Cardeal Tauran na Arábia Saudita...


Nunca podíamos pensar que aconteceria o que vimos e ouvimos. Uma delegação vaticana, com o Cardeal Jean Louis Tauran (* 1943) à cabeça, ficou por uma semana no reino saudita, encontrando-se com o rei e o príncipe herdeiro. O cardeal sofre do mal de Parkinson desde 2012, debilitando seu aspeto físico, mas não sua cabeça. 
O que é o cardeal disse, no seu discurso oficial, é uma pérola da boa convivência humana: “O que nos ameaça não é o choque de civilizações, mas o choque da ignorâncias e dos radicalismos. Conhecer-se é reconhecer-se”. 
Ao chegar a Riad no dia 13/ABR, o cardeal foi recebido pelo príncipe herdeiro, o vice-governador da capital, e pelo próprio secretário da Liga mundial muçulmana. Lembro que o reino saudita, é a terra natal do Islã, e lá estão os dois lugares mais importantes dos muçulmanos: Meca e Medina.

O cardeal também disse que os lugares sagrados cristãos, na Terra Santa, em Roma ou em outros lugares, estão sempre abertos a todos nossos irmãos e irmãs muçulmanos, para os fiéis de outras religiões e também a todas as pessoas de boa vontade que não professam qualquer religião... Também em muitos países, as mesquitas estão abertas a visitantes, e isto é o tipo de hospitalidade espiritual que ajuda a promover o conhecimento mútuo e a amizade, contrastando os preconceitos.

O cardeal falou sobre fundamentalismos: Em todas as religiões há radicalismos. Talvez os fundamentalistas e os extremistas sejam pessoas zelosas, mas infelizmente, se desviaram de uma compreensão sólida e sábia da religião. Além disso, consideram todos os que não compartilham de sua visão como infiéis, que devem se converter ou ser eliminados, para assim manter a pureza. São pessoas confusas que podem passar facilmente à violência em nome da religião, incluindo o terrorismo. Estão convencidas de que estão servindo a Deus? A verdade é que estão somente fazendo mal a si mesmas, destruindo os outros, destruindo a imagem da sua religião e dos seus correligionários. Por isso, precisam da nossa oração e da nossa ajuda.

Depois de esclarecer que a religião pode ser proposta, jamais imposta, e também aceita ou recusada, o cardeal falou que um dos campos em que cristãos e muçulmanos devem estar de acordo, já que no passado houve muita competição entre as duas comunidades, é o da construção de lugares de culto. De fato, todas as religiões devem ser tratadas do mesmo modo, sem discriminações, porque seus seguidores, assim como os cidadãos que não professam nenhuma religião devem ser tratados do mesmo modo. Plena cidadania para todos! Se não eliminarmos medidas desiguais do nosso comportamento como crentes, alimentam a islamofobia ou o anticristianismo

Os líderes espirituais temos o dever de evitar que as religiões estejam a serviço de uma ideologia, e reconhecer que alguns dos nossos correligionários, como os terroristas, não estão se comportando corretamente. O terrorismo é uma ameaça constante, e não se pode justificá-lo jamais. O terrorismo quer monstrar a impossibilidade da convivência. Nós acreditamos no contrário, por isso  devemos evitar agressões e difamações.

O pluralismo religioso é um convite a refletir sobre a própria fé, porque o diálogo inter-religioso autêntico inicia com a proclamação da própria féNão podemos dizer que todas as religiões são iguais, mas que todos os crentes e todas as pessoas de boa vontade sem uma filiação religiosa, têm a mesma dignidade. Cada um deve ser deixado livre para abraçar a religião que quiser. O Deus que nos criou não pode ser motivo de divisão, mas de unidade!

Quando li o discurso do cardeal percebi que os critérios por ele elencados, fazem do diálogo ecumênico e do diálogo interreligioso pérolas preciosas para o enriquecimento mútuo.

E você o que pensa?
   

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