2º DTC: RETORNO À MORADA INTERNA... (Cf. Pe. A. Palaoro SJ)

Foram, pois, ver onde Ele morava e, nesse dia, permaneceram com Ele... (Jo 1,39) 

 

Queremos marcar a experiência da caminhada contemplativa com Jesus, ao longo deste ano litúrgico, fazendo referência ao início da sua atividade pública, no evangelho de João: um relato de busca e de seguimento. Dois discípulos, que escutaram o Batista, começam a seguir o Mestre de Nazaré, sem dizer palavra alguma. Há algo n’Ele que os atrai, embora ainda não sabem quem Ele é nem para onde os levará. Para seguir a Jesus não basta escutar o que os outros dizem dele, mas é necessária uma experiência pessoal.

 

“Que buscais?”. São as primeiras palavras de Jesus no 4º evangelho. Aqueles dois discípulos ainda não conseguem imaginar até onde essa aventura poderá levá-los, mas intuem que Jesus poderá ensinar-lhes algo que ainda não conhecem; a resposta deles é outra pergunta: “Mestre, onde moras?”

 

Onde vive, como e para quê. A resposta de Jesus é a de um verdadeiro mestre: Vinde e vede”. 

 

A pergunta de Jesus leva os dois discípulos a conectar-se com seu ser mais profundo. Uma pergunta que os conduz a um diálogo consigo mesmos. A pergunta dos discípulos – “Mestre, onde moras” – indica o desejo de um retorno à “morada interna”.

 

O verdadeiro discipulado é “estar com”, morar juntos... “Vinde e vede!”: Jesus lhes oferece sua morada, para que aprendam a fazer um percurso interior.

 

Os discípulos acolhem o convite, vão com Jesus e convivem com Ele naquele dia; sentem-se impactados pelo estilo de vida de Jesus. Veem como Ele vive e descobrem que é o Messias de Israel. 

 

As primeiras palavras de Jesus também nos deixam desconcertados, porque vão ao fundo e tocam as raízes mesmas de nossa vida. Jesus continua se dirigindo a cada um de nós com uma pergunta que nos remete ao centro do nosso coração: que estais buscando?

 

É preciso aceitar viver à busca de Deus. A Ele é que se deve buscar. Por iniciativa, Ele busca a todos, vai ao encontro de cada um. Ninguém fica de fora. A lógica de contínua busca deve permear o coração de cada um de nós, colocando-nos a serviço da vida, unicamente por amor. 

 

Como todo ser humano, também nós andamos buscando algo mais que uma simples melhora de nossa situação. Quando nos interrogamos sobre o sentido de nossa existência, deixamos transparecer, nas profundezas do nosso coração, a nostalgia da dimensão perdida, ou seja nossamorada interior.

 

Buscar a Deus é buscar a nós mesmos, a nossa própria interioridade onde habita nossa felicidade, quietude, unidade, paz, verdade, amor, harmonia… A busca chega a seu fim no dia em que descobrimos que o buscador é primeiro buscado

 

No contexto social pós-moderno, muitas pessoas relatam que perderam também seu lar interior. Elas se percebem sem o sentimento de acolhida e proteção, e não sabem mais quem são. Perderam seu sentimento de pertença e segurança.

 

Neste mundo disperso, o percurso contemplativo da pessoa de Jesus nos dá referências e amparo. A pergunta que Ele dirige aos seus futuros discípulos nos remete à vivência em nossa casa interior. Entramos em contato com algo que sabemos estar encoberto pelas cinzas existenciais. É anseio pelas raízes, a partir das quais podemos viver com mais intensidade e sentido.

 

Ansiamos um espaço onde possamos ser nós mesmos. Espaço no qual podemos entrar em contato com algo que nos plenifica e nos expande. Espaço no qual Deus mesmo habita em nós. Ali, nós somos plenamente nós mesmos, salvos e íntegros. 


A terra é nossa Casa comum...


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