12. Opção Vocacional...

É andar na contra-mão do mundo...
Trabalhei por muitos anos na Pastoral Vocacional e partilho com simplicidade algumas impressões aprendidas nesse longo ministério.

Não tenho dúvida: toda vocação é um mistério de amor. Ninguém se compromete com algo ou alguém se antes não foi atraído e tocado no seu coração. A história de cada pessoa está permeada por luzes e sombras, coerências e limitações que fazem parte importante do seu percurso. O crescimento humano e espiritual passa, não poucas vezes, por essas feridas históricas e que a vida foi cicatrizando. Muitas vezes, o que parecia ser nosso ‘entulho’ humano se transformou, por graça, em nosso melhor pedagogo espiritual.

No início de cada vocação vejo um mistério de amor e de graça. As pessoas são interiormente movidas e atraídas por uma paixão que faz fácil o que parecia ser impossível. Surgem, então, os encontros e alguns desencontros e mil perguntas que nem sempre tem respostas corretas. É o encantamento da graça!

Desse modo e com os olhos postos em Jesus se chega, num belo dia, a uma clareza mental que faz possível deixar o que sempre se fez e tomar novos rumo.
Para acertar na vocação é preciso percorrer o caminho da gratuidade e da verdade. Nada de bom se constrói sobre o egoísmo e a mentira. e estes teimam por fazer parte da nossa vida. Se no decorrer dos anos alguém se tornou egoísta ou ranzinza é porque perdeu o encanto do Evangelho e se fechou no seu coração. Quem ama, não cansa nem perde os sonhos que o habitam!

Diante da carência de vocações e envelhecimento de nossas famílias religiosas há o perigo de relativizar o acompanhamento e os critérios de admissão. Isso prejudica tanto o candidato como a vida consagrada, pois toda vocação religiosa é iniciativa gratuita de Deus, uma proposta misteriosa que exige resposta generosa.

Lembro-me de dois jovens ‘vocacionados’ que um dia me perguntaram: o que a Companhia de Jesus poderia nos oferecer? Escutei chocado e apenas respondi: Oferecer?... Mas, são vocês que devem se colocar a serviço!... Nunca mais voltaram!

A vocação não é promoção social nem decisão de momento, mas ponto culminante de um processo de crescimento humano e espiritual. As vocações tipo ‘relâmpago’, aquelas que brilham muito e fazem bastante barulho, costumam acabar escandalosamente cedo, pois não tem suporte pessoal e institucional. Igualmente, aquelas que se enquadram no mundo das probabilidades: ‘possivelmente vai melhorar com o passar do tempo...’ A vida costuma complicar mais o que já agora parece difícil. Candidatos sobre os que se têm dúvidas sérias, não deveriam ser admitidos.

É preciso estar apaixonado pela pessoa e a proposta de Jesus para decidir livremente a vida e colocá-la a serviço, sem contabilizar ganhos ou perdas interesseiramente.

Muitos jovens sentem no coração o desejo de se oferecer ao Senhor por inteiro, mas poucos concretizam esse desejo. O que falta? Discernimento? Capacidade? Coragem? Anos atrás, quando partia para o Noviciado dos jesuítas, escutei uma voz interior que me fortalecia: ‘Não tenha medo! Você não é o primeiro e também não será o último!...’ Se não damos o primeiro passo, jamais chegaremos a lugar algum.

Toda vocação passa pelo crivo da purificação. É necessário burilar arestas, corrigir motivações e ações, para ser mais honesto nas formas de amar.

Uma pergunta: O que você pensa dos que decidem pelo sacerdócio ou a vida consagrada?  


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