A SANTIDADE ATIVA A ALEGRIA... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus... (Mt 5,12)




Alegria e santidade, não se dissociam; implicam-se mutuamente. A alegria é um sentimento central da santidade cristã. Alegria brota do interior e é um dom do Espírito. Este dom nos faz filhos de Deus, capazes de viver e saborear sua santidade e bondade. 

 

A vida cristã, por vocação e missão, deve ser alegre“A alegria do Evangelho enche o coração e a vida daqueles que se encontram com Jesus. Com Jesus Cristo sempre nasce e renasce a alegria” (Papa Francisco).

 

A ressurreição de Jesus causou uma imensa alegria na comunidade dos discípulos. Alegria que é contagiosa e tem uma dimensão social e comunitária. Nós não estamos alegres porque Jesus está vivo, mas porque nos fez partícipes de sua ressurreição, de sua nova vida. 

 

Os Santos e Santas são testemunhas da alegria. O amor é fonte da alegria. Quem vive a partir da alegria vive o essencial. Seguimos o conselho agostiniano: “A felicidade consiste em tomar com alegria o que a vida nos dá, e deixar com a mesma alegria o que ela nos tira”.

 

Quem é transparente e coerente transmite alegria em seu falar e em seu agir. Ser testemunhas e profetas da alegria constitui a essência da santidade cristã. Quem vive a santidade na alegria se sente sereno, livre, pensa positivamente, está próximo dos pobres, acolhe as adversidades, integra suas contradições, ama sem pôr condições, louva, canta e bendiz sem cessar...

 

Uma pessoa santa introduz amor onde há ódio, paciência onde existe intransigência, manifesta compreensão onde há revolta, e paz onde existe a violência.

 

santidade está ao alcance de todos os que reconhecem sua própria finitude e desejam ser transformados pelo amor que nos faz plenamente humanos. 

 

“Ser santo(a)”  é sermos dóceis para “nos deixar conduzir” pelos impulsos de Deus, por onde muitas vezes não sabemos e não entendemos. Ser santo(a) é “arriscar-nos” em Deus; é navegar no oceano da gratuidade, da compaixão e da solidariedade... Em Deus, somos todos santos.

 

Quem é ditoso? Quem é bem-aventurado? Quem é feliz? As bem-aventuranças são a exposição mais exigente e, ao mesmo tempo mais fascinante, da mensagem e da “intenção de Cristo”. 

 

Ser santos(as) é ser humano por excelência.

 

Não se trata de nos fixar nos méritos de pessoas extraordinárias, mas de reconhecer a presença de Deus, o único Santo, em cada um de nós. Assim, no chamado à santidade, aspiramos somente a sermos cada dia mais humanos, ativando o amor que Deus derramou em nosso ser.

 

Para humanizar nosso tempo, os(as) santos(as) revelam atitudes e critérios que nos fazem mergulhar de cheio nos desafios e problemas que afligem grande parte da humanidade. Os(as) santos(as), de hoje e de sempre, não são encontrados nos pacíficos ambientes dos templos ou dentro dos limites da instituição eclesial, mas nas encruzilhadas da pobreza e da injustiça, nas “periferias existenciais”, em perigosa proximidade com o mundo da violência e da marginalidade, em situações de risco, onde a luz do amor brilha mais do que nunca.

 

Pessoas anônimas que estão presentes em todos os lugares, como fermento na massa, despertando esperança em tempos difíceis. 

 

Numa cultura de morte e de violência como a nossa, as Santas e os Santos são os anônimos que arriscam suas vidas na defesa daqueles que não tem voz, agindo como samaritanos em favor da vida. Sua presença faz toda a diferença, embora eles nada percebam.

 

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