Padre Bartomeu Melià (1932-2019), jesuíta antropólogo, na casa do Pai...



Deus é bom para conosco. Em poucos dias faleceram grandes jesuítas, vultos históricos e significativos em nosso país: Haroldo Rahm (1919-2019), Bejamim Bartolic (1923-2019) e agora Bartomeu Melià (1932-2019). Nascidos em países diferentes, trabalharam incansavelmente e se destacaram no Brasil pela sua bondade e conhecimento.
    
Pe. Bartomeu Melià, jesuíta espanhol radicado no Paraguai por mais de 50 anos, era uma sumidade na cultura e etnografia guarani. El teve uma carreira intelectual impecável. A Universidade de Estrasburgo (França) concedeu-lhe o título de Doutor em Ciências Religiosas, em 1969; pesquisador no Centro de Estudos Paraguaios e no Instituto de Estudos Humanísticos e Filosóficos. Orientava diversos doutorandos...

Seu amor pela cultura o levou a morar com os guaranis do Paraguai, da Bolívia e do Brasil, assim como também com os Kainganges e Enawené-Nawé. Em 1976, devido ao seu repúdio público ao massacre sistemático dos Ache-Guayaki, foi exilado do Paraguai pelo ditador Stroessner (1912-2006).

Seus trabalhos e publicações sobre linguística guarani, história social do Paraguai e etnografia são numerosos. Entre os muitos prêmios e distinções que recebeu, destacam-se: Prêmio Nacional de Ciência 2004, o Prêmio Bartolomé de las Casas 2011 e a "Ordem Nacional de Mérito" em 2012. Ele também era membro da Academia Paraguaia de Língua Espanhola e da Academia Paraguaia de História.

Em 2005, obteve a nacionalidade honorária do Paraguai, concedida pelo Congresso Nacional, e em 2011 recebeu a cidadania paraguaia.

Há menos de um mês, 14/NOV, o Pe.Melià recebeu uma distinção do Senado por sua inestimável contribuição à sociedade paraguaia e latino-americana, à defesa dos direitos linguísticos e culturais, à democracia e à justiça. 

Servo bom e fiel entra agora na gloria do teu Senhor!



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