Aos poucos vou tentando me transformar... 

O grau de maturidade necessário para optar pela Vida Consagrada ou Sacerdotal é ter um desenvolvimento humano normal, conhecer as próprias limitações e qualidades e tomar decisões importantes e significativas. A imaturidade afetiva impede tudo isso, por restringir os relacionamentos interpessoais e o sentido da verdadeira solidão (estar bem consigo mesmo!).

Características da maturidade vocacional:

1.  Superação da frustração. O imaturo não suporta esperar, pois isso é vivido como grande ameaça. Crítica corrosiva, fechamento, desorganização da personalidade são consequências desta frustração. 

2. Controle da insegurança. O imaturo se desorganiza emocionalmente diante dos desafios e perigos, com reações negativas desproporcionadas e de tipo infantil.

3. Discernimento diante das solicitações. A pessoa madura permanece senhor de si e coerente com seus valores, mesmo diante da pressão dos outros. Sabe dizer sim ou não, sem grandes dramas ou angustias.

4. Adaptação às situações novas. Diante das novidades a pessoa madura não se desorganiza emocionalmente, permanecendo substancialmente fiel aos seus valores. O imaturo, pelo contrário, sente-se ameaçado e recorre a comportamentos infantis, pelo medo de se expressar ou se arriscar em um grande e belo projeto de vida. O sentido de pertença e a satisfação pessoal são um bom referencial.


5. Capacidade de autocontrole. A pessoa madura permanece coerente com seus valores e princípios mesmo na ausência de pessoas significativas para ela, pois vive a partir de valores internalizados. O imaturo agarra-se às pessoas ou aos regulamentos externos, para sentir-se seguro.


6. Valores e ideais. O ideal verdadeiro provoca e impulsiona positivamente; o ideal falso é  dispersivo e irreal. Os valores inspiram nossas decisões. As inclinações, para serem tomadas a sério, devem ser constantes e não caprichos passageiros ou fruto de sentimentalismos momentâneos. É preciso, pois, analisar as convicções e as motivações básicas e consistentes que temos.


7. Comportamento flexível e criativo. A pessoa madura leva em consideração a realidade social em que vive, adaptando o próprio comportamento. Diante de pontos de vista divergentes, a pessoa madura sabe distinguir o essencial do acidental. O imaturo, pelo contrário, não tem jogo de cintura, pois se fixa rigidamente em posições egocêntricas, e não enxerga as exigências dos outros.


8. Aceitação do passado. Lembranças dolorosas ou felizes, acontecimentos experimentados não provocam desorganização interior na pessoa madura, pois sabe tirar proveito tanto dos seus sucessos como dos seus fracassos. Ele faz da sua história limitada uma verdadeira História de salvação! Ressentimentos, mágoas, depressões... são expressões de um passado reprimido que perturba, desqualifica e produz um comportamento inadequado. Uma leitura REDENTORA do próprio passado, rompe os possíveis laços neurotizantes que nos habitam.


9.  Memória agradecida. A memória exerce um papel importante na individuação de nossa personalidade, pois arquiva registros vividos que nos governam e desorientam. Não há mudança possível sem a conversão da MEMÓRIA. Recordações negativas não ajudam! Dois pensamentos interessantes: O importante não é o que fizeram comigo mas o que eu faço com o que fizeram comigo (Sartre). Podemos não ser responsáveis pelos nossos problemas ou imaturidades, mas sim das atitudes que tomamos em face deles (V. Frank).


Um vocacionado ressentido com sua história pessoal e familiar e rancoroso com o mundo que o cerca  será também um adoentado na mente, no coração e na consciência. Provavelmente essa “vocação” se assemelha mais a uma defesa do que compromisso de comunhão com Deus e de solidariedade fraterna. Apenas uma consciência positiva pode registrar um CHAMADO em sua memória.

10. Exercício da liberdade. Entendo a liberdade como a possibilidade de escolher aquilo que tem maior significado de abertura e realização. Na nossa vida existem áreas livres de conflitos e nelas podemos colocar nossas opções fundamentais. Liberdade evoca responsabilidade: quanto mais livres, mais responsáveis. 
A pessoa imatura tem medo de sua liberdade, e da responsabilidade, dos seus sonhos melhores e o ter de se comprometer para sempre.

11. Capacidade de dar e de receber. A pessoa madura tem uma disposição altruística e sabe se doar aos outros. O imaturo, pelo contrário, não consegue se abrir nem se doar.


12.  Aceitação do sentido de culpabilidade. A pessoa madura toma consciência dos erros cometidos, sem tentar negá-los; aceita-os com responsabilidade e os utiliza para melhorar. O imaturo, pelo contrário, é engulido pelo sentido de CULPA, assumindo atitudes improdutivas e autopunitivas.


13. Capacidade de esperar. A pessoa madura vive intensamente o presente sem presa e com sentido de confiança no futuro. O imaturo não suporta a ânsia da espera e não sabe protelar a satisfação dos próprios impulsos.


14. Poder de sublimação. A pessoa madura investe suas energias no compromisso assumido, enfrentando generosamente as privações que isso exige, sem grandes frustrações. Mais importante do que vestir um hábito religioso é revestir-se de hábitos interiores! Internalizar valores, suscitar pertença, deixar de lado o que não é compatível com a condição assumida. Os valores religiosos estimulam a pessoa a ir além, a ousar e ir para as novas fronteiras.


15. Conscientização. Quem é maduro têm consciência das próprias ações, intenções e sentimentos, sem se assustar. Não projeta sobre outros as próprias culpas e defeitos, como faz o imaturo!


16. Elaboração das perdas. As perdas fazem parte da vida e ninguém se constrói sem elas. Quem não aprende a perder não cresce. As perdas são conseqüências de escolhas e decisões e, às vezes, exigem luto. Não é fácil renunciar. Há defesas internas contra as perdas:  depressão, ansiedade, medo, passividade emotiva...


17. Capacidade de amar e ser amado. A estrutura vocacional é relacional. Sentir-se chamado e amado é fundamental. Esse é o ponto de partida, a experiência psicológica de base que faz possível a resposta e o seguimento e isso implica em abandonar a dependência afetiva e o medo de não ter sido amado o suficiente. Quem foi amado, saberá amar! 


18. Experiências de integração. A pessoa madura unifica equilibradamente no seu eu profundo, seus impulsos, sentimentos, desejos, projetos e paixões, sendo capaz de ternura e de se colocar a serviço. A pessoa imatura vive a sobreposição de valores (antigos e novos!) e a multiplicidade de mapas de orientação de vida, o que gera grande confusão. 


19. Amor alterocêntrico.  A pessoa madura confia nos outros, pois confia também em si mesma. A auto-aceitacão lhe permite estabelecer relações interpessoais de modo aberto e não competitivo ou agressivo; evita a dependência infantil e a independência do adolescente. 


20. Identidade pessoal. A pessoa madura é capaz de responder à pergunta: "Quem sou eu?", pois tem uma identidade definida. O sentido de identidade é fonte de profunda satisfação. O contrário seria a dispersão da identidade, até mesmo de gênero.


Uma pergunta: Você gostaria de acrescentar mais alguma coisa?



“Quem come deste pão viverá eternamente...” (Jo 6, 51)



Continuamos com Jo 6, e aumenta a tensão entre os judeus e Jesus. À medida que Jesus aprofunda no seu ensinamento, aparece a enorme diferença entre a tradição judaica e a Boa Nova de Jesus. E surgem as doentias `murmurações´: Começaram a `murmurar´ contra Jesus”.

`Murmuravam´ porque Jesus havia dito: “eu sou o pão vivo descido do céu”. Jesus recorda que o povo esteve contra Moisés nos momentos difíceis do deserto, e agora também não confiam nas suas próprias palavras.

A `murmuração´ se expressa de inúmeras maneiras, formando uma montanha de ressentimentos e críticas ácidas... `Murmurar´ é contraproducente. A `murmuração´ leva um afastamento maior. Quem `murmura´ acaba achando-se a pessoa mais incompreendida, rejeitada, negligenciada e desprezada do mundo. E em coração carregado de `murmurações´ e queixas, o Espírito de Deus não tem como agir. Com isso, a pessoa se blinda, tornando-se rígida e fechada em suas posições. Como passar do coração de pedra para a fonte de água viva?

Jesus, “Pão da Vida”, toca as “vidas feridas”, com delicadeza e ternura, e as transforma. Quem entra em comunhão de vida com Ele, conhece uma vida diferente, de qualidade nova, expansiva...

A comunhão com Jesus é fonte de vida vida em crescente amplitude. “Vida eterna” é a dimensão inesgotável de nossa existência. Ela torna-se “eterna” desde já.

Para o evangelista João, “vida” é uma totalidade, ou seja, a vida atual tem tal plenitude que, com razão, podemos chamá-la de “vida eterna”, pois nem a morte terá poder sobre ela.

Precisamos, pois, adquirir uma consciência maior da vida do Espírito, e perceber já as pulsações desta vida eterna prometida por Jesus: “Quem crê, tem a vida eterna”

Jesus faz-se alimento que gera vida nova no mundo. Ele nos move a fazer com que nossa própria vida seja “alimento substancioso”, para que outros também tenham vida. A comunhão de vida com Cristo nos faz ter um “caso de amor com a vida”.

Facilmente conformamo-nos com uma vida estreita, fechada ao novo, carregada de “murmurações”. Quando nos alimentamos com o Pão que proporciona vigor inesgotável, nossa vida se destrava e torna-se expressão permanente de liberdade, consciência, amor e alegria. Vida em movimento que vai além de nós mesmos; vida fecunda que é encontro, interação, comunhão e solidariedade. 

Ao afirmar: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu”, Jesus nos revela que a vida é sempre uma novidade que emerge de forma misteriosa; ela se impõe, simplesmente. A vida é sempre sagrada. Ela nos atrai e seduz por sua força interna. 

Nossa vida é uma experiência a acolher, uma aventura a amar e um mistério a celebrar. O seguimento de Jesus é uma “escola de vida”, cuja aprendizagem nos leva ao âmago do nosso ser. 

Nada mais contrário ao Evangelho do que uma vida instalada, tendo pontos de referência fixos, definitivos e tranquilizadores...


Um dia me chamaram 'primitivo': Quase tive um estase!
Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali, mas ao descobrir que era uma ratoeira, ficou aterrorizado. Correu ao pátio da fazenda e avisou a todos:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!

A galinha tranquila disse:
- Desculpe-me Sr. Rato, eu entendo que isso seja um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato foi até o porco:
- Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira!
- Desculpe-me Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser orar. Fique tranqüilo que o Sr. será lembrado nas minhas orações...

O rato dirigiu-se à vaca:
- Há uma ratoeira na casa!
- O que? Ratoeira? Por acaso estou eu em perigo? Acho que não! E foi-se embora...

Então o rato voltou para casa abatido, para encarar a ratoeira. Naquela noite, ouviu-se um barulho, como o da ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, ela não percebeu que a ratoeira havia pego a cauda de uma cobra venenosa. E a cobra picou a mulher!...

O fazendeiro a levou imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja de galinhaO fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal...

Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los, o fazendeiro matou o porco. A mulher não melhorou e acabou morrendo. Muita gente veio para o funeral. O fazendeiro então sacrificou a vaca, para alimentar todo aquele povo.

Moral da História: O problema de um é problema de todos!

Uma pergunta: O que você faz diante dos problemas dos outros?



A vida é realmente complexa e não podemos dar respostas antigas a situações novas. 
Veja a situação: Aconteceu em Cadiz, Espanha. Um jovem transexual, 21 anos, católico praticante, se apresentou para ser padrinho de dois sobrinhos, filhos da sua irmã. O padre da paróquia inicialmente disse que não podia atender o seu pedido. Então, o jovem apelou ao bispo. E o Senhor bispo, consultando o de sempre, também disse que não podia ser padrinho de batismo. Alex sentiu-se injustamente discriminado e apelou ao Papa Francisco. E foi então que sua situação de vitima, caiu nos meios de comunicação que se colocaram unânimes a favor do jovem.

E foi esse "barulho midiático" que acordaram o padre, e o senhor bispo para mudar de opinião: Ser transexual não é um obstáculo para ser padrinho de um batizado na Igreja! 
O transexual, como qualquer pessoa, pode ser bom ou ruim, crente ou ateu. Alex Salinas decidiu ser católico praticante. 
Eu me pergunto: Estou preparado para acolher fraternalmente essas pessoas ou continuarei com os meus preconceitos e respostas de sempre?
"Estou muito feliz por que o que vale para mim também serve para os outros transexuais católicos e que querem formar parte da Igreja", disse Alex.

Para situações novas não valem as respostas de sempre. 

E você, se fosse padre, o que faria?





O general da reserva Hamilton Mourão se manifestou, 7/AGO, a respeito das declarações feitas por ele – nas quais afirmou que o Brasil herdou a “indolência” dos índios e a “malandragem” dos negros–, durante reunião da Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul (RS).

Diante de tamanha aberração, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou seu posicionamento e protesto a respeito da fala deste candidato a vice-presidência. Eis a NOTA:
O CIMI – Conselho Indigenista Missionário repudia veementemente as declarações injuriosas e injustas aos povos indígenas e à população negra do Brasilproferidas pelo candidato a vice-presidente da república, General Hamilton Mourão, nesta segunda-feira, 06 de agosto. Tais declarações explicitam profunda ignorância e alimentam o racismode parcela da sociedade brasileira contra essas populações historicamente injustiçadas e massacradas em nosso país.
As afirmações do General Mourão corroboram a posição manifestada em diversas ocasiões pelo candidato Jair Bolsonaro, já denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) por racismo. O Cimi encaminhará uma Representação ao Ministério Público Federal(MPF) no intuito que sejam adotadas as providências cabíveis para averiguação sobre possível prática criminosa resultante das declarações do General Hamilton Mourão.
Conselho Indigenista Missionário

Brasília, DF, 07 de agosto de 2018


Sua declaração, senhor General, foi um insulto à grande maioria deste País, e o blog TERRA BOA se solidariza com as populações negras e indígenas menosprezadas...



Vem e segue-me!...
Em zigue-zague caminhava totalmente perdido pelas estradas do mundo... Meu ponto de partida ficava distante, imerso na penumbra do tempo, e já não mais se via. Na minha frente, mil e uma possibilidades, mas todas elas perdidas. O tudo era nada e o nada maliciosamente era tudo! Assim era a minha vida!

Como criança rebelde, amava o primeiro que via. Era o momento, fragmentos de uma existência... Não me saciavam! Quantas vezes convertia-me naquilo que avistava e, quando me olhava percebia assustado que estava vazio. Nada! Nada havia! Apenas um imenso deserto me ocupava...

Tudo era relativo, menos os meus desejos... Nada sobressaia do meio das coisas. Que monotonia sem igual! E as pessoas? Objetos iguais aos outros e se alguém destacava, brilhava por pouco tempo. Quantas vezes me perdi em sonhos sem sentido e em fantasias loucas... O barulho me envolvia continuamente como líquido amniótico. O único que consegui, nesse longo caminho, foram algumas feridas... Você me entende? Só feridas! Oh! vida sem sentido, luz que não ilumina, água que me foi dada e não sacia!... Onde está a fonte?

Cheguei perto da morte e, por uns segundos, experimentei a frieza do seu olhar. Como ave de rapina, ela estendeu estupidamente sua mão impassível e quando já estava para me aferrar, desapareceu, como fulminada por uma visão apocalíptica.

Foi um terremoto interior e em pouco tempo nada ficou de pé. O que era importante deixou de sê-lo e o que nunca enxergara, começou a despontar. Um novo mundo se abria bem diante dos meus olhos! Cego para o que antes vira, extasiava-me agora com o novo. Foi o que sucedeu! Ali, no meio do tumulto Jesus veio me procurar. Sem ver, percebia tudo e sem ouvir compreendia com clareza o que Ele me dizia. A Vida se me apresentava gratuitamente!

Foi uma experiência suave, inesquecível. Nessa harmonia inesperada, a vida explodia por todo o meu ser! "Com azeite e vinho" curaste as minhas feridas e com carinho me arrancaste do atoleiro em que estava. Sem nada dizer, tudo dizendo, me fitaste no fundo dos olhos e me convidas-te para te seguir! Num segundo, superaste os limites de minha arrogância! Eu não era o primeiro e também não seria o último. A gratidão brotava no meu peito, sem parar...

"Tarde te conheci, tarde te amei!..." Chamando-me me salvavas e salvando-me me chamavas... Que mais podias fazer? E eu, manco como estava, levantei-me e te segui, Senhor, como um novo Jacó.

Sei que não sou o último, Senhor! Detrás de mim, outros virão, tocados misteriosamente por Ti, no âmago das suas vidas. Tu vens ao nosso encontro e não cessas, até nos vencer. Como outrora chamaste aqueles primeiros discípulos, agora, o fazes conosco. Como não Te amar e seguir? Se fechasse os meus olhos, Te veria por toda parte e se tapasse os ouvidos, Te escutaria certamente no meu coração.

Parafraseando a bela Rute do Antigo e primeiro Testamento, digo de coração: "Para onde Tu fores eu irei; onde Tu ficares eu permanecerei"!

Obrigado por me chamar para Te seguir... Mas, agora, Te peço Senhor, a graça de perseverar na minha caminhada.

Toda vocação é uma questão de amor... 



A Igreja baseia seus fundamentos na Sagrada Escritura, na Tradição e no magistério vivo, crescendo na compreensão e inteligência da fé.
O anúncio da modificação do Catecismo da Igreja Católica no tema da pena de morte gerou em alguns uma tempestade em copo de água. O desenvolvimento da doutrina suscita sempre em alguns resistências e rejeiçõesNão é a primeira vez que isso acontece nem será a última.
Ontem foi o capítulo 8º da Amoris laetitiahoje a inadmissibilidade da pena de morte, amanhã quem sabe será o das diaconisas na santa Igreja Católica... Nos 2.000 anos de cristianismo muitas coisas mudaram!

Quanto caminho percorrido neste assunto da pena de morte! Hoje ficamos horrorizados com certas ordens `dadas´ por Deus a Moisés, segundo as Escrituras. Em Levítico 20, por exemplo, o Senhor ordena matar idólatras, adúlteros, sodomitas, incestuosos, e os que maltratam o pai ou a mãe... Moisés viveu há mais de 3.000 anos atrás

Pensemos na coragem dos primeiros judeu-cristãos ao abandonar a circuncisão ou aceitar os pagãos-cristãos na Comunidade... Pedro, diante de Cornélio, centurião romano pagão `reconhece´ que Deus não faz distinção de pessoas, mas em toda nação lhe é agradável aquele que o teme e faz o que é justo. Se agora `reconhece´ é por que houve uma mudança no seu modo de pensar e agir.

"Eu reconheço" significa progresso gradual no conhecimento da verdade divina. Todos crescemos na inteligência da fé, também a Igreja. Pensemos nos primeiros Concílios Ecumênicos estabelecendo os fundamentos das verdades cristãs, a partir da Trindade e dos dogmas cristológicos... Quantas lutas para definir o Credo da Igreja! 

O escândalo do desenvolvimento da doutrina esconde um problema de fé. Uma Lei intocável e que que não muda dá segurança e poder, e dessa forma consegue-se controlar os comportamentos religiosos e até manipular as exigências divinas. Uma Lei que muda, tira esse nosso poder e o coloca nas mãos de um Outro. Esta foi a grande batalha de Jesus com os fariseus. Jesus se colocou como Lei viva, enquanto os fariseus queriam uma Lei escrita que pudessem controlar e manipular.

Se a Lei é viva nos força a mudar. Isto não agrada aos neo-conservadores e tradicionalistas da Igreja que querem que tudo continue como era. A lei do amor, no entanto, nos move a um contínuo êxodo, um sair de nós mesmos, um contínuo progredir no conhecimento da verdade e do amor

Para os saudosistas que contrapõe Bento XVI e João Paulo II ao Papa Francisco, podemos recordar estas reconfortantes palavras: "Não tenhais medo de construir a vida na Igreja e com a Igreja! Tenham orgulho de amor por Pedro e pela Igreja que lhe foi confiada. Não se deixem enganar por aqueles que querem opor Cristo à Igreja! 

O magistério nunca deve ser usado nem instrumentalizado para negar o desenvolvimento da doutrina. Quando se instrumentaliza o magistério, não há o desejo de viver a verdade nem o amor. E quem se escandaliza com o desenvolvimento saudável da doutrina provavelmente também faria o mesmo diante da pessoa e da proposta de Jesus...