2º DTQ: TRANSFIGURAÇÃO: ser presença iluminante... (cf. A. Palaoro SJ)


 “O seu rosto brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz...” (Mt 17,2)

 

O evangelho deste segundo domingo da Quaresma nos apresenta um acontecimento muito profundo e transcendente da vida de Jesus, na presença de seus discípulos. O Mestre leva consigo três discípulos com os quais já tivera dificuldades devido à falta de compreensão deles com relação à sua missão. Pedro tentara desviar Jesus de seu caminho de Cruz e os outros dois, João e Tiago, disputavam os primeiros lugares no Reino.


Ali, no Monte Tabor, também aparecem dois personagens, referenciais na tradição judaica: Elias e Moisés. Elias é aquele que lhes revela que a Divindade; Moisés, revela que a Divindade atua na história como ação libertadora de toda opressão.

 

Na transfiguração, Jesus deixa transparecer sua divindade e revela a toda humanidade. Na verdade, todos(as) somos “filhos e filhas amados(as)”. Somos criaturas profundamente amadas, para além de nossos medos e inseguranças. Nossa condição humana se “transfigura” na “filiação divina”.


A Transfiguração de Jesus põe em evidência nossa condição humana; de um lado, ela deixa transparecer que, como humanos, somos frágeis e vulneráveis,  de outro lado, manifesta que, na nossa essência, somos partícipes da Luz divina.


O “relato das tentações” de domingo passado nos situou frente à nossa condição de vulnerabilidade e carências (busca de poder, prestígio, riqueza...); o “relato da transfiguração”  des-vela (tira o véu) a luminosidade que também somos


Somos “luz” e, no entanto, vivemos perdidos nas sombras das nossas limitações.

 

O monte da transfiguração nos desafia a contemplar nossa interioridade sem o filtro dos pre-conceitos, ideias, percepções... Celebrar a “transfiguração de Jesus” é despertar nosso ser, nossa essência, nossa originalidade... No encontro com o Jesus transfigurado, também nos trans-figuramos. Somos “seres transfigurados” e não sabíamos disso. A realidade torna-se “diáfana” (transparência) e nos impulsiona a ir além da pura materialidade. Somos seres de transcendência e de enraizamento.

 

A Transfiguração não é um evento que acontece num determinado momento especial, mas um “modo de ser e de viver” na realidade cotidiana; só quem tem sensibilidade contemplativa pode perceber e entrar no fluxo da transformação, sendo presença transfigurada e iluminante.


Há pessoas petrificadas por dentro que tudo o que tocam, ou o ambiente em que vivem, se transforma em sombra pesada; Outras, pelo contrário, transfiguram a vida e os problemas. Há quem transfigura a guerra em paz, o ódio em respeito... deixam a luz divina atravessar sua vida e transmitem luz  divinaSomos portadores de uma “luz nova” que nunca se extingue...  

 

 

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