Amizades em Manresa...

  


 

Com espírito de peregrino, continuamos o nosso percurso pelo centro histórico da cidade de Manresa. Constatamos que alguns lugares sofreram as consequências da guerra civil, em 1936, sendo queimadas ou demolidas. Hoje, nos deparamos com algumas construções peculiares, que não só têm o seu charme arquitetónico medieval, mas também contam sobre as pessoas que aí viveram e ajudaram de algum modo o pobre peregrino de Loyola

 

Inácio, chegando em Manresa, acolheu-se no hospital para pobres peregrinos, que ali chegavam doentes. Ele ficou ali, como um indigente, coxo na perna esquerda, pelas feridas sofridas por ocasião da batalha perdida com os franceses (MAI/1521), no Castelo de Pamplona. Ao mesmo tempo, cansado, mal alimentado, e vestindo um casaco simples que mal o defendia do frio, era imagem viva dos que se confiavam a Deus para sobreviver. Mais tarde, ele foi acolhido para passar as noites no portão da casa dos Canyelles, deitado no portão da casa, para poder passar a noite. A casa dos Canyelles é um antigo casarão senhorial, com dois pisos de altura, e que inácio não teve ocasião de conhecer.

 

Aos poucos, os Canyelles e foram perdendo o medo e se afeiçoaram a ele, tanto que numa ocasião, depois de convidá-lo para almoçar na mesa, o marido de Micaela, que trabalhava com lã de ovelhas, fez para Inácio um buriel novo; Inacio deixou aquele paletó surrado que lhe deram um dia em Monserrat, depois de doar suas vestes luxosas para um mendigo.

 

Seguindo o nosso percurso pelas pinturescas ruas de Manresa, encontramos também a casa Amigant, construção medieval dos séculos XIII e XV. Nela ainda pode se ver o escudo da família, composto por dois braços que apertam as mãos e duas estrelas que simbolizam amizade e boa sorte. Esta família era uma das linhagens de maior prestígio na cidade, e trabalhavam do controle da economia das instituições locais.

 

Dizem que quando Inacio chegou a Manresa, o comerciante da cidade era um tal Pere (Pedro) Amigant, com quem fez grande amizade e contou com a ajuda do casal no tempo das grandes e duras penitências, que o peregrino espontaneamente fazia. A negatividade de sua vida passada surgia como lhe dizendo: Você não vai aguentar este tipo de vida que agora se propõe...  E espantava esses pensamentos negativos com um pequeno ramo que ele mesmo tinha feito. Anos depois, esta casa foi transformada na Capela de Santo Inacio Enfermo. Pequeno recinto religioso que se encontra na praça que leva o mesmo nome. Esta família também o acolheu fraternalmente em sua casa, nas ocasiões em que ele adoecia, pelas penitências físicas que ele praticava.

 

Vale ressaltar, que Ignacio foi amigo de outras pessoas que ao longo de sua história o foram conhecendo. Estamos falando no período após sua conversão. Antes, seus relacionamentos eram impulsivos e egoístas, que pouco duravam; agora são para ajudar e servir... Ajudar e deixando-se ajudar. Ele mesmo confessou, "que alguns pensavam que os gestos que ele fazia eram mais próprios de alguém que delirava... Eram gestos gratuitos que escandalizavam... Deus o levaba com amor, e pela mão... coisa que mais tarde deixará nas Constituições da Companhia quando fala do superior: “O superior não esqueça da bondade, mansidão e caridade de Cristo”...

 

Continuará…

 

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