O Papa tem um salário?


Muitas vezes, aquela imagem do Papa renascentista, que desfruta uma vida luxuosa e sem escrúpulos, segue no imaginário popular. Na cabeça das pessoas, o pontífice continua sendo aquele velho monarca que vive em função do acúmulo de riquezas. Não é bem assim. 
É certo que a reputação do catolicismo, em algumas fases de sua história, não foi das melhores. E, na atualidade, alguns cardeais, bispos e padres continuam apegados àquele "espírito de corte" ao qual o Papa atual se opõe de maneira exemplar.
Afinal, o papa recebe salário? A resposta é não. Em vez disso, padres diocesanos, bispos e cardeais recebem uma contribuição pelo serviço prestado à instituição, que na linguagem eclesial é chamada de "côngrua".
O Papa é o único chefe de estado que não recebe nenhum tipo de remuneração. Ele não pode ter jatinhos, carros particulares nem prédios. Suas despesas e necessidades são pagas pelo Vaticano. Além disso, é proibido acumular patrimônios em seu nome após a eleição. Cartões de crédito? Nem pensar.
Um dos documentos que atestam essa práxis contemporânea é o testamento de João Paulo II. Em um trecho da carta, ele diz: "Não deixo nenhuma propriedade em meu nome. Somente as coisas que usei no meu quotidiano. E peço que essas coisas sejam distribuídas como vocês acharem melhor".
O papa Paulo VI, que governou a Igreja entre 1963 e 1978, declarou, em seu testamento, "que morria pobre", reconhecendo a Santa Sé como "sua herdeira universal".
No caso do Papa Francisco, é ainda mais evidente esse desapego. Por ser religioso jesuíta, não possuía nenhum tipo de propriedade antes de ser eleito Papa.
O Papa Francisco condena padres que investem o dinheiro em carros luxuosos e faz um apelo para que esses clérigos, principalmente, adotem um estilo de vida modesto, postura exigida pelo próprio Código de Direito Canônico no artigo  282: "Os clérigos cultivem a simplicidade de vida e abstenham-se de tudo o que tenha ressaibos de vaidade".

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