A SEXUALIDADE HUMANA...



Desde os tempos mais remotos a sexualidade humana foi vista como um misto de atração e mistério. Houve tempos, na longa história da humanidade, que a prática sexual foi realizada simplesmente sem amor, por pura necessidade ou pressão machista. O estupro de nossos dias é um resíduo animalesco daqueles tempos primitivos.

Aos poucos, o carácter enigmático e irracional do sexo fizeram dele um fetiche quase religioso, com seus lugares reservados, e serviçais à disposição. O cristianismo chocou-se de frente com esta prática, e distanciou-se das tendências mais radicais dela, tais como o hedonismo ou epicurismo pagãos, onde se buscava o prazer pelo prazer. O estoicismo grego, que olhava a sexualidade como um mal menor, acabou adentrando mais facilmente na proposta cristã da prática sexual. 

Assim, pois, encontramos no cristianismo nascente duas vertentes, uma mais solta proveniente dos gregos pagãos, onde a própria consciência ditava a norma moral, e outra enraizada na longa tradição judaica dos primeiros cristãos. As normas e leis morais nos chegaram pelo judaísmo; a sensibilidade da própria consciência e o bel-prazer procediam da cultura pagã. Somos filhos dessas culturas, e por vezes, sentimos ambas propostas justapostas em nossa vida

O sexo livre, descompromissado e irresponsável tem trazido graves consequências pessoais e sociais, que a lei civil procura controlar e atenuar. Se por um lado, o pudor puritano fez despertar nossa curiosidade e a atração pelo fruto proibido, por outro fomos aprendendo a lidar com nossos instintos. Tanto o sexo recalcado como o livre não foram bons para os indivíduos nem para a sociedade

As tentativas religiosas de negar a sexualidade (ao invés de integrá-la!) provocaram desequilíbrios de personalidade em não poucas pessoas, e abriram as portas à imoralidade e à perversão. O que acontecia às escondidas era muito pior do que se sabia... A castidade surgiu, como dom de Deus, para viver corretamente a própria sexualidade. A castidade não elimina o impulso sexual, mas procura viver esta realidade de um modo mais responsável e humano.

Saber que somos sexuados foi uma longa conquista. Mas, viver a própria sexualidade conforme sua realidade interior e não só conforme ao sexo biológico, foi outra peleja que está ainda acontecendo em muitos países. A genitalidade biológica, por vezes, não corresponde ao sentir interior da pessoa. 

A sexualidade humana difere essencialmente do sexo animal, pois não é determinada apenas pelo instinto, mas também por sentimentos e emoções, e pode ser enriquecida pelo amor e a reciprocidade. O amor humaniza a manifestação sexual das pessoas.

Conforme o dito, parece haver muitos tons na vivência da sexualidade humana, e que não se reduzem ao simples masculino e feminino. Todos eles, gostemos ou não, devem ser respeitados pela sociedade civil e democrática. As formas violentas e forçadas da expressão sexual desumanizam, e devem ser recondicionadas por pessoas ou instituições apropriadas, conforme as leis vigentes.

Todos têm o direito de viver a própria sexualidade do melhor modo possível. Você já percebeu como toda nudes é sempre bonita? 

E as igrejas cristãs diante deste assunto? Elas sempre acompanharam o ser humano nesta descoberta e vivência, mas frequentemente de um modo puritano e controlador. Não foram elas as primeiras a abrirem as portas para a experiência prazerosa da sexualidade... As igrejas têm o direito de orientar e privilegiar as formas mais condizentes do seu projeto de vida e de família, mas não precisa excluir as outras configurações de família que opções próprias ou circunstanciais acabaram formando. 

Você gostaria de completar positivamente este tema? 


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