Muçulmanos abrem e fecham a basílica do Santo Sepulcro…

 Sou puxado por ventos e sonhos contrários...


A Igreja do Santo Sepulcro, século IV, em Jerusalém, só tem uma grande porta de entrada. E a chave dessa porta fica com uma família muçulmana por centenas de gerações.

Para entender esta estranheza precisamos voltar séculos. O Sultão Saladino (1138-1193)conquistou Jerusalém em 1187. E para que a basílica não fosse destruída por outros loucos invasores entregou a chave de ferro, grande 20 cm, a uma família muçulmana que, desde então cumpre o sagrado ministério de trancar a porta às 19h e destrancar às 04h da madrugada. 

Essa estranha chave é a única que abre ou fecha as imponentes portas de madeira da velha basílica.

Outra família muçulmana diferente empurra as portas para as abrir ou fechá-las.

A Igreja do Santo Sepulcro é um 'condomínio' de seis diferentes igrejas cristãs, todas muito antigas: Católica, Ortodoxa Grega, Ortodoxa Armênia, Ortodoxa Síria, Etíope Ortodoxa e Copto Ortodoxa, cada uma das quais tem uma comunidade de monges que vivem encostadas ali.

Nos séculos passados os relacionamentos entre essas comunidades cristãs não foram fáceis, e por vezes ficavam em pé de guerra para não perder o controle das partes que cada uma ocupava em séculos de história.

Cada dia, quando as portas da Igreja se abrem, membros das duas famílias muçulmanas se encontram: uma por que é proprietária da histórica chave (ver fotografia) e a outra para empurrar as portas, sempre supervisionados por um clérigo católico e outro ortodoxo. 

Evidentemente, este ‘laborioso trabalho’ é dignamente compensado economicamente pelos religiosos cristãos.

O 'status quo' de 1853 rege a vida litúrgica dessas igrejas: horários das celebrações, idiomas das missas, e até a rota de uma procissão solene são prefixados e definidos antecipadamente... Qualquer mudança pode acabar em discórdia e violência entre os clérigos. Quando isso acontece, a polícia de Israel entra para pacificar as partes. 

Ultimamente, graças a Deus e à boa vontade, as igrejas se entendem melhor e colaboram fraternalmente.


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