1º DTQ: DESERTO, LUGAR DO DISCERNIMENTO... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

O Espírito conduziu Jesus ao deserto... (Mt 4,1)

Na experiência do batismo, Jesus escutou a voz do Pai. Trata-se do principal momento teofânico de sua vida, juntamente com a transfiguração. A identidade de Jesus consiste em ser o Filho amado do Pai

Agora podemos compreender sua ida ao deserto, movido pelo Espírito, como uma necessidade imperiosa de “processar”, no silêncio e na solidão, essa revelação. O deserto em um lugar privilegiado de encontro pessoale de escuta da Palavra. 

Mateus apresenta a estadia de Jesus no deserto como um tempo de lucidez e discernimentoComo viver sua missão e a partir de quê lugar? Buscando seu próprio interesse ou escutando fielmente a Palavra do Pai? Como agir? Dominando ou pondo-se a serviço? Não veio para possuir, dominar ou ser o centro, mas para servir e dar a vida.

Muitas vezes pensamos que Deus é um “estraga-prazeres”, ou um Deus triste que não quer que vivamos prazerosamente. E, então, temos a sensação que as tentações são essas coisas fascinantes que nos seduzem, mas que temos de renunciá-las em nome de uma suposta “perfeição”. Deus não complica nossa vida com leis, sacrifícios e renúncias...

O deserto nos revela de onde viemos e para onde vamos; ele nos remete inteiramente ao Doador da vida e desperta outros recursos vitais, aninhados em nosso interior. Tudo o mais é pouco para a sede do coração. “Só Deus basta”, nos sussurra o deserto, embora nos sintamos simultaneamente santos e pecadores, oprimidos e libertados. Ser tentado é próprio do ser humano, mas o que é divino pode também ser encontrado em nosso interior.

Diante das tentações do poder, do ter e do prestígio, o seguidor de Jesus responde com a partilha, o serviço, a comunhão e a solidariedade... A Campanha da Fraternidade 2020 nos motiva a fazer da vida um grande domSó quem se deixa conduzir pelo Espírito, como Jesus, consegue romper com tudo aquilo que atrofia a vida.

Só existe uma “grande tentação” para os cristãos: a tentação radical da infidelidade a Cristo e a seu Reino. A tentação de traçar para si mesmo um caminho, e a de projetar uma vida para si, dando uma direção diferente daquela que lhe deu o próprio Deus. 

Seria o fracasso da própria vida.



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