Profetas de hoje reabilitados...


Vivemos realmente uma mudança de época. O que em outros tempos poderia parecer normal, hoje nos parece um escândalo. Daí a confusão dos tradicionalistas com o Papa Francisco, pois ele gostariam que tudo continuasse como era. E não é por ser argentino ou jesuíta, mas porque a sensibilidade nos pede novas formas e modos de proceder para sermos mais conformes ao evangelho. As resistências não são poucas. Como no Éxodo, foi mais fácil tirar o povo do Egito, do que tirar Egito da cabeça daquele povo. 

Instituições e estruturas decadentes desaparecem, e surgem novas formas mais fraternas de ser e de viver.

No seu último e importante documento, a exortação apostólica Gaudete et exsultate, o Papa Francisco procura levar a Igreja de volta ao básico do Evangelho. Ser santo não significa revirar os olhos num suposto êxtase (GE 96), mas viver com alegria as Bem-aventuranças (Mt 5, 1-12) e estar atento ao grande critério do Juízo Final (Mt 25, 31-46).

O Papa diz que somos bem-aventurados (isto é, santos) quando somos mansos e misericordiosos, pobres de espírito e puros de coração; pacificadores e pessoas que têm fome e sede de justiça, padecemos com os outros e aceitamos que, por causa de tudo isso, sejamos ridicularizados e perseguidos.

Mas, por causa das regras e dos regulamentos canônicos, nos transformamos em pessoas rígidas e nada fraternas. 

É isso que estamos vendo e vivendo. Alguns, os mais rígidos se opõe ao Papa Francisco, enquanto a maioria percebemos o reclamo do Evangelho. O Papa não cansa de pedir perdão por comportamentos, passados e presentes, que ofenderam gravemente algum grupo de pessoas. Agora, com seus gestos, reconhece os que sofreram nas mãos da Igreja pela sua escolha radical de ser e viver.

A última figura destacada foio o Pe. Zeno Saltini (1900-1981), um padre italiano que fundou uma comunidade nos anos de 1940, para cuidar de órfãos de guerra e das crianças abandonadas. Comunidade onde não haveria propriedade privada e tudo fosse em comum. Era Nomadelfia (que significa “a lei da fraternidade”) que o Papa acaba de visitar, 10/MAI, mas que em 1952, o Santo Ofício ordenou ao Pe. Zeno que deixasse Nomadelfia, com mais de 1.100 habitantes na época. Hoje o Pe. Zeno está em processo de canonização.

No ano passado, ele rezou nos túmulos de dois outros padres italianos Primo Mazzolari (1890-1959) Lorenzo Milani (1923-1967). Os dois sofreram o indizível pelas suas posições progressistas sobre pacifismo, ecumenismo e igualdade social.

A visita do Papa Francisco aos túmulos desses novos profetas foi aplaudida por muitos. No mês passado, o papa visitou o túmulo de outro profeta , o bispo Tonino Bello (1935-1993). Pastor com “cheiro de ovelhas”! Este bispo dizia que as únicas vestes que a Igreja precisava eram o Evangelho e um aventalpara lavar os pés dos outros, como Jesus fez.

E outros muitos aguardam para serem ainda reconhecidos. Quiseram silenciá-los, mas o Papa Francisco os ressuscita, hoje, diante de todos.

Eu fico contente com isso. E você?


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