Cuba: Prioridade dos jesuítas de América Latina (FEV/2013)

Deus abençoe a terra cubana...
A Região Independente de Cuba, muito em breve a Seção de Cuba da Província Antilhense, participa da missão da Companhia neste continente como parte da resposta aos desafios que a história particular de Cuba expõe à Igreja.

Situada no mar do Caribe, compartilha com as outras ilhas do arquipélago das Antilhas a forte presença cultural das tradições africanas herdadas dos escravos, numa mestiçagem de riqueza e criatividade, numa geografia ilhoa e tropical. A região do Caribe se caracteriza pela diversidade de raízes culturais, tanto europeias como africanas, pela identidade marcada pelo colorido e a música alegres, pela expressividade corporal, pela história de colonialismo e escravidão, e pela fragilidade de pequenas nações com histórias acidentadas.

A Igreja de Cuba soube sobreviver a anos difíceis, quase reduzida a gueto de excluídos, diminuída em números e em espaço social, dizimada pela migração, pelo abandono e pelo medo. Mas que teve força para manter sua presença fiel, sua unidade em meio a dificuldade, e guardou a fé popular, a devoção à Virgem da Caridade, que segue convocando como a Mãe de todos os cubanos, e a credibilidade do povo por sua presença constante, calada e em serviço compassivo.

A Companhia do Jesus conseguiu manter uma fidelidade criativa à sua missão nesta terra com presença ininterrupta e generosa. Embora dos 216 jesuítas que havia na ilha em 1959, termos baixado a 28 em 2013, hoje, conscientes que correm ares de mudança, queremos tirar de cima qualquer vislumbre de derrotismo e de desesperança. Queremos renovar nossa capacidade de sonhar, de planejar com realismo e visão estratégica, de nos entusiasmar com a missão a que nos envia o Rei Eternal. Por isso durante anos nos mantivemos trabalhando em um plano estratégico que neste momento está solidificando em um planejamento operativo, que suporta uma seleção de ministérios, e se insere no Projeto Apostólico Comum da CPAL (PAC), integrando-se também com ilusão ao Projeto Caribe.

Entre as prioridades que marcamos, cabe destacar o fomento da Espiritualidade Inaciana através dos Exercícios Espirituais e a formação de leigos nessa espiritualidade. Cerca de 400 pessoas se assomaram ao longo do ano de 2012 à experiência dos EE na Vida Ordinária, 40 jovens realizaram exercícios de 8 dias, e mais de 20 leigos estão se formando (e praticando) para dirigir os EE. Acabamos de inaugurar duas Casas de Exercícios novas que, embora com muita precariedade econômica pela falta de recursos econômicos dos exercitantes, em um país onde a maioria recebe um salário inferior a um dólar diário, estão sendo bastante solicitadas.

Os jovens são a outra prioridade fundamental em nossa missão, que se por um lado formam nossos grupos de jovens paroquiais, também foi se formando e estendendo por diversas cidades uma Rede de Jovens Inacianos, iniciados na nossa espiritualidade através de acampamentos inacianos (três anos), formação em liderança inaciana (dois anos), Jornada Inaciana (anual em cada cidade), Festival Inaciano nacional (bianual) e processos de discernimento vocacional que vão contribuindo anualmente com novas e boas vocações à Companhia. Num momento onde a desesperança e o cansaço estão muito pressentes, queremos acompanhar os jovens para que encontrem sentido em suas vidas, formá-los para sejam semeadores de esperança e se comprometam com seu povo a partir do encontro com Jesus Cristo encarnado, especialmente nos que mais sofrem.

Uma fronteira importante que assinalamos para nossa missão é detectar, conhecer e relacionar-se com a população que participa do sincretismo religioso e com os afastados. E sabemos que para isso precisamos promover comunidades abertas, inseridas, abertas à reflexão e ao discernimento, em diálogo com a cultura afrodescente, acolhedoras com os mais necessitados.

As mudanças que vamos detectando nos impulsionaram a explorar novos caminhos de missão, assim iniciamos a formação de microemprendedores tentando fomentar a criatividade e reponsabilidade social e estrutural que favoreça a realidade econômica e social. O programa ES.PE.RE. que nos possibilita trabalhar aspectos antropológicos, éticos e espirituais de um povo necessitado de fechar feridas, divisões, desconfianças, e recuperar valores importantes nestas áreas. Este ano se espera que façam os cursos 1.000 pessoas. Finalmente, sentimo-nos urgidos a trabalhar com os meninos e adolescentes através dos espaços educativos novos que vão surgindo, como o reforço escolar, música-teatro-arte, a formação dos pais… e a catequese.

Toda esta missão não seria possível sem a generosa ajuda das Províncias jesuítas irmãs, em uma Igreja onde a terça parte dos Padres e quase dois terços dos Religiosos não são nativos, e muito dependente economicamente do exterior. A Companhia em Cuba, na sua fragilidade, caminha com o povo tentando formar comunidades que irradiem fé, semeiem esperança, contagiem caridade, para que Nele todos tenhamos vida.
Juan Miguel Arregui, SJ
Superior Delegado

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