3º DTQ: O CÍRCULO INFERNAL DA CULPA... (Pe. A. Palaoro SJ)

Pensais que eram mais culpados do que todos os outros moradores de Jerusalém... (Lc 13,4)



O evangelho deste domingo, exclusivo de Lucas, apresenta uma reflexão sobre a conversão, em forma de parábola, a partir de dois acontecimentos trágicos que causaram comoção no povo judeu. E o relato traz à tona o eterno problema: é o mal consequência de um pecado?Assim pensavam alguns judeus no tempo de Jesus e assim continuam pensando muitos cristãos hoje. Isso é uma “visão distorcida” de Deus, pois leva a acreditar que tudo o que acontece é manifestação de sua vontade. Os males são considerados castigos e os bens são considerados prêmios.

Os judeus pensavam que a enfermidade eram consequência do próprio pecado. Por isso, os que sofriam qualquer calamidade ou enfermidade se convertiam em objeto de juízo condenatório por parte dos outros e se sentiam acuados por um angustiante sentimento de culpa e desespero. A desgraça os limitava; a culpabilidade os afundava. Jesus se declara contra essa maneira de pensar. Nenhuma desgraça devemos atribui-la a um castigo de Deus.

sentimento de culpa pode ser paralisante, ameaçador e obstáculo tanto para o desenvolvimento de uma comunidade humana quanto para o crescimento de uma pessoa. Esse sentimento acaba afundando existencialmente as pessoas, e “Deus” converte-se em um ser opressor. Assim como Deus nos libertou do pecado...  torna-se urgente libertar Deus da culpa.

consciência responsável nos move para a reparação e a conversão (“metanoia”)pedidas pelo evangelho.“Se não vos converterdes, todos perecereis”. A expressão metanoia” significa mudar de mentalidade, ver a realidade a partir de outra perspectiva...

Jesus diz que todos somos igualmente pecadores, e precisamos mudar de rumo. Se somos nós que caminhamos para o abismo, só nós podemos mudar de rumo. Todos devemos assumir a responsabilidade de nossas ações. Se não respondemos humanamente aos diferentes desafios da vida, estaremos provocando nosso próprio desastre.

Libertados do “círculo infernal da culpa” podemos aderir à novidade do Reino, na plenitude da alegria e da festa. Temos diante de nós a nobre missão de transformar a realidade em Reino, e isso não era possível enquanto vivíamos aprisionados nas malhas da culpa; enquanto a lei, o pecado e a culpa nos enredavam, não era possível perceber a novidade do Reino, que conduz à própria liberdade e à dos outros, à própria aceitação de si mesmo e à aceitação dos outros.

“Deus de Jesus” é Aquele que nos descentra e nos lança à realidade, com toda a dureza que esta pode nos apresentar em muitos momentos de nossa existência, Ele nos dinamiza para que trabalhemos na busca de soluções.

Só Jesus nos tira do círculo infernal da culpa.


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