UM SONHO SOCIAL...



Uma Amazónia que integre e promova todos os seus habitantesUma abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, para ouvir o clamor da terra e o clamor dos pobres. Não serve um conservacionismo «que se preocupa com o bioma, porém ignora os povos amazónicos».

Os interesses colonizadores foram expulsando e encurralando os povos indígenas, ribeirinhos e afrodescendentes, e provocam um clamor que brada ao céu. Isto favoreceu os movimentos migratórios dos indígenas para as periferias das cidades, onde não encontram real libertação dos seus dramas, mas as piores formas de escravidão e miséria. Nestas cidades caraterizadas por grande desigualdade crescem a xenofobia, a exploração sexual e o tráfico de pessoas. O clamor da Amazónia brota também do interior das suas cidades.

Bento XVI denunciava «a devastação ambiental da Amazónia e as ameaças à dignidade humana». Nos programas educacionais de crianças e jovens, os indígenas apareciam como intrusos ou usurpadores. Suas vidas e preocupações, sua maneira de sobreviver não interessavam, considerando-os como um obstáculo de que nos temos de livrar, e não como seres humanos com direitos adquiridos.

Os povos nativos viram, impotentes, a destruição do ambiente natural que lhes permitia alimentar-se, curar-se, sobreviver e conservar um estilo de vida e uma cultura. A disparidade de poder é enorme «os povos pobres ficam sempre pobres e os ricos tornam-se cada vez mais ricos».

Às operações económicas, nacionais ou internacionais, danificam a Amazónia e não respeitam o direito dos povos nativos, e são uma injustiça e um crime. Quando empresas se apropriam dos terrenos, chegando a privatizar a própria água potável, ou quando as autoridades permitem que projetos devastem as florestas e o ambiente, as relações económicas tornam-se um instrumento que mata. Não podemos permitir que a globalização se transforme num «novo tipo de colonialismo».

É preciso indignar-se como Moisés (cf. Ex 11, 8), e Jesus (cf. Mc 3, 5) perante a injustiça. Não é salutar habituar-nos ao malA história de sofrimento e desprezo não se cura facilmente. «A história da Amazónia revela que foi sempre uma minoria que lucrava à custa da pobreza da maioria e da depredação sem escrúpulos das riquezas naturais da região...».

Asseguremos a globalização da solidariedade. Encontrar alternativas de pecuária e agricultura sustentáveis, que não destruam o meio ambiente. Garantir para os indígenas e os mais pobres, uma educação que desenvolva suas capacidades e empoderamento, para sermos todos humanos.

A luta social implica em capacidade de fraternidade. Os povos nativos possuem um forte sentido comunitário: trabalho, descanso, relacionamentos humanos, ritos e celebrações. Tudo é compartilhado, e os espaços particulares – típicos da modernidade – são mínimos

Na Encíclica Laudato si´ lembramos que, «se tudo está relacionado também o estado de saúde das instituições duma sociedade tem consequências no ambiente e na qualidade de vida humana.

O diálogo, e privilegiar a opção preferencial pelos pobres, marginalizados e excluídos, é respeitá-los como protagonistas. Reconhecer o outro e apreciá-lo «como outro», com o seu modo de viver e trabalhar. Caso contrário, o resultado será, como sempre, «um projeto de poucos para poucos».

E você o que pensa?


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