Amores líquidos?...


 Vivemos um tempo de transição, onde padrões, códigos, regras que antes regiam se desconstruíram. Na modernidade líquida (cf. Bauman), onde nada é sólido ou permanente, a sociedade se enfraquece e cada um é o que pode ser.

Caminhamos e nos relacionamos na neblina, sem ter certeza de nada! É a fragilização das relações sociais e afetivas. Tudo é frágil, individual e descartável. Não temos mais o hábito de consertar algo que se estragou; a gente troca acompanhando o ritmo alucinante dos acontecimentos; jogamos fora esse objeto e o substituímos por outro novo. O importante não é o produto funcionar, mas poder escolher, comprar e possuir outro novo e atual.

Este modelo, tudo se tem, mas nada se retémfoi transferido para as relações afetivas. Com o auxílio das redes sociais e aplicativos, cada vez mais acessíveis se escolhem as pessoas ‘pela capa’ ou sexo; e depois, se encontramos algo que nos desagrade, basta desconectar, bloquear, e trocar por um outro. Vivem-se diversas identidades em momentos diferentes.

A nova forma de se relacionar na `modernidade líquida´ é o descompromisso, o antigo `ficar´. Todos podem trocar seus parceiros por outros melhores. Vamos ver se nos entendemos, comentava um casal na minha frente, você é minha prioridade, mas não exclusiva. E eu não sou sua propriedade, meu amor... 

O amor escorre feito água; é instável e não dura por muito tempo. E encontrar alguém para fazer dos relacionamentos algo permanente, é um grande desafio. Os sentimentos mudam constantemente. Precisa ter muita coragem para caminhar pela neblina, e não se perder no mundo das miragens e das drogas...

A insegurança, inspirada pela modernidade líquida, estimula desejos conflitantes: estreitar laços e ao mesmo tempo mantê-los soltos... Depressão, violência, síndrome do pânico, suicídios são algumas das consequências desta nova situação.

Como lidar com isso? Viver o presente. Aonde vou e a quê?... perguntava-se constantemente Inácio de Loyola. Exercite a atenção, para não se perder em novas `janelas´. Trabalhe sua autoestima, para não cair em relacionamentos negativos e conflituosos...

Na dimensão do ter, uns podem TER mais e outros menos, mas na dimensão do SER todos somos iguais perante a lei, e amados imensamente por Deus.

Se conseguir estar sempre atento (ao outro e a si mesmo), e consciente do momento presente, embora não tenhamos por enquanto parâmetros sólidos, pode ser que o amor líquido se transforme paulatinamente em algo mais consistente e significativo...

E termino com um pensamento da Madre Teresa de Calcutá: Os filhos são como águias. Ensinarás a voar, mas não voarão o teu voo. Ensinarás a sonhar, mas não sonharão os teus sonhos. Ensinarás viver, mas não viverão a tua vida. Mas, em cada voo, em cada sonho e em cada vida permanecerá para sempre a marca dos ensinamentos recebidos...




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