Amazônia: desafio para a Igreja e a humanidade...


O mês de OUT se aproxima e com ele a Assembleia do Sínodo dos Bispos (6 a 27/OUT/2019), sobre Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral. Sínodo que aterroriza à cúpula militar (intromissão na soberania nacional?) e aos católicos ultra-conservadores (mudanças estruturais na Igreja?), por razões bem diferentes. 
Diante dessa imensa realidade continental que abrange nove países (Brasil, Guiana Francesa, Suriname, Guiana, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia) há dois pensamentos opostos: “Toda a terra a favor da Vida!” e o outro “Toda terra a favor do Negócio. Lembro que aproximadamente 60% da Amazônia ocorre no território brasileiro.

A imensa Amazônia é um desafio, pois é a maior bacia hidrográfica do mundo com 20% da água doce e possui uma biodiversidade gigantesca. 
Grandes empresas internacionais se estabeleceram já nessas terras e exploram o solo e o subsolo, contaminando terras, rios e prejudicando gravemente a população.

Com a abertura da Trans-amazônica, 3.000 km, que corta a selva milenar de leste a oeste, chegou uma imensa população de nordestinos. Uma segunda colonização trouxe famílias do sudeste em busca de terras para a agricultura ou criação de gado. Outros foram para o garimpo... 

Centenas de homens e mulheres perderam a vida de modo violento sem nenhuma investigação nem apuração do crime. Há cemitérios com cruzes e sem nomes e outros clandestinos sem cruzes! A Justiça, se não é conivente, é ausente.
O governo e grandes interesses do agronegócio estão se movendo para anular os direitos dos povos autóctones que habitam a Amazônia há mais de doze mil anos buscando desconstruir os direitos indígenas, dos quilombolas e ribeirinhos
A história da Igreja na Amazônia difere muito da história em outras partes do Brasil. Em 1972, o Encontro inter-regional dos Bispos da Amazônia realizado em Santarém/PA, constituiu um marco nesta imensa região. As “Linhas prioritárias da Pastoral da Amazônia” constituíram uma virada copernicana da ação pastoral e evangelizadora. A Igreja Amazônica escolheu duas diretrizes básicas: Encarnação na realidade pelo conhecimento e convivência com o povo e a Evangelização libertadora, optando por quatro prioridades:1ª Formação de agentes de pastoral; 2ª Comunidades cristãs de base; 3ª Pastoral indigenista; 4ª Estradas e outras frentes pioneiras.
Anos depois (1974), acrescentou-se mais uma prioridade: a juventude.
Foi um verdadeiro Pentecostes. Leigas e leigos deixaram de ser meros consumidores do que o clero apresentava, e assumiram sua responsabilidade batismal e crismal de colaborar na edificação do Reino de Deus na Amazônia.
O que seria da Igreja na Amazônia sem esse engajamento do laicato principalmente das mulheres? Pelo menos dois terços das comunidades são dirigidas por mulheres. 
Em 2017, o Papa Francisco anunciou a convocação de uma Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia. Apenas 70% das comunidades na Amazônia brasileira têm a graça de participar da celebração eucarística três a quatro vezes ao ano
Todo esse movimento nas comunidades cristãs ficou despercebido fora da Amazônia, até que o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) general Augusto Heleno, confessou seu pavor de que toda essa movimentação nas comunidades amazônicas afetasse a “soberania” nacional.
O Sínodo será celebrado no Vaticano, e esperamos grandes novidades para a evangelização dessa imensa região...

E você, o que pensa?



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