Jesus mudou a minha vida...


É possível mudar de vida? Você já ouviu falar de esta mulher, Elise Lindqvist, nascida na Suécia? Por que será que as coisas boas não são conhecidas nem partilhadas? 

Elise Lindqvist tem a mesma idade do Papa: ambos nasceram em 1936. A infância de Elise foi dramática. A partir dos 5 anos de idade, os abusos sexuais passaram a fazer parte da sua vida diária. Não foi o pai, mas pessoas próximas da família. Espantada, obedecia. "Quando me convidavam para comer na casa deles, eu já sabia o preço que devia pagar. Depois, saía correndo, ameaçada de morte se eu contasse a alguém".

Elise foi abandonada por aqueles que a deviam defender. Até a mãe virava o rosto, quando os homens a levavam para o outro quarto. Na escola, o professor mandava os alunos sair para o recreio, enquanto lhe dizia: "Elise, fique aqui!" E ela ficava...

No entanto, com a morte do pai, quando Elise tinha apenas 10 anos, sua vida se tornou bem mais dura. O novo companheiro da mãe fazia abuso de álcool e a agredia continuamente: "Certa vez, ele apontou a espingarda para mim e eu, com apenas dez anos, o implorei para que atirasse, porque não queria mais viver". Mas, a arma estava descarregada e o homem atirou em vão: "O Senhor queria que eu vivesse, apesar de ainda não saber nada sobre a Sua existência".

Aos quatorze anos, Elise foge de casa e chega a uma cidade, onde uma boa família cuida dela: "Quando a mãe de família me despiu, na primeira noite, pensei, resignada, que tudo continuaria aqui também. Ao invés, ela apenas me despiu, somente para me lavar, e o fez de modo muito gentil".

Os rufiões reconhecem as vítimas perfeitas e sabem pegá-las. No caso de Elise, porém, foi uma mulher que se aproximou dela e lhe disse: "Como você é bonita..." Ninguém, até então, jamais me havia dito que eu era "bonita"; e, em um piscar de olhos, me submeti totalmente a ela. Eu a chamava de "mãe" e ela me comprava roupas e produtos de beleza. Um dia, disse-me que eu deveria trabalhar para ela, vendendo meu corpo para seus clientes. Eu tinha 16 anos....

Elise não se lembra, exatamente, quantos anos teve que trabalhar para aquela senhora. Lembra-se apenas como parou. Depois de ter sido violentada de modo cruel por um cliente, voltou para casa e disse à sua patroa que não aguentava mais aquela vida de prostituição. Minha patroa abriu a porta e me jogou escada abaixo, dizendo: "Você não tem mais nada a fazer aqui".

Desde então, Elise começou a viver como uma sem-teto, procurando comida nos latões de lixo da rua. Buscou refúgio em misturas de álcool e drogas e, assim, caía, cada vez mais, em uma dependência desesperadora.

Em 1994, fui internada em um centro de reabilitação. Todos tinham medo de mim. Quando alguém se aproximava, dava chutes; se via um homem, cuspia na cara e dizia palavrões. Eu sentia somente raiva.

Mas, naquele Centro as pessoas se comportavam de modo estranho: "Eram felizes, sorriam...” Pensei que estava em um hospício. Depois, comecei a pensar que o motivo daqueles sorrisos era devido ao uso de substâncias químicas... Ao invés de drogas, aquelas pessoas levaram Elise a uma Capela e começaram a rezar por ela... Eu não sabia nada sobre Deus e o que era oração; para mim, a Igreja era um lugar de morte...

Em certo momento, aconteceu o que ela descreve como uma "intervenção sobrenatural": Tive a sensação física de tomar um banho de luz e de paz. Jesus era o único que me podia curar... Naquele momento, eu “nasci” de novo. Hoje, quando perguntam a minha idade, respondo "25", porque, há 25 anos Jesus mudou a minha vida e comecei a caminhar no seu amor.

Alguns meses depois, lhe explicaram que ela jamais poderia sarar sem perdoarFoi um processo longo e doloroso, sempre na Capela rezando, recordando a lista de nomes. Consegui perdoar minha mãe, que não me amou nem me defendeu. Percebi que ela não estava em condições e, por sua vez, também era uma vítima.

Por mais de 20 anos, Elise Lindqvist utiliza sua experiência dramática para ajudar outras mulheres: "A primeira vez que saí, à noite, fui à famosa rua das prostitutas em Estocolmo... Ali, revivi meu passado, e percebi que era bem ali que eu devia trabalhar".

Começou a ser uma presença materna constante: uma pessoa que ouve, abraça, leva algo para beber e oferece roupas para aquecer as noites frias de inverno.

"Para mim, o prêmio mais lindo era conseguir salvar uma mulher de rua! Mas, a minha presença servia para levar consolação e coragem; fazer-lhes entender que alguém as amava e que não estão sozinhas. Elas ainda me chamam de "mamãe".”

Em 18 de outubro de 2016, por ocasião do Dia europeu contra o Tráfico de seres humanos, Elise foi convidada para falar diante do Parlamento Europeu. Em seu discurso aos parlamentares, recordei as responsabilidades das Instituições: adotar resoluções concretas que eliminem totalmente o tráfico de seres humanos, visto que todos os Estados-Membros estão cientes do problema. "Terminei meu discurso dizendo que voltaria, quando completasse 90 anos, para ver se tinham mantido a palavra sobre o compromisso assumido".

No final da meu encontro com Elise, perguntei-lhe por que estava coxeando. "Foi um empurrão que me deram tempos atrás, em uma escada rolante. Para algumas pessoas, a minha presença em meio às prostitutas incomoda".

Batemos palmas para esta mulher corajosa e vitoriosa!



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