5. Fui tecido no seio de minha mãe...

Somos luz da Luz e filhos das estrelas. O amor faz parte da nossa história inicial e final. A parede intra-uterina da nossa mãe foi o primeiro espaço de acolhimento e crescimento e ali ficamos aninhados por 9 meses. Nesse pequeno ambiente, quente e aconchegante, aconteceram grandes e rápidas transformações no nosso ser. O embrião gerado logo se dividiu em duas camadas conhecidas como endodérmica (camada interna e da qual derivam a faringe, o tubo digestivo, a bexiga, a uretra...) e ectodérmica (camada externa e da qual derivam a pele, o sistema nervoso...). Logo depois, se formou outra capa entre essas duas, a mesodérmica (camada média), de onde brotará o sistema reprodutivo e o circulatório. Que mistério, sexo e coração estão juntos desde o início, transitam pelo miolo das nossas vidas. Tocam ambas e é, ao mesmo tempo, tocado por eles. 

Nos primeiros 28 dias de existência todos somos fisiologicamente idênticos e nada nos diferencia, exceto os cromossomos sexuais das células:  X = feminino e Y = masculino. Estes cromossomos darão lugar à identidade sexual, iniciada na 5ª ou na 6ª semana, formando as estruturas que darão lugar ao sistema reprodutivo masculino ou feminino. 

O desenvolvimento físico no pré-natal é uma maravilha da natureza. No meio dos 46 cromossomos (XX nas mulheres e XY nos homens) há uma “interioridade” na urdidura do nosso ser interno e externo que penetra a carne, embora não se assemelha com ela, e é tocada pelos sentidos, embora não se identifique com eles. É o “eu” mais profundo de cada pessoa e que está conosco desde o início, como embriões. É a nossa singularidade, personalidade e identidade de gênero. Antes de saber se seríamos tímidos ou extrovertidos, músicos ou atletas, fomos desde então um “eu masculino” ou um “eu feminino”. Desde o início somos “fisicamente” sexuados. As dificuldades de gênero ou identidade que por ventura alguém possa experimentar, não são “defeito de fábrica”, mas percalços misteriosos aparecidos durante a caminhada pela vida.

O processo do desenvolvimento integral é uma longa viagem iniciada, pois, naquela primeira célula microscópica, o óvulo fecundado, e que depois se transformou num corpo física e emocionalmente saudável. Cada um é responsável por este processo.

O contato humano é uma necessidade básica e as mãos são, geralmente, a fonte dessa bênção. Em todas as culturas as mãos são usadas como forma de comunicação, manifestação de carinho e também como bênção. O toque é necessário para o crescimento e bom desenvolvimento físico e emocional das pessoas e sua ausência traz sérias consequências. É pelo toque que curamos, amamos e abençoamos as pessoas.

Quando os bebês choram são confortados e acariciados pelas mãos. Isso é reconfortante. Pelo toque, damos carinho e manifestamos a nossa solidariedade. Aperto de mãos, tapinhas nas costas, mãos dadas, abraços e beijos são modos de transmitir conforto, apreço e compreensão.

A pele é o maior órgão sensitivo do corpo. Ela está em constante estado de vigília, enviando e recebendo sensações ao sistema nervoso central. O toque faz com que a nossa sensibilidade fique mais apurada, promovendo bem-estar e harmonia em todos. Evidentemente, a reação ao toque é um mistério que também precisamos decifrar.

A sexualidade masculina ou feminina, aquele XY ou XX dos nossos cromossomos, está espalhada por todo o corpo e não apenas nos genitais; daí o prazer experimentado no contato humano. O toque e o contato são fonte de conforto e segurança, e isso desde a primeira infância. Crianças sem carinho, sem suficiente contato físico, morrem de tédio e, quando adultos, ficam desajustados e carentes. Há uma relação estreita entre o contato físico experimentado de pequeninos e a capacidade de relações interpessoais adequadas nos adultos. Tocar e deixar-se tocar é a forma mais básica do relacionamento humano.

O primeiro capítulo de nossa história psicossexual começou no útero materno, após a 9ª Semana, quando o feto começa a se tocar e a se coçar na parede uterina. Esse prazer inconsciente ficou registrado para sempre na memória afetiva do próprio “eu”. Embora não lembremos de nada, o acontecido nesse período ficou impregnado no nosso ser e continua exercendo influência, positiva ou negativa, nos dias de hoje.

A nossa energia vital, os modos de expressar a masculinidade ou a feminilidade, residem nesse primeiro capítulo da nossa história. Os acontecimentos pré-natais como os pós-natais influem notavelmente a vida de cada pessoa. Oxalá aquela primeira etapa da vida tenha sido experimentada de tal forma que agora contribua para sermos pessoas mais positivas e gratuitas.

Por desgraça, também nessa fase, fomos também impregnados de inúmeros condicionamentos inconscientes, pessoais e coletivos, que exercerão seu domínio também no presente. Não somos robôs químicos ou “hormonais”, mas carregamos, muitas vezes e sem perceber, o pior dos nossos antepassados. Contudo, no meio dessa mistura de elementos, há um “eu” profundo que pode tomar decisões mais positivas e construir, por meio de palavras e gestos, a própria vida e a vida dos outros.

A tecnologia biomédica hodierna permite observar no feto a sua interação corporal, sobretudo no último trimestre da gestação. Os bebês descobrem com prazer os seus genitais (aumenta o ritmo cardíaco, há maior movimentação física...). A lubrificação vaginal e a ereção do pênis começam bem antes do nascimento! Essas manifestações cíclicas estão associadas a períodos constantes e, provavelmente, duram a vida toda.

Conhecer as próprias limitações, algumas até ancestrais é dar um sentido positivo à vida. Deus escolheu a sexualidade como um valor e a revestiu de fogo, energia e paixão. Ele nos abraçou e deixou sua marca divina em cada pessoa, por isso todos são dignos de nosso carinho e de nossas carícias.

Para pensar e partilhar:
1.    Como era a saúde física e emocional da sua mãe quando esperava você?
2.    Sua mãe já lhe contou como foi a história do seu nascimento?
3.   Qual a relação entre as experiências do seu pré-natal e o nível atual de sua auto-estima?


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