Orar com Francisco... (Dr. Alex Villas Boas)


No século XIII, Deus disse a humanidade que éramos todos irmãos, por meio de um Francisco, e este nos ensinou a rezar, pedindo a paz como sinal dessa fraternidade. Agora, no século XXI, Deus volta a nos falar de fraternidade e cuidado da casa comum como reverência a toda a criação, por meio de outro Francisco, que nos ensina de novo a direcionar nossos desejos de paz. Em gratidão aos três anos de Pontificado de Francisco, queremos rezar juntos como irmãos.

Oração de São Francisco de Assis
Oração pela Paz com o Papa Francisco
1. Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz;
1. Senhor, “infundi em nós a coragem para “trabalhar pela paz” de modo que o “estilo da nossa vida se torne: shalom, paz, salam!” (Invocação pela Paz, Celebração do XLIX Dia Mundial da Paz)
2.Onde houver ódio, que eu leve o amor;
2. Onde houver “níveis alarmantes de ódio e violência” e “odiosas generalizações”, que possamos levar o “nome de Deus que é misericórdia (EG, 61, 253).
3.Onde houver discórdia, que eu leve a união;
3. Onde houver feridos por antigas divisões”, que possamos mostrar que “não ignoramos a sua dor ou pretendemos fazer-lhes perder a memória”, mas que possamos ser testemunhas do “Espírito que harmoniza todas as diversidades” e deseja selar um “pacto cultural” e assim fazer surgir uma “diversidade reconciliada” e uma “ecologia cultural (EG 230, LS, 143).
4.Onde houver dúvidas, que eu leve a fé;
4. Onde houver “dúvidas” ou “fases de aridez, até de um certo cansaço”, que saibamos oferecer “uma pedagogia que introduza a pessoa passo a passo até chegar à plena apropriação do mistério” (EG, 54, 171)
5.Onde houver erros, que eu leve a verdade;
5. Onde houver “erros”, que saibamos ensinar que “não se aprende apenas das virtudes dos santos, mas também das faltas e dos erros e não nos preocupemos só com não cair em erros doutrinais, mas também com ser fiéis a este caminho luminoso de vida e sabedoria e assim ajudar as pessoas a chegar a um estado de maturidade, isto é, para que as pessoas sejam capazes de decisões verdadeiramente livres e responsáveis porque é frequente dirigir aos defensores da “ortodoxia” a acusação de passividade, de indulgência ou de cumplicidade culpáveis frente a situações intoleráveis de injustiça e de regimes políticos que mantêm estas situações” (Discurso à Associação Internacional de Direito Penal, EG, 194, 171).
6.Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
6. Onde houver “ofensas” e “violação da dignidade pessoal” que saibamos reconhecer que “a bondade não é fraqueza, mas verdadeira força capaz de renunciar à vingança”, e assim romper o “círculo” de “violência (EG 213, Encontro com crianças na Albânia)
7.Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
7. Onde houver “vidas ceifadas por falta de possibilidades”, que saibamos ensinar a “pedir a graça da esperança que não é otimismo, mas uma força que ressuscita e infunde a coragem para olhar o futuro” (EG 54, Entre memória e esperança, Misericordiae vultus, 10).
8.Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
8. Onde houver uma “tristeza individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada” ou “pessoas que se vergam à tristeza por causa das graves dificuldades que têm de suportar [...] especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais – sem terra, sem teto, sem pão, sem saúde – lesadas em seus direitos que saibamos ajudar a compreender que a “alegria não se vive da mesma maneira em todas as etapas e circunstâncias da vida, por vezes muito duras” porém, adapta-se e transforma-se, e sempre permanece pelo menos como um feixe de luz que torna “possível desenvolver uma nova capacidade de sair de si mesmo rumo ao outro” (EG 191, 6; LS 208).
9.Onde houver trevas, que eu leve a luz.
9.Onde houver “tantos anos e tantos momentos de hostilidade e escuridão, abri os nossos olhos e os nossos corações”, que possamos ajudar a compreender que “encontra-se o amor de Deus dentro de nós, inclusive nos momentos obscuros, e assim caminhemos rumo à luz (Invocação pela Paz, Encontro com crianças pelo Pontifício Conselho para a Cultura).
10.Ó Mestre, fazei com que eu procure mais consolar, que ser consolado;
10. Ó “Mestre de vida, mais do que um mestre de doutrina”, fazei que procuremos apenas encontrar “a consolação de uma Igreja-mãe que sai de si mesma” e renunciar as “consolações feitas por nós” mesmos que “não servem porque assim o coração “não se torna humilde” (Pentecostes de 2014, Sair para dar a vida).
11.Compreender, que ser compreendido;
11. Que a “centralidade da misericórdia” reflita no “discernimento” que “significa não fugir, mas ler a realidade seriamente, sem preconceito” para melhor “compreender até onde chega a sua misericórdia”, “melhor nos conhecermos e compreendermos  e assim elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação”, pois “realidade é mais importante do que a ideia (Aula Magna na Pontifícia Faculdade de Teologia de Sardenha , Misericordiae vultus, 23, EG 231).
12.Amar, que ser amado;
12. Que “toquemos a miséria humana, que toquemos a carne sofredora dos outros e renunciemos a procurar aqueles abrigos pessoais ou comunitários que permitem manter-nos à distância do nó do drama humano, a fim de aceitarmos verdadeiramente entrar em contato com a vida concreta dos outros e conhecermos a força da ternura” (EG 270).
13.Pois é dando que se recebe;
13. Pois é renunciando a ser uma Igreja “autoreferencial” que se redescobre o “sacrificar-se com alegria” e a “alegria de crer”, para melhor sermos uma “Igreja pobre e para os pobres”, que aprende com a “sabedoria dos bairros populares”, capaz de “tecer laços de pertença e convivência que transformam a superlotação numa experiência comunitária, onde se derrubam os muros do eu e superam as barreiras do egoísmo (Visita a Kangemi, EG 95, 86, LS, 112).
14.É perdoando, que se é perdoado;
14. É “reconhecendo, em primeiro lugar, que somos pecadores e depois alargar o coração até esquecer as ofensas recebidas”, pois “para sermos misericordiosos” é necessário o “conhecimento de si mesmos e alargar o coração” (Cristãos disfarçados).
15. E é morrendo que se vive para a vida eterna.
15. É morrendo para tudo que leva a “despersonalização da pastoral” que por sua vez “leva a prestar mais atenção à organização do que às pessoas” vivendo “num estado de absoluta dependência dos seus pontos de vista frequentemente imaginários” que podemos viver para “tornar o Reino de Deus presente no mundo” e crescermos na consciência do cuidado pela casa comum de que são “inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior” (EG 82, 176, A Curia Romana e o Corpo de Cristo, LS, 10).


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