5. JESUS ME CONVIDA A SEGUI-LO E A GERAR FRATERNIDADE.

 

O ser humano está feito de tal maneira que não se realiza e nem pode encontrar a sua plenitude a não ser no dom de si mesmo aos outros. E não chega a reconhecer a sua própria verdade, senão no encontro com os outros. Aqui está um segredo da existência humana autêntica, já que a vida subsiste onde há vínculo de comunhão e fraternidadeA vida é mais forte do que a morte, quando se constrói sobre verdadeiras relações e vínculos de fidelidade. Pelo contrário, não há vida quando se tem a pretensão de pertencer apenas a si mesmo, e de viver como ilhas. Ninguém é perfeito!

 

O amor cria vínculos e amplia a existência. Não posso reduzir a minha vida à relação com um pequeno grupo, nem mesmo à minha família, porque é impossível compreender-se a si mesmo sem uma teia mais ampla de relaçõesA minha relação com uma pessoa é sadia se me abre aos outros. As formas mais nobres de amizade habitam em corações que se deixam completar. Os grupos fechados e os casais autorreferenciais que se constituem como um «nós» contraposto ao mundo inteiro, habitualmente são formas idealizadas de egoísmo e mera autoproteção.

 

A hospitalidade é uma maneira concreta de não se privar deste desafio e deste dom. 

 

A estatura espiritual duma vida humana é medida pelo amor. O maior perigo é não amar. Ninguém amadurece nem alcança a sua plenitude, isolando-se. O amor exige uma progressiva abertura, e capacidade de acolher os outros: Vós sois todos irmãos (Mt 23, 8). 

 

Assim, nos dinamismos da história – independentemente da diversidade das etnias, das sociedades e das culturas –, vemos semeada a vocação a formar uma comunidade feita de irmãos que se acolhem mutuamente e cuidam uns dos outros.

 

Cada irmã ou irmão que sofre, abandonado ou ignorado pela sociedade, é um forasteiro existencial, embora tenha nascido no mesmo país. O racismo é um vírus que muda facilmente e, em vez de desaparecer está sempre à espreita. 

 

Quero lembrar estes «exilados ocultos», que são tratados como corpos estranhos à sociedade. Muitas pessoas com deficiência «sentem que vivem sem pertença nem participação». O objetivo não é apenas cuidar delas, mas «acompanhá-las e “ungi-las” de dignidade para uma participação ativa na comunidade civil e eclesial». Penso igualmente nos «idosos, que, inclusive por causa da sua deficiência, são por vezes sentidos como um peso». Permiti que insista: «Tende a coragem de dar voz àqueles que são discriminados por causa de sua condição de deficiência, porque infelizmente, em certas nações, ainda hoje é difícil reconhecê-los como pessoas de igual dignidade».

 

Se uma globalização pretende fazer a todos iguaisdestruiria a riqueza e a singularidade de cada pessoa e de cada povo». O futuro não é “monocromático”, mas diverso na variedade das contribuições que cada um pode dar. A nossa família humana deve aprender a viver em harmonia e paz, sem necessidade de sermos todos iguais!

 

Retomemos a parábola do bom samaritanoHavia um homem ferido no caminho. As pessoas que passaram ao lado se omitiram. O homem ferido e abandonado era um incómodo para eles. Era um «ninguém». Entretanto, o generoso samaritano livre das etiquetas e estruturas, foi capaz de interromper a sua viagem, e ajudar o homem ferido. 

 

Hoje vivemos isolados. A fraternidade não é resultado apenas de situações onde se respeitam as liberdades individuais. Que sucede quando não há a fraternidade nem uma vontade traduzida em educação e diálogo? A liberdade se atenua, predominando uma condição de solidão, de pura autonomia. 

 

O individualismo não nos torna mais livres nem mais irmãos. A soma dos interesses individuais não é capaz de gerar um mundo melhor para toda a humanidade. O individualismo radical é o vírus mais difícil de vencer

 

Para caminhar rumo à amizade social e à fraternidade universal, precisa dar-se conta de quanto vale um ser humano. O facto de ter nascido num lugar com menores recursos não justifica que algumas pessoas vivam menos dignamente. Todo o ser humano tem direito de viver com dignidade e desenvolver-se integralmente, e nenhum país lhe pode negar este direito fundamental. Quando não se salvaguarda este princípio elementar, não há futuro para a fraternidade nem para a sobrevivência da humanidade. 

 

Alguns nascem em famílias com boas condições económicas, recebem boa educação, ou possuem por natureza notáveis capacidades. Mas, obviamente, não se aplica a mesma regra aos deficientes ou àqueles que nasceram num lar extremamente pobre. Se a sociedade se reger primariamente pelos critérios da liberdade de mercado e da eficiência, não há lugar para tais pessoas, e a fraternidade não passará duma palavra romântica. 

 

Enquanto o nosso sistema económico-social produzir uma só vítima e enquanto houver uma pessoa descartada, não poderá haver a festa da fraternidade universal

 

Uma sociedade humana e fraterna preocupa-se por garantir, de modo eficiente e estável, que todos sejam acompanhados no percurso da sua vida, e assegure as suas necessidades básicas, mesmo que o seu rendimento não seja o melhor, sejam lentos, ou sua eficiência não seja relevante. 

 

PARA ORAR: 

1.    Jo 2, 1-12. O vinho bom...

2.    Jo 2, 13-25.  Purificação do Templo...

3.    Mt 8, 23-27.  Tempestade acalmada...

4.    Mt 10, 1-15. Chamados e enviados...

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