Uma casa aberta aos pobres...


Alguns de vocês talvez conheçam o meu amigo Sobrinho, nordestino de nascimento e carioca de coração. O homem tem 81 anos, e se consagrou a Nossa Senhora, como Congregado Mariano, na sua juventude. Fiquei na casa dele nos dias 17 e 18/ABR, e vou contar o que vi... 

A casa deste homem idoso, com um coração enorme, é uma bênção. Cheguei na quarta-feira da Semana Santa, na hora do almoço. Uma mesa grande, coberta com um plástico de flores, almoçamos arroz, feijão, quiabo e carne moída, tudo acompanhado por um delicioso suco natural de limão; pela mesa passaram, em horários diferentes, umas 12 pessoas, todas pobres. 

Após o almoço, do quartinho que me destinaram, ouvi gritos fortes de diversas pessoas: TENHO FOME!... E lá vão algum daqueles comensais para o portão do terreno levar um prato de comida para pessoas famintas. Eram pobres alimentando outros irmãos mais pobres...

Tive a sorte de conhecer dona Ângela, 52 anos, com aparência de mais de 70; prostituta pobre, raça negra, dois filhos bem situados na Europa, e ela em situação de rua. Numa pequena mochila levava tudo o que tinha: quase nada!

Sobrinho conhecia esta mulher faz mais de 20 anos. Adentrou na salausando uma saia curtíssima; cumprimentou-nos com um beijo, se dirigiu ao banheiro, tomou banho e saiu com uma saia ainda mais curta; Viciada em craque, voz baixa, e sem alguns dentes... Ramón, ela chegou a morar em Copacabana. Casou com um estrangeiro; morou na Europa por mais de 12 anos... fala espanhol, italiano, inglês, francês e alemão razoavelmente... Quando ela soube que eu era padre me abraçou, beijou e se emocionou pedindo ser abençoada... Lembrei do Evangelho de Jesus...

Teria muito mais a narrar, como a ceia para mais de 300 pessoas em situação de rua que aconteceu às 19 horas, e os comensais: homens, mulheres e muitas crianças... mas eu preciso parar e ruminar melhor o que vi, ouvi e senti...

Deus seja louvado por tantas pessoas que se fazem voluntariamente amigos dos pobres...



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