Introdução ao AT: Juízes de Israel (1200-1020 aC)...

A conquista da Terra de Canaã é narrada fundamentalmente nos livros de Josué e dos Juízes. Eles apresentam uma dialética: Terra como dom de Deus e também como conquista do povo.

O deserto foi uma etapa provisória, entre o Egito e Canaã, e ao mesmo tempo de aprendizado. Da passividade no deserto passa-se agora à agressividade, dinamismo próprio da adolescência de Israel.

Eis uma nova fase desse povo que crê: colaborar na obra de Deus. Surpresa desagradável foi a de perceber que a Terra Prometida, dom de Deus, estava também ocupada por outros habitantes: os cananeus e os filisteus.
           
Somos fruto da nossa criação e da nossa liberdade. Somos responsáveis por nós mesmos e convidados também a colaborar positivamente na obra de Deus.
           
Israel compreendeu, aos poucos, que precisava viver junto dos outros povos: o dom é para ser compartilhado. Os protagonistas não são só os Israelitas, mas também os Cananeus (descendentes de Cam, filho de Noé) e os Filisteus.

A terra dada não é só exclusiva de Israel, mas deve ser partilhada com os povos que ali habitam. Isso é um problema até os dias de hoje. O perigo da convivência é contaminar-se pela cultura e religião dos mais fortes, mas também podem se enriquecer, sem perder a própria identidade.

Os profetas surgirão no tempo da monarquia para falar contra a perda desta identidade religiosa.

Os séculos XII e XI aC foram de grandes perturbações nesta terra. Os Israelitas entraram na terra de Canaã e ocuparam a zona montanhosa central, pois a planície do litoral estava ocupada pelos filisteus. Na montanha podiam se defender melhor. Esta conquista da terra durou dois séculos

O livro dos Juízes foi escrito no período da monarquia, por isso fala mal deste período confuso. O caos acontecera porque as tribos israelitas estavam separadas pelas colônias dos Cananeus. A única autoridade era aquela que surgia diante da ameaça dos inimigos e ela durava, apenas, durante aquele período emergencial. Esses “líderes” de Israel, defensores do povo, foram chamados de ‘juízes’, pois defendiam o direito dos injustiçados.
           
Os ‘juízes’ foram muito diferentes: alguns tiveram uma experiência de vocação divina, outros eram verdadeiros bandidos, mas todos defenderam suas tribos dos inimigos assaltantes. 

O livro de Josué é de grande brutalidade. Muitas guerras de religião se basearam em interpretações fundamentalistas destas cenas violentas.

O ambiente social era muito desordenado. Cada tribo se governava a si mesma como podia, e o que lhes unia era a fé no mesmo Deus.

Débora (1125 aC) foi uma juíza que venceu Sísara e seus comparsas na planície do Esdrelão. O jovem Gedeão, da tribo de Manasses, defende sua tribo do ataque dos filisteus montados em seus camelos domesticados. Os israelitas ficaram apavorados! Jefté foi lutar contra os amonitas, e vencendo-os sacrificou à própria filha... Tal vez o mais famoso e mais insano seja Sansão, que defendeu como pode a tribo de Judá dos filisteus.

Em 1050 aC, surge a imensa figura de Samuel, consagrado a Javé como nazireu, e que ungirá Saul (+1004), como primeiro Rei de Israel.

Uma pergunta: O que tudo isso tem a ver com você?



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