Edith Stein (1891-1942) e a crise do coronavírus... (cf. M. Cecilia Parise)



Sempre me senti atraído por esta mulher inteligente e judia. O percurso de Edith Stein pela vida é uma lição de humanidade e de fé para todos. 

Ao explodir a 1ª Guerra Mundial, Edith decide interromper os estudos para partir como enfermeira voluntária da Cruz Vermelha, e trabalhar no hospital militar: `Agora minha vida já não me pertence´, disse a si mesma. Edith contava com 23 anos. 

Vivemos tempos assustadores de pandemia mundial. Para onde fugir? Onde se esconder? Edith decidiu entrar no olho do furacão da 1ª guerra mundial, e foi de voluntária num hospital de campanha. Ela vivenciou esse trabalho com intensidade e solidariedade, mas só conseguiu ficar seis meses nesse trabalho estressante e desafiador. Penso nos nossos profissionais da área da saúde, como o jovem Dr. Pedro, que trabalha incansavelmente na UTI dos dois hospitais de Indaiatuba/SP. Contaminado, voltou com mais afinco ao seu campo de batalha...

Após sua estadia perto dos mortos e feridos, Edith Stein foi convidada a entrar no campo acadêmico, e logo foi convidada  para ser assistente e braço direito do famoso filósofo Husserl.

Mulher forte, teve que abrir o caminho no âmbito universitário, pois esse espaço estava impedido às mulheres. Será que nosso interesse é tão mesquinho que vivemos apenas centrados  no próprio umbigo? Conheço uma paróquia pobre que, superando seus limites, busca dar uma cesta básica a mais de 200 pessoas nestes tempos de COVID-19... 

Como humanos, não somos apenas números, mas pessoas com uma história e umas crenças. A pandemia que vivemos revela espontaneamente os valores que temos. Alguns dos nossos políticos revelam sem pudor sua descrença e mediocridade; Edith Stein se tornou cada vez mais humana e religiosa. Nessa sua busca interior, acaba encontrando-se com Deus, e pedirá para ser batizada na Igreja católica. A partir desse momento, Edith decide caminhar pelas próprias pernas, sem a ajuda financeira da família. Conhece, então, o Pe. jesuíta Erich Przywara, que a exorta a não abandonar seu trabalho na área da filosofia. 

Edith procura equilibrar o seu crescimento interior com a pertença a uma comunidade católica. Amiga de livros, sentia-se “próxima” dos autores, aprendendo a pensar com eles. Tenta uma cátedra em Friburgo, Alemanha, onde ensinam grandes intelectuais: Husserl e Heidegger... Quanto mais desenvolvemos nossas capacidades mais descobrimos o nosso interior, e nos descobrimos “como pessoas” e não como simples objetos de prazer ou coisas sem valor. 

Por fim, na sua busca infatigável, Edith Stein entra no Carmelo de Colônia, aos 42 anos de idade, e em 1934 recebe o hábito como Teresa Benedita da Cruz. Também nós podemos fazer esta experiência e aprofundamento interior ficando em nossas casas... 

Nos quase 10 anos que vive como carmelita, Edith produziu sua maior obra filosófica: Ser finito e eterno, além de outras tantas obras de cunho filosófico e teológico, culminando com a sua inacabada Ciência da Cruz. Em 1939, foi enviada ao Carmelo de Echt, na Holanda, por causa da perseguição aos judeus

Edith e sua irmã Rosa, também carmelita, foram capturadas pela SS, e enviadas a um campo de concentração, pelo fato de serem de ascendência judia. Pouco depois, as duas irmãs de sangue e de congregação foram deportadas para o campo de Aucshwitz-Birkenau. E dois dias depois, seguiram a barbárie dos outros judeus morrendo nas câmaras de gás.

Nesta disseminação do coronavírus, percebemos que estamos mundialmente interconectados. Não há fronteiras nem raças que impeçam o vírus, e pouco podemos fazer a não ser ressignificar nossas vidas, dando um sentido melhor ao que nos toca viver. “Bênção” ou  “maldição”? Cada um escolhe como viverO tempo é a forma que Deus inventou para dizer que nessa vida tudo passa. 

Edit Stein foi canonizada em 1998, pelo Papa João Paulo II.  

O que dá sentido à vida é mais importante do que a própria vida! 


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