33º DTC: ESPERANÇA, ENQUANTO HOUVER VIDA...(Cf. P. A. Palaoro sj)

“...ficai sabendo que o Filho do Homem está próximo, às portas”(Mc 13,29)

Estamos no penúltimo domingo do “ano litúrgico B”, e o evangelho é tirado do “discurso escatológico” ou“pequeno apocalipse” de Marcos. Este capítulo faz a ponte entre a vida pública de Jesus e a sua Paixão. 

Escatologia (grego: escatónúltimo), leituras que fazem referência “aos últimos tempos”, convidando-nos à “vigilância”e à atenção ao tempo presente. O discurso escatológico de Marcos recorda algumas convicções que devem alimentar a esperança dos seguidores de Jesus.Anúncio esperançador reforçado pela imagem da figueira que, carregando-se de brotos, anuncia a primavera. Caminhamos para uma Primavera que não conhecerá ocaso: “O céu e a terra passarão, mas minhas palavras não passarão”.

Este Evangelho tem muito de invernoe muito de primavera. Fala-se desse momento final, onde tudo parece terminar em cataclismo. Mas logo nos abre à primavera da figueira que começa a gerar novos brotosnos ramos, ainda quase desnudos do inverno. E, finalmente, enraíza nossa esperança na Palavra de Deus. 

Se pudéssemos optar escolheríamos as estações da primavera e do verão. No entanto, não podemos imaginar um ano sem a estação do inverno. No inverno, a terra se faz mais fecunda, a seiva se concentra nas raízes e logo poderão dar melhores frutos. As plantas ficam hibernando para estarem mais sadias nas outras estações. O inverno é estação de silenciosa transformação que começa nas profundezas das raízes.

A vida passa por contínuos invernos: desafios, dúvidas, obscuridade, tribulações, desolações... Inverno da fé que nos fazem descer às raízes para concentrar energias e, assim, robustecer-nos para um novo impulso vital. 

Incômodos do presente, fracassos, obscuridade diante do futuro, crises sociais e econômicas, intolerância e preconceitos são o inverno da esperança;não matam a esperança, mas dão-lhe maior consistência e profundidade.

Sobre este mundo petrificado e indiferente se anuncia e se prepara a vinda de Jesus. Os modelos atuais de vida, centrados no individualismo e no descarte, no poder e violência serão excluídos... Deus novamente intervirá criando uma nova ordem de salvação, centrada no Filho do Homem, e não mais no sol, a lua ou as estrelas que alimentam o ego pessoal e social. Este mundo não será consumido, mas consumado,pois Deus reserva uma plenitude de sentido para a Criação inteira. 

Mas, esse “des-astre”(destruição dos `astros´) não se refere somente a uma realidade exterior, mas também omundo interior, onde o ego brilha como o “sol”, a vaidade se revela como “lua”, e as vaidades e aparência nos fazem sentir como “estrelas”. Viver é bonito, mas também muito perigoso.

No entanto, resistimos! A esperançaé um princípio vital, expresso na sábia constatação de que “enquanto houver vida, há esperança”. E a esperança se fortalece na obscuridade e na crise.

A condição humana pode ser definida em termos de "espera radical"ou de "esperança". Quando uma sociedade perde a esperança, a vitalidade se atrofia e a vida corre o risco de degradar-se. A esperança tem caráter profético, pois afirma como se visse o melhor que esperamos. E, enquanto o anuncia, de certa forma, o prepara.





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