Radiografia da personalidade de Santo Inácio de Loyola...


Cada pessoa é um mundo imenso de sentimentos e ideais que não é fácil de decifrar e de acolher. Somos filhos de pais diferentes e carregamos conosco o DNA dos nossos antepassados. Nosso temperamento é uma mistura do que somos com os condicionamentos familiares e até regionais que nos moldaram. Estamos impregnados até da geografia do lugar que nos viu nascer,

Pois bem, tudo isso e misturado é a primeira comunidade dos jesuítas, companheiros de santo Inácio de Loyola. As inter-relações deles é fruto da graça e da história que cada um carregava. 
Comecemos por Inácio de Loyola(1491 - 1556), seu complexo mundo interior para entender melhor os seus relacionamentos com seus companheiros.

Damos por aceito o axioma de que Deus não pode agir, a não ser no estrutural humano. "Quod natura non dat Salmantica non praestat". Dito de outro modo: Deus não força a natureza humana. Por isto, quanto mais uma pessoa trabalhar positivamente suas capacidades humanas, tanto mais poderá colocá-las a serviço de Deus e dos outros. Ninguém pode dar o que não tem.

A estrutura humana de Inácio de Loyola é muito rica. É próprio das personalidades fortes conter, também, grandes defeitos. Os prédios mais altos projetam sombras maiores. Há pessoas que se perdem nas suas próprias sombras. Caminhamos para o sol, sem deixar-nos seduzir pela própria sombra.

Quais as luzes e sombras, qualidades e defeitos de Inácio de Loyola? E como tudo isto influenciou, de modo determinante, nos seus relacionamentos interpessoais?

Para entender melhor uma personalidade, precisamos chegar até suas próprias raízes. Cada um de nós carrega dentro de si o inconsciente coletivo do seu povo, e também o da sua própria família. Lembro minha mãe dizer espontaneamente: Você herdou o mais negativo do seu pai.

Ínhigo Lopez de Loyolapertenceu a uma família nobre e belicosa. Acaso os dois lobos e o caldeirão, no escudo de armas da casa-torre, não nos dizem que a família Lopez (=lobo) foram como lobos que entravam no mais íntimo das outras casas, para roubar-lhes até o próprio alimento? Não só o seu pai dedicou-se às armas, mas também seu avô, bisavô e tetravô... Todos os seus irmãos, exceto o que seguiu carreira eclesiástica, se dedicaram ao serviço dos reis de Castela quer empunhando armas na Península ou participando da conquista das Américas. A graça não destrói a natureza! Inácio de Loyola foi toda a sua vida um basco e um Lopez de Loyola!

A psicologia atribui grande importância aos fatores hereditários e às condições ambientais da primeira idade na configuração psicológica do indivíduo. Situemos, pois, Inácio no meio da sua família e no meio da sua terra. Da família aprendeu a ser educado, teimoso e belicoso, e da terra tomou o ser reflexivo, calado e sumamente prático.

Inácio possui uma inteligência mais realista do que cerebral. Ele percebia de tal modo o essencial, que ia direto ao assunto sem se perder em poesias e lirismos. A estrutura do seu pensamento era sólida e organizada. Ele se impunha pela força das ideias e a objetividade da proposta. Era um homem de grande força de vontade. Possuía grande espírito de autodomínio; era hiperativo, um líder. Não se deixava vencer pelas dificuldades e tinha uma resistência incrível diante do cansaço, da doença e da dor. Ele era da feitura de um `manager´ moderno, mais do que a de um abade de mosteiro. Com sua sensibilidade esquisita projetava tanto homens como ideias.

Inácio era possuído por um grande orgulho, e uma forte sensualidade que o levavam a impulsos fortes que, só mais tarde, conseguirá controlar com a graça de Deus. Dono de uma grande sensibilidade, capaz de vibrar com as coisas bonitas e bem feitas como a natureza, a música ou a poesia. Independente, egoísta, duro, exercía grande atração nos temperamentos femininos.

Inácio, uma vez convertido, vai trabalhar seu temperamento. Ele não o recalca, nem o reprime, mas o orienta para Jesus Cristo, e sua causa, o Reino de Deus.

Todo este modo complexo de ser, influenciará de modo determinante, as relações com as pessoas.

Como eram as relações humanas entre Inácio e seus companheiros?

Catalogando os relacionamentos humanos como bons(harmoniosos), maus(não harmoniosos) e de mais ou menos, percebemos que Santo Inácio dava-se muito bem com seis dos oito companheirosFabro, Laynez, Xavier, Salmerón, Jayo e Broet. Dava-se mais ou menos com Rodrigues e Bobadilla. Com nenhum se dava mal.

Este primeiro grupo de companheiros, de diferentes nacionalidades e temperamentos, souberam viver juntos, e de realizar grandes coisas pelo Reino de Deus. Foi Deus quem os uniu e os manteve juntos para seu maior serviço divino. A experiência de Deus que fizeram ("conversão"!) e os relacionamentos interpessoais que foram forçados a realizar, fizeram deste pequeno grupo de homens uma boa semente de trabalho apostólico. 

Se grande foi São Francisco Xavier, São Pedro Fabro ou um São Francisco de Borja, maior foi Inácio que soube formar homens de tamanha envergadura.


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