5. PAI CORAJOSO E CRIATIVO...



Se a primeira etapa de toda cura interior é acolher a própria história, ou seja, dar espaço no nosso íntimo até mesmo o que não escolhemos na nossa vida, convém acrescentar outra caraterística: a coragem criativa, mesmo quando se encontram dificuldades. Às vezes, são as dificuldades que fazem sair de nós recursos que nem pensávamos ter.


Frequentemente, ao ler os «Evangelhos da Infância de Jesus», perguntamos por que Deus não interveio de forma mais direta e clara, e o faz por meio de acontecimentos e pessoas: José é o homem por quem Deus cuida dos primórdios da história da redenção; é o «milagre» pelo qual Deus salva o Menino e sua mãe. O Céu intervém, confiando na coragem criativa deste homem que, tendo chegado a Belém e não encontrando alojamento, arranja um estábulo e o prepara de modo a torná-lo mais acolhedor para o Filho de Deus. E depois, face ao perigo iminente de Herodes, que quer matar o Menino, de novo em sonhos José é alertado para O defender e, no coração da noite, organiza a fuga para o Egito


Às vezes, dá a impressão que o mundo está à mercê dos fortes e poderosos, mas a «boa notícia» do Evangelho consiste em mostrar como Deus encontra sempre a forma de realizar o seu plano de salvação. Às vezes, também a nossa vida parece estar à mercê dos outros, mas o Evangelho diz que Deus consegue sempre salvar aquilo que conta, desde que usemos a mesma coragem criativa do carpinteiro de Nazaré, o qual soube transformar um problema numa oportunidade.


Se, em determinadas situações, parece que Deus não nos ajuda, isso não significa que nos tenha abandonado, mas que confia em nós com aquilo que podemos projetar, inventar ou encontrarTrata-se da mesma coragem criativa demonstrada pelos amigos do paralítico que, desejando levá-lo à presença de Jesus, fizeram-no descer pelo teto, pois estavam convencidos de que Jesus podia curar o doente e, «não achando por onde introduzi-lo, devido à multidão, subiram ao teto e, através das telhas, desceram-no na padiola, em frente de Jesus. Vendo a fé daqueles discípulos, disse: “Homem, os teus pecados estão perdoados”». 


O Evangelho não informa sobre o tempo que Maria, José e o Menino permaneceram no Egito. Mas, certamente tiveram de comer, encontrar uma casa e um emprego. A Sagrada Família teve que enfrentar problemas concretos, como muitos dos nossos irmãos migrantes que ainda hoje arriscam a vida acossados pelas desventuras e a fome. Creio que São José seja o padroeiro especial para quantos deixam a sua terra por causa das guerras, da perseguição e da miséria.


No fim de cada acontecimento que tem José como protagonista, o Evangelho observa que ele se levanta, toma consigo o Menino e sua mãe e faz o que Deus lhe ordenou. Jesus e Maria são o tesouro mais precioso da nossa fé. 


No plano da salvação, o Filho não pode ser separado da Mãe, d’Aquela que «se manteve fiel até a cruz».


O Filho do Todo-Poderoso vem ao mundo, assumindo uma condição de grande fragilidade. Necessita de José para ser defendido, protegido, cuidado e criado. Deus confia neste homem, e o mesmo faz Maria que encontra em José o que lhe salva a vida, e a sustentaSão José é o Guardião da Igreja, porque ela é o prolongamento do Corpo de Cristo na história. José continua a proteger a Igreja, assim como protegeu o Menino e sua mãe.


Este Menino é Aquele que dirá: «Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes». Assim, todo necessitado, pobre, atribulado, moribundo, forasteiro, recluso ou doente são «o Menino» que José continua a guardar. Por isso, São José é invocado como protetor dos miseráveis, necessitados, exilados, aflitos, pobres e moribundos. Pela mesma razão, a Igreja não pode deixar de amar em primeiro lugar os últimos, porque Jesus conferiu-lhes a preferência ao identificar-Se pessoalmente com eles. De José, devemos aprender o mesmo cuidado e responsabilidade: amar o Menino e sua mãe; amar a Igreja e os pobres.

Como é o seu amor para com os mais frágeis e necessitados? 



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