Os 7 pecados capitais dos ultraconservadores... (Fernando Cyrino)





Conservar é manter, e fazer com que permaneça para o futuro aquilo que parece importante. O que não deve acontecer é que se estacione no passado, agindo como um motorista que dirige com os olhos mirando apenas o retrovisor. Ou como um carro que é provido apenas de freio. O mundo caminha para adiante e não para trás. Deus se coloca sempre à nossa frente, nos convocando a dar mais um passo. A nos dizer para que não tenhamos medo.

Que tal, para ajudar a nossa reflexão, pensarmos nas sete faltas básicas que são cometidas quando nos fechamos completamente ao porvir. Eis aqui os pecados que, nessas horas são passíveis de serem cometidos (dentre muitos outros, claro):  

1 – Confundir tradição com tradicionalismo. A tradição vem de Jesus, dos apóstolos e dos padres da Igreja, principalmente. Daí a pegar algo de 400, 500, ou mesmo 100 anos e dizer que se trata de tradição basilar da Igreja, vai uma distância imensa e que não deve ser ultrapassada.

2 – Ficar paralisado pelo medo do futuro. O amanhã sempre é desconhecido, e é normal que amedronte. O que não pode acontecer é permanecer parado, ou mesmo regredir por causa desse temor. Deus afasta o medo..., ensina-nos a canção de Taizé.

3 – Fechar-se nas sacristias, fugindo do mundo. Este passa a ser considerado por demais perigoso para um “bom católico”. Melhor estar dentro do templo do que ser uma Igreja de saída, terminam por pensar.

4 – Viver da nostalgia de uma Igreja da Cristandade e que, definitivamente, não existe mais. Uma Igreja que adorava mostrar mais o poder do que serviço e a misericórdia.

5 – Fechamento aos diferentes. Pavor ao ecumenismo. “Melhor permanecer em grupos que agem e refletem da mesma maneira do que eu”. Este se torna-se o modelo mental, o que leva à criação de comunidades fechadas e que, não raro, descambam para uma agressividade com quem pensa e vive de maneira distinta.

6 - Foco em uma Igreja de “puros e santos” e não em uma Igreja de “pecadores em busca de conversão e crescimento”.  “Criemos o nosso clube católico. Nele a piscina terá água benta...”, é o que se deseja, consciente, ou inconscientemente, dizer.

7 – Atenção demasiada com o pecado pessoal (o corpo e o sexo são demonizados!) e pouca atenção ao pecado social, às estruturas injustas, e a cada dia mais fechadas, que são as verdadeiras fábricas de pobres e excluídos.

Por que nos armamos tantos uns contra os outros?


2 comentários:

  1. Isso é uma falácia. O pecado individual tem relação com o pecado social sim. Veja os ditadores sanguinários por exemplo como Fidel Castro, Mao Tse Tung, Stálin entre outros que eram pedófilos e/ou pervertido. Claro que a prática do pecado pessoal reflete na relação com os outros. E aliás, quanto mais poder o sujeito tem, maior o malefício de seus pecados em relação aos outros. Veja o presidente Trump, se ele quiser iniciar uma guerra nuclear preventiva, não existe ninguém que possa impedí-lo. O Temer casado com a jovem Marcela, pode por esse fator não renunciar em circunstância alguma. Um simples pai de família ao cometer adultério não pratica "só" o pecado em si. Ao arrumar amante ele vai dar dinheiro e dedicar a sua vida a essa relação prejudicando toda a família dele, seja o cônjuge, os filhos e destruindo a estrutura familiar. O pecado "da cintura para baixo" pode destruir uma família sim. Os conhecidos sete pecados capitais não mudam, pois a natureza humana não se altera. Não adianta quere maquiar os vícios e relativizá-los por conta própria a pretexto de "evolução". Só alguém ingênuo ou de má fé pode acreditar que um dia não existirá mais inveja, ciúme, ódio. Os pecados são tão verdadeiros e antigos como o teorema de Pitágoras também o é.

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  2. olá, Carlos, paz! Agradeço a sua resposta ao meu texto. Fato é que, sem querer polemizar, preciso lhe dizer que não está escrito que o pecado pessoal esteja dissociado do estrutural. Claro que o mal está no homem e as duas formas de maldades são complementares - veja o quão terrível é isto. O que quis dizer foi que se costuma nessas searas (e considero isto um problema) dar uma ênfase tão grande ao pessoal, que o pecado social acaba se ocultando na penumbra. Acho que é preciso também tomar cuidado ao citar somente "ditadores sanguinários" como pecadores. Todos nós somos pecadores e se não nos cuidarmos podemos fazer coisas absurdas de tristes. Cuidado também porque mesmo na Igreja temos tido casos terríveis nos últimos anos (por exemplo o Sodalício e os Legionários). E já que você trouxe ditadores, recordemo-nos também que Pinochet e Videla eram católicos de comunhão constante. Penso que como cristãos devemos recordar Paulo a nos dizer que, "aquele que está de pé, que cuide para não cair" e essa queda se dá tanto no mal pessoal, quanto no estrutural. Meu abraço fraterno.

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