CORPUS CHRISTI: CORPO HUMANO DE CRISTO... (cf. Pe. A. Palaoro SJ)

Nessa mesa todos cabemos...


O dia de “Corpus Christi”, quinta-feira depois da Trindade,é festa do Deus feito carne e sangue humano, festa da humanidade de Deus e da divindade do ser humano.

O Corpo de Deus é, por Cristo, o ser humano inteiro, a humanidade completaFesta do Corpo de Jesus e de todos os corpos; festa do pão e do vinho, frutos da terra e da comunhão de todos os seres. A Terra é um grande organismo vivo; o Universo, com suas estrelas e galáxias, é um corpo imenso. Corpo sagrado, porque habitado pela presença divina.

Celebremos nosso corpo, cuidemos dele com carinho sem submetê-lo à escravidão de nossas modas e medos. Respeitemos como sagrado o corpo do outro, sem explorá-los. Sintamos como próprio o corpo do faminto, do violentado, do refugiado, da mulher violada, maltratada, assassinada... É nosso corpo; é o Corpo de Jesus; é o Corpo de Deus.

O corpohumanofoi assumido por Deus na Encarnação de Jesus Cristo. Este gesto divino eleva e engrandece a corporeidade humana e a resgata para sempre, já que a divindade abraça a carne, acolhendo sua fragilidade para dentro de Si mesmo.

Frente a um contexto social e político que faz opção clara em favor da morte, os seguidores de Jesus proclamam em alta voz seu compromisso em favor da vida. É uma incoerência tremenda realçar o espírito da festa de Corpus Christi quando corpos são violentados, multidões são expostas à fome e miséria, pessoas e grupos são excluídos por preconceito, intolerância...

Jesus fez do universo seu corpoe se faz pãovinho para nós. Somos n’Ele e Ele é em nós, infinitamente mais que um Tu separado. Corpo que se faz alimento e alegra o coração, na promessa de nos reconduzir às entranhas do amor do mesmo Deus.

Jesus, Messias de Deus, é corpo, vida expandida, sentida, compartilhada. Jesus é corpo que quebra distâncias, acolhe o diferente e cria comunhão. Jesus desencadeia um “movimento corporal humanizador”, se faz alimento que a todos sustenta, criando uma comunhão corpórea universal, pois ninguém está excluído.

Nesse sentido, a Eucaristia se revela como centro da vivência cristã, e faz de todos nós Corpo de Cristo. Daí o interesse da primitiva Igreja em que, na Eucaristia, todos comungassem do mesmo pão partido, com a finalidade de fazer visível essa unidade de todos. “Tomai e comei, isto é meu corpo...”Jesus vem ao nosso encontro como alimento numa refeição de amigos. 

Após a Ressurreição, Jesus foi “reconhecido ao partir o pão”,não porque estava no templo ou ensinava na sinagoga, mas porque partia e repartia o pão nas casas. Por isso, no primeiro dia da semana, reuniam-se todos, oravam juntos, recordavam a mensagem de Jesus, e comiam o pão e bebiam o vinho... Era a ‘ceia do Senhor”ou a “fração do pão”.  

É preciso recuperar o lugar e o sentido da Eucaristia,para que não seja um rito puramente cultual. Por desgraça, a Eucaristia acabou se convertendo em uma cerimônia rotineira, que demonstra a falta absoluta de convicção e compromisso. A Eucaristia era, para as primeiras comunidades cristãs, o ato mais subversivo que podemos imaginar. Os cristãos que a celebravam  eram conscientes de que recordavam o que Jesus tinha sido durante sua vida e se comprometiam a viver como Ele viveu.

Séculos depois, a simples refeiçãose converteu em templo, em “sacrifício”, e a mesa em altar, o convite em obrigação, o rito em pompa, a partilha em exclusão... A festa do “Corpus Christi”pode ser uma ocasião privilegiada para voltarmos ao mais simples e pleno, à alegria da fraternidade e da solidariedade. 

A Missa é uma verdadeira missão.


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