Dietrich Bonhoeffer (1906-1945): Testemunha maravilhosa de Jesus...

Por que matamos sempre os melhores? 
D. Bonhoeffer era de uma família das mais aristocráticas da Alemanha luterana. O pai, neurologista e psiquiatra, não se declarava cristão. Contudo, a família estava embebida pelo profundo sentimento religioso da mãe.

Dietrich, aos oito anos, começou a ter aulas de piano e a ler, com grande habilidade, as partituras. Aos 10 anos, executava já as sonatas de Mozart. A música sempre fez parte essencial da sua vida. Aos 14 anos de idade tinha o sentimento de que Deus o pegara para si, e declarou que seria teólogo. Obteve o doutorado em teologia aos 21 anos, e a sua tese foi intitulada Sanctorum Communio.

Este homem era vital, ardente, impulsivo, curioso e sociável: "Ele realmente anunciava – disse um amigo – o Evangelho às pessoas da rua". Fascinava os amigos e os seus estudantes, e ele ria de bom grado.

Aos poucos, a Bíblia o possuía, e se sentia invadido pela felicidade cristã: "A alegria autêntica é algo incompreensível, seja para os outros seja para quem a experimenta...".

Ele lia a Bíblia e escolhia um texto que mantinha presente durante a semana, tentando mergulhar em profundidade. Às vezes, detinha-se por horas e dias em uma única palavra, antes de experimentar o toque interno de Deus.

Ele foi um grande teólogo e o Discipulado (1937) a sua obra-prima. Sua vocação mais profunda era a de ser pastor: rezava e pregava com devoção.

"Os seres humanos – escrevia – precisam de pastores: Cristo era o pastor, e nós devemos ser pastores como ele". "Quando vocês o viam pregar – lembra uma velha amiga –, viam um jovem irresistivelmente tomado por Deus".

Viajou para os Estados Unidos (1939), onde permaneceu por cerca de dez meses. Essa permanência teve influência decisiva sobre a sua fé. Bonhoeffer se perguntava: "Mas nos Estados Unidos, ainda existe o cristianismo? Não faz nenhum sentido esperar frutos onde a Palavra de Deus não é mais pregada nem vivida...".

Mas, foi justamente ali, nos Estados Unidos, onde Cristo parecia ter desaparecido, que Bonhoeffer descobriu um sinal muito vivo da sua presença, sobre tudo nas igrejas dos negros, onde o Evangelho era pregado com a força da fé. Ele gostava muito dos spirituals, e ia ouvi-los no Harlem.

Não existem duas realidades, mas somente uma realidade, e essa é a realidade de Deus na realidade do mundo".

Cristo era o Encarnado, completamente humano e nada nosso lhe era estranho. "O homem que eu sou – dizia – Jesus também foi...". “Cristo humilde e humilhado entrou livremente no mundo do pecado e da morte. Entrou de modo escondido, não sendo reconhecido mais como Deus; andou desconhecido, como mendicante, marginalizado entre os marginalizados, sem pecado entre os pecadores e até como pecador entre os pecadores...”

“Deus ama o que é pequeno e baixo; o que está perdido, o insignificante, o fraco e quebrado. Ele não se envergonha com a limitação humana: adentra nela e realiza maravilhas onde ninguém esperava... Assim o mundo se transforma. Não existe nada, por mais incrédulo e perdido que não seja acolhido por Deus em Jesus Cristo e reconciliado com ele. Quem tem fé não pode falar do mundo como se fosse totalmente perdido e separado de Cristo. Cristo morreu para dar vida ao mundo...”.

Bonhoeffer nunca fugiu do real, e a única vez que o fez – em 1939 e por um curto período nos Estados Unidos, foi para evitar o horror do nazismo. O Pai nunca abandonou o Filho, e muito menos na Cruz...”.

Bonhoeffer sentiu e compreendeu que a Palavra divina sobrevinha chamando para o seu serviço. Ele se encontrou no profeta Jeremias. Todos trataram Jeremias como sonhador, inoportuno e inimigo do povo, como são xingados os que foram seduzidos por Deus. Bonhoeffer não era mais dono de si mesmo. "Senhor, tu me seduziste, e eu me deixei seduzir...” Ele escutara as palavras de Jesus: "Segue-me!". E ele foi.

A palavra de Jesus tinha autoridade máxima e imediata; ela exigia obediência, aceitação incondicional e seguimento.

Jesus tinha dito: "Se alguém vem a mim, e não odeia seu pai, sua mãe, a mulher e os filhos, os irmãos e as irmãs, e até mesmo a sua própria vida, não pode ser meu discípulo...". O pedido de Jesus fazia do seu discípulo uma pessoa sem pai, sem mãe, sem filhos, irmãos e irmãs, e até mesmo sem a si mesmo e o jogava na mais absoluta solidão, precariedade e insegurança. Confiemo-nos ao Senhor... Por isso, as amizades de Bonhoeffer eram totais e apaixonadas.

Em 1931, os grupos de jovens da Igreja Luterana foram aliciados pela Juventude Hitlerista e os novos pastores obrigados a jurar fidelidade a Adolf Hitler. Bonhoeffer nunca aceitou essa submissão: "... com esse tipo de Igreja, identificada com o Nazismo, não temos nada em comum...".

Em 1942, conheceu Maria von Wedemeyer, uma jovem de 18 anos, cheia de frescor, inteligência e sensibilidade e Bonhoeffer ficou encantado. No ano seguinte, foi encarcerado pela Gestapo, perto de Berlim. A sua vida não mudou. Todas as manhãs, meditava meia hora sobre um versículo da Escritura e recitava orações de intercessão pelos amigos, pelos pais, pelos parentes e pelos pastores da Igreja Luterana que estavam nos campos de concentração. Na cadeia, era afável e gentil com todos, até com os guardas... Pouco depois, foi transferido para uma prisão subterrânea e enforcado no dia 9/ABR/1945.

Fica a pergunta: Por que matamos sempre os melhores?


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