Um balde de água fria na inter-comunhão entre católicos e luteranos
, na Alemanha. A Congregação para a doutrina da fé freia essa proposta conjunta que apareceu no documento Juntos na Ceia do Senhor. Parece que essa proposta não agradaria à Igreja Ortodoxa... 

Contudo, o presidente da Conferência dos bispos alemães, disse que as recomendações contidas no referido texto serão colocadas em prática no 3º Kirchentag ecumênico, grande encontro fraterno entre as igrejas protestantes e a católica, em MAI/2021, na cidade de Francoforte.

Aguardemos o tempo e os fatos.



“João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele...” (Mt 21,32)


 

É muito fácil ter fé em Jesus. Hitler se considerava católico e dizia que tinha fé em Jesus; são muitos os que fazem opção em favor da morte e se dizem cristãos. A questão não é ter fé em Jesus, é ter a fé de Jesus. E a fé de Jesus está intimamente comprometida com a vida.

 

Para Jesus, a fé não está vinculada a um catálogo de crenças ou a uma religião, e sim a um modo de viver e agirQuê fé temos? Desperta em uma profunda indignação as injustiças e misérias ou se reduz a algumas práticas piedosas e alienadas?

 

A fé é muito mais que uma “crença”, e não se restringe a uma formulação doutrinal. A fé é um modo de ver e de ser. Quem crê é alguém tomado e configurado por uma experiência radical de amorVibra também sua afetividade. Na experiência de fé, a pessoa se percebe enraizada no Amor originário, incondicional e gratuito que a constitui. 

 

Quem acredita ama, e quem ama acredita. Quando alguém não acredita mais no seu parceiro ou parceira é porque o/a deixou de amar. Simples assim. O essencial do “crer” é “entrega do próprio coração”.

 

Se é verdade que a palavra latina “credere” provém de uma contração de “cor-dare”, a fé seria o dom do coração; ato de confiança amorosa, entrega que envolve o ser em sua totalidade.

 

A fé não é algo que se “tem” ou “não se tem”; a fé é um caminho, é uma viagem entre a luz e a treva. É uma confiança continuamente renovada, um compromisso sem final.

 

Jesus fez a desconcertante afirmação de que prostitutas e cobradores de impostos terão precedência no Reino de Deus. Isso deixa claro quem Jesus os reconhecia como pessoas de fé. 

 

Os “sacerdotes e anciãos do povo”, profissionais da religião, disseram um grande “sim” ao Deus do Templo, os especialistas do culto, os guardiães da lei. Não sentem necessidade da conversão e não se abrem à novidade trazida por Jesus. Os “publicanos e prostitutas” disseram um grande “não” ao Deus da religião, no entanto, seu coração se manteve aberto à conversão e acolheram a novidade de Jesus.

 

“Sacerdotes e anciãos do povo” X “publicanos e prostitutas”: revelam o lugar e o modo de viver na estrutura religiosa do tempo de Jesus. Mas, tais grupos estão presentes, e em constante conflito, em nossa própria interioridade. Como integrá-los, como conviver com eles para que nossa vida seja criativa e expansiva? 

 

A parábola está nos convidando a reconhecer e abraçar o “publicano” e a “prostituta” que cada um de nós carrega em nosso interior. O sentido é o mesmo da parábola do “fariseu” e do “publicano”: até não reconhecer o nosso publicano interno não poderemos estar reconciliados.

 

Simbolicamente, “publicano” e “prostituta” são aquelas dimensões que temos reprimidas e escondidas. Enquanto não a reconhecermos, projetaremos nos outros o que em nós mesmos rejeitamos. Só quando abraçamos nossa “limitação”, nos humanizamos, pois nos abrimos à humildade. E só então pode emergir a bondade e a compaixão para com os outros.

 

Os “sacerdotes” e os “anciãos” eram incapazes de reconhecer e aceitar seu “publicano” e sua “prostituta” interior. Isso os incapacitava para amar os outros. Quanto mais nos reconciliamos com nossa debilidade e fragilidade, mais próximos estaremos da verdade.

 

Dito de outro modo: ao reconhecer e aceitar nossa própria sombra (tudo aquilo que em algum momento tivemos que negar, ocultar, reprimir...) crescemos em unificação e harmonia interior, desaparecem os juízos e preconceitos e entramos em um caminho de humildade e graça. conversão significa mover-nos em direção à nossa fragilidade, aos limites, à sombra... 

 

Em cada um, jazem unidas, luz e a sombra, sacerdote e o publicano. Em cada santo dorme um pecador, e não reconhecer isso conduz ao farisaísmo e ao moralismo; mas em todo pecador dorme também um santo.

 

Somente quando integrarmos e nos reconciliarmos com os aspectos negativos nossos que tínhamos negado ou até rejeitado, poderemos alcançar a paz e a harmonia estáveis. Portanto, nossa grande tarefa não consiste em sermos “perfeitos”, mas “completos”. Na medida em que somos mais “completos”, compassivos e humanos.

 

Buscar e encontrar-se com Deus..

 



Muitas pessoas tem uma experiência religiosa: por iniciativa própria se aproximam das “coisas” de Deus para tirar delas alguma vantagem. A experiência de Deus é iniciativa de Deus que nos interpela e questiona. Os Exercícios Espirituais (examinar a consciência, meditar, contemplar, orar...) se colocam nessa perspectiva de relacionamento inter-subjetivo (Deus-homem) e não inter-objetivo (homem-coisas); Iniciativa de Deus e resposta da pessoa (ou não!) da pessoa humana.  

 

Santo Inácio pede para preparar-se para iniciar com reverência e devoção o tempo de oração, e para isso propõe um “Roteiro e método de orar”.

 

Lembre o Princípio e Fundamento dos Exercícios Espirituais. “O ser humano é criado e recriado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor...” Por Amor, para amar a Deus e às outras pessoas. O amor faz parte da Criação. Esta é nossa vocação primeira; agradeçamos pelo dom da vida.

 

Louvar e bendizer (dizer bem, e não “mal-dizer”, nem fazer o mal); reverenciar (é mais do que ser educado: é admirar e se encantar); e servir (relações fraternas e de respeito...) é a nossa vocação. Acolher e respeitar os outros como eles desejam ser acolhidos e respeitados.

 

Os nomes são importantes. Se desejamos falar com alguém o chamamos pelo seu nome. Deus tem um nome que o identifica e revela seu ser. Dar o próprio nome é dar-se a conhecer e começar, quem sabe, um bom relacionamento. 

 

Deus, no monte Sinai, revelou seu nome a Moisés: Eu Sou Aquele que Sou! Tetragrama (quatro letras!): “Javé”. Este é o nome inefável e santo de Deus.

 

Por respeito à santidade desse nome, o povo de Israel jamais o pronuncia e o substitui por Adonai, Senhor, etc. E significa “Eu Sou Aquele que Sou...” Aquele que sempre estará contigo. Tenhamos o nosso olhar sempre fixo no nome santo de Deus... 



 


As feridas causadas à nossa mãe terra são feridas que também sangram em nós...” (Papa Francisco – Mensagem do presidente da Colômbia, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente).


 

1.   A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil acompanha indignada a devastação causada pelas queimadas nos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Une-se às diversas manifestações de entidades católicas feitas nos últimos dias e enaltece todos que cuidam, com esmero, da Casa Comum, de modo especial os que bravamente combatem os focos de incêndio e trabalham pela preservação da vida nas áreas afetadas. A CNBB se solidariza com todos os voluntários que arriscam a própria vida, atuando com poucos recursos no combate ao crime socioambiental que está ocorrendo e na tentativa de salvar a fauna restante que não foi consumida pelo fogo.

2.    Mesmo diante de tamanha destruição, o Governo Federal paradoxalmente insiste em dizer que o Brasil está de parabéns com a proteção de seu meio ambiente. Esta atitude encontra-se em nítida contramão da consciência social e ambiental, na verdade beneficiando apenas grandes conglomerados econômicos que atuam na mineração e no agronegócio.

3. O Ministério Público mostrou ao Governo Federal os lugares mais sensíveis onde o desmatamento e a queimada aconteceriam de forma mais evidente. Até mesmo ações judiciais foram propostas. Nada, entretanto, surtiu efeito que evitasse essa tragédia socioambiental.

4.  Não é possível permanecer em silêncio diante, por exemplo, dos cortes orçamentários no Ibama e no ICMBio, bem como do sucateamento dos órgãos de combate e fiscalização. O orçamento liberado para fiscalização do desmatamento no ano de 2019 foi de 102 milhões de reais e ainda sofreu um bloqueio de 15,6 milhões. Neste ano de 2020, o recurso foi ainda menor: conforme o Projeto de Lei Orçamentária (PLOA), aprovado, foram previstos 76,8 milhões para as ações de controle e fiscalização ambiental do Ibama. Isso significa ter 25,2 milhões de reais a menos!

5.  De acordo com o Fundo Mundial para a Natureza – WWF-Brasil, apesar da criação do Conselho da Amazônia, com a promessa de melhor controle no bioma por parte das Forças Armadas, agosto deste ano repetiu e mesmo superou a tragédia vivida em 2019, com um pico assustador no número de focos de incêndio. Essa agressão à Casa Comum, teve como resultado, nos anos de 2019 e 2020, recordes na quantidade de focos de queimadas no Cerrado (50.524 e 41.674), no Pantanal (6.052 e 15.973) e na Amazônia (66.749 e 71.499), totalizando, segundo dados do INPE, 123.325 focos em 2019 e 129.146 até 20 de setembro de 2020, correspondendo a um aumento de 5.821, destruindo grande parte da biodiversidade nestes biomas, ameaçando povos originários e tradicionais. Tudo isso se constitui num processo de verdadeiro desmonte das leis e sistemas de proteção do meio ambiente brasileiro.

6.    Em meio a toda essa devastação – cujas consequências chegam aos países vizinhos – também o bom senso é agredido tanto pelo o negacionismo explícito e reincidente por parte de nossas lideranças governamentais, quanto pela acusação de que povos e grupos seriam os responsáveis por algumas das queimadas. Esta criminalização, feita perante o mundo, camufla, na fumaça das fake-news, o esforço desses povos por sobrevivência, além de trazer o caos da desinformação.

7.   Não basta, porém, apenas constatar com tristeza a destruição ambiental e o desrespeito ao ser humano. Por isso, a CNBB convoca a sociedade brasileira a se unir ainda mais em torno do Pacto pela Vida e pelo Brasil, reforçando a voz dos que desejam um país mais justo e solidário, empenhados na proteção da Casa Comum, partindo dos mais vulneráveis. A efetiva superação dessa caótica situação só se dará por meio de forte fiscalização, investigação e responsabilização dos culpados, obrigação de reflorestamento, recuperação integral da natureza devastada e reorganização da estrutura econômica.

8.   Em meio a nossas diferenças, permaneçamos firmes na esperança e na união, solidificados na certeza de que a vida, em especial a vida humana, é o valor maior que nos cumpre preservar.


Brasília, DF, 23 de setembro de 2020

 


O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, em vídeo apresentado na manhã desta segunda-feira, (21/09) durante a 45ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), disse que instâncias governamentais continuam a flexibilizar as regras para a realização da atividade minerária, mesmo diante do risco de rompimento de 40 barragens em Minas Gerais.

Dom Walmor, na mensagem, alertou sobre a contaminação do solo e de rios no Pará, com produtos tóxicos da atividade minerária. “Pedimos ao governo brasileiro que cumpra com as suas obrigações internacionais, para garantir medidas de prevenção e de responsabilização das empresas que causaram tragédias”, disse o presidente da CNBB.

A 45ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) está sendo realizada em Genebra, na Suíça, de 14 de setembro a 6 de outubro, em formato híbrido, com participações presenciais e em vídeo, respeitando o distanciamento social exigido para conter o avanço da covid-19.




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O presidente dos Estados Unidos, D. Trump quer alistar o Vaticano na sua guerra fria contra a China. Essa situação do país mais poderoso mandando no mais fraco lembra a história bíblica de Golias contra o jovem Davi. 

 

O Secretário de Estado norte-americano Mike Pompeo, visitará Roma nos próximos dias 29 e 30/SET, e, seguindo seu presidente, fez já uma ameaça: O Vaticano poria em risco a sua autoridade moral se renovasse o acordo com a China... Em outras palavras, a Santa Sé deve romper suas frágeis relações com a China. Delírio de Trump.

 

A tentativa de Trump de pressionar o Papa Francisco a segui-lo no confronto total com Pequim está fadada ao fracasso. O Papa Francisco está perfeitamente ciente do caráter autoritário do regime chinês e não esconde o fato de que o acordo com Pequim é desigual, a favor da China. Mas foi o primeiro passo para finalmente normalizar as relações entre a Santa Sé e a China, rompidas abruptamente em 1957 e, por isso, o Papa está determinado a renovar o acordo sobre a nomeação dos bispos, que está prestes a expirar.

 

Os Papas sempre encorajaram o multilateralismo como um instrumento para garantir a paz e o desenvolvimento da "família humana", coisa que o atual presidente americano é contra. 

 

Trump se prepara para a batalha decisiva das eleições presidenciais, e pretende mobilizar os católicos mais tradicionalistas e conservadores, que se opõem ao reformismo de Francisco, apresentando-se como um verdadeiro defensor do cristianismo e unindo o eleitorado católico e evangélico-fundamentalista ao seu redor. Essa manipulação é uma vergonha!

 

O ex-núncio Viganò que pedira publicamente a renúncia de Francisco, já se posicionou abertamente a favor dos extremistas da direita dos EUA. Estas não são as melhores credenciais para se apresentar diante do Papa, que está prestes a publicar uma encíclica sobre a fraternidade humana.

 



O Pe. Tony Flannery, sacerdote redentorista irlandês, foi advertido pela Congregação da Doutrina da Fe, e proibido de exercer seu ministério, por defender publicamente o “matrimônio homosexual” e a ordenação sacerdotal de mulheres. ha rechaçado una serie de propostas corretivas do Vaticano.

O Pe. Flannery teria dito que honestamente “não podia afirmar outras propostas diferentes e excludentes”, defendendo a primazia da consciência individual. Confrades e até o governo geral dos Redentoristas escreveram à Congregação para a Doutrina da Fé, pedindo em favor do Pe. Flannery.

Acredito que a mensagem do Padre Tony é a de ser cristão uns com os outros, e isso tem a ver com ser bom e aceitar a singularidade das pessoas. Eu adoraria que as sanções contra ele fossem suspensas, porque ele merece. É um homem do povo e tem um dom”.