Domingo do BATISMO de Jesus: ele “desce” às águas da humanidade... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

“...ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito descer sobre ele” (Mc 1,10)



Com a Epifania, encerra-se o tempo do Natal. De um salto a liturgia nos leva até o Jesus adulto, passando dos magos sábios em Belém ao Jesus renascido nas águas do Jordão. O relato do batismo de Jesus nos situa diante de um fato histórico, mas os evangelhos não se restringem a narrar simplesmente um rito externo, e sim a experiência fundante de sua vida: sentir-se Filho amado do Pai. A narração junto ao rio Jordão busca concentrar em um só momento o processo que durou toda a vida de Jesus. 

 

Jesus, ao descer às margens do rio Jordão, rompeu com a “normalidade” de sua vida cotidiana, e deslocou-se para as periferias da humanidade e abriu os olhos para uma realidade mais instigante e desafiadora. Ao mesmo tempo, no Batismo, Jesus se compreendeu a si mesmo, a sua missão, e sua relação com o Pai e com os homens.

 

“Sua vida começou a ter um novo sentido”. Jesus descobriu o “por quê” e o “para quê” de sua vida, a partir de sua condição humana. Jesus, ao saber-se e sentir-se amado infinitamente por um Pai que o chama de “Filho amado”, descobre em si o eixo de seu equilíbrio vital. O amor que experimenta na experiência de seu Batismo se transforma em chamado vocacional, em investidura para uma missão universal e libertadora.

 

Cessa o tempo da espera, abre-se o céu, escuta-se a voz do Pai. E aquele Homem, equilibrado pelo Amor experimentado começa a ativar o equilíbrio em todas as pessoas, libertando-as, com a autoridade que o Espírito lhe conferia, de cargas desumanas e injustas que as desequilibravam: a culpa doentia, a enfermidade, a exploração, a miséria, o legalismo, o moralismo...

 

Todos estamos de acordo que a primeira experiência humanizadora é a do amor: amar e de sentir-se amado. Isso nos dá segurança e equilíbrio interno como pessoas. É a experiência vital de Jesus, onde alcança o equilíbrio entre aquilo que pensa e sente com aquilo que recebe e acolhe: “Filho amado, complacência do Pai”.

 

Sua experiência interior, no batismo, é tão potente que transforma para sempre o modo de entender e viver sua relação com o Pai. Jesus, frente a uma religião centrada na lei e no rito, estabelece uma linha de comunicação (céu aberto) direta de toda pessoa com Deus e Pai, sem necessidade de intermediários e sem necessidade de oferecer “sacrifícios” para “pressioná-lo”. 

 

Jesus acolhe a filiação, revelada pela voz amorosa do Pai e, também acolhe o Espírito que lhe dá a força para a missão

 

A festa do batismo de Jesus, é uma ocasião especial para retomar nosso batismo e comprometer-nos com Seu Reino. Na vivência cristã, nosso maior risco é o esquecimento de Jesus e o descuido de seu Espírito

 

A mesma “voz interior” de Deus, ouvida por Jesus no seu batismo, tem ressonância em nosso interior e define nossa identidade cristã. O que o Pai diz a Jesus também nos diz a todos e a cada um em particular: “Tu és o(a) meu(minha) filho(a) amado(a), em ti ponho o meu bem-querer”.

 

E a fila das pessoas, com suas vidas, suas dores e amores, suas paixões e rotinas e com suas infinitas possibilidades ainda latentes, ou estancadas em seus medos paralisantes. Nascemos da terra e da água... Da terra com água brotamos; sem batismo de água não somos cristãos.

 

Não nos batizamos se não deixamos que Deus nos mergulhe nas águas de Sua Vida, de tal maneira que n’Ela vivemos, crescemos, nos movemos e somos, como Jesus. 



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