6ºDTP: Quem ama vive para os outros...(cf. Pe. A. Palaoro, SJ)

 Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos... (Jo15,13) 


O evangelista João recolhe um longo discurso de despedida de Jesus, onde são apresentados alguns traços que seus seguidores hão de viver ao longo dos tempos, para serem fiéis à Sua pessoa e ao Seu projeto

 

Jesus não nos apresenta uma “constituição”, nem algumas “regras”, e menos ainda alguns “estatutos”. Só diz assim: este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. O mandamento que Ele vive, também deve ser vivido por seus seguidores e seguidoras. Aprender a arte de amar! E em qualquer época ou situação: não se afastar do amor fraterno. Todo ser humano traz em si a marca do Criador, que é puro Amor

 

Há uma diferença que é preciso aclarar. Deus não é um ser que ama: Ele é o amor, ou, em melhor tradução, Deus consiste em estar amandoAmor é sua essência, não uma qualidade como em nós que podemos amar ou deixar de amar. Se Deus deixasse de amar um só instante, deixaria de ser Deus. Ele manifesta seu amor a Jesus como manifesta sempre a cada um de nós. O Amor de Deus é o primeiro. Deus ama a todos da mesma maneira, porque não pode amar mais a um que a outro.

 

Somos amigos de Deus em Jesus, onde amar é simplesmente “deixar-se amar”, como as mulheres da páscoa, como o discípulo amado. 

 

Por isso, a mensagem do evangelho de João se expressa no amor fraterno. Só quem ama e é amado pode assumir em presteza a tarefa da vida, cumprindo assim o “mandamento do amor ágape”, gratuito, oblativo, impulso que nos faz “sair de si mesmo”.

 

O amor fraterno é o dom supremo de Jesus à sua nova comunidade. Quem ama está em Deus, pois Ele é amor...

 

Sem amor não é possível dar passos para um cristianismo mais aberto, cordial e alegre, onde possamos viver como “amigos” de Jesus. Diz S. João da Cruz: “na tarde da vida seremos examinados no amor”.

 

A vivência radical do amor é o que ajuda a ativar a alegria, e compartilhá-la sem recompensa alguma. Jesus fala aos discípulos dessa alegria precisamente quando sua vida se precipita em direção à entrega na paixão, por amor apaixonado à existência que o Deus da vida nos presenteia. Só a paixão do amor faz coexistir a dor e a alegria, o amor à vida e o risco de perdê-la, o amor aos amigos e a coragem de deixá-los, as perseguições dos inimigos e a audácia para morrer por eles. 

 

Ser testemunhas e profetas da alegria constitui a essência dos seguidores e seguidoras de Jesus. É preciso nos converter à alegria de Deus que é autêntica paixão pelo ser humano; é preciso contagiar a alegria do Evangelho; é preciso remover a pedra de nossos sepulcros e viver como ressuscitados. 

 

Não temos mais fronteiras, não excluímos gênero, classe social, cor, língua, religião, não descartamos o aparentemente inútil. Por isso, nossa vida e nossa palavra querem ser anúncio e compromisso de concórdia e comunhão nos conflitos, unindo pontos, integrando diferenças, curando feridas. Devemos reforçar o testemunho de comunhão na diversidade para mostrar que é possível superar o medo às diferenças. Nossa vida alegre desmonta a hipocrisia, as ambições, a vaidade, o escândalo...

 

A presença do Ressuscitado deu à alegria um caráter existencial e não a faz depender nem do esforço pessoal nem de posse alguma de um bem temporal, mas do sentido global da pessoa. 


Quem vive a partir da alegria, vive a partir do essencial e sabe discernir o autêntico das aparências e o útil do supérfluo. A alegria mantém alta a utopia e não se cansa em sua irradiação. Seguimos o conselho agostiniano: A felicidade consiste em tomar com alegria o que a vida nos dá, e deixar com a mesma alegria o que ela nos tira.

 

Quem é transparente e coerente transmite alegria em seu falar e em seu agir. Ser alegre não significa ser impassível, insensível diante da injustiça e da violência, diante da pobreza e da exclusão. As virtudes que acompanham a alegria fazem com que a pessoa alegre seja também compassiva e misericordiosa e trabalhe pela paz e pela justiça.


Quem ama é mais feliz.

 

 

0 comentários:

Postar um comentário