Poderoso é quem descobre a significância dos gestos...

Aconteceu poucos dias após o Papa francisco see eleito, precisamente no dia 23/ABR/2013:
O Papa saía de manhãzinha do seu apartamento na Casa Santa Marta, onde continuou morando, quando viu no corredor e bem na frente da porta do seu apartamento um guarda suíço:

- Você ficou a noite toda acordado vigiando minha porta?
- Sim, Santidade?
- De pé?... Mas não está cansado? perguntou o Papa.
- É o meu dever, Santidade! Devo cuidar da sua segurança! Respondeu prontamente o guarda suíço.

Diante disso, o Papa voltou ao seu apartamento e, minutos depois trazia uma cadeira que deixou onde estava o guarda suíço:

- Tudo bem, pelo menos agora sente-se e descanse! disse fraternalmente o Papa Francisco. O guarda ciente do seu dever respondeu confuso:

- Não posso sentar-me em serviço, Santidade; as regras não o permitem….

E o Papa: 
- As regras?

E o guarda cada vez mais dúbio: 
- Sim, Santidade, e o meu capitão...

Então o Papa carinhosamente respondeu: 
- Tudo bem, mas eu sou o Papa e lhe peço para assentar...

Pouco depois, o Papa retornou ao seu apartamento e voltou trazendo pão e presunto, que entregou ao coitado do guarda suíço, para se alimentar, e este já não sabia o que fazer...

- Bom proveito, meu irmão... disse-lhe o Papa,  deixando o guarda sentado e comendo o seu sanduíche... 

Os gestos fraternos do Papa Francisco continuam sendo mais fortes do que o rígido protocolo Vaticano.

A espontaneidade da fraternidade sempre questiona nossos gestos pequenos

E o bonito é que depois de 4 anos continua do mesmo jeito...


Como será a nossa vida depois de morrer? Jesus sempre foi muito sóbrio ao falar da vida nova após a ressurreição, mas quando um grupo de saduceus ridicularizava a fé na ressurreição dos mortos, ele entra de cheio no assunto. Primeiro, rejeita a ideia pueril dos saduceus que imaginavam a vida dos ressuscitados como prolongação desta, que agora temos. Não é bem assim.

Há uma diferença colossal entre a nossa vida e a vida plena, sustentada diretamente pelo amor de Deus. Essa Vida após a morte é absolutamente «nova».

Os primeiros cristãos mantiveram essa esperança. O apóstolo Paulo dizia que O olho nunca viu nem o ouvido escutou nem conseguimos imaginar o que Deus preparou para os que o amam...

O céu é uma novidade além de qualquer experiência terrestre; por outra parte, a bíblia se refere a Deus como ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó. Apesar da morte desses patriarcas, Deus continua sendo o seu Deus, protetor e amigo. A morte não destrói o amor nem a fidelidade do nosso Deus.

Para Deus nunca morrem os seus filhos, pois é um Deus de vivos! No céu não há cemitérios!

Deus é fonte inesgotável de vida. O amor de Deus para conosco é muito maior do que a morte.

Com humildade podemos dizer: Meu Deus, em Ti confio plenamente! Não me defraudeis… (Sl 25,1-2). Eu acredito na vida eterna!

E você oo que pensa sobre este assunto?




Convocamos todos os trabalhadores a participarem desta grande manifestação, dizendo que o povo não aceita a reforma da Previdência nos termos que estão anunciando”.

A Greve Geral que deve paralisar o Brasil próxima sexta-feira, 28/ABR, ganhou reforço de membros da igreja Católica. Na Paraíba, o arcebispo dom Manoel Delson Pedreira da Cruz, recém nomeado, gravou uma mensagem convocando a população para participar das manifestações contra a reforma da Previdência.

Sabemos que esta reforma implica em tirar direitos adquiridos dos trabalhadores, assegurados na Constituição de 1988.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) chegou a emitir uma nota afirmando que a Previdência social não é uma concessão governamental, mas direitos sociais conquistados com intensa participação democrática.
Em nossa opinião, trata-se do desmonte da Previdência Pública e da retirada dos direitos trabalhistas garantidos pela CLT. Por isso, conclamamos todos, neste dia, a demonstrarem o seu descontentamento, ajudando a paralisar o Brasil”.

Eu me uno a esse protesto popular. E você?

Para ouvir a convocação do arcebispo CLIQUE AQUI



A CNBB se reúne em Assembleia Nacional nos dias 26/ABR a 05/MAI. Confira aqui o perfil do episcopado no início de 2017:

Em 24/ABR/2017 o episcopado católico brasileiro assim se organiza:
478 pastores, sendo 308 bispos na ativa e 170 eméritos. 

Em 24/04/2017 dos atuais 478 bispos vivos no Brasil: 
1 nomeado pelo papa Pio XII (d. José Maria Pires),
2 nomeados pelo papa São João 23 (D. Serafim Fernandes de Araujo e dom José Mauro Alarcon),
41 foram nomeados bispos durante o governo do Beato Paulo VI; 
241 bispos nomeados pelo papa São João Paulo II, 
124 nomeados pelo papa Bento 16 
69 nomeados desde 19/03/2013 até 19/04/2017 pelo papa Francisco. 

Há hoje 308 bispos ativos na hierarquia católica no Brasil:
117 nomeados pelo papa São João Paulo II,
122 nomeados pelo papa Bento XVI, hoje emérito,
69 nomeados pelo atual papa Francisco.

Há hoje 170 bispos eméritos:
1 nomeado pelo papa Pio XII (d. José Maria Pires),
2 nomeados pelo papa São João 23 (D. Serafim Fernandes de Araujo e dom José Mauro Alarcon),
41 nomeados pelo papa Beato Paulo VI,
124 nomeados pelo papa São João Paulo II,
2 nomeados pelo papa Bento XVI, hoje papa emérito,
Nenhum nomeado pelo papa Francisco..

Não todos os bispos nomeados por João Paulo II e Bento XVI possuem um perfil mais conservador e nem mesmo há garantias que aqueles que foram nomeados pelo Papa Francisco tenham “cheiro de ovelha”. Mas, será que vamos ter uma CNBB mais profética quando tivermos uma maioria de bispos nomeados por Francisco?

O que você pensa sobre isso?


O Anuário Pontifício de 2015 acaba de ser publicado com alguns dados interessantes sobre a situação da Igreja no mundo.

Nesse ano de 2015 se contabilizavam 1.285 milhões de pessoas batizadas, o que supõe 17,7 da população mundial. De 100 pessoas, 17,7 seriam de tradição católica.

Confira o número de pessoas de tradição católica no mundo:

1º Brasil........  172,2 milhões
2º México....... 110,9 milhões
3º Filipinas....... 83,6 milhões
4º USA............. 72,3 milhões
5º Itália............  58,0 milhões
6º França........    48,3 milhões
7º Colômbia....  45,3 milhões
8º Espanha......   43,3 milhões
9º R. D. Congo   43,2 milhões
10º Argentina... 40,8 milhões

Por desgraça sabemos que nem todos os que foram batizados na tradição católica perseveram na sua fé. Contudo, agradecemos a Deus o testemunho de tantos que fizeram possíveis essas cifras...

Deus seja louvado.



   
Salve Maria...
No dia 22/ABR, celebramos a Festa de Nossa Senhora, Mãe da Companhia de Jesus, pois num dia como hoje Inácio de Loyola e cinco companheiros (Salmerón, Laínez, Broet, Jay e Codure) fizeram seus votos no altar de Nossa Senhora, na basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma.

Na imagem, vemos Nossa Senhora no centro, rodeada por Santo Inácio, à nossa esquerda, São Francisco Xavier, à direita e outros muitos santos e beatos da Companhia de Jesus.

Nossa Senhora sempre esteve presente na vida de Santo Icio. No início da sua conversão, ele peregrinou à pequena ermida de Nossa Senhora de Aranzazú e, diante de uma pequena imagem de Maria, fez voto de castidade. Mais tarde, no Santuário de Nossa Senhora de Montserrat, entregou sua vida passada e desregrada ao deixar sobre o altar sua espada e daga. Era véspera da festa da Anunciação do Senhor, 24/MAR/1521.

Anos depois, Inácio e seus primeiros companheiros farão seus votos no dia da Assunção de Nossa Senhora (15/AGO/1534), na basílica de Montmartre (París) e a primeira missa de Inácio, como padre, a celebrou na Basílica de Santa Maria a Maior, em Roma. Enfim, no dia 22/ABR/1541, o compromisso definitivo na Companhia de Jesus, foi numa capela de Nossa Senhora...

Senhor, que a exemplo de Inácio, cresça nosso amor filial a Maria, mãe de Jesus e da Igreja, para que sejamos sempre bons discípulos missionários...


Ladainhas de todos os santos e bem-aventurados da Companhia de Jesus:
  • Por nosso pai santo Inácio (+1556), fundador da Companhia de Jesus. Obrigado Senhor.
  • Por são Francisco Xavier (+1552), padroeiro das missões e apóstolo da Índia. Obrigado Senhor.
  • Por são Pedro Fabro, missionário incansável de Europa... Obrigado Senhor.
  • Por são Francisco de Borja (+1572), 3º Superior Geral da Companhia de Jesus...
  • Por são José de Anchieta, missionário e padroeiro do Brasil...
  • Por santo Estanislau Kostka (+1568), padroeiro de nossos noviços…
  • Pelos santos Luís Gonzaga (+1591) e João Berchmans (+1621), padroeiros da juventude…
  • Pelos santos Edmundo Champion (+1581), Roberto Southwell (+1595), Nicolás Owen e outros companheiros, mártires na Inglaterra e no País de Gales...
  • Pelos santos Pablo Miki (+1597), Santiago Kisai e João de Goto, crucificados por amor a Cristo no Japão...
  • Pelos santos Pedro Canisio (+1597) e Roberto Bellarmino (+1621), doutores da Santa Igreja...
  • Por são João Ogilvie (+1615), mártir de Cristo na Escócia...
  • Pelos santos Bernardino Realino (+1616), João Francisco Regis (+1640) e Francisco de Jerônimo (+1716), apóstolos das missões populares...
  • Por santo Afonso Rodríguez (+1617), padroeiro dos Irmãos...
  • Pelos santos João de Brebeuf (+1649), Isaac Jogues (+1646), Renato Goupil (+1642), João de la Lande (+1646) e outros 4 companheiros, mártires de Cristo no Canadá e no norte dos Estados Unidos...
  • Por são Pedro Clavér (+1654), escravo dos escravos negros na Colômbia...
  • Por santo André Bobola (+1657), torturado barbaramente pelos cossacos na Polônia...
  • Por são João de Brito (+1693), mártir de Cristo na Índia...
  • Por são José Pignatelli (+1811), pai dos exilados e fiel colaborador na restauração da Companhia de Jesus...
  • Pelos santos Roque González, Alfonso Rodríguez e João Castillo (+1628), mártires das Reduções indígenas na América Latina...
  • Pelos santos Melchor Grodziecki e Estêvam Pongrácz (+1619), mártires de Cristo na Eslováquia...
  • Por são Cláudio de la Colombière (+1682), apóstolo da devoção ao Sagrado Coração de Jesus...
  • Por são José Maria Rubio (+1929), apóstolo da cidade de Madri...
  • Por são Alberto Hurtado (+1952), apóstolo dos jovens e pobres no Chile...
  • Pelo bem-aventurado Inácio de Azevedo e outros 39 companheiros (+1570), mártires a caminho do Brasil...
  • Pelos bem-aventurados Thomas Woodhouse (+1573), Raúl Ashley e outros 14 companheiros, mártires de Cristo na Inglaterra...
  • Pelos bem-aventurados Rodolfo Acquaviva (+1583), Francisco Aranha e outros 3 companheiros, mártires na Índia...
  • Pelos bem-aventurados Santiago Sales e Guilherme Saultemouche (+1593), mártires da Eucaristia na Francia...
  • Pelo bem-aventurado José de Anchieta (+1597), apóstolo incansável do Brasil...
  • Pelos bem-aventurados Roger Filcock (+1601) e Domingo Collins (+1602), mártires da fé na Inglaterra...
  • Pelos bem-aventurados Sebastião Kimura (+1622), Carlos Spínola (+1626) e outros 7 companheiros, mártires no Japão...
  • Pelos bem-aventurados Francisco Pacheco (+1626) e outros 32 companheiros, mártires de Cristo no Japão...
  • Pelo bem-aventurado Diego Luis de São Vítores (1672), mártir na Micronésia...
  • Pelos bem-aventurados Juliano Maunoir (+1683) e Antônio Baldinucci (+1717), apóstolos das missões populares...
  • Pelos bem-aventurados José Imbert e João-Nicolás Cordier (+1794), mártires da Revolução Francesa...
  • Pelos bem-aventurados Santiago Bonnaud (+1792), e outros 22 companheiros mártires de Cristo na Francia...
  • Pelo bem-aventurado Santiago Berthieu (+1896), mártir de Cristo em Madagascar...
  • Pelos bem-aventurados Leão Mangin, Paul Denn, Modesto Andlauer e Remi Isoré (+1909), mártires na China...
  • Pelo bem-aventurado Jan Beyzym (+1912), servo dos leprosos de Madagascar...
  • Pelo bem-aventurado Miguel Agostinho Pro (+1927), assassinado por amor a Cristo no México...
  • Pelo bem-aventurado Francisco Gárate (+1929), porteiro afável da Universidade de Deusto, Espanha...
  • Pelo bem-aventurado Tomás Sitjar Fortia (+1936) e outros 11 companheiros, mártires da guerra civil espanhola...
  • Pelo bem-aventurado Roberto Mayer (+1945), apóstolo da cidade de Munich, Alemanha...
  • Por todos os Padres, Irmãos, Estudantes e noviços da Companhia de Jesus, que nos precederam na fé com o seu testemunho de vida... 
OREMOS: Deus e Pai de N. S. Jesus Cristo, que conheceis a nossa fraqueza e, contudo, nos chamais ao seguimento do vosso Filho na Companhia de Jesus, realizai em cada um de nós o que conseguistes em Santo Inácio e em tantos dos nossos Santos e Bem-aventurados. Ajudai-nos a trabalhar generosamente sob a bandeira da Cruz. Por N. S. Jesus Cristo, teu Filho e nosso irmão, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Hino MARIA MÃE da COMPANHIA CLIQUE AQUI


Sou um sujeito cheio de recantos...

Como orar em profundidade? Apresentamos alguns métodos simples a serem seguidos conforme a disposição do que se exercita. Lembremos que todos os métodos são relativos, e o único que fazem, é predispor a pessoa para acolher o dom, a graça: deixando agir diretamente o Criador com a criatura. No encontro interpessoal humano-divino é Deus quem toma a iniciativa. Por isso os métodos devem ser usados tanto quanto ajudem. Podem ser vários e modificados. Colocamos alguns para esclarecer, de algum modo, o que até agora dissemos. A única observação a ser feita, para aqueles que querem aprofundar sua oração, é que deem um tempo longo para mergulhar e se exercitar nesse caminho.

A) Mergulhando no poço. A pessoa que se exercita pode ler o texto da Escritura que pretende orar. Provavelmente vão se destacar algumas palavras ou imagens que mais tocam. A seguir pode contar, devagar, de 5 até 0, respirando lenta e profundamente, com os olhos fechados... Pode se imaginar ao lado de um poço profundo... É preciso entrar, de algum modo, nesse poço.... À medida que desce pode fazer outra contagem regressiva, lentamente, de dez a zero, por exemplo. Podem acontecer diversas coisas neste seu mergulho interior: Há pessoas que param ou cochilam ao chegar num desses determinados números... outras não conseguem continuar, pois têm medo... Provavelmente, encontram resistências inconscientes que o paralisam e que seria bom posteriormente explicitar.

Esta primeira abordagem é importante por ser intensamente integradora e purificadora. Algumas pessoas recolhem este material negativo num saco imaginário, numa trouxa, e o levam para cima e lá, quando estão pelo 5º degrau da escada, subindo do poço, abrem uma janela e o jogam para fora. É um modo de purificar o subconsciente.

Inicia-se uma etapa de purificação muito própria da primeira semana! Espontaneamente brota um sentimento de gratidão a Deus por esta experiência de purificação, de salvação. Esta fase pode demorar alguns dias ou mesmo semanas.

Mergulhando mais no nosso inconsciente é possível entrar numa zona iluminada, transparente e cristalina, onde cada um poderá encontrar grande claridade... O que pode acontecer? Provavelmente a pessoa terá experiências integradoras, tão diversas e originais que é impossível defini-las ou indicá-las. Estamos muito perto da experiência mística. Deus se faz extremamente íntimo e presente e a pessoa obtém, por experiência, enorme clareza do que acontece. É como se nos encontrássemos no máximo grau de participação da contemplação inaciana ou mesmo no mais profundo da aplicação dos sentidos.

A pessoa que assim se exercita encontra-se profundamente concentrada, envolvida por tudo isso que pode surgir. Não são idéias! Encontramo-nos no nível da experiência, do "sentir", tão íntimo e querido de Inácio. Neste nível acontece a oração, o encontro inter-pessoal humano-divino. Não é de estranhar que esse tipo de encontro seja, como dizia no início, profundo, comprometido e místico. Por isso, acabar com um colóquio, como um amigo fala com outro!...

Como se faz o retorno? Seguindo o mesmo caminho, fazendo uma contagem progressiva.

Quando as pessoas têm oportunidade de partilhar o acontecido provavelmente terão muitas coisas a dizer. As palavras usadas revelam o alto grau de experiência vivida e experimentada e todas com grande clareza.

B) A ilha: Imaginemos que já temos um texto da Bíblia para orar. Ele foi lido, com fé, anteriormente. Provavelmente destacaram-se algumas imagens, palavras ou sentimentos. É bom relaxar, à medida que se vai respirando em profundidade... Pode imaginar, por exemplo, uma bela praia, tranquila, serena, limpa... À medida que vai contando de dez até zero (lentamente, respirando fundo...) imagine que você mesmo se desprende do seu próprio corpo e alça voo. Veja-se voando, como uma bela gaivota e o seu corpo estendido preguiçosamente na praia... Você pode mergulhar mais fundo nesse imenso céu azul que o acolhe com segurança... Provavelmente surgiram imagens limpas, transparentes, positivas... Experiências integradoras de amor, segurança, comunhão com Deus... Depois de curtir, um certo tempo, essas experiências positivas, pode ver, novamente, o seu corpo (que tinha ficado na praia...) Perceba como ele pode se movimentar (ou não!), entrar no mar... À distância, presencie tudo. (Provavelmente poderão surgir imagens negativas do "eu real"...) Fique perscrutando... O que aparece?... (fique aí um bom tempo). Forme, com todo esse "eu negativo" emergido, uma ilha... Contemple-a do alto (lembre-se, você é uma bela gaivota!...)... O que vai brotando do mar?... Forme, agora, uma grande onda... Ela é imensa... Veja como avança sobre a ilha e a lava todinha... Durante um bom tempo viva essa experiência purificadora...

Volte por onde veio... Saia da imensidão do céu que o acolheu... Veja novamente seu corpo na praia... Ele está limpo por dentro. Lavado, purificado! Vá até ele com alegria e una-se numa perfeita harmonia... Sinta-se unificado... Experimente a satisfação de ser um... Respire fundo... Vagarosamente... Mexa suavemente os pés, as mãos... Abra os olhos... Agradeça a Deus pelas experiências vivenciadas.

A) O método inaciano. Evidentemente, Inácio de Loyola, quando se exercitava naquelas grutas de Manresa, não conhecia os conceitos da psicologia nem as suas consequências. Inácio é um auto-didata nas coisas do Espírito! Como um bom basco, era homem de poucas palavras e de grande reflexão. A experiência dos Exercícios Espirituais, naqueles anos de 1522, foi um confronto com sua realidade subjetiva (sua vida...) e com aquela outra objetiva que surgia quando mergulhava nas contemplações da vida de Jesus ou dos santos.

Eis os passos a serem dados na oração inaciana:

1. Depois de ler o texto para ser meditado ou contemplado e guardado o suficiente recolhimento interior, o exercitante coloca-se na presença do Senhor e faz a oração preparatória (Estamos na boca do poço, na beira da praia, segundo os esquemas anteriores).

2. A partir deste momento, começa-se a mergulhar fundo no mais real da vida com a "composição do lugar" (1º preâmbulo) e a "petição" (2º preâmbulo). Entra-se na própria vida, no mais fundo dela!

3. O exercitante se introduz na meditação (seguindo os pontos propostos...) ou na contemplação (vendo, ouvindo, participando da cena!), “sentindo e saboreando as coisas internamente". Quase sem perceber tem-se dado um deslocamento imaginário, uma saída de uma situação subjetiva (provavelmente negativa) para outra objetiva e evangélica. Neste momento podem surgir possibilidades infindas de sentimentos significativos (consolação, desolação), apelos, impulsos, desejos, inspirações, iluminações, dificuldades, resistências, medos... etc.. O "eu real" é compreendido em toda a sua fragilidade e limitação. Ao mesmo tempo, sente-se confrontado e chamado à maior transparência e liberdade. É a experiência da 1ª semana dos EE, a via purgativa!

Uma vez experimentada a misericórdia de Deus (coração voltado para a miséria humana!), o exercitante, movido pela graça, se oferece para refazer sua própria história pessoal e até universal, segundo os valores objetivos de Jesus. Inicia-se a 2ª semana e com ela um outro método de oração, chamado de contemplação. É próprio da contemplação sair de si mesmo e entrar na cena evangélica para participar (ou não participar!), de algum modo do mistério contemplado.

Nesse ir-e-vir da própria situação pessoal para o mistério contemplado e deste para a própria vida podem surgir infindas possibilidades de sentimentos e imagens não procuradas que deverão ser rezadas e melhor discernidas.

Toda a 2ª semana é um convite a ser configurado com Jesus, isto é, se afeiçoar à sua pessoa e aos seus valores. É uma experiência de amor solidário e encarnado. Entra-se no campo do "eu original" que, com o repetir da contemplação (lembremo-nos das duas repetições e da aplicação dos sentidos próprias desta etapa, chega-se ao mínimo de dispersão e ao máximo de concentração, mesmo no amor. Aprofundar na proposta dos valores de Jesus faz emergir o próprio eu na sua integridade! É uma experiência de via iluminativa!

A 3ª e 4ª semanas são místicas. É um sair totalmente de si mesmo e se solidarizar com o pequeno, o pobre, o oprimido e injustiçado representado originalmente por Jesus na sua paixão e morte. O exercitante é convidado não só a se configurar, mas até mesmo a se identificar, experimentando no seu interior os próprios sentimentos (de dor e sofrimento) de Jesus e do povo. A experiência de fidelidade (ao projeto do Pai) e de solidariedade (a todos os homens) mesmo em situações de extremo conflito faz com que o exercitante, não só saia de si próprio, mas que assuma realmente os mesmos valores. O deslocamento imaginário dá lugar a um verdadeiro deslocamento na vida real! O sentir "dor com Cristo doloroso, angústia com Cristo angustiado" da terceira semana e o "me alegrar e gozar intensamente por tanta glória e gozo de Cristo", próprios da quarta semana, fazem com que o exercitante, se fez bem todo esse caminho interior, seja transformado num verdadeiro "sensitivo" no melhor sentido desta palavra, isto é, alguém que é capaz de "sentir" (entrar em comunhão profunda!) não só com as pessoas (que sofrem ou se alegram) mas, também, com o mais íntimo delas (tristeza e/ou alegria). O próprio "eu original" entra em comunhão plena com o "eu de Jesus" e, em consequência, com o "eu dos outros". Entra-se, como graça, numa plena comunhão com Deus, com os outros e com o mundo.

Quem passa por esta experiência transforma-se num homem novo capaz de uma profundidade e observação quase que infinitas porque tocou, com o seu coração, o infinito. Estamos, evidentemente, no umbral da via unitiva ou mística!

A contemplação para alcançar amor, no fim dos Exercícios Espirituais, não é outra coisa que uma experiência do "eu original" do exercitante, entrando em comunhão com o "eu original", cósmico, de Jesus. Nesse momento toda a fronteira some, todos os muros caem... Só fica esta experiência de comunhão universal com todas as pessoas e todas as coisas em Jesus Cristo. O mundo todo foi inundado de luz e de graça! O exercitante converte-se, então, por pura graça, num contemplativo na ação. Seus olhos se fizeram transparentes, prescinde de puros raciocínios e enxerga tudo com um novo olhar! Seu coração e a sua fé se unificaram e sente tudo com uma nova dimensão que o leva a uma maior solidariedade e comunhão! "Tudo é vosso, vós sois de Cristo e Cristo é de Deus" (1 Cor 3, 22-23). Libertos de tudo!

Este é o patamar mínimo onde, humanamente, se pode chegar. Daqui para frente outros horizontes e experiências, sem limite, se abrem. Abordar, agora, essa inter-ação humano-divina e humano-cósmica não entra nos limites deste nosso trabalho.

Neste artigo, quisemos, pois, partilhar apenas uma intuição: Inácio de Loyola, em Manresa, mergulhou fundo na sua oração e atingiu, de algum modo, o seu inconsciente. Ao mesmo tempo abriu um método para outras pessoas percorrerem um caminho semelhante. Rezar em profundidade leva a uma superação, não só das distâncias geográficas, mas também temporais.

Existe um espaço místico onde tudo se encontra: o passado, o presente e o futuro. Quem for capaz de se aproximar d'Ele pode encontrar Tudo!                                                             (in Rev. ITAICI/8/1992)

Uma pergunta: O que tudo isso tem a ver com a sua vida?