3º DTP. EMAÚS: recordar e sentir a história... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

 Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido... (Lc 24, 14)

Nossa vida é parte da História, e esta, por sua vez, é formada pelas histórias de nossa vidaHistória é provocante e fascina. A vida só tem sentido quando se torna História, isto é, quando engendra algo novo.

No relato dos “discípulos de Emaús”, o encontro com o Ressuscitado ajuda a “ler” a História, pessoal e coletiva, de uma maneira diferente e instigante. A história triste e fracassada dos dois discípulos adquire novo sentido a partir dos relatos bíblicos que o Peregrino traz à memória.

A partir do Jesus ressuscitado, a história de cada um e da humanidade inteira adquire uma nova luz e um novo sentido e se abre a um vasto horizonte de compromisso. Na “memória agradecida”: tudo tem sentido, nada é desperdiçado... 

Quando a história é contada e recontada, acontece a cura da memória. Em lugar de uma história opressiva e pesada, passamos a contar uma “história redentora”.

história de Jesus, com seu fim decepcionante, tornou-se pesada e, aqueles dois discípulos procuraram fugir de Jerusalém e da terrível lembrança do acontecido: paixão e morte do Mestre. Mas, a história os acompanha na estrada e não param de repeti-la

Enquanto caminhavam e discutiam, não perceberam a aproximação do forasteiro. A história de Jesus, com seu fim decepcionante, tornou-se agora traumática. Esforçam-se para encontrar a única coisa que poderá ajudá-los a superar a dor, e transformar a lembrança do vivido e experimentado. 

Foi preciso discernimento por parte do Forasteiro para libertar seus discípulos daquela interpretação nociva da história. 

O Forasteiro não só reconta a história de Jesus, mas também tem de remodelar todas as histórias das relações de Deus com Israel. A “história pessoal” é “recontada” e considerada no contexto de uma história muito mais ampla; há uma ligação profunda entre todas as histórias, constituindo-se na grande História da Salvação. A descoberta desta nova perspectiva acontece como momento de graça que desce sobre eles.

história recontada começa a reconstruir a humanidade deles, e a esperança vai retornando, os corações vão se aquecendo, a alegria vai surgindo em seus rostos... Foi criado um ambiente de hospitalidade que culminou na Ceia.

Das cinzas brotaram a esperança, o entusiasmo e os sonhos... e eles apressaram-se a voltar para Jerusalém a fim de partilhar a descoberta de um novo sentido da história.

A partir do fundamento da História (Jesus Cristo), contemplamos nossa própria história (pessoal e institucional): história que deve ser observada, lida, discernida. História está sempre aberta, desafiando-nos, arrancando-nos de nosso imobilismo, despertando nossa criatividade para ser reescrita de uma maneira diferente.

Assim, a experiência pascal significa “conhecer”, “sentir” e “amar” a nossa própria história. É uma verdadeira experiência de Ressurreição.

Só assim a história se converte em “Epifania” (manifestação) de Deus e nos permite compreender, acolher e integrar tudo o que acontece, dentro e fora de nós.

Este é um tempo de Graça: o encontro vivo da “história” celebrada com o compromisso de construção da “nova história”, mais ousada e mais criativa. Trata-se de um momento tão fortalecedor e jubiloso que estremecemos reverentes diante do que celebramos.

Com a Ressurreição, a história se ilumina, se transfigura e nos desafia. A Ressurreição plenifica, dá sentido e costura os eventos, constituindo-se em “História de Salvação”. Ela nos faz ver o que todo mundo vê, mas de um “modo” diferente: vemos mais longe, vemos além, vemos mais fundo...


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