2018: Ano do laicato... (cf. Cesar Kuzma)


A hora dos leigos. Foi o que pensou o Concílio Vaticano II e, em 2016, o Papa Francisco resgatou esta ideia.
Mas, de que leigos exatamente se fala? Não de `leigos clericalistas´, obsessivos e fundamentalistas, que caem num moralismo radical, e na obsessão da doutrina. O Concílio trouxe ao `leigo autonomia e corresponsabilidade na missão´, podendo este agir e atuar de um modo próprio.
Neste Ano do Laicato, lembremos o Documento 105 da CNBB, que faz dos leigos `sujeitos´ da Igreja e do Mundo. E isso, sem separar essas realidades (Igreja e Mundo), entendendo o compromisso da Igreja no mundo, não como um confronto, mas como um diálogo, onde ela é mestra e pode ensinar, mas também pode aprender. Não se pode absolutizar nenhum modelo, pois como Igreja somos sinal e testemunhas de algo maior, que transcende e aponta para o absoluto da existência e da história. 
Ser sujeito eclesial, hoje, significa: 1. Ser autêntico e coerente com a fé que professamos (Doc. Aparecida); 2. Testemunhar com a vida em todas as realidades, buscando a abertura e a mansidão, o desprendimento e a misericórdia, a alegria e o amor; 3. Não é ser combativo, mas também não ter medo dos conflitos que fazem o alvorecer de novas primaveras; 4.  Ser testemunha do encontro vivo com o Ressuscitado; 5. Ser mistagogo, promotor de comunhão, atento ao mistério de Deus sempre maior. É se coloca ao lado dos outros, principalmente dos pobres e perseguidos.
Uma Igreja em saída; sair das sacristias e das catedrais e viver no mundo, aceitando a fraqueza da história e os limites da missão, mas sabendo que o Reino cresce pela força do Espírito Santo, e não pela locução de um ministro ou de quem quer que seja.
O Reino não é uma instituição de pedras ou de doutrinas, mas um espaço de amor, justiça e paz, onde todos podem viver e se manifestar. Juntamente com o Evangelho, o Concílio proclama a bem-aventurança dos pobres e de uma igreja de serviço, disposta a resgatar a vida dos dramas humanos. Isso não é socialismo ou comunismo, isso não é ideologia, mas é a utopia que se deve buscar a partir da experiência que fazemos na fé, alimentada na esperança e fortalecida no amor. 
Esta intenção do Concílio foi recepcionada na América Latina com uma nova linguagem, adaptada à realidade e garantindo a essência. Uma Igreja protagonista, profética e sensível ao Continente, marcado por uma colonização massacrante, dominação estrangeira, ditaduras militares e exploração humana. Nesta Igreja os leigos foram chamados ao protagonismo e receberam de seus pastores o apoio para empreender um jeito novo, e um novo canto mais festeiro, e rico na fé que existe e insiste em se manter acesa, mesmo diante de tamanha pobreza e opressão. A Igreja torna-se una na diversidade e a variedade de rostos e carismas torna a sua identidade ainda mais bela. É uma Igreja poliédrica, católica e ecumênica. 
Onde há divisão não pode haver o Espírito. Onde há certezas não há espaço para a fé. Onde há ódio, não se pode viver o amor.
Uma estrutura clericalista e farisaica olha mais a lei do que à pessoa. Falta o frescor do Evangelho. É impossível sustentar a fé só de doutrina e não se vive um novo modo de proceder, atento ao que gritam os homens e as mulheres e a própria terra. Faz-se necessário voltar-se a Jesus, ao filho de Maria e José, ao amigo de Pedro e Tiago, aquele que nos chama pelo nome. Ele estava mais atento às pessoas do que a Lei, a Deus mais do que ao Templo vivendo o amor do Pai no dom de si. 
É a hora dos leigos? Sim, é hora e agora. É a hora de um povo que fala, que reza, que luta, trabalha e professa. É o povo de Deus, transformando esta terra.

Que o olhar atento a Jesus de Nazaré nos mostre o caminho e que a comunhão nos fortaleça, sempre.


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