19ª DTC. Fomes e sedes que plenificam a vida... (cf. Pe. A Palaoro SJ)

 Eu sou o pão da vida... (Jo 6,48)


 

Continuamos com o tema do domingo passado: Jesus é “pão”, sua vida é alimento, é comunhão que nós partilhamos e oferecemos, uns aos outros, sendo, dessa forma, Eucaristia. Este evangelho da comunhão começou em Cafarnaum. Todos somos marcados por profundas carências, fomes e sedes que nos mobilizam e ativam o impulso de busca.

 

O decisivo é ter fome da Vida que Jesus nos oferece: encontrar-nos com Ele, e abrir-nos à sua verdade para que nos marque com seu Espírito. Ilumine e transforme a vida sem evangelizar.

 

Alimentar-se de Jesus é voltar ao mais genuíno, e ao mais autêntico de seu Evangelho; despertar nossa consciência de discípulos e seguidores para fazer d’Ele o centro de nossa vida. O procedimento para dar vida em plenitude, é o caminho da “descida”, do despojamento de toda grandeza e privilégio.

 

O comer e o beber são símbolos incrivelmente profundos daquilo que devemos fazer com a pessoa de Jesus. É preciso nos identificar com Ele, fazer nossa sua própria Vida, “mastigá-lo”, digeri-lo, e apropriar-nos de sua substância. Sua Vida passa a ser nossa própria Vida. Se comungamos sem nos identificar com Ele, teremos uma indigestão.

 

Partir e compartilhar são verbos relacionados com a palavra “parte”, que indica que o todo não está concentrado em um só lugar. A palavra “parte” orienta para a pluralidade, e supõem uma ação com matizes diferentes. Compartilhar supõe que a pessoa que parte e reparte, desfruta conjuntamente com as outras pessoas do bem repartido.

 

Se partir foi egoísta, o compartilhar é um gesto de fraternidade, de amor e proximidade. Compartilhar é ter uma só alma e um só coração. Quando o pão é compartilhado vive-se a alegria do gesto oblativo. Foi o realizado por Jesus na multiplicação dos pães e peixes. Ele tomou os pães, deu graças, partiu-os, repartiu-os e compartilhou-os com todos. No gesto de partir, e compartilhar o pão, Jesus estava apontando para uma realidade muito mais profunda e vital, pois era o mesmo Jesus que se partia e se entregava aos seus. Jesus compartilha o pão e sua vida. Aqui revela-se o pleno sentido desta forte expressão de Jesus: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente”. 

 

Só vidas compartilhadas são capazes de fazer gestos de proximidade, acolhida e serviço... Vidas compartilhadas possibilitam a realização do sonho do Pai: unidade na diversidade.

 

Esvaziamos o sentido da Eucaristia, quando não compartilhamos o que somos e temos. A finalidade da eucaristia não é tanto consagrar um pedaço de pão e um pouco de vinho, mas o de tornar sagrado (consagrar) todo ser humano, identificando-o com o mesmo Jesus, para que se parta, reparta e se entregue no serviço em favor da vida. Sem compromisso com a vida, a Eucaristia torna-se estéril, gesto piedoso e desencarnado, longe d’Aquele que partiu, repartiu e compartilhou sua Vida em favor de todos.

 

Esta é a verdade radical do Evangelho: todos somos “pão eucarístico”.

 

Dessa forma, a mensagem de Jesus (discurso do Pão da Vida) apresenta-se como o programa mais completo de vida. Frente à economia neo-liberal do livre mercado e do triunfo dos interesses egoístas, à custa dos demais, Jesus revela o programa da vida que se faz “pão” para ser compartilhado.

 

O verdadeiro “capital” não é o “dinheiro externo” (manipulado pelos grandes bancos). O verdadeiro capital é o ser humano que se faz pão-capital para os outros.

 

Sem a conversão do ser humano em pão para os outros, nossa humanidade não terá saída. 

 

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