidade, e faziam parte dos bons economicamente falando da cidade.  

 

Dizem que quando Inacio chegou a Manresa, um dos comerciantes da cidade eram Pedro Amigant, com quem estabeleceu uma grande amizade e o ajudou mesmo nos momentos das suas penitências mais duras, acolhendo-o em uma salinha. Anos depois, esta casa foi transformada na capela de Santo Inácio, o Doente. Recinto religioso pequeño que está localizado na praça que leva o mesmo nome. Esta família também o levou para o interior da casa quando adoecia ou ficava pior.

 

Esses edifícios mais antigos de Manresa continuam a lembrar parte da vida de Santo Inácio. 

 

Vale ressaltar que o nosso pobre peregrino era amigo de outras pessoas ao longo de sua estadia nesta cidade, frutos de sua maturidade humana e cristã. Antes, seus relacionamentos eram mais sobre comandar o forte que defendia, agora eram mais simples e despojados. Ajudava e deixava se ajudar, reconhecendo suas fragilidades. Ele mesmo confessou, "que media seu amor com o que eleencontrou, e foi muito enganado."

 

Esses sentimentos gratuitamente vividos entre Deus e suas amizades marcariam de tal modo o Peregrino que ficaram para sempre registrados na mesma Fórmula do Instituto, no modo quem deveriam servir vivendo sempre "a bondade, a mansidão e a caridade de Cristo" como os de Manresa fizeram um dia com ele.

 

O que Inácio, generosamente experimentou um dia com o povo de Manresa, assim deveríamos também fazer nós com todos que encontramos na nossa vida.


vivido por Inácio em Manresa foi realmente inesquecível...  


 


 No domingo dia 15/MAI, V Domingo de Páscoa, o Papa Francisco presidirá uma Santa Missa com o Rito de Canonização dos Beatos:

- Titus Brandsma, O.Carm.

- Lázaro, detto Devasahayam

- César de Bus

- Luís Maria Palazzolo

- Justino Maria Russolillo

- Charles de Foucauld

- Maria Rivier

- Maria Francisca de Jesus Rubatto

- Maria de Jesus Santocanale

- Maria Domenica Mantovani

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,35)

 Vinicio Riva ao lado da tia que o levou ao Vaticano para ver o Papa


No evangelho deste domingo Jesus nos coloca diante da realidade mais profunda de sua mensagem e, ao mesmo tempo, a realidade que nos faz mais humanos: a vivência do amor. A forma como Ele se expressa é clara e simples: frente aos inumeráveis mandamentos rabínicos, frente ao Decálogo de Moisés, suas palavras soam taxativas: “Eu vos dou um novo mandamento”.

 

Só há um mandamento: amar os outros, como Jesus nos amou. 

 

Jesus nos deixa a marca de identidade que nos distingue como cristãos. É o mandamento novo, em oposição ao mandamento antigo, a Lei. Amor expansivo, inclusivo, universal. O amor é o “dinamismo divino”. No mesmo movimento, unifica nossa pessoa para “dentro” (integra e harmoniza todas as dimensões de nosso ser) e nos abre para “fora”, ao encontro inspirador com todos. 

 

Jesus não propõe como primeiro mandamento o amar a Deus, nem o amor a ele mesmo. Não precisa de nós, nem nós podemos dar nada a Ele. Deus é puro dom, amor total. É preciso descobrir em nós e reativar esse dom incondicional de Deus que, através de nós deve chegar a todos. 

 

Ao dizer que é “mandamento novo”, provavelmente é um eco daquilo que os próprios discípulos percebiam como “novidade” no modo de viver do Mestre, na gratuidade e na incondicionalidade de seu amor. Que vos ameis uns aos outros foi, muitas vezes, entendido como um amor aos “nossos”. A partir de cada comunidade cristã, o amor deve chegar a todosNão se trata de amar aos que são amáveis (dignos de serem amados), mas de estar a serviço de todos como se fossem nós mesmos. Se deixamos de amar uma só pessoa, nosso amor evangélico se esvazia

 

Sem essa experiência de que Deus é Amor em nós, a mensagem evangélica não terá acesso ao nosso próprio ser. O amor que Jesus nos pede, não é algo que possa ter sua origem em nós. Só podemos ser espelho que reflete a essência de Deus, que é puro Amor. 

 

Naturalmente não se pode impor o amor por decreto. O principal erro que continuamos cometendo é apresentar o amor como um preceito que vem de fora. Todos os esforços que façamos por cumprir um “mandamento” de amor estão fadados ao fracasso. O empenho está em descobrir que Deus é amor dentro de nós.  Na realidade não se trata de uma lei, mas de uma resposta ao que Deus é em cada um de nós, e que em Jesus se manifestou de maneira contundente. Nosso amor será “um amor que responde a seu amor”.

 

amor que Jesus nos pede deve surgir a partir de dentro, não se impor a partir de fora como uma obrigação. Trata-se de manifestar o que é Deus no fundo de nosso ser, através do nosso modo de ser e viver. É um convite a viver o que somos. Na medida em que vamos conhecendo e vivendo o que somos, o amor brota espontâneo e vai abrindo caminho de vida, despertando o amor latente nos outros.

 

O mandamento de Jesus não diz respeito à relação com Deus, mas à relação com todo ser humano. O que Jesus pede aos seus é um amor incondicional e a todos sem exceção. Todas as normas, todas as leis devem orientar-se a esse fim. 

 

Antes de dizer, antes de pedir, Jesus viveu até o limite a capacidade de amar, até amar como Deus ama: como eu vos amei”. Mas essa expressão não é comparativa, mas originante e “causal”: porque eu vos amei”. Em outras palavras: “vocês devem se amar porque eu vos amei, e tanto quanto eu vos amei”. A tradução mais justa do texto joanino poderia ser esta: Com o mesmo amor com que eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.

 

João emprega no seu evangelho a palavra ágape, que expressa o amor sem mistura de interesse pessoal; seria o puro dom de si mesmo, só possível em Deus. A expressão “agapate” (“que vos ameis”) faz referência ao amor que é Deus, ou seja, ao grau mais elevado do dom de si mesmo. Não está falando de amor de amizade ou amor entre familiares. O amor de Deus é a realidade primeira e fundante. 

 

Ágape é o amor divino. Esse amor é o mais raro, o mais precioso, o mais milagroso.

Assim como Jesus, que se “esvaziou de sua divindade”, o ágape se esvazia de si mesmo para dar mais lugar, para não invadir, para deixar ao outro um pouco mais de espaço, de liberdade...

 

Eis algumas características do ágape cristão: é um amor espontâneo e gratuito, sem motivo, sem interesse, até mesmo sem justificação... o puro amor.


Descobrir essa realidade e vivê-la é o distintivo do seguidor de Jesus. E é essa qualidade do amor o sinal decisivo pelo qual os discípulos de Jesus deverão ser reconhecidos. Os seguidores dos fariseus eram reconhecidos pelas “filaterias” que usavam; os de João Batista, por batizar, os de Jesus, unicamente pelo amor.


Podemos dizer que o amor tem coração, mãos e pés: coração cheio de compaixão e ternura, mãos que cuidam, curam, abençoam... e pés que nos arrancam de nossos lugares estreitos e nos deslocam para as margens...




Comunico fraternalmente que acaba de falecer em Vigo, Espanha, nossa cidade Natal, minha irmã Josefina F. de la Cigoña Núñez, (Cintas), 74 anos, vítima da Covid.


 Cremos que o Senhor Jesus levará consigo os que nele foram batizados.




 


Temos rezado pouco pela saúde deste homem que carrega uma missão gigantesca sobre seus ombros. Nascido em Buenos Aires, no dia 17/DEZ/1936, fará 86 anos. Como renunciar ao mandato recebido quando ainda temos Bento XVI (95 anos). Seria muito estranho ter dois Papas eméritos e um outro reinante... 

Vamos ver por onde Deus no leva...  



A imagem do Bom Pastor está carregada de simbolismos interessantes, embora não tenha tanto impacto no contexto urbano em que vivemos.

Jesus não foi, nem quis que os seus seguidores fossem “ovelhas e cordeirinhos” submetidos aos controles de seus pastores, nem obrigados a cumprir normas e costumes impostos por aqueles que se dizem responsáveis pelo rebanho. 

 

Rebanho não é anulação das identidades, nem uniformidade no modo de pensar, agir e ser. Cada pessoa é diferente, única, com experiências, expectativas, medos, ansiedades, desejos, fortalezas e fraquezas, com seu ritmo e modo próprios de viver. Somos chamados a formar consciências, mas não pretender substitui-las” (Papa Francisco - Amoris Laetitia).

 

Jesus, no ministério do seu pastoreio, ensina e age com “autoridade”. Ele ativar a autonomia em cada pessoa, com aquilo que é mais divino no seu próprio interior. O “divino pastoreio” traz para fora a verdade da pessoa (sua identidade), ativando suas potencialidades, dons e recursos.

Suas palavras e suas atitudes ativavam a vida; elas despertavam tudo o que estava atrofiado e adormecido no ser humano. Aqueles que escutavam sua voz sentiam que havia algo de vida eterna, que alimentava e dava sentido à própria existência. 

 

Jesus não só transmitia um novo ensinamento, senão que criava uma relação nova com o povo e de uns com outros, segundo o espírito do Reino. Nesse ministério do pastoreio, a palavra de Jesus manifestava-se cordial, terna, calorosa, pois tocava o coração das pessoas; ela se revelava criadora de futuro ao transformar por dentro a pessoa que a acolhia.

 

Jesus mesmo mostrava-se como a “Voz” do Pai que se expressava em palavras de vida e que o movia a se aproximar de todas as pessoas, revelando-lhes a dignidade infinita que cada um carregava dentro de si. 

 

Essa era a mais nobre missão de Jesus como Pastor: ensinar os homens e as mulheres para que fossem eles em liberdade, e descobrissem e ativassem a verdade por dentro, sua verdade fontal, para que todos se guiassem e se ajudassem e, assim, fossem e vivessem em plenitude. 

 

Com sua Voz instigante e mobilizadora, Jesus foi semeando humanidade, despertando o amor criativo, que se fazia vida naqueles(as) que o escutavam e acolhiam sua palavra. Assim, o “divino pastoreio” evoca a verdade do ser humano, comporta uma pro-vocação, uma proposta que o move a potencializar ao máximo seus recursos internos, revelando aquilo que ele é capaz.

 

Deixar-se conduzir pela “Voz do Bom Pastor” significa uma autêntica experiência e que tem efeitos explosivos: é novidade que surpreende, cria novas expectativas, traz mobilização, pede mudança dos costumes e dos velhos estilos de vida, realimenta a liberdade criativa, leva adiante o equilíbrio de cada um em direção a horizontes imprevisíveis, abre uma nova fase de vida...

 

Aos olhos do Pastor da Galiléia nada é mais perigoso para o espírito humano do que vidas satisfeitas, acomodadas, sem desejos, sem o dinamismo das esperas e o desassossego das buscas; corações quietos, Por isso, Sua Voz merece ser “escutada” para que ela tenha ressonância no nosso próprio interior e inspire o nosso modo de ser e viver. Todo seguidor se reveste desse “ministério do pastoreio”.


Tudo começu com a escuta de sua voz. escuta requer uma disposição de abertura inicial, que implica flexibilidade para permitir inclusive que as convicções prévias possam ser removidas. 

 

Quando, aquilo que “escutamos”, encontra eco em nosso interior, reconhecemos estar em contato com nosso eu verdadeiro e em profunda “sintonia” com a pessoa que nos fala. Isto é o que acontecia com os seguidores de Jesus e o que continua acontecendo conosco quando lemos o evangelho: ao perceber que a palavra de Jesus “lê” nosso interior, nós a reconhecemos como própria e “comungamos” com sua pessoa, na unidade de vida que transcende o tempo e o espaço.

 

“Escutar”, do termo latino “auscultare”, implica atenção e concentração para entender e poder ajudar. Escutar as palavras e os gestos, os silêncios, as dores e raivas, os gritos de insegurança e de medo; escutar os tímidos e os sem voz, escutar os gemidos de Deus na dor dos pobres e sofredores; escutar o que se diz e o que se cala e como se diz e por que se cala; escutar também as ações, a vida, que com frequência negam o que se proclama nos discursos. Muitos desfazem com seus pés o que buscam construir com suas palavras.