16º DTC: Ensinamentos com a marca da compaixão... (cf. Pe. A. Palaoro, SJ)

Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão...


 

Os discípulos regressaram da missão à qual Jesus os tinha enviado, e Herodes acabara de assassinar João Batista. Jesus se retirou com os discípulos, do outro lado do lago. Precisavam tomar distância, conversar juntos e de maneira tranquila sobre esse momento dramático, em um espaço sossegado, mais íntimo e profundo. Não eram pessoas das cidades importantes que procuravam Jesus. Marcos diz que saíram “dos povoados” e foram “correndo”, com pressa, para encontrar-se com Ele.

 

Ao ver esse povo, Jesus se comoveu até as entranhas, porque “andavam como ovelhas sem pastor”. E Ele começou a ensinar-lhes muitas coisas, de tal maneira que as horas foram passando sem se darem conta. Era um ensinamento novo que criava uma relação com o povo. 

 

O ensinamento de Jesus revela-se, antes de tudo, como um encontro inspirador que o move a se aproximar de todas as pessoas, revelando-lhes a dignidade infinita que cada uma carrega dentro de si. Nesse sentido, o novo ensinamento de Jesus tem a marca da “compaixão”.

 

A compaixão está cada vez mais ausente da esfera pública e de nossas relações interpessoais. Somos ameaçados por uma forma sutil de “a-patia” que desumaniza e nos transforma em pessoas “sem-compaixão”.

 

Não basta a sensibilidade ou o sentimento. A “privatização da vida”, a sensação de impotência diante das tragédias, a distância midiática e física, o ativismo impede-nos de dedicar-nos uns aos outros. A compaixão está perdendo referência no elenco dos sentimentos humanos mais nobres. Afinal, produtividade e competitividade, revelam-se “pobres” de atitudes compassivas.

 

No entanto, somos seguidores do Compassivo. Ele é indiferente ao faminto nem ao doente... Ele percebe que as multidões vivem como ovelhas sem pastor. Ele é o homem da prontidão de sentimentos e deixa transparecer uma profunda sensibilidade. Sente-se “tocado” pela dor e a miséria.

 

Os Evangelhos destacam os profundos sentimentos de humanidade, compaixão, empatia, ternura e solidariedade misericordiosa de Jesus. Muitas vezes é mencionado que o Senhor foi “comovido até as entranhas” e teve “frêmitos de compaixão”; trata-se de sentimento eminentemente humano.

 

No grego os termos “compaixão” e “útero” são equivalentes. Como o ventre materno acolhe a vida, algo semelhante fez o Senhor ao aproximar-se daquelas “ovelhas sem pastor”: suscitou-lhes a esperança com expressões de amor fraterno. Foi uma aproximação generativa, isto é, gerou impulsos para uma nova vida.

 

Precisamos ativar a compaixão, fixar o olhar nos rostos, desmontando pré-conceitos. Aprender a escutar suas histórias e a acompanhar suas inquietações. 

Frank & Ernest

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