12º DTC: PESOS MORTOS TRAVAM O SEGUIMENTO... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

“Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo...” (Lc 9, 23)


Retomamos o tempo litúrgico conhecido como “Tempo Comum”, seguindo o evangelista Lucas (Ano C). A cena deste domingo é muito conhecida, pois é relatada nos três evangelhos sinóticos. Os discípulos já levam um bom tempo acompanhando Jesus. Por que o seguem? Qual é a motivação de cada um deles? Daí a pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?”

Seguimos uma pessoa ou seguimos uma doutrina, uma religião, uma moral?... Não é suficiente repetir fórmulas aprendidas. Trata-se de expressar uma identificação profunda com a vida e com o modo de ser do Profeta da Galiléia. Por que o seguimos? Como não sentir sua sede de justiça, de solidariedade e de paz?

O seguimento de Jesus pressupõe sair de si mesmo, descentrar-se. Ouvir o chamado no seu interior e responder a ele. Estamos inseridos numa cultura onde tudo é vivido pela metade e os projetos não tem consistência. É a “cultura líquida” onde tudo parece escapar de nossas mãos. As decisões são apressadas, superficiais e inconsistentes...

Jesus não quer discípulos que busquem carreiras, riquezas ou prestígio... Quer pessoas descentradas do próprio ego, desapegadas daquilo que as atrofia, para investir numa proposta de vida que dê sentido à própria existência. 

O que significa “renunciar a si mesmo”? Sair da visão egocêntrica. Não é a renúncia que salva, mas o a expansão da vida em direção à plenitude. O apego a nós mesmo, às coisas ou às pessoas, impede-nos de mover com facilidade. seguimento é questão de sedução, paixão, atração, coração... Jesus Cristo é o “amor primeiro”, aquele que antecede a qualquer outro. Daí nasce a harmonia interior. Os afetos “orientados” e “ordenados” cria um novo referencial.

Renunciar a si mesmo é descentrar-se, e não ser o centro de seu próprio projeto. E pôr a vida a serviço do outro, e neste caso o projeto de Jesus. A isto Jesus chama “perder a vida por sua causa”. Na medida em que nos desprendemos de todo apego, incluído o apego à vida, a favor dos outros, estaremos amando de verdade e crescendo como seres humanos. 

A resposta à pergunta de Jesus(“e vós, quem dizeis que eu sou?”) implica adesão à pessoa d’Ele e ao seu projeto. Isso acarreta oposição, perseguição e cruz. Tomar a Cruz significa prontidão, estar preparado, mobilizado... E essa cruz de Jesus também deve ser a nossa. Não inventemos cruzes sob medida, não coloquemos cruzes sobre nós ou sobre os outros. 

A cruz de Jesus não é um “peso morto”; ela é consequência de uma opção de vida em favor do Reino. 

Mas não basta carregar a Cruz; a novidade cristã é carregá-la `como´ Jesus. Essa é a nova maneira de carregar a Cruz que Jesus nos ensina: transformá-la em sinal e fonte de amor e de entrega.

A palavra “cruz” – em grego “staurós” – vem do verbo “ficar em pé”. “Tomar sua Cruz” não é, portanto, suportar passivamente a vida, tornar-se escravo de um destino tirânico; significa prontidão, estado de vigilância... para passar de uma vida suportada para uma vida escolhida.  






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