Eu amo ser jesuíta. Minha vida como padre, meu ministério como escritor e a espiritualidade jesuíta são coisas pelas quais eu nunca poderei agradecer a Deus de uma forma adequada. Mas, a bênção mais surpreendente da vida jesuíta têm sido os meus irmãos jesuítas. Eu não tinha ideia de que a vida religiosa significaria conhecer tantas pessoas que eu considero não apenas amigos, mas também os irmãos mais próximos que eu poderia imaginar.

 

A vida em uma ordem religiosa, entretanto, não é perfeita. No entanto, essa falta de perfeição acabou sendo uma fonte de graça para mim.

 

Há muitos anos, eu morei em uma comunidade jesuíta, onde alguém não gostava de mim. Eu não sou nem um pouco perfeito, então não espero que todos gostem de mim. Mas, ele me desprezava. Por vários anos, ele se recusou a falar comigo, ele costumava sair da mesa de jantar quando eu me sentava para comer, e ocasionalmente murmurava maldições ao passar por mim no corredor.

 

Peço desculpas se isso é desencorajador sobre a vida religiosa, mas ordens religiosas não estão imunes à fragilidade humana, e até mesmo ao pecado. Ao longo dos anos, tentei de tudo para corrigir ou mesmo melhorar essa situação. Esforçava-me para lembrar o que eu havia feito para irritá-lo, mas não conseguia me lembrar de nada. Tentei me reconciliar com ele (ele me expulsou do quarto). Falei com meus superiores, que foram simpáticos e solícitos (mas nada mudou). Por fim, aprendi a conviver com isso, a rezar por ele e, como um sábio e idoso jesuíta aconselhava, a simplesmente ser “cordial” com ele. Foi uma grande penitência.

 

Depois de alguns anos nessa situação, fui ao meu retiro anual de oito dias e partilhei com a minha diretora de retiro como isso era difícil. Ela sugeriu aquela que eu achei ser uma passagem estranha para rezar: a rejeição de Jesus em Nazaré  (Lc 4,14-30). Nessa passagem, Jesus se levanta na sinagoga e proclama que ele é o Messias. Inicialmente, os habitantes o elogiam, mas logo depois se voltam contra ele, e tentam matar Jesus. “Levantaram-se e expulsaram Jesus da cidade. E o levaram até o alto do monte, sobre o qual a cidade estava construída, com intenção de lançá-lo no precipício.” Mas Jesus escapa “passando pelo meio deles”. Os habitantes de Nazaré não podiam ver Deus, mesmo quando Deus estava bem na frente deles.

 

Na minha oração aconteceu uma mudança de perspectiva. Sabia que Nazaré era uma cidade minúscula, 200 habitantes. Então, quando imaginei Jesus de pé na modesta sinagoga, eu o imaginei falando para um pequeno grupo de pessoas que o conheciam, mas que ele também conhecia.

 

Na minha oração, me imaginei falando com Jesus: “Como você conseguiu fazer isso?”.

E, eu o ouvi me dizer: “Será que todos devem gostar de você?”.

 

Foi um choque, não apenas na clareza com que essas palavras vieram até mim (não auditivamente, mas sentidas), mas também no seu significado. Na época, eu tive vontade de dizer: “Sim, devem!”. Mas logo depois, percebi que Jesus estava me convidando a ser livre da necessidade de ser amado, apreciado ou aprovado.

 

Isso ajudou imensamente na minha relação com esse outro jesuíta.

 

Cinco anos depois, em 2017, eu publiquei um livro intitulado Building a Bridge” [Construindo uma ponte], sobre a relação da Igreja com os católicos LGBT. Eu não esperava que o livro fosse grande coisa. O livro encorajava a Igreja institucional a tratar os católicos LGBT com o “respeito, compaixão e sensibilidade” pedidos pelo Catecismo, e com o amor, misericórdia e compaixão pedidos por Jesus.

 

Em algumas semanas, o livro levantou reações fortes. Primeiro, vieram respostas intensamente emocionais, onde eu fiquei surpreso ao testemunhar ovações de pé, e longas filas de pessoas esperando para me agradecer. Depois, veio a reação negativa com ataques pessoais intermináveis e odiosos. Iam além da discordância ao ódio.

 

Eu fui chamado de “herege”, “apóstata”, “sodomita”, “homossexual”, “falso padre”, “lobo em pele de cordeiro”, “bicha”, “viado” e todas as calúnias homofóbicas que você pode imaginar. Palestras foram canceladas, recebi telefonemas obscenos, e ameaças de morte `católicas´: nenhuma de assassinato direto, mas sim notas dizendo: “Espero que você morra logo”.

 

Alguns ataques vieram até de alguns clérigos e membros da hierarquia... Um bispo estadunidense condenou o livro na sua coluna semanal, mas admitiu não o ter lido.

 

Felizmente, recebi o apoio dos meus superiores jesuítas, e, alguns meses depois convites de cardeais e arcebispos para falar nas suas dioceses. Uma surpresa: o convite do Vaticano para falar no Encontro Mundial das Famílias, 2018, em Dublin, e, finalmente, uma audiência de 30 minutos com o Papa Francisco, no Palácio Apostólico, em setembro/2019, na qual debatemos sobre o ministério LGBT na Igreja Católica. Eu me senti profundamente consolado. 

 

Os ataques à minha pessoa me levaram de volta à pergunta: “Será que todos devem gostar de você?”. A resposta é: “Não”. Se nem todos gostaram de Jesus, então por que todos deveriam gostar de mim? A libertação da necessidade de ser amado, apreciado e aprovado foi um grande dom. E para finalizar, aquele jesuíta que me detestava finalmente NÃO se reconciliou comigoele simplesmente se mudou da comunidade. Mas a graça que ele me deixou ficou: estar livre da necessidade de aprovação, e, se atacado, poder dizer, com Jesus: “Há coisas mais importantes para se importar...



E transfigurou-se diante deles... (Mc 9,2)

 

No 2º domingo da Quaresma de cada ano, a liturgia nos convida a subir o Monte da Transfiguração para “contemplar Jesus por dentro”, e conhecer seu coração, seus desejos mais íntimos, enfim, o desvelamento da sua interioridade. Ao mesmo tempo, temos a ocasião para nos “olhar” por dentro e descobrir nossa verdadeira identidade.

 

Todos os grandes personagens bíblicos fizeram sua experiência de Montanha (lugar de intimidade com Deus e onde receberam uma “missão”). Também Jesus sabia reservar momentos de comunhão e escuta do Pai. No Monte Tabor Ele deixa “transparecer” seu coração e “desvela” o que a visão superficial não capta. Jesus de Nazaré foi pura transparência.

 

Transfiguração de Jesus é símbolo das muitas “experiências de transfiguração” que todos experimentamos e irrompem momentos especiais, inesperados quando os olhos do coração nos permitem ver muito mais longe e mais profundo. A realidade é a mesma, mas aparece transfiguradapara nós, revelando sua dimensão interior. Essas experiências místicas permitem renovar nossas energias, na certeza de que “vimos o Invisível”.

 

Uma pessoa transfigurada vê o que todo mundo vê, mas de maneira diferente. Todos carecemos dessas experiências, para que nossa vida tenha maior certeza. Hoje podemos nos encontrar com Jesus no nosso Tabor interior, onde brilha a luz que nos faz “diáfanos” (transparentes), onde poderemos também ouvir a Voz confirmando nossa filiação: “este é meu filho amado”.

 

Busquemos, pois, o que nos transfigura, humaniza e diviniza. A Montanha é o lugar do encontro íntimo com o Senhor, mas também do encontro com o melhor de nós mesmos. A transfiguração é descoberta do “eu profundo”, e do Mistério que nos habita. Começamos a descobrir o nosso ser quando “mergulhamos” no misterioso relacionamento com Deus e permitimos que se torne fonte de nossa identidade.

 

Nossa vocação é, pois, deixar-nos “transfigurar”, cristificar. Essa é a nossa verdadeira identidade... E é isso que se pode afirmar de todo ser humano: cada um de nós é “filho amado”.

 

Nosso “eu profundo” é luminoso, transparente, simples, verdadeiro... A Transfiguração de Jesus possibilita ter acesso a um “lugar” sempre estável, sólido e permanente. A “Transfiguração”desperta em nós um novo “olhar” para perceber, com maior nitidez por onde andamos e como transitamos.

 

O monte da Transfiguração transforma as obscuridades humanas em caminhos de luz e esperança. É preciso transfigurar nossas relações humanas, rompendo o círculo da intolerância e da indiferença. 

 

Trans-figurar é deixar trans-parecer nossa riqueza interior, imagem e semelhança de Deus. E não ocultar o que somos, com nossas frequentes desfigurações. 


A transfiguração de Jesus nos convida a contemplar sempre a beleza presente em cada coisa e em todas as pessoas. 

 



Quando vi a fotografia 
do novo bispo Bonnemain, não acreditei. Do Opus Dei? 

Coira é uma pequena diocese da Suíça regida até agora por um bispo ultra tradicionalista, tanto que uma vez aposentado optou por viver numa casa do clero lefevbriano. 


O novo bispo, recém nomeado pelo Papa para a diocese suíça de Coira, Joseph Maria Bonnemain, nasceu em Barcelona, é membro do Opus Dei, e declinou de desenhar seu escudo episcopal, e disse como um dos melhores progressistas: Meu escudo episcopal será só uma Cruz...

E você o que pensa?



 

 

Os “filhos de Deus” (Nefilins), Gn 6,2, são anjos corrompidos que tiveram intercurso sexual com as “filhas dos homens”, e geraram gigantes, pessoas monstruosas, violentas e poderosas que causaram muita maldade, e a queda de outros muitos e mitos. Essa é a interpretação mais comum desse texto antigo e misterioso do livro do Gênese.

 

É muito bizarra essa ideia de “anjos corrompidos” gerando pessoas monstruosas, e poderosas manipulando outros. Parece uma imagem psicodélica produzida por uma mente alterada. Mas, se olharmos o nosso panorama político o que mais encontramos é a corrupção por toda parte e em benefício próprio. Pessoas poderosas pensando só em si mesmas e criando um inferno ao seu redor.

 

Corruptio optimi pessimaÉ péssima a corrupção dos melhores! Diziam os antigos.

 

A luta entre o bem e o mal, a graça e o pecado, o Espírito e a carne é antiga e continua. A maldade nos habita, mas também o bem. Noé simboliza o grupo dos melhores, daqueles que viveram e vivem abertos para Deus, ajudando os demais. E eles formam a Arca, imagem da Igreja, que nos salva dos dilúvios da vida.

 

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; eu, porém, não te coloco no paraíso, mas no caminho dele. O inimigo afastou de ti a árvore da vida; eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem, e ordeno a eles que te cuidem como filho meu e irmão de todos... Vai, e não peques mais!

 

Ser um anjo alado pode ser até bonito e interessante, mas o que nos salva não é a fantasia que temos, mas a fé em Jesus e o amor que nos habita e se transborda em ações de vida para os demais.

 

Peça a Deus ser uma pessoa decente, discípulo de Jesus, de carne e osso, e não apenas um ser alado bonito e maldoso. 

 

 

 



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Na Alemanha católicos e luteranos fizeram um documento que norteia aonde ambos querem chegar: Juntos na mesa do Senhor.

 

O documento suscitou um agitado debate entre alguns bispos mais tradicionais da Alemanha: Uns diziam que as diferenças entre católicos e luteranos não eram tantas e outros que elas eram determinantes e excludentes.

 

A Congregação para a Doutrina da fé entrou em cena tomando parte na discussão: Não é possível a recíproca hospitalidade eucarísticadisseram, pois há diferenças substanciais na compreensão da Eucaristia e do ministério. E não ha também uma base para uma decisão pessoal em consciência. Outros, diziam que esta possibilidade criaria maiores problemas com os ortodoxos... Voltou-se, pois, a estaca zero.

Georgios Vlantis, importante teólogo ortodoxo, afirmou em um artigo que há ampla convergência entre a tradição ortodoxa e a católica sobre a Eucaristia, e que a aproximação com os luteranos criaria um distanciamento com os católicos.

 

Nos países de língua alemã, alguns teólogos dizem, que apesar da proximidade teológica entre ortodoxos e católicos, a afinidade cultural entre protestantes luteranos e católicos prometem um progresso ecumênico muito maior. O convite de Jesus é à unidade não à uniformidade. 

A pergunta sobre o relacionamento entre comunhão e excomunhão apenas foi acenado... 

A Igreja lutou muito na história, para manter a sua identidade. É o próprio Cristo que nos convida à Eucaristia. Ele é o caminho, a vida e a verdade. A unidade da Igreja em Cristo acontece como no amor e na verdade. Se a Igreja tem dois pulmões devemos ter cuidado para não pegar uma pulmonia dupla com consequências graves e imprevisíveis.   

Todos somos diversos e só cabemos num estilo de igreja poliédrica, onde o próprio Cristo seja o centro de todos nós. 

 


 “Os heróis do futuro serão aqueles que saberão romper com essa mentalidade doentia, decidindo sustentar palavras cheias de verdade, para além das conveniências pessoais. Queira Deus que esses heróis estejam surgindo silenciosamente no meio de nossa sociedade” (Papa Francisco: Fratelli Tutti 202)

 

“Olhar o ofício de consolar que Cristo nosso Senhor exerce” (EE. 224). S. Inácio utiliza esta expressão na 4ª Semana dos Exercícios: contemplação das aparições do Ressuscitado.

 

No diálogo com seus amigos e amigas, Jesus Ressuscitado exerce “o ofício do consolar”Não é um ato pontual mas um “ofício” que definirá a atividade de seu Espírito no mundo. O “ofício de consolar é a marca do Ressuscitado. Jesus ressuscita e se encontra com cada um dos seus amigos e amigas, ativando neles o sentido da vida, reconstruindo os laços comunitários rompidos, e oferecendo solo firme a quem estava sem chão, sem direção... Consolar é o que define melhor a ação do Ressuscitado transformando a situação dos seus amigos: a tristeza se converte numa alegria contagiosa, o medo em valentia e audácia, a negação de Cristo em profissão de fé e martírio... 

 

A cena do encontro de Jesus Ressuscitado no caminho de Emaús revela um longo diálogoamigável, que ficou marcado na memória dos dois discípulos que fugiam de Jerusalém, após a Paixão. O que havia acontecido com Jesus continua presente na memória e no coração dos dois discípulos. Dialogavam sobre o que significou o encontro com Jesus, e o fascínio sobre eles pelo anúncio do Evangelho.

 

No fundo do coração dos discípulos há um grande vazio que preenchem “conversando”. Estão confusos e desorientados, não conseguem entender-se, mas continuam a caminhar lado a lado e a dialogar; diálogo triste, de fracassados e que não leva a lugar nenhum.

 

É justamente no meio deste “diálogo” triste e sem esperança, que o Ressuscitado se faz presente.

 

Neste diálogo, tanto os conteúdos expressos como os aspectos relacionais ganham grande importância: palavras, gestos, olhares, tom da voz, silêncios, contexto...; tudo isso forma parte da diversidade e riqueza da revelação do Ressuscitado aos seus discípulos.

 

Ele extrai palavras significativas, previamente cinzeladas, que revelam dinamismo, sentido e alteridade. diálogo é uma experiência profundamente humana de proximidade, de conhecimento, de intercâmbio, de ternura... um encontro entre viandantes que partilham histórias de vida, esperanças e frustrações... Dialogar é um caminho pedagógico, um processo gradual que requer de nós uma capacidade de escuta, de acolher e deixar-nos tocar pelo que o outro é, não só pelo que diz; uma capacidade de olhar com profundidade para reconhecer uma história santa, um caminho de salvação. É reconhecer no outro o que há de verdadeiro, bom e belo, e descobrir como o dinamismo de Deus atua no seu coração.


É ajudá-lo a descobrir, na trama de sua vida, as motivações profundas que o levam a ser e a agir de uma maneira muito pessoal.

 

diálogo constitui uma das experiências humanas mais antigas e reveladoras de nosso ser profundo. Ele não se reduz a um mero intercâmbio de palavras; é um processo essencialmente ativo, inerente à nossa natureza relacional, cuja finalidade última é viver a experiência do encontro.


Dialogo é uma das aprendizagens vitais que não tem data de vencimento.


Há diálogo e “diálogo”. Há “diálogo” superficial que gasta palavras à toa e revela o vazio das pessoas. E há diálogo que vai fundo no coração e fica na memória. Todos nós, de vez em quando, temos esses momentos de convivência amiga, que dilatam o coração e vão ser força na hora das dificuldades. Ajudam a ter confiança e a vencer o medo. 


Um diálogo, carregado de inspiração e sentido, brota de um coração apaixonado pelo bem do outro, de querer ajudá-lo na direção de seu fim último, de comprometê-lo intensamente em seu processo de crescimento e maturação de uma vida engajada.


Para que a pessoa possa abrir seu interior, ela deve sentir-se envolvida pela presença gratuita e acolhida terna que o outro pode lhe manifestar. 


Trata-se de uma empatia a serviço de uma relação de ajuda segundo o critério do Evangelho. O diálogo deixa, então, transparecer as convicções, os sonhos, os sentimentos... da pessoa. 

 

Em seu sentido mais radical e profundo dialogar é “converter-se” ao mistério do outro, é converter-se à alteridade. O diálogo reforça os laços, criando a comunidade de “amigos no Senhor”.


Sair dos corredores do próprio claustro interior e de seus mecanismos de defesa para converter-se em um servidor do outro, com a arma mais humana, mais sutil, mais imediata e universal, mais iluminadora e mais reveladora da própria maturidade: a palavra.


diálogo nos liberta da solidão e do fechamento, fazendo-nos crescer na transparência. As inúmeras possibilidades de dialogar são encontros que nos reconciliam com a vida, nos movem a crescer e a sair de nosso egocentrismo. Ele nos permite sentir que formamos parte da vida de outros e nos ajuda a levantar-nos quando as perdas, os fracassos, as enfermidades... tornam difícil nosso caminhar.


Dialogar é uma das vias privilegiadas que temos para nos fazer sentir que nossa vida é habitada por outros, que grande parte de nossa felicidade está no fato de sermos capazes de nos fazer presentes na vida dos outros e, ao mesmo tempo, deixar que estes se aninhem em nosso interior.


Reconhecimento, pertença, celebração da vida; sentir-nos capazes de pensar autonomamente, de ativar nossa própria identidade, de sermos aceitos e queridos a partir da nossa própria originalidade.... Cada diálogo tem seu porquê, seu ritmo e seu processo. 


Para chegar a diálogos mais profundos e íntimos precisamos percorrer o caminho que se inicia no cotidiano e no aparentemente superficial. Encontrar-nos com os outros é uma experiência que requer seu tempo, seu espaço, seu ritmo. Nossa natureza relacional continuamente nos oferece oportunidades para dialogar; depende de nós fazê-los banais ou convertê-los em experiência de vida.

 

Se quisermos que a nossa vida cristã tenha a marca da Ressurreição, o convite é este: “sair do próprio túmulo” para viver “diálogos mobilizadores de vida”. É preciso remover as pedras da indiferença que foram soterrando a vida dentro de nós e romper os muros que cercam nosso coração; é necessário compreender que somos chamados a um compromisso diferente e mais profundo: destravar portas e janelas, sair da reclusão de nossas casas para entrar na grande “casa”de Deus; romper com o tradicional para acolher a surpresa; deixar a “margem conhecida” para vislumbrar o “outro lado”; afastar a “pedra” da entrada do coração para poder viver os diálogos com mais criatividade.


Conheço pessoas que não sabem dialogar, pois são agressivas e grossas...