A BOA NOTÍCIA QUE LIBERTA... (cf. Pe. A. Palaoro sj)

 

 

O Espírito do Senhor está sobre mim, ele me consagrou com a unção... (Lc 4,18)

 

O evangelho deste domingo faz referência ao início da vida pública de Jesus, na Galileia, depois do batismo e da experiência no deserto. Ele se apresenta em Nazaré, onde causa espanto ao dizer que veio em nome dos pobres e excluídos; e faz isso tomando as palavras do profeta Isaías.

 

Diferentemente dos mestres da Lei e dos escribas, o ensinamento de Jesus parte da realidade humana de sofrimento, exclusão, preconceito... Estamos numa sinagoga em dia de sábado. No entanto, Jesus convida a ter um olhar mais amplo para a realidade da exclusão.

 

Jesus se apresenta como o “ungido” pelo Espírito (Cristo) porque declara cumpridas, em sua vida e em sua pessoa, as promessas da antiga profecia que se revelavam como libertação dos oprimidos, encarcerados e estrangeiros. Ele aparece como o Ungido por excelência; o Pai lhe comunicou seu Espírito para anunciar a “boa notícia” aos pobres e necessitados, e aos famintos de pão. Para Ele, evangelizar passou a significar oferecer vidae abrir caminhos de esperança.

 

O Espírito de Deus está em Jesus enviando-o aos pobres e aos mais necessitados. 

 

Após a leitura do texto do profeta Isaías, na sinagoga em Nazaré, a palavra de Jesus move a todos a se situar no presenteHoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvirEm Lucas, se trata de um “hoje” continuado e sempre atual. É um “hoje” que poderia ser traduzido por “aqui e agora”, presente atemporal no qual tudo está bem, onde tudo é benção, graça, liberdade e Vida. 

 

O evangelho de hoje termina com uma promessa de vida. Cada um desses “hoje” remete o leitor a seu próprio presente. Por isso, não perdem nunca sua atualidade, sempre que o leitor ou ouvinte acolha o dom desse “tempo novo”. É o “hoje de Deus” que coincide com o “nosso”. O “hoje” que Jesus nos mostra é um tempo de graça para todos.

 

Deus não só nos liberta, ele é libertação. A liberdade deve ser o estado natural do ser humano. Por isso, a “boa notícia” é dirigida a todos os que padecem qualquer tipo de submissão. A libertação chega para todos os oprimidos e de todas as opressões.

 

É preciso recordar sempre: Jesus está longe de um mero assistencialismo... Jesus inaugura uma nova ordem integral, a única que permite falar de uma libertação real. Quando se fala de “opção preferencial pelos pobres”, facilmente pensamos numa mentalidade assistencialista: “Evangelizar é libertar através da palavra (Pe. Nolan, OP). Uma palavra que se mantém em cima do muro e não provoca solidariedade não é herdeira da “palavra bendita” de Jesus.

 

Portanto, o sentido de nossa existência cristã não está em “divinizar-nos”, mas em “humanizar-nos”. “ponto de encontro” entre Deus e os seres humanos não foi só o “divino”, senão o “divino humanizado”.

 

 Esta é e sempre será a boa notícia que nos liberta.



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