ORGULHO...


O orgulho é uma insistência teimosa em ser o que não somos e que nunca fomos destinados a ser. O orgulho é uma necessidade profunda e insaciável de irrealidade, uma demanda exorbitante para que os outros acreditem na mentira sobre nós mesmos, e em que nós nos obrigamos a acreditar.
O orgulho infesta ao mesmo tempo a pessoa humana e toda a sociedade em que vive. Infestou todas as pessoas no orgulho original de Adão. Tem como efeito secundário o que os teólogos chamam concupiscência: a convergência de toda paixão e de todo sentido sobre o si-mesmo. O orgulho e o egoísmo reagem então um sobre o outro num círculo vicioso, cada um aumentando muito a capacidade do outro de destruir nossa vida.
O orgulho é simplesmente uma forma de suprema e absoluta subjetividade. Ele vê tudo e todos a partir do ponto de vista de um si-mesmo limitado e individual, constituído o centro do universo. Vemos e sentimos subjetivamente como se fôssemos o centro das coisas, uma vez que assim fomos condicionados. Mas o orgulho entra em cena e eleva esse sentimento subjetivo a um absoluto metafísico. O si-mesmo precisa ser tratado como se, não apenas em sentimento, mas fato real, o universo inteiro girasse em torno dele.
A concupiscência é então colocada a serviço do orgulho para provar essa única tese metafísica obsessiva.Se eu for o centro do universo, então tudo é meu. Posso reivindicar para mim tudo o que há de bom sobre a terra. Posso roubar, prejudicar e oprimir os outros. Posso apoderar-me de tudo o que me agrada, e ninguém pode opor-se a mim. E, ao mesmo tempo, todos me devem respeito e amor como a um benfeitor, um sábio, um líder... Devem permitir que os explore, que tire deles tudo o que têm e, além de tudo isso, têm de curvar-se, beijar meus pés e tratar-me como um deus. (Thomas Merton, "O Homem Novo", Vozes 2006, pág. 51-52.)

O orgulhoso é um coitado da natureza!


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