Para Inácio de Loyola, Barcelona foi um lugar de cruzamento de caminhos na sua peregrinação interior e exterior. A Autobiografia narra três estadias de Inácio nesta cidade: duas breves, em 1523 e 1527, e uma outra mais prolongada, entre 1524 e 1526. 

A primeira, após sua estadia em Maresa, o tinham como `louco de Deus´); a segunda, 1524, quando voltou transformado da sua peregrinação a Jerusalém; e finalmente a mais prolongada, quando começou a estudar para poder ajudar melhor os outros (1527). Barcelona foi um bom lugar para o nosso peregrino.

A primeira vez, Inácio entrou em Barcelona acompanhado pelo sacerdote Joan Pujol, irmão de dona Agnès Pascual, mulher de Manresa, viúda de comerciante, e com casa na cidade Condal. Entraram pelo Portal Nou, cruzaram a praça Sant Agustí Vell, e provavelmente entraram na antiga capela de Marcús, construída no século XII, com a padroeira dos peregrinos: Nossa Senhora da Guia. 


Em pleno bairro gótico chegou à praça Llana, ruas Bòria e Princesa (séc. XIX) e justamente na esquina com a rua Sant Ignasi se encontrava o lugar onde a senhora Teresa Rajadell o alimentava e ajudava. 

Descendo pela rua Princesa nos encontramos, com a rua Montcada, com seus antigos palácios medievais, até chegar à basílica de Santa Maria del Mar, magnífica obra do gótico catalão. Imprescindível visitar a capela de San Inácio, (à esquerda), e contemplar a figura esculpida em bronze do artista Lau Feliu, inaugurada no dia 31/JUL/2015, no lugar onde ele pedia esmolas. Na mesma capela, uma imagem de N. S. de Aránzazu (onde ele fizera voto de castidade quando saiu de Loyola), e um detalhe da Creu del Tort (Manresa). 

Depois, temos a Praça do Anjo, lugar onde se encontrava o antigo lugar de Inácio começou a estudar junto com alunos muito mais jovens. Ele tinha então 30 anos.

E assim nos aproximamos do Palau, Palácio Real Menor de Barcelona (séc. XIV), onde Inácio também pediu esmola. A capela do palácio, antiga igreja dos Templários, guarda o colchão e o banco de oração utilizados pelo peregrino na casa de Agnès Pascual; eles estão numa pequena capela, junto a uma talha de Santo Inácio e outra de Santo Alonso Rodríguez. 




O menino da vizinha dos fundos, trepado no muro como ele vive, deve ter investigado bem o meu quintal, porque hoje me gritou: do-o-na, do-o-na, a mãe falou se a senhora quer vender umas panelas pra ela.

Me desgostou muito a forma de pedir, o pedido em si. Com tanto vizinho, porque Dona Alvina foi enxergar logo as minhas panelas? A distância entre a casa dela e a minha é a mesma entre a casa dela e a do Osmar Rico. É claro que percebeu minha fraqueza.Não posso esconder, está na minha cara a atração que exercem sobre mim. São como diamantes no cascalho. Pobres, eu os farejo, pressinto, me ofereço a eles como manjar. As panelas, se estavam no barracão é porque estavam mesmo sobrando. O que não me falta é panela. Por que então não fui capaz de pegar a melhor delas e dar para Dona Alvina com o coração exultante de poder ajudar? De jeito nenhum. Primeiro disse ao menino, contrariada: as panelas não são de vender não. Fiquei com raiva dela falar em comprar, já sabendo que eu não ia vender.

Logo me arrependi, chamei o menino de volta e peguei a melhor panela, mas não pense que mandei a tampa junto. Achei-a boa demais, servia pra tampar o caldeirão onde gosto de cozinhar batatas. Dei a panela pura. Foi uma bondade boba, pela metade, sem nenhum valor.Não descansei enquanto não inventei um meio de visitar Dona Alvina. Com um mês só na casa velha, toda escorada, que o dono do curtume deu para ela morar, já fez horta, jardim, os cacarecos são limpíssimos. A menina pequetita, paninho na cabeça, brinquinho de ouro na orelha desensebada. Fui com desculpa de comprar cebolinha e fiquei sabendo: ela faz faxina nas casas, o marido trabalha fora e só vem fim de semana, eles não são daqui não.
Muito bem, pois saí sem ter coragem de dizer a ela a única coisa que meu coração pedia que dissesse: olha, Dona Alvina, somos vizinhas e a senhora pode contar comigo no que precisar, estou à sua disposição. Isto falei toda emproada pra Dona Leonor, pra Dona Ester, porque no fundo sabia, são destas vizinhas que pedindo um dente de alho pagam logo com uma réstia de cebolas, enfim, me serviriam quando eu precisasse sem me dar amolação. Dona Alvina é diferente, porque é precisada mesmo. Se me pedir cinquenta cruzeiros vai demorar um ano pra pagar. Qual é o dinheiro que entra lá que seus quatro crioulinhos não consomem num átimo? E ela deve pensar assim: Dona Violeta é rica, pode muito bem esperar. Posso mesmo. Por que então, meu Deus, não sei ajudar a Alvina? 
Empresto o dinheiro, passam nem duas semanas fico dizendo: ao menos satisfação eu merecia; não é por causa do dinheiro. E outras bobagens mais que todo mundo fala nestas situações. O fato é que estou chateada com a mudança deles pra cá.Antes era Dona Terezinha que, bem ou mal, eu vivia acudindo. Passou mais de ano sem morador na casa, um verdadeiro descanso. Agora envém Dona Alvina que, sem saber, é um ferrão na mão de Deus. Não chupo mais uma bala sem pagar um dízimo de tristeza. Claro que está tudo errado, qualquer sacristão bobo sabe disso, menos eu que não atino com a forma de gozar dos frutos da terra, criados por Deus para todos comerem em perfeita alegria, eu inclusive. 
Demoraram um dia só para descobrir minha mangueira de cinqüenta metros: do-o-na, a mãe falou se pode emprestar a mangueira pra nós aguar a horta?Este batido durou um mês. Pedro até botou um trapo no muro pra não esfolar a borracha. Depois foi ficando chato. Queria lavar o carro, aguar nossa horta mais cedo, a mangueira com Dona Alvina. Bibia falava: mãe, que povo folgado, vai ser descansado assim! Acho a senhora e o pai muito bobos.Não podia aplaudir a menina, mas por seguro matutamos: a voz das crianças é a voz de Deus. 
De noite Pedro bateu na casa da Alvina para bispar a situação. Se pudesse, falou o marido, mandava ligar a água, mas onde vou arranjar dinheiro? Pedro foi na Companhia, pagou a taxa, acabou a questão da mangueira. Nem assim sosseguei: será que foi correto? Não teria sido mais edificante emprestar a mangueira com paciência até eles arranjarem modo de pagar a taxa? Vejo o marido da Alvina passar aos sábados com umas mexericas que ele arranjou pra vender e penso: nem pra dar uma satisfação, um sinal. Pedro nem se lembra mais. É diferente de mim, nunca dá meia panela. Por isso a alegria dele é inteira.
Uma pergunta: Sua alegria é inteira?


E, levantando os olhos para os seus discípulos, disse: bem-aventurados vós... (Lc 6,20)

 Ser feliz”: não há outra meta mais importante na vida de todos nós. Para os que amamos proferimos votos de felicidade, pois eles expressam o desejo melhor de todos nós.

Mas, a impressão que temos é que muitos cristãos estão longe de apresentar Deus como amigo da felicidade humana, e fonte de alegria; para muitos, o seguimento de Jesus não é nada prazeroso, poiem emcertos ambientes predomina uma doutrina masoquista e afastada da felicidade humana. O cristianismo se apresentou como a religião da dor, do sofrimento, da renúncia, e da repressão ao prazer. Diante de tal situação, Jesus, no Evangelho de hoje, afirma categoricamente:“Felizes sois vós!”

Jesus, ao “descer à planície”, promulga seu programa “com” vida, fundado não numa ética de “deveres e obrigações”, mas numa ética de “felicidade e ventura”. O significado das bem-aventurançasé algo mais humano, e mais ao alcance de ser vivido por qualquer pessoa de boa vontade.

O Evangelho, a “boa notícia”, é o tesouro que enche o ser humano de felicidade indescritível. O programa de Jesus é de felicidade.Cada afirmação começa com a palavra “makárioi”, que significa, em grego, a condição de quem está livre de preocupações e atribulações cotidianas. As bem-aventuranças substituem os mandamentos. Jesus fala da felicidade nesta vida.

Conhecemos duas listas de Bem-aventuranças: a de Lucas e a de Mateus: Uma fala dos pobres e a outra fala dos pobres “em espírito”; uma fala de fome e outra de fome de “justiça”... As Bem-aventuranças de Lucas são “de situação”, e as de Mateus “de atitude”; enquanto Lucas dizos que se encontram nesta situação, são bem-aventurados (os que estão chorando, os que tem fome, os que são pobres...), Mateus dizos que reagem desta maneira diante dos que choram, dos que são pobres, dos que tem fome... são bem-aventurados

Antes de proclamá-las, Jesus viveu intensamente as bem-aventuranças; elas são seu autorretrato. Jesus é o bem-aventurado, Ele é um apaixonado pelo Reino do Pai. Mostra uma infinita confiança nas pessoas que encontra, seja qual for sua situação existencial. Seu tempo é de alegria, de festa, de bodas. As bem-aventuranças são o caminho da felicidade.

Jesus, ao proclamar “bem-aventurados” os pobres, os famintos, os que choram, os que são perseguidos... jamais quis sacralizar a dor humana. Ao contrário, são bem-aventurados os pobres, porque, vazios de apegos e cheios de esperança, anunciam o sonho de Deus para a humanidade: uma sociedade baseada na solidariedade e na partilha; são bem-aventurados os famintos, porque trazem nas entranhas a fome de liberdade e sabem que o ser humano e o mundo carregam infinitas possibilidades de crescimento; são bem-aventurados os que choram porque eles ainda não perderam a sensibilidade e sonham, buscam e lutam por um mundo novo; são bem-aventurados os perseguidos porque são sinal de grande transformação realizada por Deus.

felicidade nasce dentro de nós: daquilo que sentimos e valorizamos.As bem-aventuranças não são algo externo, mas atitudes fundamentais que plenificam o nosso coração.

felicidade é um “estado de espírito”. A verdadeira felicidade coincide com a paz interior e está relacionada com a gratuidade e com a gratidão.

Sejamos felizes! Bem-aventurados!



Muitos cristãos e, particularmente cristãos consagrados, não vivem sua fé com alegria. Não damos testemunho da Boa Notícia do Evangelho. Frequentemente vivemos um interminável sentimento de culpa. Deus é percebido mais como um juiz mal humorado, esquadrinhando nossa vida atrás de infidelidades, desobediências e fraquezas. Como Adão no Paraíso, sentimos medo e procuramos esconder-nos de Deus.

Confundir santidade e perfeição é condenar-nos à autocondenação, por perceber que somos limitados e imperfeitos. Passar desse sentimento ao de que a santidade não é para nós, é um pulo. Desistimos da santidade e nos condenamos à mediocridade na vida cristã.

A interpretação da santidade como perfeição tem suas raízes no evangelho de são Mateus: "Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito..." (Mt 5, 48). Mas a perfeição, segundo o primeiro Testamento, não é um atributo de Deus. Em nenhuma ocasião chama Deus de "perfeito", mas "santo". Nos evangelhos o adjetivo "perfeito" (teleios) aparece somente duas vezes e ambas em Mateus: Mt 5,48 e 19, 21 ("Se queres ser perfeito...").

A perfeição é um atributo do ser humano. Ao afirmar "sede perfeitos como vosso Pai Celestial é perfeito" Mateus estaria projetando em Deus uma qualidade propriamente humana. Projeção em Deus de um ideal humano. A atenção se desloca da misericórdia de Deus de Lucas ("Sede misericordiosos como vosso Pai é misericordioso") para a perfeição do homem, como um progresso no desenvolvimento do ser humano. A santidade passa a ser vista como a perfeição no cumprimento da lei, basicamente do esforço do homem.

Qual a relação entre santidade, perfeição e pecado? Não há uma oposição radical entre santidade e pecado, podendo as duas realidades subsistirem simultaneamente na mesma pessoa. A própria Igreja se auto-define como santa e pecadora. Há incompatibilidade entre perfeição e pecado, pois não podemos ser simultaneamente perfeitos e pecadores. O pecado é imperfeição e a perfeição exclui necessariamente o pecado. Somos pecadores amados por Deus.

A busca da perfeição é um projeto do homem, um ideal humano. Nesse esforço ele tende a contar exclusivamente consigo mesmo, prescindindo de Deus e dos outros.

A perfeição não justifica nem salva o homem. É Jesus que o diz na parábola do fariseu e do publicano que vão ao templo para rezar. Esta parábola teve o efeito de uma bomba atômica para a sociedade religiosa judaica, porque nela Jesus coloca tudo de pernas para o ar, inverte toda a concepção de justificação e salvação. Assim eram os fariseus, fanáticos cumpridores da lei. Jesus afirma o oposto: esse homem não saiu do templo justificado. Sua pretensa “perfeição” o leva a um grande orgulho: "não sou como os demais homens!" O publicano, pelo contrário, saiu do templo justificado.

A compaixão e a misericórdia são os maiores atributos divinos. Em vez de optarmos pela perfeição, podemos optar pela santidade e santidade está relacionada com compaixão e a misericórdia.

A superação da auto-condenação está na entrega da vida a Deus, em saber-se amado como pecador, pois o seremos até o fim da vida.

Com a misericórdia e a humildade inicia-se a santidade.

Uma pergunta: Como melhorar no caminho da santidade?


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O Papa nomeou hoje Camerlengo da Santa Romana Igreja o cardeal Kevin Joseph Farrell, dos Legionários de Cristo, e prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida.

A Câmara Apostólica estava vacante desde o falecimento do cardeal Jean-Louis Tauran, em 5/JUL/2018. Ele foi quem anunciou a eleição de Jorge Mario Bergoglio como bispo de Roma e Papa.

O Camerlengo administra a propriedade e receita da Santa Sé. Seu brasão é ornamentado com duas chaves, sendo uma prateada e a outra dourada. A dourada demonstra a parte divina da igreja, a prateada a parte humana. As duas chaves são sobrepostas por um guarda-sol de listras alternantes vermelhas e amarelas, que também é o brasão da Sede Vacante (tempo entre a morte ou renúncia de um papa e a eleição de outro).

A maior responsabilidade do Cardeal Camerlengo é a determinação formal da morte do Papa. Após o Papa ser declarado morto, o Camerlengo remove o Anel do Pescador do seu dedo e o corta com uma grande tesoura na presença dos demais Cardeais. Esse ato simboliza o fim da autoridade do último Papa. O Camerlengo notifica então os oficias apropriados da Cúria Romana e o Decano do Colégio dos Cardeais. Depois, ele começa os preparativos para o conclave e o funeral do Papa.

Até que o sucessor do Papa seja escolhido, o Cardeal Camerlengo serve como o Chefe de Estado atuante do Vaticano