5º DTQ: A VIDA TEM SEMPRE RAZÃO... (cf. Pe. A. Palaoro sj)

Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá... (Jo 11,25)

No 5º domingo da Quaresma podemos vislumbrar as primeiras luzes da Páscoa e da Vida. Embora ainda não seja a realidade, podemos já ver seus primeiros sinais. A Páscoa é a nossa verdadeira meta e horizonte.

Precisamos tomar consciência do lugar onde saímos (visão atrofiada, sentimentos egoistas, coração petrificado...) ou será que chegaremos à Pascoa tão limitados como quando partímos no início da nossa caminhada quaresmal? Somos agora mais livres e melhores? 

A CF/2020 deste ano tem como tema: Vida: dom e missão”. O caminho em favor da vida é instigante e arriscado. Quem trabalham em favor da vida é sempre perseguido, pois alguns preferem que as coisas continuem como estão. “Que morra um (Jesus) para que o “bom” sistema prossiga...” ou morram milhões para que o neoliberalismo sobreviva. 

É perigoso optar pela vida neste mundo de morte. Há muitas pessoas e instituições que traficam com a morte (vendem armas e promovem uma economia que mata, etc). Mas, no seguimento de Jesus somos tomados por uma “moção” que nos impulsiona a uma “missão em defesa da vida”... Da moção à missão: este é o dinamismo deste tempo litúrgico.

morte é mais universal que a vida. Todos morrem, mas nem todos conseguem “viver” como desejariam. Muito passam pela vida como sobre brasas, de uma maneira superficial e banal. Diante do impulso por viver, contentam-se em sobreviver. São pessoas mortas que perderam o sentido da vida, alienadas e desconectadas de si e de todos. Criaram sepulturas e se enterram. Quem não sabe por quê e para quê viver, não consegue eleger o como viver...

O apelo de Jesus – “Lázaro, vem para fora!” - é um princípio de esperança, mas também de compromisso em favor da vida. Vamos todos para fora, deixemos de lado a indiferença e a letargia, e os sudários e vendas que nos impedem de caminhar.

O “vem para fora! é para nós. Sair do nosso túmulo e viver com mais justiça e solidariedade. 

Jesus era amigo de Marta, Maria e Lázaro, e é nos relacionamentos interpessoais onde aprendemos a força sanadora que eles têm. Os três irmãos representam a nova comunidade dos seguidores de Jesus. Cada membro da comunidade se preocupa pela saúde do outro. 

Vivemos, também nós, um tempo de decomposição social e de relações superficiais. As perdas, a dor e a doença colocam à prova nossas amizades fazendo-nos mais solidários. 

Em chave psicológica, “Lázaro” pode significar aquilo que rejeitamos em nós mesmos e escondemos sob uma lápide, porque não nos agrada; o que ocorre é que tudo o que enterramos começa a exalar mau cheiro com o tempo.

Para começar a viver, é preciso reconhecer o que já está morto em nós (falta de sentido, ego inflado, preconceitos...); reconhecer nosso Lázaro interior naquilo que há de positivo e que ainda não foi ativado; reconhecer nosso Lázaro naquilo que nos pesa e que é reprimido, ameaçando-nos continuamente como sombra.
Mas não é suficiente reconhecê-lo. É preciso crer na força da vida e no dinamismo do próprio ser habitado por Deus. A partir daí, podemos escutar a palavra de Jesus que chama à vida e ressuscita o Lázaro que ainda vive em nós. Precisamos reagir à apatia e confiar na palavra de Jesus.

Sabemos disso: quem ama viverá para sempre. 


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