03. CULTURA DA INDIFERENÇA...

 


Ter dúvidas e temores não é um pecado. O pecado é deixar que estes medos determinem nossas respostas, condicionem nossas eleições, comprometam o respeito e a generosidade, alimentem o ódio, a rejeição. O pecado é renunciar o encontro com o outro, o encontro com aquele que é diferente, que na realidade é uma oportunidade privilegiada de encontrar-se com o Senhor” (Papa Francisco – Homilia na Jornada Mundial do Migrante e do Refugiado – 14/01/2018).

 

Todo ser humano, em comunhão com o seu Criador e com os outros, experimenta em si mesmo a força paralisante dopecado, que limita sua tentativa de viver como filho e irmão. O pecado é ruptura de uma aliança com o Criador, com os outros e com as criaturas; é uma quebra do amor. 

 

É no encontro com a Misericórdia infinita que devemos nos situar como pecadores. Vejamos o dinamismo do mal, entranhado no nosso interior, projetos e ações. Há uma “história de pecado”, desintegração e divisão... Ao distanciar-nos do Criador, rompemos com as criaturas. Descobrir o que nos deforma, despersonaliza e desumaniza, ofuscando aquela “imagem e semelhança” de Deus. A cultura da indiferença mata. Os problemas dos outros não nos dizem respeito? Fome e sofrimento, maldade e violência não nos afetam?

 

A indiferença é cruel, pois edifica uma barreira entre nós e os outros. E da indiferença passa-se aos discursos fascistas, e às práticas fundamentalistas. A cultura da indiferença é fortalecida quando deixamos de acreditar que a realidade pode e deve ser diferente. 

 

pecado é ruptura de relações, por isso Inácio de Loyola pede para fazer o colóquio de misericórdia: olhando CristoCrucificadoO rosto desfigurado de Cristo deixa transparecer o rosto doído da humanidade. A indiferença des-figura; o encontro com o Crucificado trans-figura.

 

Como filhos pródigos restabelecemos a ligação com o Todo e com todos! Disso brota “a exclamação de admiração com intenso afeto por todas as criaturas...” (EE. 60). E graças a uma “conspiração misericordiosa” da Criação, não fomos aniquilados pelas rupturas do amor e da amizade. Deus nos redime. O perdão recebido nos leva a sair de nós mesmos e devolve ao mundo a condição paradisíaca. A graça que recebemos é estar com Ele e com Ele caminhar.

 

Como água viva, Jesus sacia toda sede. Seu ministério de reconciliação com Deus e de uns com os outros não conhece fronteiras.

 

Nossa vocação é de construir pontes. Frente à “cultura da indiferença”, globalizemos a solidariedade.

 

Conversão é orientar cabeça e coração para as “margens”, e ativar o dinamismo da misericórdia, desenvolvendo uma sensibilidade solidária. O que buscamos ao meditar os “pecados de raiz” é alimentar o desejo para que o mundo seja lugar de encontro e de comunhão.

 

Indiferença, nunca mais!

 

PARA ORAR: 1. Lc 18, 9-14 (Fariseu e Publicano); 2. Lc 7, 36-50 (pecadora perdoada); 3. Lc 13, 10-17 (mulher encurvada); 4. Ez 36, 22-32 (coração novo

 

REVISÃO DA ORAÇÃO: 1. Como se sentiu?; 2. Dificuldades encontradas; 3. Deus na sua oração...

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