17º DTC: Quando o tesouro e a pérola saem ao nosso encontro... (Pe. A. Pallaoro SJ)

Cheio de alegria, ele vai, vende todos os seus bens e compra aquele campo... (Mt 13,44)

As parábolas são uma surpresa diante da vida que nos ultrapassa, fazendo-nos capazes de pensar de modo diferente, ao abrir-nos à dimensão da transcendência. Elas desvelam a vida real das pessoas, movendo-nos a assumir uma atitude mais aberta e mais comprometida. 

As parábolas evocam experiências desconcertantes que rompem os esquemas “normais” da vida. Elas nos arrancam da normalidade doentia, e despertm novos recursos internos. 

O Evangelho deste domingo recolhe duas pequenas parábolas de Jesus: a do tesouro e a da pérola. Quanto maior a riqueza, maior o desprendimento! É preciso de radicalidade, “vender tudo” para adquirir o tesouro ou a pérola. 

Mas, há um passo prévio: a descoberta, o ver claramente. Tanto o caminhante como o comerciante vendem tudo porque se convenceram de que o investimento valia a pena.

São apresentadas duas opções para que cada qual possa identificar-se: ou você compra ou não, perdendo a chance de sua vida. A pessoa de nossa parábola, ao ser encontrada pelo tesouro, sai” de si para vender quanto tem, e compra aquele campo. Faz tudo isso a partir de dentro, como se houvesse conectado com algo pessoal e íntimo, que lhe permite “sair” do mais profundo de si mesmo. E esse duplo movimento é carregado de uma grande alegria.

Outros, não nasceram para estarem quietos, pois continuam a pérola maior, até encontrá-la. E quando a encontram, compram-na. A pérola também sai ao encontro daquele que a busca.

A decisão e o risco que assumiram, tanto o comerciante de pérolas quanto o nosso caminhante, mudaram suas vidas. O tesouro e a pérola continuarão sendo valiosos, quer eles vivam com fidelidade e paixão ou não. O que os transforma a vida não é o tesouro ou a pérola em si, mas a atitude e a decisão que tomam, atraídos por eles

Quando a pessoa se fecha às surpresas da vida, ou quando deixa de esperar algo bom e precioso, ela se invalida para ser descobridora de tesouros ou buscadora de pérolas.

Para deixar-nos encontrar pelo tesouro e pela pérola é preciso deslumbrar-nos, fascinar-nos, encantar-nos, apaixonar-nos. Parece simples, mas é muito evocador: O que dá sentido à vida é mais importante do que a própria vida.

E como encantar-nos? Não é só questão de vontade, mas de viver com os olhos abertos, atento à realidade externa e interna, para nos deixar encontrar pela pérola preciosa e pelo tesouro escondido; diante desta surpresa, não poderemos deixar de ficar fascinados.

Talvez nosso maior problema seja que, na realidade, o que nos interessa são nossas posses e apego à autoimagem e não descobrimos nada. Sem “descer” ao chão de nossa interioridade não descobriremos regiões novas nem novos horizontes do nosso reino interior. Uma nova qualidade de vida passa pela “descida” aos campos de nosso coração.

É preciso “descer” até o fundo para descobrirmos uma nova riqueza; é “descendo” que poderemos revitalizar a vida que se torna vazia e ressequida com o passar dos anos. Não basta falar de “pedra preciosa”, é também necessário “escavar” nosso “chão interior” e alargar o próprio coração, para encontrar o “fio de ouro” no meio dos cascalhos.

A vida está sempre oculta nas nossas profundezas. A pessoa superficial se confunde com suas ideias e coisas... É no coração que existem os aspectos positivos de nossa personalidade, os talentos naturais e as boas tendências. 

Fazer como os pescadores de pérolas das ilhas do pacífico. A ilha é miserável, mas o fundo do mar é rico em pérolas. Eis o caminho da verdadeira espiritualidade: “descer” até o fundo, mergulhar no oceano interior, onde estão escondidas as pérolas que dão significado e sentido à vida. E depois, encantados com a descoberta, trazê-las à tona e colocá-las a serviço dos outros.

Ajudar os outros é o maior tesouro!

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