23º DTC: RELAÇÕES SADIAS E RECONSTRUTORAS... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles... (Mt 18,20)

Tudo na vida gira em torno das relações: com Deus, consigo mesmo, com os outros, com a natureza. Famílias saudáveis, grupos saudáveis, comunidades saudáveis, vidas saudáveis, ambientes saudáveis... falam de relações saudáveis.

No evangelho de hoje é muito relevante a preocupação pela vida interna da comunidade; não de perfeitos, mas de irmãos que reconhecem suas fragilidades e precisam de apoio para superar seus limites. As rupturas podem acontecer, mas o importante é superá-las.

Jesus não só revelou a verdadeira identidade de Deus, mas mostrou que o caminho para a transformação pessoal consiste, também, na correta vivência na relação com os outros.

De fato, a pessoa humana não se pode realizar sem os outros. Realiza-se quando, livre e voluntariamente, conhece e é conhecida, ama e é amada, compreende e é compreendida. A reciprocidade das relações é a que permite integrar a igualdade e a diferença, a identidade pessoal e a identidade do outro, buscando chegar à comunhão e à unidade. As relações humanas são o centro de tudo.

Relacionar-se é a grande e única finalidade da vida do ser humano. A pessoa existe graças à relação e para a relação; amadurece e se humaniza na relação.

Mas, é na relação que emergem nossas riquezas e nossas pobrezas humanas. Todos temos limites que fragilizam os laços comunitários. A gestão das relações interpessoais exige equilíbrio e sabedoria. Precisamos de sabedoria para aceitar a realidade, acolhê-la e cuidá-la, para ir transformando por dentro. Não podemos nos conformar com a mediocridade da comunidade.

O sentido da comunidade cristã é a ajuda mútua. “Ajudar” exige um coração magnânimo, grandeza de sonhos, de ânimo e de desejo. O “ajudar” não vai na linha do impor, senão do propor.

A comunidade deve ser sacramento (sinal) de salvação para todos. E a indiferença, é seguramente o pecado mais difundido em nossas comunidades cristãs. O papa Francisco continuamente nos apela a passar da “cultura da indiferença” à “cultura do encontro”.

A comunidade é, pois, o lugar da “correção fraterna”; e o critério para a correção não é a lei mas a presença de Jesus que está no meio da comunidade. Quando a correção é feita a partir da lei, assumimos a posição de juízes, rompemos a comunhão e caímos no legalismo.

Todos devem “corrigir-se” mutuamente, tendo os olhos fixos em Jesus.

A presença de Jesus na comunidade é sempre horizonte inspirador para que todos cresçam na identificação com Ele. Nesse processo de crescimentos os ritmos são diferentes para cada pessoa. A correção significa estima e confiança no outro, pois ele é maior que suas falhas.

A correção fraterna não é tarefa fácil; por duas razões: 1º O que corrige pode humilhar àquele que é corrigido. 2º O corrigido pode rejeitar a correção por falta de humildade.


Lealdade, igualdade, serviço, acolhimento, inclusão, solidariedade... são alguns dos frutos de uma comunidade saudável.


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